Política

CONGRESSO NACIONAL

CPI do MST tem troca de acusações e bate-boca entre bancada ruralista e base de Lula

Ao longo da sessão foram solicitados cerca de uma dezena de pedidos de questão de ordem

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Deputados ligados à pauta ruralista e parlamentares da base do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trocaram acusações e protagonizaram uma série de bate-bocas durante sessão da CPI do MST realizada nesta terça-feira (23).

O acirramento dos discursos parlamentares iniciou-se desde os primeiros minutos da sessão, quando o presidente e o relator da CPI, respectivamente Tenente Coronel Zucco (Republicanos-RS) e Ricardo Salles (PL-SP), se referiram à comissão como responsável por "investigar a invasão de propriedade, depredação de patrimônio público e privado e crimes correlatos" --ultrapassando o escopo original do requerimento de criação da CPI, que se propõe a analisar a atuação do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

Essa mudança constou na primeira versão do plano de trabalho apresentado, lido na sessão pelo ex-ministro do Meio Ambiente do governo Jair Bolsonaro (PL). E foi alvo de críticas de parlamentares governistas. A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) acusou Salles de distorcer "sem pudor" o intuito da CPI e indicou que poderá judicializar temas abordados no colegiado, caso fujam de seu escopo.

"O relator a seu bel-prazer quer alterar o conteúdo desta CPI. Eu pergunto: embasado em qual lei? Em qual critério? E considerando que o relator e o presidente têm maioria nessa CPI acredito que essa questão de ordem vai ser invalidada. Anuncio que qualquer membro que venha a ser convocado ou qualquer tema que fuja do escopo original pode ser judicializado", disse.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, na semana passada, Salles cogitou a possibilidade de a comissão atingir o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), ligado ao deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP). Os dois articulam suas candidaturas à prefeitura da capital paulista em 2024.

Ao longo da sessão foram solicitados cerca de uma dezena de pedidos de questão de ordem (instrumento utilizado por parlamentares para provocar dúvida ou questionar sobre a interpretação de regimentos).

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), reforçou o pedido de Sâmia. A petista disse que o plano de trabalho lido por Salles "é um relatório prévio". "Ele está dizendo que teve depredação, invasão, crimes correlatos. Gostaria que se adequasse [o texto] para o que é exatamente o objetivo e a finalidade [da CPI], sem elencar rol de situação. Isso só virá a posteriori, quando tiver oitivas, conversas aqui, mas nunca com antecedência", disse.

"Já que vamos ter uma CPI sem objeto, pelo menos que o objetivo seja mantido e não aumentado e apresentado no texto dessa forma de já criminalizar o MST", continuou a petista.

Zucco, então, afirmou que o nome da CPI seria trocado no plano de trabalho, mas rejeitou questão de ordem apresentada por Gleisi afirmando que "nada impede" que a condução dos trabalhos da comissão "se dê de modo diverso daquele proposto inicialmente no plano de trabalho".

A sessão foi marcada por uma artilharia da oposição contra o MST --a maioria do colegiado é formada por deputados ligados à pauta ruralista e integrantes da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), uma das maiores forças da Casa.

Parlamentares ligados à pauta ruralista se referiram ao movimento e a seus integrantes como "bandidos", "marginais" e "maloqueiragem". Deputados governistas reagiram afirmando que é preciso investigar conflitos no campo, grilagem, invasão de terras indígenas, queimadas e desmatamento, fazendo críticas à gestão de Salles no Meio Ambiente. Talíria Petrone (PSOL-RJ) afirmou que o ex-ministro "tem relação com o garimpo ilegal" e que o parlamentar "não ligou" para denúncias de madeira ilegal "porque ele não defende o meio ambiente".

Salles reagiu indicando que poderá representar a parlamentar na Comissão de Ética da Casa. E ouviu como resposta de Sâmia: "Melhor responder no conselho de ética do que na Justiça, do que no Supremo [Tribunal Federal]".

Um dos embates se deu entre o deputado Valmir Assunção (PT-BA), ligado ao MST, e o deputado Delegado Éder Mauro (PL-PA). Mauro afirmou que o "MST não é um movimento social, mas sim um movimento de marginais, que invadem, quebram, põem fogo em sedes de fazendas e matam animais". Valmir, então, reagiu: "Não sou marginal, eu não sou marginal".

As parlamentares do PSOL saíram em defesa do petista e afirmaram que o deputado do PL "é acusado de ser torturador". Em outro momento, Sâmia protagonizou embates com Zucco, presidente da CPI, ao tratar da investigação contra o parlamentar.

No dia 17 de maio, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou que a Polícia Federal dê prosseguimento a investigações contra Zucco por suspeita de incentivar e patrocinar atos antidemocráticos no Rio Grande do Sul e em Brasília.

A apuração começou com uma notícia de fato levada ao Ministério Público Federal. O TRF-4 encaminhou o processo ao Supremo por envolver um deputado federal. Zucco reagiu afirmando que esse assunto "não é pauta dessa CPI".

Antes de a sessão começar, a deputada federal Camila Jara (PT-MS) ofereceu aos presentes copos com suco de uva produzidos em assentamentos do MST.

"A gente pode experimentar como a gente consegue aliar a produção de alimentos saudáveis com o incentivo para agricultura familiar produzir cada vez mais", disse.

A deputada ofereceu a Salles, que tomou o suco e posou para fotos segurando uma garrafa do produto. Uma nova sessão será realizada na quarta-feira (24) para análise de 15 requerimentos que já foram apresentados por parlamentares --até a tarde de terça, havia 102 disponibilizados no portal da Câmara.

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Eleições

Centro-Oeste tem 27 candidaturas indígenas nas Eleições 2026; MS reúne 18

Estado concentra 12 candidatos Guarani Kaiowá e seis Terena, segundo levantamento da Apib

19/08/2026 13h33

Agência Brasil

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Mato Grosso do Sul concentra 18 das 27 candidaturas indígenas registradas no Centro-Oeste para as Eleições 2026, segundo levantamento da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), feito com base nos dados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre os candidatos do Estado estão 12 representantes do povo Guarani Kaiowá e seis do povo Terena.

O número coloca Mato Grosso do Sul em posição de destaque no cenário eleitoral indígena nacional. Os 18 candidatos representam dois dos povos com maior número de candidaturas em todo o país. Os Guarani Kaiowá aparecem em segundo lugar no ranking da Apib, atrás apenas dos Macuxi, de Roraima, que somam 13 candidaturas.

Ao todo, o Brasil tem 191 candidaturas indígenas nas eleições deste ano, o maior número já registrado desde 2014, quando o TSE passou a exigir dos candidatos informações sobre cor e raça. O total supera as 186 candidaturas indígenas registradas em 2022 e é 125% maior que o registrado em 2014, quando eram 85.

Além de Mato Grosso do Sul, o levantamento da Apib aponta candidaturas indígenas nos demais estados do Centro-Oeste e no Distrito Federal. Ao todo, são 27 postulantes na região.

A participação regional ocorre em um cenário de ampla diversidade territorial. Segundo a entidade, os candidatos indígenas estão distribuídos por 26 das 27 unidades da Federação e representam povos dos seis grandes biomas brasileiros: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal.

A Amazônia Legal concentra a maior quantidade, com 80 candidaturas, equivalente a 42% do total nacional. O Sudeste aparece com 36 candidatos, seguido pelo Nordeste, com 34; Centro-Oeste, com 27; e Sul, com 14.

A presença de candidatos indígenas no Centro-Oeste ganha ainda mais relevância pela relação da região com o Pantanal, um dos biomas representados no levantamento. Em Mato Grosso do Sul, a presença de povos originários faz parte de uma realidade que atravessa diferentes territórios e regiões do Estado.

Guarani Kaiowá e Terena 

Dos 64 povos indígenas identificados nas candidaturas analisadas pela Apib, os Guarani Kaiowá, de Mato Grosso do Sul, aparecem com 12 candidatos, enquanto os Terena somam seis.

O ranking nacional é liderado pelos Macuxi, com 13 candidaturas. Na sequência aparecem Guarani Kaiowá, com 12; Guaraní, com oito; Munduruku, com sete; Mura e Terena, com seis cada; e Tupinambá e Wapichana, com cinco cada.

Maioria disputa no Legislativo

A maior parte das candidaturas indígenas está concentrada nas disputas para o Legislativo. São 99 candidatos a deputado estadual e 75 a deputado federal.

Também foram registradas quatro candidaturas ao Senado, três ao governo estadual, três a deputado distrital, três a primeiro suplente, duas a vice-governador e duas a segundo suplente.

A disputa pela Câmara dos Deputados foi uma das que mais cresceu. O número de candidaturas indígenas passou de 59, em 2022, para 75 neste ano.

Mulheres indígenas

As mulheres representam 44% das candidaturas indígenas em 2026. São 84 candidatas, uma a menos que em 2022, quando o levantamento contabilizou 85.

Apesar da pequena redução, a participação feminina entre os candidatos indígenas é superior à média geral das eleições, de 35%. Segundo a Apib, o número de mulheres indígenas disputando as eleições gerais cresceu cerca de 190% desde 2014.

Para a organização, o crescimento das candidaturas indígenas representa uma ampliação da participação política dos povos originários e reflete a mobilização das organizações nos territórios.

A Apib e organizações indígenas regionais também apoiam 54 das candidaturas por meio da Campanha Indígena, estruturada em torno do slogan “Nosso Território, Nossa Vida”.

Os dados utilizados no levantamento são baseados nos registros disponibilizados pelo TSE e ainda podem sofrer alterações durante o processo eleitoral.

AUTODECLARAÇÃO RACIAL

Quinze candidatos de MS mudam declaração de cor ou raça desde 2022

Levantamento do Correio do Estado cruzou dados de 419 pedidos de registro apresentados neste ano com os da eleição anterior

19/08/2026 13h08

Os deputados Roberto Hashioka, Beto Pereira, Zé Teixeira e Gleice Jane fazem parte da lista de candidatos que trocaram de raça

Os deputados Roberto Hashioka, Beto Pereira, Zé Teixeira e Gleice Jane fazem parte da lista de candidatos que trocaram de raça Montagem

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Pelo menos 15 candidatos de Mato Grosso do Sul informaram à Justiça Eleitoral uma cor ou raça diferente da declarada na eleição de 2022. O número representa 12,1% dos 124 nomes que aparecem nos registros de candidaturas dos dois pleitos.

O levantamento feito pelo Correio do Estado cruzou, pelo CPF, os arquivos oficiais de candidatos de 2022 e 2026, disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e consultados nesta quarta-feira (19).

Entre os nomes que alteraram a autodeclaração estão o deputado estadual Zé Teixeira (PL), o deputado federal Beto Pereira (Republicanos), o deputado estadual Roberto Hashioka (Republicanos), a deputada estadual Gleice Jane (PT) e o candidato ao governo Jeferson Bezerra (Agir).

Das 15 mudanças localizadas, oito candidatos passaram a se declarar pardos, seis aparecem agora como brancos e um como amarelo. A maior parte das alterações ocorreu entre as categorias branca e parda: seis mudaram de branca para parda e cinco fizeram o caminho inverso.

Outros dois candidatos trocaram a declaração de preta para parda. Também foram encontradas uma mudança de amarela para branca e outra de branca para amarela.

Passaram de branca para parda: 

  • Adauto Souto, candidato a deputado federal pelo PDT;
  • Adonis, candidato a deputado estadual pelo Cidadania;
  • Beto Pereira, candidato a deputado federal pelo Republicanos;
  • Eduardo Borges, candidato a deputado estadual pelo PT;
  • Gilmar Garcia, candidato a deputado estadual pelo PV;
  • Zé Teixeira, candidato a deputado estadual pelo PL

Passaram de preta para parda:

  • Enfermeira Cida Amaral, candidata a deputada estadual pelo Avante;
  • Professora Gleice Jane, candidata a deputada estadual pelo PT.

Passaram de parda para branca:

  • Carlos Bernardo, candidato a deputado federal pelo União Brasil;
  • Chicão Vianna, candidato a deputado estadual pelo Republicanos;
  • Jeferson Bezerra, candidato ao governo pelo Agir;
  • Lya Santos, candidata a deputada federal pela Rede;
  • Rosana Santana, candidata a deputada estadual pelo Novo.

As outras duas alterações foram registradas por China, candidato a deputado estadual pelo Avante, que passou de amarelo para branco, e Roberto Hashioka, candidato a deputado federal pelo Republicanos, que mudou de branco para amarelo

Regras

As oito pessoas que aparecem neste ano como pardas e tinham outra declaração em 2022 estão dentro da situação tratada pela nova regulamentação do TSE.

A Resolução nº 23.754/2026 determina que, quando uma declaração preta, parda ou indígena divergir do Cadastro Eleitoral ou de um registro de candidatura anterior, o candidato e o partido sejam intimados para confirmar a alteração.

Se o candidato ou a legenda admitir que houve erro, ou não responder à intimação, a informação deverá ser corrigida para coincidir com o Cadastro Eleitoral ou com o registro anterior. Nesse caso, também fica proibido o repasse de recursos públicos reservados às candidaturas negras ou indígenas.

A regra é relevante porque, para a Justiça Eleitoral, as candidaturas negras são definidas pelas autodeclarações preta e parda. Essa classificação influencia a distribuição de recursos públicos de campanha e do tempo de propaganda eleitoral.

O levantamento não verificou se as intimações já foram expedidas nos processos individuais. A mudança encontrada nas bases também não comprova, por si só, fraude ou irregularidade. Os dados públicos não apresentam a justificativa dada por cada candidato para a alteração.

O total de 15 considera todas as pessoas que apresentaram pedidos de registro nas duas eleições, independentemente da situação final da candidatura em 2022.

Dos 124 nomes encontrados nos dois bancos de dados, 114 terminaram a eleição passada com candidatura apta e dez foram considerados inaptos. Entre os que mudaram a declaração, somente Carlos Bernardo estava no segundo grupo.

Considerando exclusivamente os candidatos aptos em 2022, são 14 alterações entre 114 nomes, o equivalente a 12,3%. Os registros de 2026 ainda podem sofrer atualizações durante o julgamento das candidaturas pela Justiça Eleitoral.
 

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