Colunistas

CLAÚDIO HUMBERTO

"Voltaremos com tudo para a pauta da anistia"

Deputado Carlos Jordy (PL-RJ) promete reação após suspensão do PL da Dosimetria

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PL não descarta PP em chapa com Flávio Bolsonaro

A maior parte do PL não quer escantear o PP na estratégia eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL), ideia ventilada no partido após a Polícia Federal realizar busca e apreensão na mansão do senador Ciro Nogueira (PP-PI), em Brasília, semana passada. Há, inclusive, costura para que seja de um quadro do Progressistas a vaga de vice. O núcleo mais próximo ao senador quer insistir em Romeu Zema (Novo) para o posto, mas o ex-governador mineiro insiste em manter a candidatura à Presidência.

Jeitinho mineiro

Zema é citado pelo perfil liberal, por ter boa aprovação em importante colégio eleitoral, além de pescar eleitor antipetista e não bolsonarista.

Grana e estrutura

O PL conta com a (riquíssima) máquina política da federação União Progressista, sobretudo em estados e municípios do Nordeste.

Estranho movimento

No União Brasil, foi captado possível afastamento do PL e há movimentação para que Ciro se afaste da presidência do PP.

Reputação inabalada

Quem deve ser sondada nos próximos dias, novamente, é a senadora Tereza Cristina (PP-MS), citada até para assumir a presidência do PP.

Lula e Trump: JBS investigada e terras raras à mesa

O Planalto insiste que a visita de Lula (PT) a Donald Trump serviu para reiterar a “soberania mineral” nas reservas brasileiras de terras raras, mas a oposição sente forte odor de defesa de interesses dos irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS, em plena Casa Braca. Trump mandou investigar a JBS por prática abusiva de preços quando petista chegava a Washington. Não é a primeira vez que Lula é acusado de governar com o dedo no gatilho dos interesses privados dos seus empresários favoritos.

Ambição ilimitada

Joesley e Wesley têm investido pesado nos minerais críticos, via LHG Mining, incluindo o tema “terras raras”, que Lula pôs na mesa de Trump.

Troca de favores

Por isso, falar em terras raras quando a JBS é investigada nos EUA, para a oposição, soa como troca de favores disfarçada de “política de Estado.”

Império

Para deputados de oposição, a visita a Trump não foi sobre “soberania mineral” brasileira. Foi sobre proteger (e viabilizar) o império da J&F.

Tempo de incerteza

A ministra do STF Cármen Lúcia mantém paralisada desde o início do ano uma ação sobre flexibilização da Lei da Ficha Limpa. Não julga e nem suspende as alterações que afrouxaram regras para condenados por improbidade, como no caso da Lei da Dosimetria. Isso gera incertezas para a eleição de outubro.

Vai passar

Apesar da suspensão, Paulinho da Força (SD-SP), relator do projeto da Lei da Dosimetria, acredita que o STF vai acabar por “homologar” a lei e condenados do 8/jan serão soltos, com exceção dos sete “mandantes”.

Derrota é ‘traição’

O governo ainda está com a rejeição de Jorge Messias ao STF atravessada na garganta. Líder de Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) diz que o governo e ele, pessoalmente, foram “traídos” na votação.

Até o básico

O brasileiro já sentiu e, agora, pesquisa do Dieese comprovou: o custo dos alimentos da cesta básica ficou mais alto. É a segunda leitura consecutiva que registra a carestia em todas as 27 capitais.

Troca no TSE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) muda de comando nesta terça (12). A Corte eleitoral passa a ser presidida pelo ministro Kássio Nunes Marques. André Mendonça será o vice-presidente.

Aliás...

Nunes Marques manteve o protocolo e enviou convite a Jair Bolsonaro e a todos os ex-presidentes para participarem da posse como presidente do TSE. Eventual ida de Bolsonaro depende de liberação do Supremo.

Motim’ na pauta

O Conselho de Ética da Câmara deve enviar nesta terça (12) à CCJ (que julgará recurso) o caso do suposto motim de Zé Trovão (PL-SC), Marcos Pollon (PL-MS) e Marcel van Hattem (Novo-RS). Estão sujeitos a suspensão do mandato por 2 meses. Não há data para julgar o recurso.

Incorporação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem (11) à rede de TV Fox News que está “seriamente considerando” transformar a Venezuela no 51º estado norte-americano.

Pergunta na coerência

Os invasores que depredaram a USP serão incluídos no inquérito dos “atos antidemocráticos” e sujeitos a penas de 14 a 17 anos de prisão?

PODER SEM PUDOR

Como recuperar o juízo

Como recuperar o juízo

O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, encontrou uma maneira de fazer o então presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), suspender o aumento salarial dos deputados: “Se você colocar isso em votação, não poderei convidá-lo à festa de 1º de Maio da Força. Você vai ser mais vaiado que o Severino Cavalcanti...”

Chinaglia tinha fama de truculento, mas não de louco: afinal, eram tempos em que festas de 1º de Maio da Força, com distribuição de prêmios, atraíam até dois milhões de pessoas. Atualmente, no Lula 3, têm sido fracasso de público.

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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