Colunistas

CLAÚDIO HUMBERTO

"O que ele quer tanto esconder?"

Deputado Carlos Jordy (PL-RJ), sobre o vai e vem nas decisões do ministro Dias Toffoli

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PT descarta chapa “puro sangue” de Lula em 2026

De olho no espólio de Lula pós-2026, facções do PT começaram a aventar a possibilidade de uma chapa “puro sangue”, só com petista, nas eleições deste ano. O devaneio, debelado dentro do próprio partido, serviria para turbinar um nome para suceder a Lula, que não poderá ser reeleito em 2030, caso seja eleito este ano, e, ainda que perca, terá avançados 85 anos. Apesar de o assunto ser discutido com alguma reserva internamente, a história vazou e causou incômodo no PSB.

Candidatos

Os entusiastas da ideia citam os nomes de menos dois ministros: Camilo Santana (Educação) e Fernando Haddad (Fazenda).

Sem chance

Influente membro da executiva nacional petista confirmou à coluna que o PT não vive o apogeu eleitoral e a chapa puro sangue está descartada.

Vice aprovado

Geraldo Alckmin segue como favorito para repetir a dobradinha, mas o vice precisa bater o martelo se fica ou disputa majoritária em São Paulo.

Cenários

O PT deixa claro ao PSB que a preferência não é do partido, mas de Alckmin. O MDB, por exemplo, está de olho na cadeira de vice.

Servidores do TST torram R$2 milhões em diárias

O vai e vem de servidores, juízes auxiliares, desembargadores e até “colaboradores eventuais” do Tribunal Superior do Trabalho (TST) custou R$ 2.027.225,45 apenas em 2025. Os dados foram levantados pela coluna com informações do Portal da Transparência. A maior parte das viagens foi nacional e inclui Brasília como um dos trechos. Entre as justificativas estão eventos de formação e correições ordinárias. O TST foi procurado para se manifestar. O espaço segue aberto.

Malas prontas

O maior custo unitário foi de R$71,4 mil para uma viagem da ministra Katia Magalhães Arruda para Lisboa (Portugal).

Gastam mesmo

O pico da gastança ocorreu em abril e agosto, que registra viagens com destinos como Lima (Peru) e Belém (PA), R$ 280 mil em cada mês.

Motivos

A viagem internacional a Lima foi justificada com cursos de qualificação. No caso da capital paraense, foi a fracassada COP-30. 

Batismo

"Já pode chamar este escândalo [do Banco Master] de Toffolão ou ainda está cedo?", a provocação é do senador Alessandro Vieira (PL-RJ), que vê interferências do ministro do STF no caso do Banco Master.

Sine qua non

Pegou mal deboche de Alexandre de Moraes n a formatura da turma de Direito da USP. O deputado Sanderson (PL-RS) voltou a defender o impeachment do ministro do Supremo para a “volta da democracia”.

Hermanos

A taxa de pobreza de Buenos Aires, capital da Argentina, sob comando do governo libertário de Javier Milei, registrou recuo de mais de 10% no terceiro trimestre de 2025. A indigência também caiu, de 11% para 5,3%.

Fracasso retumbante

Não bateu 2% da meta pretendida pelo governo para o “Voa Brasil”, que tentou vender para velhinhos passagens aéreas encalhadas em horários cruéis. Foram 52 mil bilhetes até este mês. O pretendido: 3 milhões.

Pente fino

Rendeu representação no TCU apontamento da Transparência Internacional de risco de fraudes no Novo PAC. É o senador Eduardo Girão (Novo-CE) quem pede investigação sobre a eventual falcatrua.

Caso pensado

Eduardo Bolsonaro não gostou da brincadeira de Alexandre de Moraes (STF) com possível ironia após transferência de Jair Bolsonaro. Diz que o ministro tenta intimidar a todos, “se mostra perverso de propósito’, diz.

Dois por um

Não foi só o ministro Gilmar Mendes (STF) que Michelle Bolsonaro se encontrou esta semana. Também falou com Alexandre de Moraes. Aos dois, o pedido foi um só: prisão domiciliar para o marido Jair Bolsonaro.

Desagradou

A atuação de Dias Toffoli no caso do Banco Master rendeu críticas da associação dos peritos criminais federais. A associação diz que vê com preocupação e risco as limitações impostas pelo ministro do STF.

Pensando bem...

... bom era quando juízes (e ministros) só falavam nos autos.

PODER SEM PUDOR

Cabeça chata

Baixinho, atarracado e quase sem pescoço, o marechal cearense Humberto de Alencar Castello Branco certa vez reagiu assim à pilha de processos levada a ele pelos ministros Octávio Bulhões e Roberto Campos:

- Os senhores sabem por que eu tenho cabeça chata? É de tanto os senhores baterem nela e me pedirem: ‘Assina logo isso aí, presidente’...

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Por que estamos tão esgotados?

21/04/2026 08h00

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Ultimamente, a palavra cansaço deixou de ser apenas um estado passageiro e passou a se tornar quase uma identidade coletiva. Muitas pessoas relatam se sentir constantemente esgotadas, seja mental, emocional ou até fisicamente. Isso levanta uma pergunta importante: por que estamos tão cansados? 

Parte da resposta está em como tradicionalmente entendemos saúde mental. Durante muito tempo, considerou-se que estar mentalmente saudável significava simplesmente não apresentar um transtorno psicológico. Ou seja, na ausência de ansiedade, depressão ou outras condições clínicas, presumiríamos que a mente estaria funcionando bem. 

Mas saúde mental não é apenas a ausência de doença. Ela também envolve a presença de um funcionamento cognitivo e emocional saudável. Isso inclui capacidade de atenção, clareza mental, autoconhecimento, regulação emocional, flexibilidade psicológica, autocontrole, capacidade de tomar boas decisões, entre outros. 

Quando essas habilidades relacionadas às chamadas Funções Executivas começam a falhar, mesmo sem um diagnóstico clínico, o resultado frequentemente aparece na forma de fadiga mental, irritabilidade e sensação de sobrecarga constante. 

Vivemos em um ambiente que exige muito do cérebro. A quantidade de estímulos, decisões, informações e pressões diárias pode ultrapassar a capacidade natural do nosso sistema de processar tudo de forma equilibrada. Ao mesmo tempo, muitos dos hábitos que sustentam o bom funcionamento cerebral, tais como pausas mentais, sono reparador, atenção plena e regulação emocional, acabam sendo negligenciados. 
O esgotamento, portanto, muitas vezes não é um sinal de fraqueza individual, mas um indicador de que nossos sistemas mentais estão operando em modo de sobrevivência por tempo prolongado.
Mas você já percebeu que nem tudo que nos recarrega é necessariamente descanso? 

Veja, muitas atividades que nos devolvem vitalidade podem até cansar o corpo, mas ainda assim restauram nossa energia vital. Isso acontece, porque elas despertam nosso sentido de propósito, algo fundamental para o cérebro humano. Conversar com pessoas queridas, dedicar-se a um projeto significativo ou contribuir para algo maior do que nós, pode exigir esforço, mas, paradoxalmente, também nos reenergiza. 

No meu mais recente livro “Neurociência Positiva”, proponho olhar para a saúde mental de forma mais ampla. Em vez de perguntar apenas “como evitar o adoecimento”, devemos começar a perguntar também “o que faz o cérebro funcionar bem?” 

Essa mudança de perspectiva é fundamental para cultivarmos efetivamente uma saúde mental e não apenas para evitarmos, ou reduzirmos, a incidência de doenças ou os seus sintomas.

Assim, talvez o cansaço coletivo que vemos hoje seja, na verdade, um convite para repensarmos nossa percepção de saúde, nossa relação com a produtividade e com aquilo que realmente nos devolve energia. Afinal, o cérebro humano não foi feito apenas para suportar demandas, mas para encontrar sentido, equilíbrio e direção. 

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Quem responde quando a IA erra na saúde?

21/04/2026 07h30

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Uma reportagem recente do New York Times trouxe à tona um movimento que tende a se intensificar nos próximos anos: grandes empresas de tecnologia estão desenvolvendo ferramentas capazes de analisar prontuários médicos, resultados de exames e até dados coletados por dispositivos móveis. A promessa é sedutora: centralizar informações de saúde que hoje são dispersas, facilitar o acesso do usuário aos seus dados e, em última análise, melhorar a tomada de decisões.

É inegável que se trata de um avanço tecnológico relevante. Mas, na prática, o cenário é mais sensível – e mais arriscado – do que parece. Dados de saúde não são informações comuns. São classificados como dados sensíveis, pois dizem respeito à intimidade mais profunda do indivíduo. Sua centralização em plataformas digitais, embora eficiente, pode se transformar em ponto crítico de vulnerabilidade, altamente atrativo para ataques cibernéticos.

Mas o problema não é apenas técnico. É jurídico. Há registros de que sistemas de inteligência artificial já falharam na identificação de emergências clínicas ou sugeriram orientações inadequadas. Diante disso, surge uma pergunta inevitável: quem responde quando a tecnologia erra?

Essa discussão ainda é incipiente, mas já se tornou essencial. Nas relações de consumo mediadas por tecnologia, a responsabilidade tende a se diluir entre desenvolvedores, plataformas e eventuais prestadores de serviço. Para o usuário, no entanto, o risco é concreto – e imediato.

Há ainda outro ponto crítico: o consentimento. Em teoria, o compartilhamento desses dados depende de autorização livre, informada e inequívoca. Na prática, o que se vê é a repetição de um padrão já conhecido: termos de uso extensos, linguagem técnica e uma evidente assimetria informacional entre empresas e consumidores.

No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) estabelece um regime mais rigoroso para o tratamento de dados sensíveis, incluindo os de saúde. Ainda assim, a eficácia dessa proteção depende não apenas da norma, mas de sua aplicação concreta diante de tecnologias em rápida evolução.

O Código de Defesa do Consumidor estabelece a responsabilidade objetiva e solidária dos fornecedores. Contudo, essa lógica pressupõe relações de consumo relativamente identificáveis, em que seja possível delimitar com clareza a cadeia de fornecimento e os pontos de controle.

O desafio colocado pela inteligência artificial reside justamente no fato de que decisões são tomadas por sistemas opacos e integrados a múltiplos agentes, muitas vezes sem que seja possível identificar, com precisão, onde ocorreu a falha.

O debate, portanto, não é sobre impedir a inovação, mas sobre a definição clara de seus limites. A incorporação da inteligência artificial à saúde é, ao que tudo indica, inevitável. O que ainda está em aberto é o modelo de responsabilização que acompanhará esse avanço e, principalmente, o grau de proteção que será efetivamente garantido ao consumidor.

A tecnologia continua prometendo respostas rápidas e decisões mais eficientes. O direito, por sua vez, precisa garantir que, quando algo der errado, também exista uma resposta clara.

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