Colunistas

CLAÚDIO HUMBERTO

"Vai ter sangue nas mãos do excelentíssimo ministro e do Gonet"

Ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro sobre a delicada situação do ex-presidente

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Governo distribuiu R$32,02 bilhões em emendas

O governo Lula (PT) distribuiu mais de R$32,02 bilhões em emendas parlamentares em 2025, segundo dados do Portal da Transparência, da Controladoria-Geral da União (CGU). O total reservado havia sido maior: R$47,8 bilhões, mas apenas 67% foram de fato pagos. As emendas parlamentares destinam verbas do Orçamento a mando de deputados e senadores, sem interferência do Poder Executivo.

Maioria individual

Cerca de 53% de tudo pago pelo governo federal atendeu às emendas individuais, tanto emendas pix, quanto as com finalidade definida.

Nosso dinheirinho

Segundo o Tesouro Nacional, o governo Lula pagou R$3 bilhões a mais em emendas em 2025 do que em 2024.

Balcão 2025

O Tesouro Nacional contabiliza R$28,9 bilhões pagos em 2025 em emendas parlamentares, quase tudo (75%) em emendas individuais.

Saco sem fundo

Para 2026, a perspectiva é de ainda mais gastos com emendas. O Orçamento do ano, já aprovado, prevê pagamento de R$61 bilhões.

Lula deve priorizar solução caseira em ministérios

Forçado por pedidos de demissão ou pela descompatibilização de cargos, em razão do ano eleitoral, o presidente Lula deve priorizar alçar ao posto de ministro quem já está na pasta que o titular vá se afastar este ano. Para não travar as “entregas”, os secretários-executivos, que atuam como braço-direito dos ministros, devem assumir temporariamente a titularidade das pastas. A escolha também pretende evitar ainda mais desgaste com o Congresso, que sempre tem quem quer uma boquinha.

Taxxad ausente

Na Fazenda, Dario Durigan deve substituir Fernando Haddad. Taxxad, por ora, deve coordenar campanha de reeleição de Lula.

Velha conhecida

Para a poderosa Casa Civil, Lula deve colocar a secretária Miriam Belchior no lugar de Rui Costa, que deve tentar o Senado pela Bahia.

Vai indo

Lewandowski deve pedir o boné nos próximos dias da pasta da Justiça, a mais enrolada. A vaga pode sobrar até para o petista Tarso Genro.

Sindicância

O Conselho Federal de Medicina vai apurar denúncias de falta de atendimento médico a Jair Bolsonaro, conforme determinado pelo Supremo Tribunal Federal. A sindicância teve instauração imediata.

Outro caminho

Com pouca chance de vitória nos pedidos feitos ao ministro Alexandre de Moraes, a oposição resolveu procurar o presidente do Supremo Tribunal, Edson Fachin, para solicitar a prisão domiciliar para Bolsonaro.

Não para

Já são quase 1500 os documentos recebidos pela CPMI que investiga a ladroagem no INSS. Protocolados são 2.854, o último pede a convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.

Tudo estranho

“É no mínimo estranho ver o TCU tentando interferir em uma decisão técnica e exclusiva do Banco Central”, diz o senador Magno Malta (PL-ES), que ainda quer saber, “estão tentando salvar quem?”.

P do pecado

O pagode desbancou o sertanejo e levou o top 1 de música mais ouvida no Brasil em 2025. O Hit “P Do Pecado”, do grupo brasiliense Menos É mais e Simone Mendes, subiu ao pódio após sete anos de sertanejo.

1/2026

A Câmara tem seu primeiro projeto de lei do ano protocolado. É do Executivo e institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, para criar o Instituto Federal do Sertão Paraibano.

Vem aí!

Depende do presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), a instalação da CPMI para investigar denúncias cabulosas contra o Banco Master. Pedido para criar a CPMI tem mais de 230 assinaturas.

Alás...

... entre as mais de duas centenas de assinaturas de parlamentares para criar a CPMI do Banco Master, não tem petista entre os signatários. A turma do PCdoB e do Psol também ficou de fora.

Pergunta aos comunas

Por que quem sempre lacra contra banqueiros não assina a CPMI do Banco Master?

PODER SEM PUDOR

Cachoeira de simpatia

Juscelino Kubitscheck era um craque na arte de agradar platéias. Certa vez, quando governador, visitou a cidade de Tombos (MG), na divisa com o Estado do Rio, cujo nome era uma referência à belíssima queda d’água no rio Carangola. E causou estupor ao se referir à cachoeira, no discurso:

- Isso não é natural...

A platéia ainda estava boquiaberta, perplexa, quando JK completou:

- ...é tão linda que só pode ser obra do povo de Tombos!

Saiu do palanque carregado nos braços.

CLÁUDIO HUMBERTO

"É inegável que a crise desgastou a nossa campanha"

Edinho Silva, presidente nacional do PT, sobre os escândalos do Master e do STF

20/09/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Pesquisas previam vida fácil de Lula. Mas a realidade...

A duas semanas do primeiro turno em 2022, o Datafolha previa Lula 12 pontos à frente de Jair Bolsonaro no primeiro turno e o Ipec (que era Ibope) chutava vitória de 15 pontos do petista.

Nas urnas, o placar válido foi 48,4% a 43,2%. No segundo turno, o Datafolha previa vitória de Lula com 16 pontos de vantagem, enquanto o ex-Ibope calculava vitória do petista por 19 pontos. Na realidade, a vantagem foi de 1,8% no 2º turno.

Repeteco?

A 15 dias da eleição de 2026, o Datafolha prevê Lula com 39% a 35% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e 46% a 44%, no segundo.

Muro estreito

O Quaest viu vitória de 8% de Lula em 2022 nos dois turnos. Agora prevê Lula à frente por 5% no primeiro, mas derrotado no segundo turno.

Instituto fechou

A duas semanas da eleição 2018, o Ibope errava em 18% o resultado de Bolsonaro no 1º turno. E ainda previu empate com Haddad no 2º turno.

Chegou perto

O instituto Paraná Pesquisa foi quem mais acertou em 2022. A 14 dias da eleição previa vitória de Lula por quatro pontos no primeiro turno.

Especialista vê presidência de Moraes como surreal

Próximo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a tradição, Alexandre de Moraes pode ter o comando da Corte sob impedimento perante a opinião pública, é o que avalia à coluna o professor, mestre e doutor em Direito Constitucional da USP Rubens Beçak, caso o Supremo abra investigação contra o magistrado.

Beçak diz ainda que os ministros deveriam examinar administrativamente se Moraes poderia continuar com os processos relacionados ao Master.

Peça o boné

Para Max Kolbe, advogado especialista em Direito Constitucional, Moraes deveria até se abster de disputar a presidência, caso investigado.

Situação surreal

Kolbe considera “estarrecedor” um investigado comandar a instituição responsável por supervisionar a apuração da própria conduta: “surreal”.

Não dá

No campo político, as críticas ao ministro são ainda mais incisivas, “é um escárnio com a cara do povo”, disse à coluna Rodrigo Valadares (PL-SE).

Tradição não é regra

Por tradição, o presidente o Supremo Tribunal Federal é o ministro mais antigo que ainda não tenha ocupado o posto. A eleição para sucessão de Edson Fachin deve ocorrer em agosto de 2027. Kassio Nunes Marques é o próximo da fila após Alexandre de Moraes.

Caravana

A chapa Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, do PL, tem investido no Nordeste nestes dias. A meta é percorrer os nove estados da região, tida como prioridade para a campanha.

Arruda no TSE

Derrotado no TRE-DF, José Roberto Arruda (PSD) tenta no TSE validar a indeferida candidatura ao governo do Distrito Federal. Quem vai relatar o recurso na mais alta corte eleitoral é o ministro Dias Toffoli.

Sangria na pauta

O julgamento do dissídio coletivo dos funcionários dos Correios, sem dó da combalida estatal, será nesta segunda-feira (21). Os grevistas querem coisas tipo adicional de 70% sobre férias e 200% sobre repouso ou feriado trabalhado, além de manter regalias tipo vale extra de Natal.

Picadeiro ocupado

Na polêmica sessão do STF que deveria definir se Alexandre de Moraes será investigado pela relação com Daniel Vorcaro, Gilmar Mendes falou durante mais tempo que Cármen Lúcia e André Mendonça... somados.

Foi pouco

Segundo a oposição no Congresso, o aumento do auxílio anunciado por Lula (PT) poderia ser maior do que 15%. “Desde que o imenso rombo da corrupção e do empreguismo público fosse eliminado”, diz um auxiliar.

Nome dado

Rogério Marinho (PL-RN) revelou ao Jornal Gente, da Bandeirantes, que o então líder do governo Lula, Jaques Wagner (PT-BA), recebeu ligação do decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, reclamando e “cobrando” após o Senado aprovar projeto que o STF não gostou.

Detalhe

O projeto que os ministros e Gilmar Mendes não gostaram, disse Rogério Marinho, determinava prazo curto para o plenário do STF analisar decisões monocráticas, aquelas expedidas por um só ministro.

Pensando bem…

... no Brasil, nada mais real do que o surreal.

PODER SEM PUDOR

O delegado professor

O jovem Tancredo Neves foi ser promotor em São João Del Rey. Foi chegando e arranjando uma namorada. Mal sabia que o delegado havia proibido namoro nas praças, por isso ele se misturou aos muitos casais que ocupavam um dos jardins públicos da cidade.

A polícia chegou de repente e expulsou todo mundo. Tancredo já ia protestar quando o delegado o percebeu. Rápido, o policial mostrou que tinha muito a ensinar a ele: “Doutor, botei esse pessoal para fora para deixar o senhor à vontade...”. Ah, bom.

 

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

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