Política

QUINTO CONSTITUCIONAL

Advogados terão disputa acirrada por vaga de desembargador

Escolha do desembargador que ocupará a vaga da OAB-MS no Tribunal de Justiça promete acirramento, com três pré-candidatos da base de Azambuja

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A escolha do próximo desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) promete uma disputa acirradíssima. 

Neste primeiro semestre, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Mato Grosso do Sul (OAB-MS) enviará ao TJMS a lista sêxtupla com o nome de seis advogados que postularão a cadeira da Corte que era de Claudionor Miguel Abss Duarte, ex-decano do tribunal, que se aposentou no dia 22 de fevereiro.  

Entre os advogados que esperam contar com o apoio de pessoas ligadas ao governo de Mato Grosso do Sul, três pré-candidatos despontam como favoritos no Parque dos Poderes: o advogado Ary Raghiant Neto, ex-secretário-geral da OAB Nacional e com atuações destacadas em Mato Grosso do Sul; a procuradora-geral do Estado de Mato Grosso do Sul, Fabíola Marquetti Sanches Rahim, que ocupa cargo de confiança do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e lidera a advocacia pública estadual; e o advogado e ex-secretário de Estado de Fazenda Felipe Mattos de Lima Ribeiro, que nos últimos meses tem intensificado sua campanha nos bastidores.  

Outros nomes já estão colocando suas candidaturas nos bastidores. Os outros prováveis candidatos são: o procurador-geral do Município de Campo Grande, Alexandre Ávalo; o advogado Sérgio Muritiba; e a advogada Rejane Alves.  

O Correio do Estado apurou que também existe a possibilidade de o deputado federal Fábio Trad (PSD-MS) se candidatar a uma vaga no Tribunal de Justiça. Uma eventual candidatura dependeria dos acordos envolvendo a formação de chapas para a próxima eleição.  

Disputa

A maior das disputas para o cargo de desembargador, porém, está sendo travada no Parque dos Poderes. Ary Raghiant, Fabíola Marquetti e Felipe Mattos esperam contar com o apoio do governador Reinaldo Azambuja, que tem evitado envolver-se na disputa – pelo menos publicamente – por um simples motivo: será ele quem dará a palavra final depois de receber a lista tríplice com os nomes aprovados pelo Tribunal de Justiça.  

O Correio do Estado apurou que o lançamento da candidatura de Felipe Mattos provocou um racha em um grupo de advogados que tinha a tendência de apoiar Ary Raghiant. Em meio a esta disputa, a procuradora-geral do Estado, Fabíola Marquetti, também colocou o seu nome como pré-candidata.  

Uma fonte ouvida pelo Correio do Estado, com profundo conhecimento das tendências do atual conselho da OAB-MS, afirmou que a tendência é de que a lista sêxtupla respeite a paridade de gênero, enviando ao Tribunal de Justiça de MS os nomes de três homens e três mulheres.

“Ainda que a proporção não fique completa, pelo menos duas mulheres deverão figurar na lista que vai ao Tribunal”, disse a fonte.  

Pesa contra Felipe Mattos o fato de um grande número de advogados questionarem seu tempo de serviço. Para tornar-se desembargador, é preciso pelo menos 10 anos de atividade na advocacia. Mattos atuou como advogado apenas entre 2008 e 2015, quando ingressou na administração de Reinaldo Azambuja, sem ocupar cargos com atribuições jurídicas.  

Como funciona?

O edital de abertura das inscrições dos postulantes a ocupar uma cadeira no Tribunal de Justiça pelo quinto constitucional foi publicado no dia 7 deste mês. O prazo para as inscrições deve ser aberto na semana que vem, após 15 dias úteis da abertura do edital.  

Depois disso, os advogados terão o prazo de mais 20 dias úteis (quatro semanas cheias) para se inscreverem. A expectativa é de que muitos advogados se escrevam.  

Finalizado o período de inscrição, o Conselho Secional da OAB-MS agenda uma data para a votação da lista sêxtupla, da qual participarão os conselheiros da instituição.

Após a definição dos seis advogados mais votados, a OAB-MS envia um ofício ao Tribunal de Justiça de MS com os nomes. 

No Tribunal de Justiça, o Tribunal Pleno da Instituição vota para reduzir a lista sêxtupla para apenas três nomes. A lista então será encaminhada ao governador Reinaldo Azambuja, que fará a escolha do novo integrante da Corte.  

6 nomes serão escolhidos pelos advogados 

As inscrições para o cargo de desembargador pelo Quinto Constitucional serão abertas na semana que vem.

CÂMARA MUNICIPAL

Justiça valida nomeação de procurador-geral e nega ação popular

Ação buscava anular nomeação de Luiz Gustavo Lazzari para o cargo de procurador-geral da Câmara Municipal de Campo Grande

17/04/2026 15h00

Nomeação para o cargo de Procurador-Geral da Câmara Municipal foi mantida

Nomeação para o cargo de Procurador-Geral da Câmara Municipal foi mantida Foto: Arquivo/ Correio do Estado

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O juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, julgou improcedente a ação popular que buscava anular a nomeação de Luiz Gustavo Martins Araújo Lazzari para o cargo de Procurador-Geral da Câmara Municipal. A decisão, publicada nesta semana, reafirma a legalidade da livre nomeação para cargos de chefia e assessoramento na administração pública.

A ação foi movida por Orlando Fruguli Moreira e Douglas Barcelo do Prado contra o Município de Campo Grande, o então presidente da Câmara, Carlão Borges, e o próprio nomeado. 

Os autores alegavam que Luiz Gustavo Lazzari ocupava um cargo em comissão "puro", sem vínculo anterior com a carreira de Procurador Municipal, o que supostamente feriria o artigo 37 da Constituição Federal e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF).

Eles sustentavam que a representação judicial da Câmara deveria ser exercida exclusivamente por servidores de carreira, argumentando que a manutenção de um comissionado na chefia jurídica configuraria uma irregularidade administrativa.

O magistrado rejeitou os argumentos dos autores e destacou que a legislação que estabelece o Plano de Carreira e o Plano de Cargos da Câmara já classificam o cargo de Procurador-Geral como de "direção superior".

Segundo a sentença, a Constituição Federal permite que cargos de direção, chefia e assessoramento sejam preenchidos por comissão, baseando-se na "relação especial de confiança" entre o nomeado e a autoridade. 

O magistrado também citou o Tema 1.010 do STF, que valida a criação de cargos comissionados desde que suas atribuições sejam descritas de forma clara e guardem proporcionalidade com a necessidade do órgão.

"O cargo de procurador-geral, seja do município ou da câmara legislativa municipal, exige 'relação especial de confiança', o que justifica a nomeação de comissionados pelos prefeitos ou presidentes da câmara legislativa", pontuou o juiz na decisão.

Outro ponto foi a ausência de demonstração de prejuízo financeiro aos cofres públicos. O juiz ressaltou que os autores não apontaram provas, limitando-se a alegar uma suposta imoralidade sem indicar lesão concreta ao patrimônio público.

ELEIÇÕES 2026

Parlamentares de MS iniciam corrida silenciosa pelo eleitorado evangélico

Na última década, os evangélicos cresceram muito no Estado e já representam quase um em cada três moradores

17/04/2026 08h05

Arquivo

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O crescimento acelerado da população evangélica em Mato Grosso do Sul na última década tem provocado mudanças no cenário político e intensificado a disputa por esse segmento. 

Dados do Censo Demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que cerca de 32,5% dos sul-mato-grossenses se declaram evangélicos, um salto em relação a 2010, quando representavam aproximadamente 25,9% da população.

Em termos absolutos, isso significa um contingente entre 755 mil e 763 mil pessoas, consolidando os evangélicos como o segundo maior grupo religioso do Estado. 

Os católicos ainda são a maioria, com cerca de 51% a 52%, enquanto pessoas sem religião somam entre 9% e 10% e outras crenças representam aproximadamente 7%.

No campo eleitoral, esse avanço se reflete diretamente nas urnas. Considerando o total de 2.032.487 eleitores em MS, conforme dados do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) referentes às eleições de 2024, estima-se que cerca de 710 mil sejam evangélicos, um universo expressivo e cada vez mais decisivo.

Na Capital, o peso desse segmento também chama atenção. Aproximadamente 35% dos 646.198 eleitores de Campo Grande se identificam como evangélicos, o que corresponde a cerca de 226 mil pessoas. Já os católicos representam cerca de 48%, indicando um cenário de maior equilíbrio religioso, sobretudo nos centros urbanos.

Diante desse panorama, cresce nos bastidores uma movimentação estratégica por parte de parlamentares e pré-candidatos. Sem grande exposição pública ou discursos mais incisivos nas tribunas, políticos têm intensificado a aproximação a lideranças e comunidades evangélicas.

A atuação tem ocorrido principalmente fora do ambiente formal do Legislativo. Cultos, encontros religiosos e eventos comunitários se tornaram espaços frequentes na agenda de políticos, que buscam estabelecer uma comunicação direta com esse público, baseada em valores comuns e maior identificação.

Essa estratégia responde a uma lógica prática: enquanto campanhas tradicionais exigem altos investimentos e enfrentam maior resistência do eleitorado, o contato em ambientes religiosos permite alcançar grandes grupos de forma segmentada e com maior potencial de engajamento.

Nesse contexto, lideranças evangélicas ganham protagonismo como articuladoras de apoio político, enquanto parlamentares ajustam discursos e pautas para dialogar com temas valorizados por esse segmento, como família, costumes e liberdade religiosa.

A influência desse eleitorado já se reflete na composição das casas legislativas. Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, deputados como Professor Rinaldo Modesto (União Brasil), Antonio Vaz (Republicanos), Lidio Lopes (Avante) e Londres Machado (PP) mantêm vínculos com o meio evangélico.

Na Câmara dos Deputados, representantes do Estado como Dr. Luiz Ovando (PP), Rodolfo Nogueira (PL) e Camila Jara (PT) também dialogam com esse público, seja por identificação religiosa, seja por alinhamento com pautas defendidas por lideranças do segmento.

No âmbito municipal, vereadores de Campo Grande como Silvio Pitu (PSDB), Herculano Borges (Republicanos), Neto Santos (Republicanos) e Marquinhos Trad (PV) também integram esse campo religioso.

O avanço dos evangélicos em Mato Grosso do Sul acompanha uma tendência nacional. Segundo o Censo 2022, esse grupo já representa cerca de 31,6% da população brasileira, porcentual próximo ao registrado no Estado, que aparece acima da média do País.

Com crescimento contínuo, especialmente nas áreas urbanas, a presença evangélica tende a influenciar cada vez mais o cenário político.

A expectativa é de que a disputa por esse eleitorado se intensifique nos próximos ciclos eleitorais, consolidando o segmento como um dos principais vetores de mobilização política no Estado.

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