Política

CRISE NO STF

Mensagens indicam encontros entre Moraes e Daniel Vorcaro

Diálogos apreendidos pela PF apontam ao menos seis encontros e pedidos de ajuda para conter investigações; PGR pede anulação do relatório

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Mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do banqueiro Daniel Vorcaro apontam uma relação próxima com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e indicam a realização de pelo menos seis encontros entre os dois antes da prisão do empresário.

Os diálogos também mostram pedidos de ajuda para tentar conter investigações que atingiam o Banco Master.

Os primeiros encontros teriam sido articulados pelo ex-ministro das Comunicações Fábio Faria. Um deles ocorreu no dia 2 de fevereiro de 2024, na casa de Faria, com a presença das esposas.

No dia 17 de julho daquele ano, Faria enviou a Vorcaro uma mensagem com a indicação "Careca 19:30". No dia 5 de novembro, o banqueiro contou à filha que estava com Moraes.

No dia 26 de fevereiro de 2025, o motorista de Vorcaro informou por mensagem que "ministro Alexandre chegou". No dia 19 de março, o banqueiro escreveu para a namorada, Martha Graeff, e para o ex-diretor do Banco Central Paulo Sérgio: "Tô com Moraes aqui rsrs".

Outro encontro teria ocorrido em abril, nas proximidades da residência de Moraes, aparentemente em Campos do Jordão.

A prisão de Vorcaro ocorreu no dia 17 de novembro de 2025, no aeroporto de Guarulhos, quando ele se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta.

Dois dias antes, no dia 15 de novembro, o banqueiro perguntou a um interlocutor apontado como ligado a Moraes: "Acha que segunda já tenho que estar fora?" No dia seguinte, questionou: "Você acha que existe alguma chance de isso acontecer amanhã de manhã?" Também afirmou que estava voando e iria diretamente encontrar o ministro.

Segundo os documentos da PF, foram identificadas 12 capturas de tela relacionadas a encontros e tentativas de contato nas proximidades da prisão.

Em uma das mensagens, Vorcaro afirmou: "Eu iria para Brasília somente pra te ver e atualizar de tudo. Muita coisa acontecendo". Em outra, escreveu: "Estamos juntos sempre".

Os diálogos também mostram que o banqueiro buscava apoio para evitar o agravamento da situação do Banco Master.

Em uma das conversas, aparece a afirmação de que seria necessário contar com "Andrei e Paulo", em referência, segundo a investigação, ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

"Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra", diz uma das mensagens. Em outra, há o pedido para "não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem, que aí vai tudo pro saco".

Paralelamente, a Fictor Holding Financeira articulava a aquisição do Banco Master com investidores internacionais. O anúncio da operação, inicialmente previsto para o dia 21 de novembro, foi antecipado para o dia 17 de novembro, justamente no dia da prisão de Vorcaro.

As mensagens também lançaram luz sobre contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes. Segundo o material, os contratos somariam aproximadamente R$ 131 milhões.

Um relatório aponta ainda que Moraes teria feito alterações no contrato. Uma segunda proposta, de cerca de R$ 50 milhões, envolveria a transferência de cotas de um jato particular e de um helicóptero como forma de pagamento.

A relação entre Vorcaro e Moraes também aparece em eventos jurídicos. O ministro teria feito sugestões e vetos de convidados para duas edições do Fórum Jurídico de Londres, organizado com participação do banqueiro.

Apesar da quantidade de mensagens, há uma ressalva importante no material da PF: os registros encontrados no celular de Vorcaro não permitem saber o que Moraes teria respondido às mensagens. Segundo os documentos, os dois utilizavam mensagens que desapareciam e capturas de tela de anotações.

A PF recuperou apenas o conteúdo enviado pelo banqueiro. Além disso, os documentos não comprovam que todos os encontros planejados efetivamente ocorreram.

Nulidade?

O caso ganhou ontem novo contorno institucional, quando o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do relatório da PF. Para Gonet, o ministro André Mendonça teria utilizado a Polícia Federal para investigar um colega do Supremo sem autorização do plenário da Corte.

Na avaliação do procurador-geral, um ministro do STF somente poderia ser investigado após autorização dos próprios integrantes do Tribunal.

Gonet afirma que Mendonça teria se valido da polícia para "impor a investigação" de Moraes e que um magistrado não poderia conduzir uma investigação antes da existência de um processo.

Plenário

Mendonça, por sua vez, pretende levar a discussão ao plenário do STF. A expectativa é de que o ministro libere o caso para inclusão na pauta na próxima semana, cabendo ao presidente da Corte, Edson Fachin, definir a data do julgamento.

A justificativa de Mendonça para a apuração é identificar a suposta rede de influência e monitoramento mantida por Vorcaro.

Em decisão anterior, o ministro afirmou que os diálogos sugeriam que o banqueiro tinha conhecimento antecipado de informações relacionadas à própria prisão e buscava interferir junto a autoridades públicas.

O nome de Paulo Gonet também aparece no material analisado pela PF. Um advogado teria encaminhado a Vorcaro mensagens atribuídas ao procurador-geral. O filho de Gonet também teria convidado o banqueiro para um evento em Londres, com despesas pagas.

*Saiba

Mendonça quer levar caso ao plenário do STF

A expectativa é de que o ministro André Mendonça, relator do caso, libere o caso para inclusão na pauta na próxima semana, cabendo ao presidente da Corte, Edson Fachin, definir a data do julgamento.

Eleições 2026

Prefeito de Paranaíba, 'Maycol Doido' declara apoio a Vander no Senado

Prefeito é quarto líder municipal a apoiar Loubet na corrida eleitoral deste ano

04/09/2026 14h45

Vander e Maycol Doido

Vander e Maycol Doido Foto: Divulgação

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O prefeito de Paranaíba, Maycol Henrique Queiroz Andrade (PP), conhecido como 'Maycol Doido', declarou apoio ao deputado federal Vander Loubet (PT) na disputa por uma das duas vagas de Mato Grosso do Sul ao Senado nas eleições deste ano.

Na esteira da campanha, a movimentação do deputado federal tem como objetivo reunir apoio ou simpatia de cerca de 65 prefeitos de Mato Grosso do Sul. 

A manifestação chama atenção pelo histórico de confronto entre os dois políticos e pelo fato de Maycol integrar a ampla aliança de partidos que apoia a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP).

O prefeito chegou a protagonizar um episódio de forte tensão com Vander em agosto de 2023, em um restaurante de Campo Grande. Na ocasião, os dois discutiram e Maycol teria xingado o deputado, com a situação quase terminando em uma briga física.

O posicionamento do prefeito representa uma aproximação política que pode favorecer a estratégia de Vander de ampliar sua presença entre lideranças municipais e conquistar o chamado segundo voto dos eleitores que já possuem preferência por outro candidato ao Senado.

A estratégia busca atingir um eleitorado que, em parte, também está no radar do ex-deputado estadual Capitão Contar (PL), candidato ao Senado e integrante da aliança que apoia Riedel.

A declaração de Maycol ocorre em um cenário no qual Vander tenta avançar sobre setores políticos que não integram o campo tradicional do PT.

O parlamentar evita divulgar nominalmente toda a relação de prefeitos que estariam dispostos a trabalhar por sua candidatura, justamente para não criar constrangimentos entre gestores que mantêm compromissos com diferentes candidatos da aliança governista.

A estratégia é permitir que o apoio seja manifestado principalmente nas bases eleitorais, por meio de vereadores, lideranças municipais e apoiadores.

Além de Maycol Doido, outros prefeitos de partidos que integram a aliança de Riedel já declararam apoio a Vander. Entre eles estão Nelson Cintra (PSDB), de Porto Murtinho; Juliano Ferro (PL), de Ivinhema; e Julio Buguelo (PSD), de Glória de Dourados.

Os três também apoiam o ex-governador Reinaldo Azambuja para uma das vagas ao Senado, mas optaram por Vander para a segunda cadeira, deixando Capitão Contar fora da composição de votos.

Em Porto Murtinho, a adesão de Nelson Cintra ganhou destaque por ocorrer mesmo diante de antigas divergências políticas. A participação do PSDB na aliança governista e a histórica rivalidade com o grupo ligado ao ex-governador Zeca do PT não impediram a aproximação entre o prefeito e Vander.

A ofensiva de Vander junto aos prefeitos teve novo capítulo no último sábado (29), durante uma reunião realizada em Tacuru, que contou com a participação do diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, e prefeitos de 12 municípios.

A agenda reforça a estratégia do deputado de ampliar a interlocução com gestores municipais e consolidar apoios fora de seu reduto político tradicional.

Participaram da agenda gestores Elaine Aparecida Soligo (MDB), de Aral Moreira, Maria Lurdes Portugal (PL), de Caarapó, Niágara Kraievski (PP), de Coronel Sapucaia, Fabiana Maria Lorenci (PP), de Eldorado, Lídio Ledesma (PSDB), de Iguatemi, Thalles Henrique Tomazelli (PL), de Itaquiraí, Vitor da Cunha Rosa (PSDB), de Japorã, Gilson Marcos da Cruz (PSD), de Juti, Rosária de Fátima Ivantes Lucca Andrade (PSDB), de Mundo Novo, Heliomar Klabunde (MDB), de Paranhos, Erlon Fernando Possa Daneluz (PSDB), de Sete Quedas, Rogério de Souza Torquetti (PSDB), de Tacuru, Sérgio Diozebio Barbosa (MDB), de Amambai, e Rodrigo Massuo Sacuno (PL), de Naviraí.

Por meio de nota enviada à reportagem, a Prefeitura de Naviraí contestou a inclusão do prefeito Rodrigo Sacuno entre os gestores que teriam participado da agenda realizada em Tacuru. Segundo a assessoria, o prefeito não foi ao evento, contudo mandou representantes ao encontro. 

Colaborou Daniel Pedra 

ELEIÇÕES 2026

Prefeito de Chapadão do Sul doa R$ 300 mil à campanha de Flávio Bolsonaro

Produtor rural, Walter Schlatter, do PP, declarou patrimônio de R$ 125 milhões nas eleições de 2024

04/09/2026 14h10

O prefeito de Chapadão do Sul, Walter Schlatter (PP), é milionário

O prefeito de Chapadão do Sul, Walter Schlatter (PP), é milionário Divulgação

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O prefeito de Chapadão do Sul, Walter Schlatter (PP), entrou na lista de financiadores da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República nas eleições de 2026. O chefe do Executivo municipal fez uma doação de R$ 300 mil para a candidatura do senador ao Palácio do Planalto.

A contribuição aparece na prestação de contas encaminhada à Justiça Eleitoral e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na terça-feira, 1º de setembro.

Schlatter está no primeiro mandato como prefeito de Chapadão do Sul, município localizado na região nordeste de Mato Grosso do Sul. Ele venceu a eleição municipal de 2024 e, durante o registro de sua candidatura naquele pleito, declarou possuir patrimônio de aproximadamente R$ 125 milhões.

Considerando o patrimônio informado pelo próprio prefeito à Justiça Eleitoral em 2024, os R$ 300 mil destinados à campanha presidencial equivalem a cerca de 0,24% do total de bens declarados por Schlatter.

A contribuição feita pelo prefeito sul-mato-grossense se destaca entre as doações de pessoas físicas recebidas até agora pela candidatura de Flávio Bolsonaro.

Além dos R$ 300 mil transferidos por Walter Schlatter, a campanha presidencial havia contabilizado R$ 477,58 mil provenientes de outras 20 pessoas físicas. Com a participação do prefeito de Chapadão do Sul, o montante dessas contribuições individuais ultrapassa R$ 777 mil.

Apesar das doações feitas diretamente por apoiadores, a maior fonte de financiamento da candidatura de Flávio Bolsonaro continua sendo o próprio Partido Liberal. Até o momento, o PL já destinou R$ 42,9 milhões para a campanha presidencial.

Com isso, o valor repassado pelo prefeito de Chapadão do Sul representa uma pequena parcela do total disponível para a candidatura, mas coloca Schlatter entre os apoiadores que decidiram financiar a campanha com recursos próprios.

Milionário

Walter Schlatter chegou à disputa pela Prefeitura de Chapadão do Sul em 2024 apresentando uma das maiores declarações patrimoniais entre candidatos a prefeito em Mato Grosso do Sul naquele pleito.

Na ocasião, informou à Justiça Eleitoral possuir aproximadamente R$ 125 milhões em bens. Dois anos depois, já ocupando o comando da prefeitura, o empresário e político decidiu destinar R$ 300 mil à disputa presidencial.

A doação também chama atenção pelo fato de Schlatter ser filiado ao PP, enquanto Flávio Bolsonaro disputa a Presidência pelo PL. O repasse, portanto, foi realizado como contribuição de pessoa física à campanha do candidato.

O financiamento partidário tem peso muito maior nas contas da candidatura presidencial. Conforme os números registrados na prestação de contas eleitoral, Flávio Bolsonaro já recebeu R$ 42,9 milhões repassados pelo PL.

Em comparação, as doações de pessoas físicas, mesmo após a contribuição de R$ 300 mil feita por Schlatter, permanecem abaixo de R$ 1 milhão.

O registro das receitas permite acompanhar a origem dos recursos utilizados pelos candidatos durante a campanha eleitoral, incluindo transferências partidárias e contribuições feitas por pessoas físicas.

A participação do prefeito de Chapadão do Sul no financiamento da candidatura também evidencia a aproximação de lideranças políticas de Mato Grosso do Sul com a campanha nacional de Flávio Bolsonaro. A eleição presidencial será realizada em 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições gerais de 2026.
 

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