Política

RACHA NO GOVERNO

Ala do governo defende manter Juscelino para evitar desgaste, mas Gleisi quer afastamento

Além de desgaste, aliados afirmam que afastá-lo pode ser prejudicial na construção da base na Câmara

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Apesar da pressão da presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), que defendeu o afastamento temporário do ministro Juscelino Filho (Comunicações), uma ala do governo tem pregado que ele não pode ser demitido no curto prazo.

Um grupo de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem argumentado que demitir Juscelino neste momento pode ser prejudicial para a construção da base na Câmara e ainda passar uma mensagem negativa com menos de três meses de governo.

O próprio Lula, porém, demonstrou nesta semana insatisfação com a postura do auxiliar e afirmou que, caso não comprove inocência, ele não será mantido no governo. Para alguns interlocutores de Lula, uma eventual saída poderia gerar ruídos no Congresso com a União Brasil, que, além de Juscelino, influenciou a indicação de titulares de outros dois ministérios.

O ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) evidenciou nesta sexta-feira (3) sua divergência com Gleisi.

"Como disse o presidente Lula, todos os ministros, independente do partido, têm direito à presunção da inocência. O que se espera de todos eles é que tenham espaço para sua defesa. E tenho certeza que farão, sem prejulgamentos. Já vi muita gente ser afastada por causa de prejulgamentos injustos, inclusive companheiros do PT", afirmou Padilha.

Antes, em entrevista ao portal Metrópoles, Gleisi disse que Juscelino deveria ser afastado temporariamente para se explicar a respeito das suspeitas de irregularidades.

"Acho que o ministro devia pedir um afastamento para poder explicar, justificar, se for justificável o que ele fez. Isso impede o constrangimento de parte a parte", disse.

Juscelino recebeu diárias do governo federal por dias sem agenda de trabalho em São Paulo, São Luís e até no exterior. Até o momento, o total de diárias recebidas pelo ministro em duas viagens internacionais —a Portugal e Espanha— soma R$ 34,2 mil.

De acordo com uma nota divulgada pela pasta na quinta, o titular da pasta decidiu devolver o valor das diárias referentes às viagens do Maranhão e de São Paulo. Na viagem a São Paulo, o ministro teve apenas duas agendas oficiais e aproveitou a estadia na capital paulista para participar de um evento relacionado a cavalos Quarto de Milha, como revelou o jornal O Estado de S. Paulo.

Juscelino Filho é criador de animais da raça. Ele foi para São Paulo e voltou para Brasília em aviões da FAB. Isso aconteceu, segundo o Ministério das Comunicações, porque "o ministro foi cumprir agenda oficial, de interesse público".

Além disso, também segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Juscelino Filho direcionou verba do Orçamento para asfaltar uma estrada que corta sua fazenda, em Vitorino Freire (MA), antes de assumir o Ministério das Comunicações, quando era deputado na ativa.

Em entrevista à BandNews, na quinta, Lula afirmou que terá uma conversa com Juscelino na segunda-feira (6) e que ele deixará o governo se não conseguir provar sua inocência.

"Já pedi para o ministro Rui Costa [Casa Civil] convocar ele para segunda-feira para gente ter uma conversa porque ele tem direito de provar sua inocência, mas, se ele não conseguir provar sua inocência, ele não pode ficar no governo. Eu garanto a todo mundo a presunção de inocência", declarou Lula.

Ministros do governo reconhecem que há constrangimento pelo fato de Juscelino ter recebido diárias sem trabalhar, mas defendem que ele possa se explicar, sob o argumento de que pode ter havido um erro não intencional.

Com relação ao direcionamento de emendas para a construção de estrada que passa em local próximo a uma fazenda de Juscelino, titulares de pastas na Esplanada avaliam que, se for configurado uso indevido de verbas públicas, a situação do ministro se complica.

Eles ressaltam que caberá ao presidente da República fazer uma avaliação política acerca de uma conduta do ministro quando ele era deputado. Outros auxiliares palacianos e aliados do governo no Congresso também minimizam as denúncias, dizem que o ministro terá condições de se explicar ao mandatário e falam até em "perseguição" ao titular do Turismo.

Na avaliação de integrantes do Planalto, a insatisfação de Lula com o ministro das Comunicações ficou clara na entrevista da última quinta, principalmente pela diferença no tratamento dado pelo mandatário na comparação com a ministra do Turismo, Daniela Carneiro (União Brasil).

O mandatário evitou comentar as denúncias, não defendeu Juscelino Filho e disse que, caso ele não consiga provar sua inocência, estará fora do governo. Ao ser questionado sobre Daniela Carneiro, afirmou ter "gratidão" pela subordinada e minimizou os vínculos dela com milicianos.

A Folha de S.Paulo mostrou que a ministra manteve elo político com o ex-PM Juracy Prudêncio, conhecido como Jura, condenado por comandar uma milícia na Baixada Fluminense; e o ex-vereador Marcio Pagniez, o Marcinho Bombeiro, preso preventivamente sob acusação semelhante.

"A Daniela é diferente, a Daniela você pega uma fotografia de alguém em cima de um caminhão com ela em cima do palanque. Você não pode condenar uma pessoa porque está em cima do palanque com alguém indesejável", afirmou Lula.

Para integrantes do governo, mesmo que Juscelino Filho consiga prestar os devidos esclarecimentos, há outro fator de instabilidade para sua permanência no cargo: a entrega de votos da União Brasil nas votações do Congresso.

A avaliação de auxiliares palacianos é de que a relação com o partido deve continuar e que os problemas na legenda são mais internos, entre Câmara e Senado, do que com o governo.

Mas admitem que as alianças partidárias podem ser reavaliadas a depender do posicionamento das legendas da base. Hoje a União Brasil tem indicados em três ministérios: Turismo, com Daniela Carneiro; Comunicações, com Juscelino Filho; e Integração Nacional, com Waldez Goes.

Eleições 2026

Única mulher candidata à presidência quer dobrar salário mínimo e escala 4x3

O programa de governo da UP, que está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tem 67 páginas e está organizado em 18 eixos temáticos

20/09/2026 13h00

O programa também propõe monopólio público em geração de energia, mineração, produção e distribuição de combustíveis e indústria de defesa.

O programa também propõe monopólio público em geração de energia, mineração, produção e distribuição de combustíveis e indústria de defesa. Divulgação/UP

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Sendo a única mulher candidata à presidência nas Eleições 2026, Samara Martins é cirurgiã-dentista e trabalhadora do Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio Grande do Norte e, entre outros pontos do programa de governo da candidata do partido Unidade Popular (UP), quer lutar para dobrar o salário mínimo e instituir a escala 4x3. 

Sob o título Unidade Popular pelo Socialismo, o programa de governo da candidata apresenta explicitamente um projeto de transformação estrutural do modelo econômico e político brasileiro. O objetivo declarado no documento é superar as desigualdades do capitalismo e construir uma sociedade socialista.

Partido criado em 2016 e identificado com o campo da esquerda radical, a UP disputa a Presidência da República em 2026 com uma candidatura formada exclusivamente por mulheres.

Cabeça da chapa, Samara, 38 anos, foi candidata a vice-presidente pela legenda em 2022, com Leonardo Péricles, atual presidente do partido. A candidata a vice é Raquel Brício, 34 anos, guarda portuária e dirigente sindical no Pará, que já disputou eleições para deputada estadual e para a prefeitura de Belém.

"O Brasil é um dos países mais ricos do mundo, mas o povo vive na pobreza. Essa desigualdade não é natural. Ela resulta de um modelo econômico que coloca os interesses dos capitalistas acima das necessidades populares", diz o programa, que faz um diagnóstico extremamente crítico da economia de mercado e propõe medidas radicais para modificar o sistema em vigor.

"Defendemos que saúde, educação, água, energia, saneamento, moradia, transporte, cultura e comunicação sejam direitos, e não mercadorias. Defendemos o fim da escala 6x1, a redução da jornada com aumento salarial, a elevação em 100% do salário mínimo, a reindustrialização, a reforma agrária, a soberania nacional, o fortalecimento da ciência e a recuperação do controle público dos setores estratégicos", prossegue o texto.

Salário e emprego

A UP também promete enfrentar "todas as formas de exploração", como racismo, machismo, LGBTfobia, capacitismo e opressão, bem como assegurar territórios e proteção de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.

O programa de governo da UP, que está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tem 67 páginas e está organizado em 18 eixos temáticos. No tema de trabalho e salário, por exemplo, o partido propõe dobrar o valor atual do salário mínimo de forma imediata, o que significaria um acréscimo exato de R$ 1.621, fazendo o novo valor totalizar R$ 3.242.

Também defende o fim da escala 6x1 e o estabelecimento da escala 4x3 para todos os trabalhadores do país, além de garantia de emprego para todas as pessoas adultas capazes de trabalhar.

Economia

Na área econômica, o programa propõe a suspensão imediata do pagamento da dívida pública e realização de auditoria cidadã. A UP afirma que os recursos liberados seriam redirecionados para políticas sociais e estima em cerca de R$ 2 trilhões o montante que poderia ser deslocado do serviço da dívida.

O partido também se compromete com a nacionalização dos bancos e estatização do sistema financeiro, com fusão das instituições bancárias sob controle estatal e gestão dos trabalhadores. Propõe ainda o fim da autonomia do Banco Central (BC), submetendo as políticas monetária e cambial às diretrizes do governo ao que o programa denomina desenvolvimento social.

O programa da UP ainda prevê reestatização de empresas privatizadas, citando expressamente Eletrobras e a Petrobras, que passariam a ter controle 100% estatal, e retomada de empresas como Vale, companhias que controlam ferrovias, e empresas de saneamento e telecomunicações.

O programa também propõe monopólio público em geração de energia, mineração, produção e distribuição de combustíveis e indústria de defesa.

O texto também estabelece o fim de novas privatizações e dos leilões de petróleo e revisão e eventual revogação das concessões privadas de portos, aeroportos e rodovias.

No transporte urbano, prevê estatização das frotas, criação de empresas públicas e reestatização de linhas privatizadas de metrô e trem, incluindo o fortalecimento da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), empresa pública federal que administra linhas férreas em diferentes estados.

Na parte tributária, a UP propõe isenção do Imposto de Renda para trabalhadores, retirada de impostos sobre itens da cesta básica e produtos essenciais e instituição de tributação progressiva sobre grandes fortunas, lucros, dividendos e heranças de bilionários. Também propõe mudanças nos impostos ICMS/IVA, com redução de alíquotas e isenções para determinados produtos.

Direitos humanos

A candidatura de Samara Martins cita ainda propostas de criminalização da misoginia, ampliação da rede de atendimento às mulheres, igualdade salarial com homens, rede pública de cuidados e descriminalização e legalização do aborto.

Para a população negra, o plano de governo fala em ampliação das ações afirmativas e titulação de territórios quilombolas. A demarcação e a titulação de terras indígenas também são pontos abordados no programa. O documento propõe também realização de ampla reforma agrária e "nacionalização da terra".

O programa cita reforma urbana, com produção pública de moradias, urbanização de favelas, regularização fundiária, utilização de imóveis públicos ociosos e desapropriação de propriedades que não cumpram função social.

Segurança pública e Justiça

Na área de segurança, o programa da UP prevê desmilitarização das polícias, reorganização das carreiras policiais e mudança do modelo de segurança.

O Poder Judiciário passaria a ter eleição direta de juízes e tribunais superiores, com o fim dos chamados "penduricalhos" que aumentam os salários muito acima do teto constitucional. O plano também defende o fortalecimento da Justiça do Trabalho e reforma do sistema penitenciário.

Cultura e comunicação
No setor de comunicações, o programa prevê o que chama de "estatização dos monopólios de TV e rádio" e apoio à imprensa comunitária e alternativa. Já as políticas culturais teriam como prioridade o incentivo à cultura popular e uma proposta de nacionalização de grandes gravadoras e produtoras cinematográficas.

 

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PROPAGANDA IRREGULAR

Justiça Eleitoral dá 24h para candidata do PL-MS suspender panfleto 'você decide'

Determinação prevê multa diária de mil reais em caso de descumprimento e petista adversário autor da representação comemora: 'virei o terror dos candidatos bolsonaristas'

20/09/2026 09h35

Verso do folhetim estaria dividido ao meio, com um lado em amarelo com a bandeira do Brasil e outro em vermelho que mistura o popular símbolo do comunismo e do socialismo

Verso do folhetim estaria dividido ao meio, com um lado em amarelo com a bandeira do Brasil e outro em vermelho que mistura o popular símbolo do comunismo e do socialismo Reprodução/Redes Sociais/Montagem C.E

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Por determinação da Justiça Eleitoral, a candidata a deputada estadual pelo Partido Liberal (PL) em Mato Grosso do Sul, Viviane Moura de Azevedo "Vivi" Tobias tem agora o prazo de 24 horas para suspender a veiculação de um de seus materiais de campanha intitulado "Você decide". 

Sob pena de multa diária de mil reais, essa determinação judicial frisa que Vivi Tobias precisa se abster, de imediato,  no prazo de 24 horas a contar da intimação: "de distribuir, veicular, reproduzir ou divulgar, por
qualquer meio, o material de campanha impugnado (peça “VOCÊ DECIDE”)". Por ora, a pena máxima fica estipulada ao limite de R$10.000,00. 

Através das redes sociais, o também candidato a deputado estadual, nesse caso pelo Partido dos Trabalhadores (PT) no MS, Tiago Resende Botelho, responsável por ajuizar a representação por propaganda eleitoral irregular comemorou a decisão emanada através do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul, pelo juiz Fernando Bonfim Duque Estrada. 

"Virei o terror dos candidatos bolsonaristas de MS'. Acabei de ganhar uma liminar contra a desquerida, aquela candidata que falou que eu sou o candidato dançarino, prefiro ser isso do que 'candidata mentirosa' que fica espalhando material para enganar a população de MS. Aqui ela se declara ‘voz da família mentirosa’, que é o que a senhora é, inclusive a Justiça concordou comigo", diz Tiago Botelho. 

"Você decide" 

Como é possível observar, o verso do folhetim estaria dividido ao meio, com um lado em amarelo com a bandeira do Brasil e outro em vermelho que mistura o popular símbolo do comunismo e do socialismo, que em tese representa a união entre os trabalhadores rurais e os operários urbanos, com uma estrela no entorno. 

Verso do folhetim estaria dividido ao meio, com um lado em amarelo com a bandeira do Brasil e outro em vermelho que mistura o popular símbolo do comunismo e do socialismoReprodução

Claramente traçando uma divisão, com características que seriam referentes a cada um dos lados, o material vincula um lado a vida e o outro ao aborto, enquanto os "patriotas" por essa campanha eleitoral pediriam por bandidos presos e povo armado, os "comunistas" estariam supostamente defendendo os criminosos soltos e a população desarmada. 

Além disso, enquanto os "patriotas" supostamente defendem os valores cristãos, liberdade e "agro forte", aparentemente a reivindicação dos "comunistas" seria a defesa da ideologia de gênero censura e o "Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) forte".

Por fim, os lados ainda se dividiram entre menos e mais impostos; a favor da polícia e do Primeiro Comando da Capital (PCC), e pela ordem e progresso enquanto o outro seria ligado ao narcotráfico.  

Decisão 

Conforme consta em relatório, mesmo tratando-se de fato sabidamente inverídico, o material seria capaz de induzir o eleitor a erro e com potencial de comprometer a igualdade da disputa. 

É dito que a propaganda eleitoral é "expressão da liberdade de manifestação e instrumento legítimo do debate democrático", por isso admite-se crítica política, ainda que dura, quando essa se apoia em fatos verdadeiros. 

"A representada, contudo, não se limitou a criticar. No verso do material, ela construiu um quadro comparativo que atribui ao adversário um programa que este não possui, associando-o de forma direta a organizações e práticas criminosas, com expressões como “A FAVOR DO PCC”, “NARCOTRÁFICO” e “BANDIDO SOLTO”", cita  trecho da decisão. 

Segundo o juiz relator, o material ultrapassa os limites da crítica e ingressa no campo da desinformação eleitoral ao vincular o adversário ao crime organizado, sem que haja qualquer "lastro fático", induzindo o eleitor ao erro além de ferir a igualdade de condições entre os adversários políticos. 

Também fica exposto o perigo ao dano, uma vez que uma tiragem cinco mil unidades teriam sido impressas para circular em pleno período de campanha às vésperas do pleito, com efeitos diários que não seriam desfeitos após a votação, uma vez que a vontade do eleitor já estaria contaminada de modo irreversível. 

A decisão faz questão de frisar que não há ônus desproporcional para Vivi, sem afetar a candidatura, suspendendo apenas a divulgação de uma peça específica, mantendo válido outros materiais lícitos de campanha.

Com multa estipulada em mil reais diários em caso de descumprimento, por ora, a pena máxima fica estipulada ao limite de R$10.000,00. 

 

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