Política

em campo grande

"Cada um responde pelos seus atos", diz Caiado sobre polêmica entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro

Pré-candidato a Presidência cumpre agenda em Campo Grande e disse não acreditar que a situação pode alavancar sua candidatura entre a direita

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O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, participou de evento do partido em Campo Grande, nesta sexta-feira (15) e evitou se posicionar em relação a polêmica envolvendo o também pré-candidato, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o dono do banco Master, Daniel Vorcaro, afirmando que "cada um responde pelos seus atos".

Questionado se acredita que a divulgação das conversas entre Flávio e Vorcaro, onde o banqueiro teria pago cerca de R$ 61 milhões para financiar o filme "Dark Horse", sobre a vida de Jair Bolsonaro, podem dividir os votos da direita e beneficiar sua candidatura, Caiado disse que não.

"A minha candidatura é posta com as credenciais que eu tenho. O que vai se definir numa eleição não é em decorrência de um problema com um candidato, é o debate de conteúdo. Quando nós formos para o debate na eleição, ele será o momento de comparativo entre cada um dos candidatos", disse.

Se as mensagens divulgadas por respingar em sua candidatura, por também ser de direita, Caiado afirmou que "isso não existe" e voltou a dizer que cada um responde pelos seus atos, ressaltando que tem 40 anos de vida pública e nunca se envolveu em escândalos.

"Se você tem hoje problemas no Supremo, problemas no Congresso, problemas na Câmara, problemas no Senado, cada um responde pelos seus atos. Eu, Ronaldo Caiado, respondo pelos meus", disse.

"Não cabe ao candidato Ronaldo Caiado ficar fazendo juízo de valor sobre o comportamento de cada uma das pessoas. Eu vim aqui para um outro debate, eu vim aqui para um debate que realmente cabe discutir a importância do Mato Grosso do Sul. Agora, este assunto que realmente está sendo hoje informado à população [do banco Master], cabe à pessoa que está envolvida a fazer a sua explicação, não cabe a mim, como pré-candidato, estar explicando", acrescentou.

Por fim, o pré-candidato disse que cabe à Justiça apurar os fatos e os envolvidos no caso do Banco Master.

Ainda na agenda, Caiado criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dizendo que o caso do Banco Master atingiu a proporção atual "porque não tem presidente" e "não tem freios diante de um processo de corrupção" no Brasil.

Agenda na Capital

Em Campo Grande, Caiado participou de uma coletiva de imprensa, seguida por um encontrocom lideranças religiosas em um hotel no centro da Capital.

Durante a noite, ele ainda participa de um evento com o tema: "Diálogo sobre o desenvolvimento do Brasil: O fortalecimento do setor produtivo e os desafios do cenário político e econômico nacional", no auditório da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems).

Política

No STF, Dino abre novo processo para apurar desvio de emendas para filme de Bolsonaro

Em março, Dino pediu explicações da Câmara sobre o envio de emendas parlamentares para organizações ligadas à Karina Ferreira Gama, produtora do filme Dark Horse

15/05/2026 13h30

Ministro Flávio Dino

Ministro Flávio Dino Foto: Gustavo Moreno/STF

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira, 15, a abertura de um novo processo para investigar a suspeita de envio de emendas parlamentares para custear o filme Dark Horse, inspirado na trajetória do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL).

A apuração, ainda em caráter preliminar e com sigilo nível 3, tem como base petições dos deputados Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) e Tabata Amaral (PSB-SP).

Em março, Dino pediu explicações da Câmara sobre o envio de emendas parlamentares para organizações ligadas à Karina Ferreira Gama, produtora do filme Dark Horse.

Tabata apontou um "ecossistema de pessoas jurídicas interconectadas", sob o comando da roteirista. "Tal configuração estabelece um 'grupo econômico por coordenação' que, na prática, pode estar constituindo-se como um óbice à rastreabilidade dos recursos públicos", sustentou.

O despacho que determinou o desmembramento da apuração foi proferido na mesma semana em que o site The Intercept Brasil relevou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou com o banqueiro Daniel Vorcaro um financiamento de R$ 134 milhões para financiar o filme.

Segundo Dino, o desmembramento é para "melhor organização dos atos processuais e delimitação do objeto da presente ação de controle abstrato".

A ação original, relatada por Dino, é a que trata sobre o controle de transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares.

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Campo de Batalha

Caso de Flávio Bolsonaro acirra disputa entre direita e esquerda

Enquanto bolsonaristas falam em perseguição, parlamentares do PT cobram investigação sobre financiamento milionário ligado ao Banco Master

15/05/2026 08h00

Flávio Bolsonaro sobre um cavalo escuro, na Expogrande, em 9 de abril; ele pediu para Vorcaro financiar o filme

Flávio Bolsonaro sobre um cavalo escuro, na Expogrande, em 9 de abril; ele pediu para Vorcaro financiar o filme "Dark Horse" Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A divulgação de diálogos entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, sobre o suposto financiamento do filme “Dark Horse”, obra documental que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tornou-se o novo epicentro do embate político entre direita e esquerda em Mato Grosso do Sul. 

De um lado, parlamentares da base aliada ao ex-presidente Jair Bolsonaro denunciam uma “perseguição seletiva”, enquanto do outro, lideranças da esquerda apontam indícios de crimes financeiros e cobram investigações rigorosas.

Parlamentares do PL e do PP saíram em defesa da legalidade das transações, classificando o episódio como uma tentativa de desgaste político em ano eleitoral, enquanto para os deputados do PT o caso é um desdobramento de um histórico de irregularidades, devendo ser tratado como um escândalo de corrupção sistêmica.

O ex-governador Reinaldo Azambuja, presidente estadual do PL, emitiu nota oficial reforçando o apoio ao senador Flávio Bolsonaro. 

No documento, ele classifica as explicações do senador como “claras e consistentes” e pede foco na investigação de instituições financeiras. 

“Manifestamos nossa confiança e apoio ao nosso pré-candidato à Presidência da República, certos da correção de sua conduta e da necessidade de respeito à verdade dos fatos”, disse.

Já o deputado federal Marcos Pollon (PL) utilizou suas redes sociais e pronunciamentos recentes para manifestar apoio irrestrito ao senador Flávio Bolsonaro.

Em tom combativo, o parlamentar sul-mato-grossense classificou as recentes notícias envolvendo o senador como uma “tentativa de assassinato de reputação” articulada pela oposição.

“Isso não passa de uma tentativa, mais uma, de assassinar a reputação. É isso que a esquerda faz e vai fazer com todos os candidatos e pré-candidatos do Bolsonaro”, afirmou.

O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL) criticou o que chama de construção de narrativas políticas em ano eleitoral. Ele afirmou que as suspeitas levantadas contra o filho do ex-presidente não têm sustentação legal e servem apenas como estratégia de desgaste contra o campo conservador.

Para Nogueira, o foco dado à relação entre o senador e o empresário Daniel Vorcaro é desproporcional. O deputado destacou que o empresário já financiou projetos ligados a figuras de diferentes espectros políticos, como o ex-presidente Michel Temer e o presidente Lula. 

“Não há qualquer ilegalidade comprovada. O próprio Flávio defende a investigação para separar o joio do trigo, porque quem não deve não teme”, completou.

O deputado federal Dr. Luiz Ovando (PP) quebrou o silêncio e manifestou-se oficialmente sobre as recentes denúncias que conectam o senador Flávio Bolsonaro ao controlador do Banco Master. 

Em nota pautada pelo tom de cautela, mas com cobranças incisivas, o parlamentar sul-mato-grossense defendeu que o momento exige “serenidade, transparência e responsabilidade”. 

Um dos pontos mais marcantes do posicionamento de Dr. Luiz Ovando foi o chamado à coerência dentro do espectro político da direita. 

Para o deputado, a preservação dos valores morais deve estar acima de alianças partidárias ou conveniências ideológicas.

“Quem não deve, não teme investigação séria. E quem acusa, precisa apresentar provas consistentes”, afirmou.

O deputado estadual Coronel David (PL) manifestou-se de forma contundente contra a repercussão de um áudio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro.

Em sua análise, Coronel David destacou que, até o momento, a narrativa apresentada à opinião pública não contém provas de irregularidades com a máquina pública. 

“Acusações graves exigem provas concretas, e não manchetes construídas com base em vazamentos seletivos e interpretações políticas”, afirmou o deputado.

Flávio Bolsonaro sobre um cavalo escuro, na Expogrande, em 9 de abril; ele pediu para Vorcaro financiar o filme "Dark Horse"

ESQUERDA

Para os representantes do PT, o caso é um desdobramento de um histórico de irregularidades e deve ser tratado como um escândalo de corrupção sistêmica.

O deputado federal e presidente estadual do PT, Vander Loubet, reagiu com dureza à divulgação de conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. 
 

Loubet citou o caso das “rachadinhas” – investigação sobre desvio de salários de assessores com recursos públicos – como um fator que agrava a suspeição sobre os novos fatos.

“Isso precisa ser apurado pelas autoridades competentes, doa a quem doer”, concluiu o deputado, reforçando a cobrança por transparência no esclarecimento das transações e conversas reveladas.

A deputada federal Camila Jara (PT) subiu o tom das críticas contra o senador Flávio Bolsonaro. Para ela, as gravações confirmam um “vínculo forte” da família Bolsonaro com operações financeiras irregulares que teriam atingido diretamente a economia popular e fundos de previdência de servidores públicos.

“O Master foi uma operação criminosa estruturada para tirar dinheiro de investidores e, o mais grave, de servidores que confiavam em fundos de previdência geridos por municípios e estados – como foi o caso de Campo Grande”, disparou.

Camila Jara destacou que o escândalo só não tomou proporções ainda mais catastróficas em razão da intervenção de órgãos de controle. 

Na avaliação do deputado estadual Zeca do PT, o conteúdo das conversas não é um fato isolado, mas o desdobramento de uma série de supostas irregularidades que conectariam a família Bolsonaro a esquemas em diversas esferas públicas.

“Primeiro, que todos os fatos que antecederam isso já levavam à conclusão do envolvimento direto do Vorcaro com a família Bolsonaro. Esquema no Banco Central, esquema no BRB, esquema no governo do Rio, um monte de esquemas”, pontuou.

Segundo ele, a punição de atos dessa natureza é fundamental para a manutenção da saúde institucional do Brasil.

“É uma coisa absolutamente promíscua, que depõe contra a atividade pública. Esse esquema tem que ser fortemente investigado e reprimido do ponto de vista da aplicação da lei, principalmente se queremos um país na plenitude da democracia e do funcionamento das instituições”, concluiu.

Por sua vez, o ex-deputado federal e pré-candidato a governador Fábio Trad manifestou-se de forma incisiva sobre as recentes revelações envolvendo o financiamento de projetos audiovisuais ligados à imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Trad destacou o que classificou como uma “ironia quase cínica” por parte de grupos que, historicamente, atacaram os mecanismos de fomento à cultura no Brasil.

Segundo ele, há um silêncio seletivo diante de aportes milionários quando o objetivo é a promoção política de seus aliados.

Para Fábio Trad, a magnitude das contradições exige que as instituições ajam com rigor. “Em qualquer democracia, essa operação exigiria esclarecimentos rigorosos, porque transparência é princípio constitucionalizado. Caso contrário, combate à corrupção vira apenas slogan eleitoral e moralidade pública vira peça de marketing”, concluiu.

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