O ex-deputado estadual Capitão Contar, que concorreu ao governo de Mato Grosso do Sul no ano passado, foi afastado do diretório regional do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB). A decisão foi tomada em reunião extraordinária no último domingo (2) e confirmada pelo secretário da executiva nacional do partido, Cleber Teixeira.
Além de Contar, que disputou o governo do Estado em 2022, pela sigla, a medida aprovada por unanimidade, afastou também todos os demais membros do diretório estadual, dentre eles a empresária, Yara Diniz Contar, esposa do político.
O motivo seria a falta de prestação de contas, que levou o partido a ser notificado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Contar e a diretoria foi comunicada, mas tiveram os direitos partidários afastados até justificarem o porquê de não terem enviado prestação de contas ao diretório nacional.
De acordo com Cleber Teixeira, o estatuto do partido estabelece que antes de terem encaminhado as contas eleitorais de campanha de 2022 ao Tribunal Regional Eleitoral, os dirigentes estaduais deveriam obrigatoriamente encaminhá-las para análise do diretório nacional.
“Prevista no estatuto, a regra tem de ser seguida à risca para que antes de ser enviada ao TRE pudéssemos analisar a existência de eventual erro na prestação de contas que pode prejudicar o partido em nível nacional”, explicou Cleber Teixeira.
Segundo contador consultado pelo PRTB Nacional, Luiz Cláudio Silva de Azevedo, “ao verificar as documentações no sistema de divulgação de prestação de contas verificamos pendências nos últimos cinco anos e a não entrega no prazo devido da prestação de contas do exercício 2022 todos esses fatos serão verificados através de um auditoria em tempo hábil e levada a direção executiva deste partido”.
Para o Dr. João Urbano, “as prestações de contas atualmente são públicas e por processo digital, podendo ser livremente fiscalizadas por todos, inclusive pela Nacional. No caso do MS, não houve qualquer repasse de verba para campanha ou manutenção do partido no Estado, de modo que a "intervenção" em contas zeradas é, resumidamente, sem efeito prático”.
O ex-deputado negou as suspeitas em relação à prestação de contas da última eleição e disse que está à disposição para esclarecimentos.
“Não temos nenhum problema. Não utilizamos nenhum centavo de verba pública ou fundo eleitoral e isso já foi devidamente informado, tanto para o partido, quanto para a Justiça Eleitoral. Mas estamos à disposição para quaisquer esclarecimentos e vamos apresentar tudo o que for solicitado”, afirmou.
Outros nomes
Além de Contar, presidente da sigla, foram afastados Helano Holanda de Almeida (1º vice-presidente), Antônio Abel Cardoso Martins (2º vice-presidente), Yara Diniz Contar (1ª secretária), Joseane Paz dos Santos (2ª secretária), Rogers Valério (1º tesoureiro) e Fabiane Cristine Lopes dos Santos (2ª tesoureira).
Teixeira aponta que em função do descumprimento do que estabelece o estatuto, Contar e os demais membros do diretório também responderão por infidelidade partidária no Conselho de Ética do PRTB. Mas, que todos poderão se defender na instância partidária.
“Todos terão direito ao contraditório e à ampla defesa”, disse Cleber Teixeira, ao informar que diretórios de outros Estados também sofreram intervenção.
Segundo ele, a expectativa é a de que até esta sexta-feira seja nomeado o interventor em Mato Grosso do Sul. Caso os dirigentes não sejam punidos, poderão retornar aos seus cargos no Diretório Estadual. Do contrário, será eleita nova diretoria executiva após o fim das apurações.
Flerte com PL
Contar está em tratativa de filiação com o Partido Liberal (PL). Foi convidado pelo novo presidente do partido, Marcos Pollon, para mudar de sigla, mas não chegou a dar a resposta.
Conforme noticiado pelo Correio do Estado, Pollon se reuniu com Contar de maio deste ano para propor uma candidatura unificada da direita, tanto em Campo Grande, quanto no interior do estado.
“Durante a reunião, eu convidei oficialmente o Capitão Contar para cerrar fileiras conosco no PL e, independentemente de qualquer coisa, dentro dos próximos dias ele dará a resposta”, declarou o deputado federal na época.




