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"Traficantes e assassinos recebem tratamento mais humano"

Senador Rogério Marinho (PL-RN) sobre a situação da prisão de Jair Bolsonaro

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Congresso quer avançar com ofensiva contra STF

Ganha força no Congresso as movimentações para andar com propostas que disciplinam a conduta de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O fator propulsor é a estranhíssima ligação de magistrados e familiares com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e figura central no que se desenha ser a maior fraude bancária da história do País, como disse o ministro Fernando Haddad (Fazenda). Na esquerda, a proposta é andar com o projeto que cria o código de conduta para ministros do STF.

 

Pressão meia-boca

A oposição considera o “código de conduta”, proposto pelo Psol, pano de fundo para ajudar na criação de um código próprio, gestado no STF.

 

Só o começo

A ofensiva ainda quer avançar com textos como os que ampliam e hipóteses de crimes de responsabilidade e suspeição de ministros.

 

Engavetador

Já para o primeiro semestre, a pressão deve ser em cima do presidente da Câmara, Hugo Motta (Rep-PB), para criar a CPI do Banco Master.

 

Água no chopp
Motta não tem dado sinais de urgência para andar com a CPI, solta desculpas como pedidos mais antigos que estão represados na Câmara.

 

Alianças locais podem implodir candidatura do PSD

O plano de Gilberto Kassab, dono do PSD, de lançar candidatura própria para disputar a Presidência este ano, enfrenta resistência de pessedistas de ao menos cinco estados, onde todo o diretório ou raposas tem vínculo quase visceral com o PT de Lula. No Piauí, por exemplo, o PSD já trocou juras de amor e fidelidade ao governador Rafael Fonteles e dificilmente caciques piauienses vão pedir votos para o paranaense Ratinho Jr ou para o gaúcho Eduardo Leite, pouco conhecidos no Nordeste.

 

Prefeito lulista

Mesmo no Sudeste, a questão não está pacificada. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), é o principal aliado de Lula no Estado.

 

Minoritários

Alas do PSD mineiro, ligadas ao ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) e ao senador Rodrigo Pacheco, também nutrem simpatia ao PT.

 

Carne e unha

Também há dissidentes na Bahia, onde Otto Alencar emplacou o filho no TCE, e em Sergipe, onde o neto de Lula arranjou boquinha no governo.

 

Deu ruim

Médico espertinho que atendia consultas particulares durante horário no serviço público vai pagar multa de R$120 mil. O caso foi em Umuarama (PR). O acordo saiu após arrocho do Ministério Público no ortopedista.

 

Recorde

O Porto de Santos bateu recorde histórico de movimentação de cargas em 2025, foram 186,4 milhões de toneladas. A movimentação nacional também registrou alta, superou 1,34 bilhão de toneladas no ano.

 

Ralo de dinheiro

Levantamento da plataforma Gasto Brasil revela a estratosférica fatura em despesas públicas nos primeiros 15 dias do ano: R$233 bilhões. Nas esferas de governo, a União é quem lidera a gastança, R$94,7 bilhões.

 

Rede capenga

O setor fotovoltaico tem muito do que reclamar. A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) aponta retração de 29% em 2025. A culpa: Cortes de geração e dificuldades de conexão à rede.

 

Na pressão

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, espera apresentar nas próximas semanas o tal código de conduta para ministros do tribunal, que viu as críticas se intensificarem após o Caso Master.

 

Dá em nada

O tal grupo de trabalho para acompanhar as investigações do Banco Master pouco deve resolver. Quase tudo que a comissão paralela pode fazer já é autorizado aos parlamentares.

 

Trabalho no cárcere

Cabe a Alexandre de Moraes (STF) decidir sobre pedido da Marinha para que o almirante Almir Garnier possa trabalhar e estudar durante o cárcere. A solicitação prevê um computador, sem acesso à internet.

 

Birra

Foi de última hora o encontro no Brasil de Lula e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia. O petista não quer ficar escanteado na foto paraguaia que vai registrar a assinatura do acordo Mercosul-UE

 

Pensando bem...

...ferramenta contra abertura de conta falsa funciona. Já contra banco falso...

 

PODER SEM PUDOR

Política e verborragia

Lula não é o primeiro político a utilizar palavras cujo significado ignora. Em 1996, na campanha para a prefeitura de Curitiba, o radialista Carlos Simões cometia frases do gênero “Os problemas de Curitiba precisam ser tratados de forma equidistante” ou “A cidade cresce para o sul, o norte, para o leste e para o oeste, de forma colateral”. As pesquisas indicavam o favoritismo de Cassio Taniguchi, mas ele tinha uma explicação para o fracasso anunciado:

- A eleição ainda não foi bem encalacrada pelo povo...

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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