Colunistas

CLAÚDIO HUMBERTO

"O que Lula faz é sequestrar o Estado para seus próprios fins"

Deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) sobre verba pública em escola de samba para bajular o petista

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Emissário de Epstein esteve também com Esteves

O banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, é outro brasileiro citado na recente leva de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA sobre o caso Jeffrey Epstein, financista americano condenado por tráfico sexual de menores. Mas a referência a Esteves está no campo dos negócios: em mensagem a Epstein, de abril de 2012, o consultor inglês Ian Osborne informa, após desembarcar em São Paulo: “Indo de helicóptero agora encontrar o André Esteves. Te ligo quando terminar”.

Terceiros

O encontro é citado na troca de e-mails de Epstein e Osborne, mas não há menção de reunião do financista com Esteves.

Citação

Também são citados encontros de Osborne e Eike Batista, mas, como Esteves, sem relação com crimes sexuais que levaram Epstein à prisão.

Emissário

Osborne é empresário britânico do ramo de tecnologia que representava Jeffrey Epstein em negociações, segundo o noticiário internacional.

Sem resposta

A coluna tentou contato com o presidente e sócio sênior do BTG, por sua assessoria, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto.

Liberdade na internet do Brasil é parcial, diz estudo

Relatório elaborado pela organização Freedom House atribuiu apenas 65 pontos (de 100) à liberdade para acessar e navegar a internet no Brasil. Segundo o estudo Freedom on the Net 2025, a quantidade de pessoas com acesso à web tem aumentado nos últimos anos no País, entretanto derrubam a nota brasileira o bloqueio de perfis de redes sociais pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, citado no estudo, e outras punições contra jornalistas e usuários da internet.

Grande problema

A Freedom House aponta: “jornalistas independentes e ativistas correm o risco de assédio e ataques violentos, e a violência política é elevada”.

Não só no topo

O risco de ações judiciais e punições contra jornalistas que denunciam poderosos também derruba da nota da liberdade na internet do Brasil.

Caso regional

A Freedom House cita o caso do jornalista Ricardo Antunes, condenado a sete anos de cadeia após denunciar esquema em Pernambuco.

Política de desilusão

Já o relatório Freedom in the World 2025, que sobre liberdades políticas e civis das nações, diz que o Brasil é democracia livre, mas “a corrupção é endêmica nos altos escalões” e gera “ampla desilusão da população”.

Ratinho Jr na janela

O nome do PSD para presidente deverá ser Ratinho Junior, governador do Paraná. Eduardo Leite (RS) e Ronaldo Caiado (GO) são também muito bem avaliados, mas Ratinho ocupa a “janela da frente” faz tempo.

Receita obesa

Ao atrair três governadores campeões de voto ao PSD, Gilberto Kassab garante o que interessa: eleger grande número de deputados federais. É o que determina o tamanho da fatia dos fundões eleitoral e partidário.

Encenação

Para a deputada Carol de Toni (PL-SC), o recém-criado programa Gás do Povo é mais um jogo de cena: “É teatro para distrair quatro anos de erros. Mudam o nome, criam um espetáculo”, disse a parlamentar.

Destruição, 46

Nos 46 anos do PT, ontem (10), o partido de oposição PL fez questão de registrar que faltam vontade e honestidade à legenda de Lula: “destruir o Brasil eles sabem, só não chame isso de estar ao lado do povo”, disse.

De boa intenção...

A Frente Parlamentar da Indústria avisa: acabar com a escala 6x1, vendido como suposta proteção, pode fechar empresas, cortar empregos e aumentar a informalidade, alerta o deputado Vitor Lippi (PSDB-SP).

Mudança

Líder da Oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN) avalia que a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência cresce, empolga o povo, e deixa a esquerda e o PT em pânico: “O Brasil quer renovação”, disse.

Grave e autoritário

A Transparência Internacional chamou de “extremamente grave” e “autoritária” a ordem do presidente Lula (PT) à sua militância para atacar quem faz notícias contra o governo. A ONG pede retratação imediata.

Pergunta nas regras

Mandar críticos “para aquele lugar”, como sugere Lula, é soberania?

PODER SEM PUDOR

Tentativas e erros

Certa vez, o então governador Luiz Antônio Fleury chegou a Barretos (SP) e logo um garoto o chamou de “Fernando Henrique”. Bem-humorado, ele avisou que não era FHC e o garoto falante se corrigiu, mencionando outro adversário do governador: “Você é o Quércia!” Diante do espanto de Fleury, o menino se entregou: “Já sei, já sei quem você é!” E afirmou, sem hesitar: “Você é o Suplicy!”

CLÁUDIO HUMBERTO

"É inegável que a crise desgastou a nossa campanha"

Edinho Silva, presidente nacional do PT, sobre os escândalos do Master e do STF

20/09/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Pesquisas previam vida fácil de Lula. Mas a realidade...

A duas semanas do primeiro turno em 2022, o Datafolha previa Lula 12 pontos à frente de Jair Bolsonaro no primeiro turno e o Ipec (que era Ibope) chutava vitória de 15 pontos do petista.

Nas urnas, o placar válido foi 48,4% a 43,2%. No segundo turno, o Datafolha previa vitória de Lula com 16 pontos de vantagem, enquanto o ex-Ibope calculava vitória do petista por 19 pontos. Na realidade, a vantagem foi de 1,8% no 2º turno.

Repeteco?

A 15 dias da eleição de 2026, o Datafolha prevê Lula com 39% a 35% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e 46% a 44%, no segundo.

Muro estreito

O Quaest viu vitória de 8% de Lula em 2022 nos dois turnos. Agora prevê Lula à frente por 5% no primeiro, mas derrotado no segundo turno.

Instituto fechou

A duas semanas da eleição 2018, o Ibope errava em 18% o resultado de Bolsonaro no 1º turno. E ainda previu empate com Haddad no 2º turno.

Chegou perto

O instituto Paraná Pesquisa foi quem mais acertou em 2022. A 14 dias da eleição previa vitória de Lula por quatro pontos no primeiro turno.

Especialista vê presidência de Moraes como surreal

Próximo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a tradição, Alexandre de Moraes pode ter o comando da Corte sob impedimento perante a opinião pública, é o que avalia à coluna o professor, mestre e doutor em Direito Constitucional da USP Rubens Beçak, caso o Supremo abra investigação contra o magistrado.

Beçak diz ainda que os ministros deveriam examinar administrativamente se Moraes poderia continuar com os processos relacionados ao Master.

Peça o boné

Para Max Kolbe, advogado especialista em Direito Constitucional, Moraes deveria até se abster de disputar a presidência, caso investigado.

Situação surreal

Kolbe considera “estarrecedor” um investigado comandar a instituição responsável por supervisionar a apuração da própria conduta: “surreal”.

Não dá

No campo político, as críticas ao ministro são ainda mais incisivas, “é um escárnio com a cara do povo”, disse à coluna Rodrigo Valadares (PL-SE).

Tradição não é regra

Por tradição, o presidente o Supremo Tribunal Federal é o ministro mais antigo que ainda não tenha ocupado o posto. A eleição para sucessão de Edson Fachin deve ocorrer em agosto de 2027. Kassio Nunes Marques é o próximo da fila após Alexandre de Moraes.

Caravana

A chapa Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, do PL, tem investido no Nordeste nestes dias. A meta é percorrer os nove estados da região, tida como prioridade para a campanha.

Arruda no TSE

Derrotado no TRE-DF, José Roberto Arruda (PSD) tenta no TSE validar a indeferida candidatura ao governo do Distrito Federal. Quem vai relatar o recurso na mais alta corte eleitoral é o ministro Dias Toffoli.

Sangria na pauta

O julgamento do dissídio coletivo dos funcionários dos Correios, sem dó da combalida estatal, será nesta segunda-feira (21). Os grevistas querem coisas tipo adicional de 70% sobre férias e 200% sobre repouso ou feriado trabalhado, além de manter regalias tipo vale extra de Natal.

Picadeiro ocupado

Na polêmica sessão do STF que deveria definir se Alexandre de Moraes será investigado pela relação com Daniel Vorcaro, Gilmar Mendes falou durante mais tempo que Cármen Lúcia e André Mendonça... somados.

Foi pouco

Segundo a oposição no Congresso, o aumento do auxílio anunciado por Lula (PT) poderia ser maior do que 15%. “Desde que o imenso rombo da corrupção e do empreguismo público fosse eliminado”, diz um auxiliar.

Nome dado

Rogério Marinho (PL-RN) revelou ao Jornal Gente, da Bandeirantes, que o então líder do governo Lula, Jaques Wagner (PT-BA), recebeu ligação do decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, reclamando e “cobrando” após o Senado aprovar projeto que o STF não gostou.

Detalhe

O projeto que os ministros e Gilmar Mendes não gostaram, disse Rogério Marinho, determinava prazo curto para o plenário do STF analisar decisões monocráticas, aquelas expedidas por um só ministro.

Pensando bem…

... no Brasil, nada mais real do que o surreal.

PODER SEM PUDOR

O delegado professor

O jovem Tancredo Neves foi ser promotor em São João Del Rey. Foi chegando e arranjando uma namorada. Mal sabia que o delegado havia proibido namoro nas praças, por isso ele se misturou aos muitos casais que ocupavam um dos jardins públicos da cidade.

A polícia chegou de repente e expulsou todo mundo. Tancredo já ia protestar quando o delegado o percebeu. Rápido, o policial mostrou que tinha muito a ensinar a ele: “Doutor, botei esse pessoal para fora para deixar o senhor à vontade...”. Ah, bom.

 

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

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