Colunistas

CLAÚDIO HUMBERTO

O governo trabalha pela instabilidade jurídica e econômica"

Deputado Hélio Lopes (PL-RJ) sobre a saída recorde de dólares do País em 2025

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Irã já pode ter matado 6.000 jovens, e Lula se cala

O governo Lula (PT) mantém silêncio vergonhoso, que não surpreende, sobre as atrocidades cometidas pelos seus aliados do Irã, cujas forças de repressão podem ter matado mais de 6.000 manifestantes desde o início dos protestos nas ruas de Teerã, em 28 de dezembro.

A informação é da ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega. Há subnotificação de vítimas fatais, por isso até o início da noite desta segunda-feira (12), somente era possível confirmar cerca de 700 mortes.

Apagão digital

Apagão digital imposto pela ditadura dos aiatolás dificulta a coleta de dados, mas registros convencionais apontam para mais de 6.000 mortos.

Diplomacia cega

O Itamaraty distribui notas sobre quaisquer acontecimentos em outros países, mas se omite diante dos crimes cometidos por ditadores amigos.

Maioria era jovem

A maioria dos assassinados pela teocracia tinha menos de 30 anos, segundo Mahmood Amiry Moghaddam, diretor da IHR.

Amigos e ídolos

Lula relativizou a invasão da Rússia, e sempre passa pano para ditadores amigos e ídolos, como Maduro e Danel Ortega, entre outros.

PT não deve levar pasta da Segurança Pública

A nomeação de um petista para comandar a eventual pasta da Segurança Pública, se ocorrer, será provisória. Entre as condições de Lula para desmembrar o Ministério da Justiça e Segurança Pública está um aceno aos governadores. De olho no voto e sem pressa, Lula busca um perfil aguerrido, mas que não encontre portas fechadas nos Estados.

A avaliação do petista é que pouco resolve criar o ministério agora, sem orçamento e sem aprovação da proposta da segurança pública.

Nome da área

Lula pediu nomes fora da política e mais afastado do judiciário. A ideia é que seja um profissional ou especialista em segurança pública.

Sem interesse

A vaga, por ora, não interessa tanto assim aos políticos. Em ano eleitoral, ministros precisam deixar os postos até abril para disputar eleição.

Interesse baiano

O PT baiano, especialmente o líder de Lula no Senado, Jaques Wagner, tenta emplacar Wellington César Lima e Silva com uma vaga no rateio.

Vapt-vupt

A reunião entre os presidentes do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo Filho, que teve a crise do Master na pauta, mal deu tempo para o café. Durou menos de meia hora.

Falando nisso

A tal inspeção no Bacen, inventada pelo TCU, que nada tem a ver com a liquidação do Banco Master, deve ser ligeira. O presidente da corte de contas, que não é um tribunal, apesar do nome, deve durar até 30 dias.

Enxaqueca

Ex-petista e rompida com Lula, Heloísa Helena (Rede-RJ) já dá dor de cabeça ao governo. A suplente em exercício do barraqueiro Glauber Braga (Psol) cobra pela CPI do Banco Master, sem adesão no PT.

A picanha sumiu

Com o preço da picanha em alta de até 15%, Marcos Rogério (PL-RO) ironizou a promessa de Lula de “churrasco e cerveja”. Lembra o senador: "Prometeram picanha no prato. Entregaram comida mais cara".

Boquinha de siri

Deltan Dallagnol (Novo) cobrou Lula pelo constrangedor silêncio: "correu pra parabenizar Wagner Moura pelo prêmio nos EUA, mas até agora nenhuma palavra sobre as vítimas assassinadas pela ditadura do Irã”.

Pra ontem

Revelado elo entre irmãos do ministro Dias Toffoli (STF) e fundo ligado a suspeitas no caso do Banco Master, Magno Malta (PL-ES) cobra o fim do recesso parlamentar para, diz o senador, passar o “Supremo a limpo”.

Cachê bem pago

O diretor que fez figura no Globo de Ouro já contou em filme a mentira de que Dilma foi “vítima de golpe”, e o ódio dessa turma não é “gratuito”, como de boa-fé acreditou. Custaram R$7,5 milhões governamentais.

Impostômetro

Já deixamos para trás a marca de R$150 bilhões em impostos tomados dos brasileiros. A marca foi batida e superada no domingo (11). A conta é do impostômetro, iniciativa da Associação Comercial de São Paulo.

Pergunta no Irã

Nota de protesto é só contra a prisão de amigos ditadores?

PODER SEM PUDOR

Conversa de bêbado

Benedito Valadares foi chamado ao Palácio do Catete, no Rio, para receber de Getúlio Vargas a melhor notícia de sua vida: seria nomeado governador de Minas Gerais. Mas o ditador ordenou-lhe segredo absoluto por uma semana. Angustiado, Valadares ia à Pedra do Arpoador, todos os dias, para gritar a plenos pulmões: “Eu sou o novo governador de Minas!” No sexto dia, ele não se agüentou e contou tudo à mulher. D. Odete não acreditou: “Mas, Benedito, você não me garantiu que tinha deixado de beber?”

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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