Lideranças políticas criticaram a atitude do pré-candidato à sucessão estadual, senador Delcídio do Amaral (PT) de cercear o Jornal Correio do Estado de noticiar sua relação com o ex-diretor internacional da Petrobras, engenheiro Nestor Cerveró. A tentativa de silenciar o diário de notícias de maior circulação de Mato Grosso do Sul foi avaliada por deputados como “anti-democrática” e “medieval”. Em pleno dia do Jornalista - 07 de abril -, a ação inibitória impetrada por Delcídio foi aceita pelo juiz da 12ª Vara Cível de Campo Grande, Wagner Mansur Saad.
De volta na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Carlos Marun (PMDB) afirmou ontem, ser perigosa a intenção de Delcídio de proibir a veiculação de fatos noticiados em nível nacional. “Corremos o risco de não sermos informados de acontecimentos que são divulgados nacionalmente”, analisou. “De democracia é fácil de se falar, mas é difícil de se praticar”, alfinetou.
Do PTdoB, o deputado estadual Márcio Fernandes considerou a postura do pré-candidato petista ao governo do Estado como contrária ao direito de liberdade de imprensa. “O Correio do Estado é um jornal de grande representatividade que não pode ser proibido de veicular notícia, mesmo porque a divulgação do caso tem sido em massa”, destacou.
Para vereadores, é afronta à liberdade
O vereador Chiquinho Telles (PSD) observou que a ligação de Delcídio com o responsável pela negociação da compra da refinaria Pasadena, no Texas, foi veiculada intensamente por toda imprensa nacional e o senador só judicializou contra o Correio do Estado. “O Delcídio também não falou nada dos veículos nacionais, quer calar apenas o principal jornal do Estado que quer governar. Querer calar o jornal é uma afronta à liberdade”, ressaltou.
“Quem fez o Delcídio aqui foi o Antonio João e o Correio do Estado e para mim ele é um filho ingrato e quem não tem gratidão não tem caráter. Se é assim, ele vai ter que calar a Globo, a Folha de SP, o Estadão, a Veja e tantos outros veículos”, complementou.
Antonio João condena censura
O jornalista e ex-senador Antonio João Hugo Rodrigues condenou veementemente a atitude do senador Delcídio do Amaral (PT) de recorrer à Justiça para censurar o Correio do Estado.
Para Antonio João, “o caso da Petrobras pegou o senador de saia curta”. Ele mesmo testemunhou conversa de Delcídio com Cerveró. Então, segundo o ex-senador, “Delcídio não pode renegar o Cerveró, porque o Cerveró foi uma indicação dele. O Renan (Calheiros, presidente do Senado) estava certo. Mas ele covardemente já negou isto. Mas é próprio do senador fazer isso”, afirmou.
Segundo Antonio João, tem muito mais história além da compra superfaturada da refinaria de Pasadena, do Texas, pela Petrobras. “Eu ouvi, quando estava em Brasília, eles (Delcídio e Cerveró) conversando muito sobre a compra da refinaria”, revelou o ex-senador. “Como eu não tinha nada com essa refinaria, nem sabia para que servia, ficou para mim o mais distante possível”, ressaltou.
Antonio João afirmou ainda que se Delcídio fosse o melhor, “nós íamos com ele, mas não achamos que ele seja melhor”. Ele alertou que o senador “por tudo que plantou de ruim, pode ser eleito governador”. O povo, segundo o ex-senador, “por mais que fosse advertido, elegeu aquele tranqueira do Alcides Bernal (para prefeito de Campo Grande) apoiado pelo Zeca do PT (vereador José Orcírio dos Santos), Delcídio, pelo Azambuja (deputado federal Reinaldo Azambuja, do PSDB). Todos foram contra Campo Grande”.


