A uma semana do segundo turno da eleição presidencial, marcado para o dia 25, os 483 mil eleitores de MS que não compareceram às urnas no primeiro turno representam um contingente importante para as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Levantamento do Correio do Estado, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que a abstenção cresceu principalmente em municípios onde o petista obteve suas maiores votações e entre os eleitores mais jovens. Ao todo, 483.210 sul-mato-grossenses deixaram de votar, o equivalente a 23,87% do eleitorado considerado na totalização.
O índice é superior aos 22,08% registrados em 2022 e ultrapassa a média nacional de 21,08%. O Estado apresentou a maior taxa de abstenção do País no primeiro turno deste ano. Enquanto no Centro-Oeste a ausência nas urnas aumentou 0,37 ponto porcentual em relação à eleição presidencial anterior, Mato Grosso do Sul registrou crescimento de aproximadamente 1,8 ponto porcentual, quase cinco vezes mais.
O número de eleitores que não votaram supera a diferença registrada entre os dois candidatos, pois Flávio recebeu 873.351 votos, equivalentes a 58,60% dos votos válidos, enquanto Lula conquistou 516.855, ou 34,68%.
A vantagem do candidato do PL foi de 356.496 votos, 126.714 votos a menos que o contingente de eleitores ausentes, entretanto, a distribuição geográfica das abstenções apresenta uma particularidade.
O levantamento revela também que a abstenção aumentou em 60 dos 79 municípios sul-mato-grossenses, que concentram aproximadamente 79% do eleitorado estadual. O crescimento foi mais acentuado em cidades onde Lula venceu a eleição e em regiões com maior presença de indígenas.
Nas seis cidades em que o presidente terminou o primeiro turno à frente de Flávio Bolsonaro – Japorã, Tacuru, Dois Irmãos do Buriti, Miranda, Paranhos e Vicentina –, a abstenção passou de 23,9%, em 2022, para 27,5%, neste ano. A elevação de 3,6 pontos porcentuais representa o dobro do aumento médio registrado em MS.
O comportamento também aparece na análise dos locais de votação. Entre os 20% dos locais com menor abstenção, a média de ausências foi de 16,9% e Lula recebeu 30% dos votos válidos. Já entre os 20% com maior abstenção, o porcentual de faltosos chegou a 31,7%, enquanto o petista conquistou 42% dos votos.
Os números não permitem afirmar que os eleitores ausentes votariam em Lula, uma vez que o voto é secreto, entretanto, demonstram que a ausência nas urnas foi proporcionalmente mais elevada em áreas onde o presidente teve melhor desempenho.
Além disso, os eleitores de 18 a 29 anos formaram o maior grupo de ausentes no primeiro turno, com 123.195 faltosos, número equivalente a 29,4% dessa faixa etária, contra 25,9% em 2022. Os jovens representaram aproximadamente um quarto de todas as abstenções.
CAPITAL AUSENTE
Campo Grande concentrou 128.942 eleitores ausentes, o equivalente a 20,1% do eleitorado, acima dos 17,6% registrados em 2022. A Capital respondeu por 27% das abstenções estaduais. Somadas, as cinco maiores cidades – Campo Grande, Dourados, Três Lagoas, Ponta Porã e Corumbá – concentraram 45% dos faltosos.
Em Campo Grande, a abstenção chegou a aproximadamente 23% em locais de votação em bairros com menor escolaridade, contra 13,5% nas regiões mais escolarizadas. Flávio venceu na Capital com 58,68% dos votos válidos, ante 32,38% de Lula.
* Saiba
O cientista político Tércio Albuquerque avalia que o crescimento da abstenção eleitoral pode ser decisivo no segundo turno, pois a ausência nas urnas atinge principalmente eleitores de menor renda e escolaridade, parcela que também integra a base de apoio do presidente Lula. “O contingente que se manteve já definido, votando em um ou outro candidato, não vai mudar muito. O que vai fazer a diferença é aquele candidato que conseguir trazer da abstenção à presença em urna”, afirmou.


