Política

ULTIMA RATIO

CNJ mantém afastamento de desembargadores de MS suspeitos de venda de sentença

Os desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Vladimir Abreu e Alexandre Aguiar estão afastados do cargo por suspeita de venda de sentenças

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A Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) votou em sessão ordinária na tarde desta terça-feira (9) a instauração de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) em desfavor dos desembargadores Vladimir Abreu da Silva e Alexandre Aguiar Bastos, bem como o mantimento do afastamento dos cargos. 

Eles são investigados pela Operação Última Ratio por esquema de venda de sentenças e formação de esquema criminoso. 

A decisão foi votada de forma unânime pelo CNJ, na presidência do ministro Edson Facchin, após o relatório do ministro Mauro Campbell Marques. 

A defesa de Vladimir Abreu da Silva, representado pelo advogado Vinicius Menezes dos Santos, alegou que as provas produzidas nos autos da reclamação decorrem de uma ação cautelar nominal e que os fundamentos utilizados derivam “exclusivamente de notícias e informações extraídas das investigações”. 

O advogado afirmou, ainda, que não foram encontradas provas de troca de mensagens do desembargador com os demais investigados, nem prova de qualquer venda de decisão apontada pela Polícia Federal, além de não existir mensagens ou referências suspeitas em nome de Vladimir. 

Também citou que no que tange às denúncias pela atuação de seus filhos, que todos possuem vidas independentes, pedindo que ele fosse julgado através de provas de sua vida, não “de terceiros”. 

O relator do caso, ministro Mauro Campbell alegou em seu relatório que foram encontrados  indícios contundentes do recebimento de vantagem indevida para burlar decisões judiciais com desvio funcionais, patrocinados por filhos de desembargadores e advogados lobistas. 

Essa investigação indica possível prática de corrupção passiva, advocacia administrativa, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro, na modalidade de dissimulação. 

Além disso, os filhos de Vladimir mantém seu escritório de advocacia no mesmo endereço onde funciona o escritório Mochi & Bento Associados, pertencentes aos filhos do desembargador Sideni Pimentel, também investigado na Operação. 

“A proximidade dos desembargadores se traduziu na proximidade em seus filhos. Tais coincidências ultrapassaram a esfera que delimita a atuação lícita da advocacia, para assumir relevância correcional e criminal”, afirmou Campbell. 

O relator também citou que Vladmir já foi citado em outras operações, como na Lama Asfáltica, pela obtenção da antecipação de resultados. Além disso, o conselheiro Osmar Jeronymo também citou o referido desembargador em um contexto que sugeria a obtenção de decisões judiciais mediante o recebimento de propina.

Em feitos como o julgamento de reintegração de posse da fazenda Brasão, revisão criminal que eliminou antecedentes criminais do ex-prefeito de Bodoquena, Jun Iti Hada e o inventário de Darci Guilherme Barzanela, houve citação do desembargador. 

“Em todos os feitos, o alinhamento de Vladmir e Sidenir Pimentel nos julgamentos da 4ª câmara cível asseguraram resultado possivelmente negociado por advogados lobistas”, argumentou Campbell. 

Já a defesa do desembargador Alexandre Aguiar Bastos, representado pelo advogado João Ribeiro Sampaio, sustentou que o desembargador se tornou parte da investigação “por um azar do destino”. 

O envolvimento de Alexandre começou a ser investigado quando Danilo Moya Jeronimo, sobrinho do conselheiro Osmar Jeronymo, enviou uma mensagem ao tio com a imagem da composição do julgamento da Operação, afirmando que “Alexandre é o terceiro”. 

De acordo com Sampaio, o envolvimento do nome de Alexandre teria causando “espanto” em Osmar, o que, para a defesa, configura uma prova do não envolvimento do desembargador, já que “quem se estranha com a composição de um julgamento não tem esquema com o desembargador”.

A defesa alegou ainda que a Polícia Federal tentou encontrar provas do envolvimento de Alexandre, bem como a investigação de todas as transações financeiras do desembargador, e que todas as transações financeiras realizadas em espécie foram declaradas em imposto de renda.  

“Os fatos da operação são gravíssimos e os responsáveis devem ser penalizados, mas Alexandre não pode ser punido por fatos alheios a ele. Por cautela ele está afastado, mas nunca interferiu na investigação. Essa cautela é sofrimento e para sua família, é pena”, sustentou o advogado. 

Campbell rebateu os argumentos ao indiciar que foram encontrados indícios da atuação de Aguair mediante ao “desvio funcional em julgamento que se discutia a rigidez de uma permuta envolvendo a fazenda Vai Quem Quer e da fazenda Paulicéia, que foram interceptadas mensagens que indicavam a negociação de decisões proferidas”.

Segundo o relator, o processo foi adiado por duas vezes. Além disso, Alexandre, na condição de relator, modificiou por completo seu julgamento inicial, julgando procedente a apelação de Lydio de Souza e Neiva Rodrigues, denunciados por estelionato. 

“A decisão proferida, assim como as estranheza seguida pela abrupta mudança de entendimento, precedida duas retiradas de pauta, ponto modal, substanciam indício de possível recebimento de propina mediante o exercício da função”, afirmou. 

Este ponto, das duas retiradas de pauta, para Campbell configuram o ponto modal para o pedido de instauração de PAD, para aprofundamento das investigações e entendimento das ações. 

O relator ainda explanou que, na vistoria dos bens de Aguiar, foi constatado a aquisição de um imóvel na cidade de Aparecida do Taboado pago a vista, sem registro de transferência bancária; a compra de um terreno no condomínio Alphaville em Campo Grande, no valor de R$ 250 mil, tendo sido pago R$105 mil a vista sem justificativa plausível; um veículo Jaguar I-PACE no valor de R$269 mil reais; e uma Amarok V6 no montante de R$281 mil sem que houvesse transferencia bancaria correspondente. 

Além disso, foram encontradas inconsistências na compra de um Fiat Argo, de um Cherry Tigo e de uma moto aquática, adquiridos mediante emprego de recursos em espécie de origem desconhecida. 

Assim, após os autos relatados, o Conselho Nacional de Justiça votou, de forma unânime, pela instauração do PAD e manutenção dos afastamentos dos desembargadores do cargo. 
 

Operação do Gecoc

Prisão de ex-secretário coloca sob risco a pré-candidatura de Marquinhos Trad

A investigação é sobre contratos e aditivos firmados no período entre 2018 e 2025 que somaram mais de R$ 113,7 milhões

13/05/2026 08h00

O vereador Marquinhos Trad (PV) é pré-candidato a deputado federal nas eleições gerais deste ano

O vereador Marquinhos Trad (PV) é pré-candidato a deputado federal nas eleições gerais deste ano Isaias Medeiros/CMCG

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A prisão do ex-secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos de Campo Grande e atual diretor-presidente da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), Rudi Fiorese, pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), em conjunto com o Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), na manhã de ontem, por supostamente integrar organização criminosa que atuava fraudando a execução do serviço de manutenção de vias públicas no Município entre 2018 e 2025, coloca em risco a pré-candidatura a deputado federal do vereador Marquinhos Trad (PV) no pleito deste ano.

Conforme apuração do Correio do Estado, a Operação Buraco Sem Fim abre uma nova crise política e administrativa em Campo Grande, ao atingir contratos milionários de manutenção viária, apontando fraudes sistemáticas em medições de serviços, pagamentos indevidos e possível atuação de organização criminosa envolvendo servidores públicos e empresários.

A apreensão de R$ 429 mil em espécie – R$ 233 mil apenas na casa de Fiorese – durante o cumprimento dos 7 mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão reforça suspeitas de corrupção estruturada dentro da máquina pública municipal. 

O caso gera desgaste político para a atual e antigas gestões municipais responsáveis pelos contratos firmados entre 2018 e 2025, ou seja, período em que Campo Grande era administrada pelo então prefeito Marquinhos Trad, que ficou no cargo de 1º de janeiro de 2017 a 1º de abril de 2022 – quando renunciou – e, depois, pela atual prefeita, Adriane Lopes (PP).

De acordo com o Gecoc, as evidências revelaram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais.

Levantamento indica que, entre 2018 e 2025, a Construtora Rial, que é a empresa investigada pelo Gecoc, arrecadou com contratos e aditivos o montante de R$ 113.702.491,02.

O cumprimento dos mandados decorreu de decisão judicial proferida no bojo de procedimento que apura crimes contra a administração pública e outros delitos correlatos.

DESGASTE 

A prisão de Rudi Fiorese tem potencial para causar desgaste político à pré-candidatura de Marquinhos Trad a deputado federal porque o engenheiro era um dos principais nomes da área de infraestrutura durante a gestão do ex-prefeito.

A investigação do Gecoc mira justamente contratos de tapa-buraco firmados em 2018, período em que Fiorese comandava a pasta durante a administração do vereador.

O principal impacto político está na associação direta entre o ex-prefeito e o ex-secretário que foi preso. Fiorese foi secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos entre 2017 e 2023, sendo considerado homem de confiança da gestão.

O próprio Marquinhos foi quem convidou Fiorese para o serviço público e saiu publicamente em sua defesa após a operação.

Mesmo sem ser alvo da operação até agora, Marquinhos pode enfrentar desgaste porque a oposição tende a explorar três pontos centrais: a investigação envolve contratos assinados durante sua administração; os investigados ocupavam cargos estratégicos em sua gestão; e o caso atinge uma área historicamente sensível para prefeitos, obras públicas e tapa-buraco.

Além disso, o caso ganha peso político pelo volume investigado. O Gecoc apura supostas fraudes que podem ultrapassar R$ 113,7 milhões, entre contratos e aditivos. Também houve apreensão de dinheiro em espécie nas casas dos investigados.

Outro fator que pode prejudicar Marquinhos é o simbolismo eleitoral da operação. Em ano pré-eleitoral, prisões relacionadas a corrupção costumam produzir forte desgaste de imagem, especialmente para candidatos que tentam reconstruir capital político. 

Marquinhos já enfrentou dificuldades nas últimas eleições estaduais e tenta voltar ao protagonismo político com a candidatura à Câmara dos Deputados.

A estratégia adotada por ele também pode gerar interpretações ambíguas, pois, ao defender Fiorese e questionar o timing da operação por causa da proximidade das eleições, o ex-prefeito busca preservar um aliado e afastar responsabilidade direta. 

Porém, adversários podem usar essa defesa para reforçar a narrativa de vínculo político e administrativo entre os dois.

Por outro lado, há fatores que podem limitar o dano eleitoral: Marquinhos não foi citado oficialmente como investigado; ele argumenta que os contratos passaram por órgãos de controle; a investigação também alcança períodos posteriores à sua gestão; e parte do eleitorado distingue responsabilidade administrativa de responsabilidade criminal individual.

Ainda assim, politicamente, operações envolvendo ex-secretários costumam contaminar a imagem do gestor que os nomeou, principalmente quando o caso envolve suspeita de corrupção em contratos públicos de grande valor.

Em uma disputa para deputado federal, na qual imagem e recall político pesam muito, o episódio tende a se transformar em munição constante dos adversários de Marquinhos Trad durante a campanha.

OUTRO LADO

Procurado pela reportagem, Marquinhos Trad afirmou que confiava na conduta e na trajetória profissional de Rudi Fiorese, destacando que sua escolha para integrar a administração municipal ocorreu após criteriosa análise técnica de currículo e histórico profissional.

“Tenho certeza de que ele é uma pessoa correta, honesta e decente. Durante todo o período em que trabalhou na administração, nunca me trouxe qualquer contratempo”, declarou o vereador.

O ex-prefeito também ressaltou que os contratos realizados durante sua gestão passaram pelos órgãos de controle e fiscalização competentes, sem apontamentos de irregularidades contratuais.

Segundo ele, eventuais questionamentos devem ser apurados com responsabilidade, garantindo o amplo direito de defesa e a presunção de inocência.

Marquinhos Trad ainda destacou que “sua gestão trabalhou para reduzir gradativamente os contratos de tapa-buracos, priorizando obras de recapeamento com base em estudos técnicos elaborados por instituições como o CREA-MS e a UFMS, buscando maior durabilidade e eficiência na recuperação da malha viária da Capital”.

“Sempre defendemos uma gestão técnica, responsável e transparente. Confiamos nas instituições, mas também acreditamos que toda investigação deve ocorrer com equilíbrio, responsabilidade e respeito ao devido processo legal”, finalizou.

AGESUL

Como no momento da prisão Rudi Fiorese ocupava o cargo de diretor-presidente da Agesul, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog) informou, por meio de nota, que o exoneraria ainda ontem.

Ainda em nota, a Seilog revelou que só tomou conhecimento da operação, que apura contratos do Município de Campo Grande, e que não é alvo da investigação. “O diretor-presidente da Agesul figura por sua atuação anterior na Secretaria Municipal de Obras [Infraestrutura e Serviços] da Capital, período ao qual a investigação se restringe”. 

Também na nota, a Seilog disse que se “comprometia com lisura e transparência na administração pública, acompanha o desenrolar da investigação e já tomou as providências necessárias, com a exoneração do servidor”.

Política

Oposição apresenta novo pedido de impeachment de Moraes em reação à decisão sobre dosimetria

Será o sexto pedido contra Moraes apenas neste ano e o trigésimo quarto desde o começo da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva

12/05/2026 22h00

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal Luiz Silveira/STF

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Grupo de oposição ao atual governo na Câmara dos Deputados apresentou, nesta terça-feira, 12, mais um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, por suspender a aplicação da Lei da Dosimetria, aprovada pelo Congresso Nacional.

O texto é de autoria do deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição. Será o sexto pedido contra Moraes apenas neste ano e o trigésimo quarto desde o começo da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva.

"Na prática, houve verdadeira paralisação da incidência da lei federal em diversas execuções penais, produzindo efeitos concretos equivalentes ao controle concentrado cautelar de constitucionalidade, sem a observância do devido processo constitucional", argumentou Silva, no pedido.

Para ele, a conduta de Moraes afronta o princípio da separação de Poderes, o princípio da legalidade, o devido processo constitucional, a cláusula de reserva de plenário, competência constitucional do plenário do STF e do Congresso.

"(Moraes) procedeu de forma incompatível com o dever de autocontenção jurisdicional exigido de integrante da Suprema Corte e de zelo pelas atribuições constitucionais do Parlamento", disse Silva.

Essa é uma das iniciativas da oposição bolsonarista contra a decisão de Moraes. Na segunda-feira, 11, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), iniciou uma coleta de assinaturas para protocolar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para anistiar os envolvidos nos atos golpistas do 8 de Janeiro.

O grupo também apoia que a Câmara tramite com a PEC para limitar as decisões monocráticas de ministros do Supremo.

A lei da dosimetria aprovada pelo Congresso Nacional reduz as penas de pessoas condenadas pelos atos antidemocráticos do 8 de Janeiro e também beneficiaria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos por tentativa de golpe de Estado.

O texto prevê redução de penas e facilita progressão de regime para crimes contra o estado democrático de direito.

Bolsonaro foi condenado pelos crimes de organização criminosa armada, abolição violenta do estado democrático de direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

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