Política

Tributação

Câmara aprova isenção de IR até R$ 5 mil e cria nova taxação para alta renda

Medida deve beneficiar 16 milhões de brasileiros, enquanto rendas acima de R$ 50 mil por mês passam a ser taxadas em até 10%

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A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira (1º), por unanimidade, o projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil mensais, promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em contrapartida, a proposta cria tributação sobre rendas mais altas e sobre dividendos.

O texto foi aprovado com 493 votos favoráveis e contou com apoio de todos os partidos, inclusive da oposição. Agora, segue para análise do Senado. Se mantido sem alterações, o novo modelo passa a valer a partir de janeiro de 2026.

Quem será beneficiado

Segundo o governo, a medida deve alcançar cerca de 16 milhões de brasileiros. Além da faixa de isenção até R$ 5 mil, haverá redução parcial no IR para quem recebe até R$ 7.350.

O impacto fiscal estimado subiu de R$ 25,8 bilhões para R$ 31,2 bilhões anuais, após ajustes feitos pelo relator Arthur Lira (PP-AL), que ampliou a faixa com desconto e atendeu setores como o agronegócio.

“Esse não é qualquer assunto. Vai atingir quase 16 milhões de brasileiros e é o primeiro passo para corrigir a distorção tributária e social”, disse Lira antes da votação.

Taxação dos mais ricos

Para compensar a perda de arrecadação, o projeto cria uma alíquota mínima de IR sobre grandes rendas.

  • Quem ganha acima de R$ 600 mil por ano (R$ 50 mil por mês) será enquadrado.
  • Para rendimentos anuais a partir de R$ 1,2 milhão, a taxação será de 10%.

Segundo a Receita Federal, cerca de 141 mil contribuintes de alta renda pagarão mais impostos. Hoje, esse grupo recolhe em média apenas 2,54% de IR, menos do que trabalhadores de classe média, como professores e policiais, que chegam a pagar mais de 9%.

Além disso, dividendos acima de R$ 50 mil mensais serão tributados em 10% na fonte. Caso o contribuinte não se enquadre na regra ou já pague a alíquota mínima, o valor será restituído no ano seguinte.

Ajustes feitos pelo relator

Arthur Lira promoveu mudanças relevantes:

  • Produtores rurais: 80% da renda obtida foi excluída do cálculo de alta renda.
  • Aplicações financeiras: rendimentos de LCIs, LCAs, CRIs, CRAs, Fiagros e fundos de infraestrutura ficaram fora da base de cálculo.
  • Dividendos já apurados até 2024: seguem isentos, desde que pagos até 2028.

Também houve alterações para universidades do Prouni, cartórios e prefeituras, que terão compensações parciais em suas folhas de pagamento.

Reação de prefeitos

Mesmo com as mudanças, a Frente Nacional dos Prefeitos estima perdas de R$ 4,8 bilhões para os municípios.
“O texto não garante neutralidade na arrecadação, especialmente com a folha de pagamento. Vamos tentar corrigir isso no Senado”, disse Gilberto Perre, secretário-executivo da FNP.

Próximos passos

A ministra Gleisi Hoffmann acompanhou a votação e disse esperar aprovação rápida no Senado:

“Depois da reforma do consumo, o Congresso também quer dar resposta para a tributação da renda e da propriedade”, afirmou.

Se aprovado sem alterações, o projeto dará ao governo Lula uma das principais bandeiras econômicas para as eleições de 2026.

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Política

STF: Moraes envia à PGR pedido para investigar se Eduardo Bolsonaro recebeu dinheiro de Vorcaro

Pedido foi protocolado pelo deputado Lindbergh Farias

26/05/2026 22h00

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal Luiz Silveira/STF

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes intimou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para se manifestar sobre um pedido para investigar se o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) recebeu dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro para custear sua atuação nos EUA. O prazo para manifestação é de 5 dias.

O pedido foi protocolado pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) em ação na qual Eduardo é réu por suposta coação no julgamento da trama golpista, que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Lindbergh argumentou que o escopo da ação deve ser ampliado para abranger possível conexão entre o financiamento do filme Dark Horse, e a atuação de Eduardo nos EUA. O site The Intercept Brasil revelou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu a Vorcaro R$ 134 milhões para bancar o filme, inspirado na trajetória do pai. Cerca de R$ 61 milhões foram pagos.

O Estadão já mostrou que a Polícia Federal (PF) abriu uma linha de investigação para apurar se os recursos foram desviados para um fundo sediado no Texas ligado a Eduardo e usado para custear a permanência dele no país, já que o Supremo Tribunal Federal (STF) havia bloqueado contas e dificultado o recebimento de recursos nos EUA.

O fundo tem como agente legal o escritório "Law Offices of Paulo Calixto PLLC", de Paulo Calixto, advogado próximo ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.

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Postura

Valdemar diz que fala sobre Flávio buscar dinheiro com Vorcaro em visita foi tirada de contexto

Fala contraria versão do senador, que afirmou a jornalistas que esteve na casa do banqueiro para "pôr ponto final nessa história"

26/05/2026 21h00

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reforçou que sigla estará com Riedel em 2026

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reforçou que sigla estará com Riedel em 2026 Foto/ Arquivo

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O presidente nacional do PL Valdemar Costa Neto afirmou nesta terça-feira, 26, que sua fala sobre a visita do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi "descontextualizada".

Na segunda-feira, Valdemar disse à GloboNews que Flávio foi ver Vorcaro, após a primeira prisão do empresário pela Polícia Federal, para "ver se conseguia o restante do dinheiro" para financiar o filme "Dark Horse", cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A fala contraria versão do senador, que afirmou a jornalistas que esteve na casa do banqueiro para "pôr ponto final nessa história", em referência à negociação para o pagamento da produção.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Valdemar afirmou que "tentaram recortar uma fala, mas a entrevista completa mostra o contexto", ao citar trechos cortados e compartilhados do conteúdo.

"Eu dei uma entrevista ontem na GloboNews e só me perguntaram do Flávio e do Vorcaro. Acontece que algumas pessoas tiveram o trabalho de cortar e publicar um trecho de um raciocínio que dá a entender que eu estava falando da conversa deles. Daí, eu fui assistir o que eu tinha dito e ficou um pouco confuso mesmo. Só que na mesma entrevista, isso foi esclarecido e eu afirmei que nunca falei com o Flávio sobre esse assunto", afirmou.

Durante a entrevista na segunda-feira, o dirigente do PL disse que considerava "normal" a visita do senador ao banqueiro porque Vorcaro havia ajudado a financiar o longa. "Ele queria terminar a relação com o Vorcaro: ‘Olha, vai me pagar? Você vai pagar o restante? Dá pra pagar o restante?’", afirmou.

Questionado pela emissora se Flávio havia ido cobrar os pagamentos restantes do acordo, Valdemar respondeu: "Eu penso que sim. Não conversei esse assunto com o Flávio."

A declaração repercutiu nas redes sociais. O PT publicou que o presidente do PL teria cometido um "ato falho" ao confirmar que o senador visitou Vorcaro "para pedir mais dinheiro".

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que Valdemar cometeu "sincericídio" e admitiu que Flávio foi ao encontro do banqueiro para cobrar recursos do filme.

Fabio Wajngarten, ex-advogado do ex-presidente Bolsonaro, criticou a fala de Valdemar de forma indireta e sem mencioná-lo. "Pela enésima vez uma entrevista resulta em mais ruídos e perda de foco no que realmente faz a diferença", disse em rede social

Segundo reportagem publicada pelo portal Intercept Brasil, cerca de R$ 61 milhões dos R$ 134 milhões acertados entre Flávio e Vorcaro para a produção de Dark Horse teriam sido repassados entre fevereiro e maio de 2025.

"Fico sem graça de ficar te cobrando, mas é que está em um momento muito decisivo do filme e como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, preocupado", diz Flávio em áudio divulgado pela reportagem. "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs", completa ele.

Segundo Valdemar, não "passa pela cabeça" do partido retirar o senador da disputa presidencial. 

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