Política

ELEIÇÕES

Arapongas da política também migram dos comícios para o ambiente virtual

Se antes os espiões iam aos comícios do adversário, agora eles monitoram as redes sociais a todo instante

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Se nas campanhas eleitorais a realização de comícios e reuniões com aglomerações está praticamente proibida ou inviável, os arapongas das chapas dos candidatos a prefeito continuam em atividade. 

A diferença nestas eleições está somente no ambiente de trabalho: agora, eles ficam de olho nos deslizes dos oponentes no mundo virtual.  

O Correio do Estado apurou que, mesmo no início da eleição, o aplicativo Pardal, do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) – responsável por receber qualquer tipo de denúncias praticadas pelos candidatos ou cabos eleitorais –, havia recebido até o fim da semana passada 135 queixas das mais diversas, todas focadas nas redes sociais.

Só Campo Grande é responsável por 45 dessas notificações feitas pelos usuários. O Correio do Estado entrevistou um dos monitores de redes sociais, que preferiu que sua identidade não fosse revelada. 

Ele confirmou que seu trabalho é investigar os oponentes a todo instante. Nem mesmo os stories de Facebook e Instagram escapam.  

Os salários destes arapongas virtuais podem chegar de R$ 1,3 mil a 1,7 mil. Eles são incumbidos de monitorar o que os adversários do candidato estão promovendo nas redes e ainda avaliam se a abordagem seria motivo para uma denúncia. 

Ainda conforme a fonte, os alvos principais desses monitores são os principais candidatos a vereador, dito, os mais “fortes”.

“Com o TSE apertando as rédeas no ambiente virtual, ficou mais difícil fazer publicações em massa e usar os artifícios usados nas eleições passadas, que levaram muitos candidatos ao poder na ‘onda Bolsonaro’. Agora as redes sociais estão muito monitoradas. Por exemplo, eu não posso publicar um post em grupo de WhatsApp sem autorização de todos os membros; caso eu publique e um dos membros do grupo se sentir ofendido, ou simplesmente não gostar da publicação, ele pode denunciar por meio do Pardal. Portanto, todo esse monitoramento ficou mais necessário”, explicou.

Ainda conforme o especialista em redes sociais, essa figura nada mais é do que aquele antigo cabo eleitoral pago para monitorar os gabinetes de adversários e comícios, a fim de descobrir algum tipo de crime eleitoral, como compra de votos ou distribuição de cestas básicas.

“Agora, com essas novas restrições, ficou mais fácil pegar algum desvio de conduta dos candidatos do que antes. Nas eleições passadas não tinha tantas ferramentas; não tinha ferramentas digitais como se conhece hoje. Diante dessas restrições, o jeito foi contratar pessoas influentes [influencers], ou mesmo aquela que detém a administração de vários grupos políticos ou de bairros, para monitorar o que os candidatos fazem nessas plataformas e, caso vejam alguma irregularidade, eles fazem a denúncia junto à coligação que o contratou, ou mesmo diretamente no aplicativo Pardal”, exemplificou.

RESTRIÇÕES

Segundo o advogado especialista em Direito Eleitoral Valeriano Fontoura, hoje o ambiente virtual tem restrições mais nítidas para serem debatidas no ambiente jurídico. 

Caso aconteça algum crime dentro das redes sociais, é sabido como aplicar punições, pois já há um tipo de jurisprudência que está sendo utilizada pelo Poder Judiciário brasileiro.

“Por exemplo, se o magistrado entender que houve crime de calúnia ou difamação, ele pode obrigar a retirada do conteúdo difamatório, além de aplicar uma multa à pessoa que cometeu o delito. Já no uso indevido das redes sociais – como os chamados gabinetes do ódio, os quais servem para impulsionar informações falsas [fake news] –, pode ser enquadrado como crime de abuso de poder econômico, já previsto em outros tipos de crimes eleitorais”, esclareceu.

Em relação à forma de lidar com as redes sociais, Fontoura afirmou que muitos políticos foram surpreendidos por ela, principalmente no pleito passado, quando foram eleitos candidatos que mal se via nas ruas, ou mesmo com pouco tempo nas rádios e TV. 

“Vários souberam usar a ferramenta e foram surpreendidos positivamente; outros, negativamente. O uso incorreto das redes sociais foi outro fator que ficou marcado naquela eleição. Antes você via um postulante a prefeito e vereador e pensava que ele poderia ganhar a eleição porque tinha um batalhão de gente trabalhando com ele ou tem um tempo elevado nas emissoras de radiodifusão. Hoje, quem sabe usar as redes em seu favor pode se sobressair no pleito. O problema é usá-las de forma incorreta, e isso pode mudar uma eleição, levando em conta que esse fenômeno não é apenas brasileiro, mas sim mundial”, analisou.

NOVAS PRÁTICAS

Quando usada incorretamente, a campanha nas redes sociais também aparece no mesmo contexto, em alguns casos, das práticas ilegais utilizadas em larga escala em outros tempos, como a compra de votos com dinheiro ou cestas básicas.  

Estas práticas eram monitoradas com dificuldade, mas nas redes sociais, a partir deste ano, o rastreamento foi reforçado. “Os controladores têm um discurso que, desde a eleição passada, nenhum crime virtual seria cometido, porém, vimos que isso não ocorreu. Contudo, hoje os tribunais eleitorais possuem ferramentas de monitoramento que são mais evoluídas e podem dar uma resposta mais rápida”, projetou Fontoura

E complementou a fala dizendo que “não podemos demorar dois ou três dias para retirar um conteúdo criminoso do ar, pois aí o estrago já está feito. Existem processos de 2018 que estão sendo analisados ainda, pois não foram feitas perícias para identificar os autores dos crimes”, finalizou.

REGRAS DA REDE

Em junho, o TSE lançou uma cartilha que ajuda a esclarecer dúvidas sobre a propaganda eleitoral na internet. 

As informações constam de uma cartilha interativa que traz as principais regras a serem seguidas nas eleições deste ano por partidos e candidatos interessados em obter apoio de eleitores no meio virtual.

A partir das informações fornecidas, os interessados poderão entender melhor, por exemplo, as normas para o impulsionamento de publicações no Facebook e Instagram. 

A ação é permitida no período eleitoral, mas deve ser contratada diretamente por meio das plataformas de mídias sociais, de acordo com a Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997).

Ainda de acordo com o Tribunal, o uso estratégico – e pago – de ferramentas em busca de maior visibilidade também é uma forma de impulsionamento permitida pela legislação. A informação também consta no material preparado pelo TSE.

O conteúdo foi distribuído pela plataforma SlideShare e pode ser baixado em formato de apresentação. Também é possível acessar uma versão em PDF interativo, que permite clicar nos botões com o tema escolhido para ser direcionado ao resumo de cada assunto.

Útil para candidatos a cargos eletivos e profissionais de comunicação digital, o material é importante também para os eleitores, que poderão conhecer as regras para saber se seus candidatos estão promovendo suas campanhas dentro do que estabelece a lei.

poder judiciário

TJMS define lista tríplice para vaga de desembargador pelo Quinto Constitucional

Lista tem Ana Carolina Ali Garcia, Silmara Salamaia e Ewerton Brito; Riedel decidirá o advogado que se tornará desembargador

17/06/2026 13h30

Ana Ali, Ewerton Araújo e Silmara Salamaia

Ana Ali, Ewerton Araújo e Silmara Salamaia

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) definiu a lista tríplice que será enviada ao governador Eduardo Riedel para a escolha da vaga de desembargador para o Quinto Constitucional.

A lista é composta pela procuradora do Estado (advogada pública) Ana Carolina Ali Garcia e pelos advogados Silmara Salamaia Gonçalves e Ewerton Araújo de Brito.

Ana Carolina Ali Garcia foi a mais votada, com 30 dos 31 votos do tribunal pleno do TJMS. Ela foi escolhida na primeira votação. Os demais integrantes da lista foram escolhidos nas outras rodadas de votação.

No segundo escrutínio, Silmara Salamaia Gonçalves obteve 18 votos e assegurou a segunda vaga. A terceira posição demandou mais duas rodadas de votação. Após um terceiro escrutínio sem definição, Ewerton Araújo de Brito alcançou 18 votos no quarto escrutínio, conquistando a última vaga disponível.

A lista sêxtupla definida pela seccional Mato Grosso do Sul da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MS) ainda tinha a advogada Regina Iara Ayub Bezerra e os advogados José Eduardo Chemin Cury (Dadinho Cury) e José Roberto Rodrigues da Rosa.

O cargo vacante em disputa decorre do pedido de exoneração do desembargador Ary Raghiant Neto no último mês de março.

A expectativa no meio jurídico é de que o governador Eduardo Riedel (PP) faça sua escolha ainda neste mês.
Dos três postulantes que restaram ao cargo de desembargador, Ana Carolina Ali Garcia é que tem mais proximidade com o governador.

Ela foi procuradora-geral do Estado, o cargo máximo da advocacia pública estadual, até abril último, quando pediu exoneração para candidatar-se à vaga do Quinto Constitucional.

Antes disso, até 2022, no mandato de Reinaldo Azambuja, ela ocupou a Consultoria Legislativa (Conleg), cargo que tem grande ligação com a Secretaria de Governo e Gestão Estratégica, à época comandada por Eduardo Riedel.

Ana Ali, Ewerton Araújo e Silmara SalamaiaFoto: TJMS

Pesquisa Eleitoral

Vínculo com Vorcaro não afeta liderança de Flávio Bolsonaro em Mato Grosso do Sul

Levantamento IPR/Correio do Estado foi feito em 21 cidades, que representam 68% do total da população sul-mato-grossense

17/06/2026 08h00

Senador Flávio Bolsonaro em Campo Grande

Senador Flávio Bolsonaro em Campo Grande Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

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Apesar da repercussão em torno da proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) continua liderando as intenções de voto para a Presidência da República em Mato Grosso do Sul. 

De acordo com pesquisa contratada pelo Correio do Estado e realizada pelo Instituto de Pesquisa Resultado (IPR) de 9 a 13 de junho deste ano, registrada sob os números BR-00547/2026 e MS-02355/2026, Flávio mantém vantagem na preferência do eleitorado, sinalizando que as associações com o banqueiro não provocaram reflexos significativos em seu desempenho político no Estado.

Conforme o levantamento estimulado, quando são apresentadas aos entrevistados as opções com os nomes dos candidatos, o filho mais velho do ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro (PL) atingiu a marca de 42,35% da preferência dos entrevistados, enquanto o atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alcançou 31,12%. 

Já bem atrás aparecem o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (União Brasil), com 5,99%, o ativista político Renan Santos (Missão), com 3,19%, o psiquiatra, professor e escritor Augusto Cury (Avante), com 2,17%, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), com 1,53%, e o ex-ministro Joaquim Barbosa (DC), com 1,02%. Dos entrevistados, 3,95% disseram que vão votar em branco ou anular o voto e 8,67% não souberam ou não quiseram responder.

Com intervalo de confiança de 95%, a pesquisa IPR/Correio do Estado ouviu 784 pessoas com 16 anos ou mais de idade, distribuídas pelos municípios de Amambai, Aquidauana, Anastácio, Campo Grande, Sidrolândia, São Gabriel do Oeste, Corumbá, Coxim, Dourados, Maracaju, Rio Brilhante, Bonito, Jardim, Naviraí, Mundo Novo, Nova Andradina, Paranaíba, Chapadão do Sul, Cassilândia, Ponta Porã e Três Lagoas.

Essas 21 localidades representam 68% do total de 1,8 milhão de eleitores sul-mato-grossense, ou seja, 1,2 milhão de eleitores. Ao ser realizado nesses municípios do Estado, o levantamento cobre a maior parte da capacidade eleitoral de Mato Grosso do Sul, isto é, oferece uma fotografia extremamente fiel do cenário real, já que os pequenos municípios têm baixo peso estatístico.

Senador Flávio Bolsonaro em Campo Grande

ESPONTÂNEA

Na pesquisa espontânea, quando é feita a pergunta aos entrevistados e não é dada nenhuma alternativa para resposta, a liderança também continua com Flávio Bolsonaro, com 24,49%, seguido por Lula, com 20,28%, e Jair Bolsonaro, com 1,28%.

Mais atrás estão Renan Santos, com 0,51%, Ronaldo Caiado, com 0,51%, Romeu Zema, com 0,38%, o ex-ministro Aldo Rebelo (DC), com 0,13%, Augusto Cury, com 0,13%, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), com 0,13%, e Pablo Marçal (União Brasil), com 0,13%.

REJEIÇÃO

A pesquisa IPR/Correio do Estado também levantou a rejeição dos candidatos à Presidência da República em Mato Grosso do Sul. Lula aparece na frente, com 49,74% de rejeição, seguido por Flávio Bolsonaro, com 31,89%, Ronaldo Caiado, com 1,15%, e Renan Santos, com 0,89%.

Em seguida aparecem Joaquim Barbosa, com 0,51%, Augusto Cury, com 0,38%, e Romeu Zema, com 0,26%. Dos entrevistados, 7,40% não rejeitam nenhum dos candidatos, 6,25% rejeitam todos eles e 0,26% disseram que votariam em branco ou anulariam o voto, enquanto 1,28% não soube ou não quis responder.

INFLUÊNCIA

O levantamento IPR/Correio do Estado ainda perguntou aos entrevistados, caso as eleições fossem hoje, se eles votariam em um candidato indicado por Flávio Bolsonaro ou Lula. Dos entrevistados, 41,33% responderam que votariam em um candidato indicado pelo filho do ex-presidente.

Já 25,13% dos entrevistados falaram que votariam em um candidato indicado pelo presidente Lula, enquanto 31,12% responderam que não votariam em nenhum candidato indicado por Flávio Bolsonaro ou Lula e 2,42% não souberam ou não quiseram responder.

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