Patrimônio declarado por 35 candidatos ligados ao setor rural supera os R$ 223 milhões e revela o peso econômico do agronegócio nas eleições
Um deputado estadual declara 26 propriedades rurais e 7,2 mil hectares, mais do que qualquer outro candidato do estado. Os oito primeiros do ranking patrimonial têm fazenda, mas só dois se declaram do campo por profissão
Trinta e cinco dos 193 candidatos que já pediram registro em Mato Grosso do Sul declararam à Justiça Eleitoral R$ 223,4 milhões em terras, gado e grãos estocados. É 41,9% de toda a riqueza informada por candidatos no estado, R$ 533,6 milhões. Dez pessoas concentram 85,3% desse patrimônio rural.
São eles que se apresentam ao eleitorado sul-mato-grossense em outubro. O eleitorado sul-mato-grossense, hoje, está em 1.991.265 pessoas, segundo o Tribunal Regional Eleitoral, das quais 52,8% são mulheres, 38,3% não concluíram o ensino fundamental e 14,2% têm diploma superior.
Entre os candidatos, 37,3% são mulheres, 7,8% não passaram do ensino fundamental e 69,4% têm curso superior completo, quase cinco vezes a proporção de quem vai votar neles.
O cruzamento é entre a base do DivulgaCandContas do TSE, consultada em 7 de agosto, e as estatísticas do eleitorado do TRE-MS de 31 de março de 2026.
A distância entre quem se candidata e quem vota
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Candidatos (193)
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Eleitorado de MS (1.991.265)
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Mulheres
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37,3%
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52,8%
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Superior completo
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69,4%
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14,2%
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Até o fundamental completo
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7,8%
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38,3%
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Até 24 anos
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1,6%
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12,1%
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70 anos ou mais
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5,7%
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9,8%
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Idade mediana
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50 anos
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—
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Três candidatos entre os 193 têm menos de 25 anos, faixa que reúne 12,1% do eleitorado. Nenhum tem 17 anos ou menos. Na outra ponta, os maiores de 70 são 9,8% de quem vota e 5,7% de quem se candidata.
A mediana patrimonial dos candidatos é de R$ 450.000,00, equivalente a 278 salários mínimos, ou quase 23 anos de trabalho de quem recebe o piso nacional de R$ 1.621. Zé Teixeira declarou 39.618 salários mínimos. Reinaldo Azambuja, 34.532. O governador Eduardo Riedel, 9.962.
Os homens são 47,2% do eleitorado e 62,7% dos candidatos, e declaram 89,1% de toda a riqueza informada à Justiça Eleitoral no estado. Os sete candidatos indígenas de MS, estado com a terceira maior população indígena do país, 116.346 pessoas no Censo 2022 do IBGE, somam R$ 350 mil, ou 0,07% do total.
Os oito primeiros do ranking têm fazenda
Do primeiro ao oitavo lugar na lista de patrimônio de MS, todos declaram bens rurais.
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Candidato
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Cargo
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Partido
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Patrimônio
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Parcela rural
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%
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1
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Zé Teixeira
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Dep. Estadual
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PL
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R$ 64.220.956,82
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R$ 48.673.436,25
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75,8%
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2
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Reinaldo Azambuja
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Senador
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PL
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R$ 55.976.398,48
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R$ 47.360.537,50
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84,6%
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3
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Jamilson Name
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Dep. Estadual
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PP
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R$ 35.772.577,65
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R$ 8.438.212,00
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23,6%
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4
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Carlos Bernardo
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Dep. Federal
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União
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R$ 28.724.793,49
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R$ 18.415.760,15
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64,1%
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5
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Paulo Corrêa
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Dep. Estadual
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PL
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R$ 21.298.666,96
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R$ 4.491.776,12
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21,1%
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6
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Londres Machado
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Dep. Estadual
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PP
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R$ 18.947.845,08
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R$ 5.400.123,96
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28,5%
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7
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Gerson Claro
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Dep. Estadual
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PP
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R$ 18.428.892,11
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R$ 14.350.400,00
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77,9%
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8
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Cláudio Mendonça
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1º supl. de senador
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PP
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R$ 18.218.633,64
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R$ 15.547.799,91
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85,3%
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Os oito somam R$ 261,6 milhões, 49,0% de tudo o que foi declarado no estado. Pouco mais de 62% disso está no campo.
E os oito seguem do mesmo lado do tabuleiro. PL, PP e União Brasil, as três siglas dos oito, integram, direta ou por federação, a coligação "Fazendo o Futuro Acontecer". O PP entra nela diretamente; o União Brasil de Carlos Bernardo, pela Federação União Progressista (União/PP), a mesma com três nomes: Jamilson Name, Londres Machado e Gerson Claro, todos do PP.
Um candidato com 26 propriedades e 7,2 mil hectares
Nenhum outro candidato de MS chega perto. Londres Machado (PP), que se declara "produtor agropecuário", listou ao TSE 26 áreas rurais separadas, a maioria fazendas ou glebas na região de Nova Andradina, algumas com nomes como "Fazenda Santa Ilda I", "II" e "IV" e "Fazenda Caçula", que somam 7.274,66 hectares, o equivalente a mais de 72 quilômetros quadrados. O valor declarado dessas parcelas chega a R$ 6,57 milhões, pouco mais de um terço do seu patrimônio total de R$ 18,95 milhões.
É uma exceção completa ao padrão do resto da base: a enorme maioria das fazendas declaradas por outros candidatos aparece como "imóvel", "fazenda" ou "bem relacionado com o exercício da atividade rural", sem hectares, sem matrícula, sem coordenada.
Dezesseis mil e duzentas cabeças de gado, oito contas diferentes
Oito candidatos informam o tamanho do rebanho, somando 16.200 cabeças. Zé Teixeira declara 3.561 fêmeas e 711 machos, por R$ 18,46 milhões, R$ 4.320 por cabeça.
Carlos Bernardo declara "rebanho bovino (4.544 cabeças)" por R$ 18.415.760,15, o maior rebanho individual do estado.
Azambuja lista 3.343 bovinos a "valor médio R$ 4.000,00". Claudio Mendonça informa 1.139 cabeças a R$ 2.700 cada. Gerson Claro declara 1.096 cabeças bovinas e bubalinas por R$ 3,84 milhões.
Riedel, 521 a "valor médio de R$ 4.000,00", posição de 31/12/2025. Jamilson Name declara 527 cabeças por R$ 2,2 milhões. E há um rebanho de 758 cabeças dividido entre o casal: o candidato a deputado federal Roberto Hashioka Soler (Republicanos) e a candidata a deputada estadual Dione Hashioka (União Brasil) declaram, cada um, 50% do mesmo rebanho, R$ 600 mil cada.
Barbosinha informa os "semoventes (bovinos e bubalinos)" da Fazenda Nossa Senhora Aparecida, em Aquidauana, por R$ 975 mil, sem dizer quantos são. Sandro Azambuja (MDB) declara uma linha genérica de "gado" por R$ 120 mil, sem cabeças. Ao todo, R$ 64,0 milhões em gado.
Em dezembro de 2025, mês de referência de várias dessas declarações, o bezerro, a categoria mais barata de um rebanho, passava de R$ 3.000 por cabeça em MS, recorde nominal para o mês, e a arroba do boi gordo rondava R$ 310 no estado, segundo o Cepea e o Sistema Famasul. Um boi terminado de 18 arrobas valia cerca de R$ 5.580.
Nada disso indica irregularidade: a declaração ao TSE reproduz a do Imposto de Renda, que aceita o custo de aquisição, e um plantel misto vale menos, na média, que um boi pronto para abate. Serve, porém, para lembrar o que esses rankings realmente medem, quanto o candidato declarou, não quanto o patrimônio vale.
O mesmo se aplica à terra, com a exceção de Londres Machado já descrita acima. Azambuja declara ainda 80 mil sacas de milho a R$ 50 (R$ 4 milhões) e R$ 8,5 milhões em "bens relacionados ao exercício da atividade rural"; Rodolfo Nogueira lista "soja" por R$ 5,86 milhões. Riedel concentra R$ 12,25 milhões numa única linha de "bens relacionados ao exercício da atividade rural" e é o único a declarar cotas de cooperativas do setor, cinco delas, entre as quais a Coamo, somando R$ 82,4 mil.
A ocupação que não aparece na urna
Dos oito maiores patrimônios, dois se declaram ao TSE como gente do campo por profissão: Azambuja, como "produtor agropecuário", e Londres Machado, também como "produtor agropecuário", o único, entre os oito, cuja ocupação declarada bate exatamente com a origem do seu patrimônio. Zé Teixeira se declara "pecuarista".
Os outros cinco informam profissões que não remetem diretamente ao setor, embora concentrem ali parte relevante do que têm: Jamilson Name e Carlos Bernardo se declaram "empresário"; Gerson Claro, "advogado", apesar de ter 77,9% do patrimônio em fazenda e gado, mais até do que Azambuja proporcionalmente; Claudio Mendonça, "economista"; Paulo Corrêa, "engenheiro". O mesmo vale para Odilon Ribeiro ("empresário", R$ 1,74 milhão em bens rurais) e Defensor Ernany ("servidor público estadual", R$ 964,9 mil em glebas em Chapadão do Sul).
É esse campo, o da ocupação declarada, que alimenta as estatísticas de "perfil profissional" das bancadas eleitas. Pelo critério do patrimônio, a bancada ruralista de MS é maior do que ela mesma diz ser.
Os valores patrimoniais são autodeclarados, seguem o critério do Imposto de Renda, valor de aquisição, não de mercado, e não passaram por auditoria da Justiça Eleitoral.
Veja a lista dos 10 mais ricos abaixo.
- 1 Zé Teixeira Dep. Estadual PL R$ 64.220.956,82
- 2 Reinaldo Azambuj Senador PL R$ 55.976.398,48
- 3 Jamilson Name Dep. Estadual PP R$ 35.772.577,65
- 4 Carlos Bernardo Dep. Federal União R$ 28.724.793,49
- 5. Paulo Corrêa Dep. Estadual PL R$ 21.298.666,96
- 6 Londres Machado Dep. Estadual PP R$ 18.947.845,08
- 7 Gerson Claro Dep. Estadual PP R$ 18.428.892,11
- 8 Claudio Mendonça 1º supl. de senador PP R$ 18.218.633,64
- 9 Barbosinha Vice-governador PR R$ 17.315.686,96
- 10 Eduardo Riedel Governador PP R$ 16.147.849,34