Política

MATO GROSSO DO SUL

Eleições: PRF fiscalizou transporte de assentados no interior de MS

Trabalho de fiscalização, no contexto de operação nacional contestada no TSE, ocorreu em Itaquiraí, cidade onde Lula venceu no primeiro turno

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As polícias Federal (PF) e Rodoviária Federal (PRF) também realizaram operações de fiscalização neste domingo (30) de eleições em Mato Grosso do Sul, apurou o Correio do Estado. Nas cidades do interior, porém, não houve reclamações da limitação do direito de ir e vir dos eleitores. 

O Correio do Estado apurou que equipes da PRF e PF estiveram pela manhã no Assentamento Santo Antônio, localizado no município de Itaquiraí (Sul do Estado), às margens da BR-487. A rodovia liga a BR-163 à divisa com o Estado do Paraná, e é fiscalizada pela Polícia Rodoviária Federal. 

A fiscalização foi feita nos ônibus que fazem o transporte dos eleitores assentados para a sede do município, em Itaquiraí, que está localizado às margens da BR-163. 

No primeiro turno, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o mais votado no município, com 5.227 votos (52,60%), enquanto o atual presidente, Jair Bolsonaro (PL), foi a escolha de 41,43% dos eleitores (4.117 votos) do município. Simone Tebet (MDB) teve 396 votos (3,99%), e Ciro Gomes (PDT) e 139 votos (1,40%).

FISCALIZAÇÔES

Desde a manhã deste domingo, centenas de denúncias de fiscalizações da PRF que dificultam o transporte de eleitores têm se acumulado pelo Brasil, sobretudo na Região Nordeste. 

A campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu ao presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Alexandre de Moraes, que prenda o diretor-geral da PRF (Polícia Rodoviária Federal), Silvinei Vasques, caso o órgão descumpra a decisão do ministro que impede a realização de qualquer operação contra veículos utilizados no transporte público de eleitores.

Também pediu que o ministro determine multa de R$ 500 mil por hora a ele e ao ministro da Justiça, Anderson Torres, caso a determinação não seja observada.

Segundo números internos da PRF aos quais a Folha de S.Paulo teve acesso, o órgão já tinha realizado 514 ações de fiscalização contra ônibus até as 12h35.

 

FINANCIAMENTO ELEITORAL

Verba pública financia 93% das campanhas de deputados eleitos

Os oito vencedores de MS declararam R$ 14,83 milhões em despesas, com o gasto por voto variando de R$ 8,53 a R$ 49,24

20/10/2026 08h05

O deputado federal sul-mato-grossense Marcos Pollon

O deputado federal sul-mato-grossense Marcos Pollon Foto: Runo Spada/Câmara dos Deputados

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Os partidos políticos sustentaram a maior parte da arrecadação das campanhas dos oito deputados federais eleitos por Mato Grosso do Sul. 

Dos R$ 18,9 milhões em receitas declaradas, aproximadamente R$ 17,58 milhões vieram das legendas, o equivalente a 93% do total, conforme levantamento feito pelo Correio do Estado com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

As candidaturas declararam aproximadamente R$ 14,83 milhões em despesas. A arrecadação corresponde aos recursos recebidos pelas campanhas, enquanto as despesas representam os gastos informados à Justiça Eleitoral.

Entre as fontes utilizadas pelas legendas estão o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral, e o Fundo Partidário, ambos abastecidos com dinheiro público.

Os partidos também podem transferir recursos privados arrecadados, o que exige identificar a origem dos repasses para determinar quanto veio efetivamente dos cofres públicos.

Para o cientista político Tércio Albuquerque, o peso do financiamento público aumenta a dependência dos candidatos em relação às direções partidárias.

Na avaliação dele, a distribuição dos recursos considera o potencial de eleição dos concorrentes, uma vez que o desempenho nas urnas beneficia também a legenda.

“Como o financiamento primordialmente é público, cria-se uma dependência”, afirmou, avaliando que o controle sobre a distribuição do dinheiro permite às direções partidárias direcionar os recursos conforme seus

interesses eleitorais.
O professor de Ciências Sociais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) Daniel Miranda concorda que essa dependência aumenta, mas destaca que seus efeitos aparecem principalmente durante os mandatos.

De acordo com o docente, a disciplina partidária no Congresso Nacional, caracterizada pelo acompanhamento das orientações dos líderes pelas bancadas, está parcialmente relacionada ao controle dos recursos de campanha.

“Essa disciplina é, parcialmente, fruto de negociações, mas também da capacidade dos diretórios nacionais e regionais de decidirem quanto recurso vai para cada campanha”, explicou.

O deputado federal sul-mato-grossense Marcos Pollon

DISTRIBUIÇÃO

Sobre a divisão interna do dinheiro, Tércio destaca as exigências legais de destinação de recursos para cotas. Fora dessas obrigações, afirma que pesam a força política dos candidatos e suas chances de conquistar uma cadeira, favorecendo aqueles que disputam sucessivas reeleições.

“Sempre são destinados em maiores volumes aos candidatos que estão em reeleições reiteradas com maior chance de eleger-se”, avaliou.

Daniel Miranda observa que os partidos têm autonomia para distribuir os recursos e que, mesmo dentro das cotas, há espaço para decidir quanto cada candidatura receberá. Como exemplo, cita a possibilidade de distribuir valores diferentes entre candidatas contempladas pelos recursos destinados às mulheres.

Na avaliação do professor, quem já exerce mandato costuma ter vantagem também pela influência sobre as estruturas responsáveis pelas decisões.

“Mandatários geralmente têm prioridade, não só por terem mandato, mas porque geralmente ocupam ou controlam diretórios, que decidem como o dinheiro vai ser distribuído”, afirmou.

Os dados ainda são parciais e podem ser atualizados. O prazo para apresentação das contas finais dos candidatos que disputaram somente o primeiro turno termina no dia 3 de novembro.

 

Deputados federais

Deputado                       Arrecadado    FEFC    F. Partidário    Privado    % público
Marcos Pollon (PL)           2,50 mi    1,50 mi    1,00 mi             2 mil            100%
Camila Jara (PT)                2,83 mi    2,81 mi       –                   10 mil           100%
Isa Marcondes (Rep.)         1,82 mi    1,72 mi    85 mil              17 mil           99%
Rose Modesto (União)       3,05 mi    1,50 mi    1,49 mi            60 mil           98%
Beto Pereira (Rep.)            1,99 mi    1,71 mi    80 mil             203 mil           90%
Dagoberto Nogueira (PP)  2,98 mi    2,60 mi        –                  378 mil           87%
Mara Caseiro (PL)             1,78 mi    1,50 mi        –                  276 mil           84%
Rodolfo Nogueira (PL)      1,87 mi    1,50 mi        –                  375 mil           80%

Declaração

'Narrativa política não pode gerar desinformação', diz Nunes Marques às vésperas do 2º turno

Ministro ressaltou, ainda, que a difusão de informações falsas no período eleitoral pode ser danosa ao regime democrático

19/10/2026 22h00

Ministro Kassio Nunes Marques

Ministro Kassio Nunes Marques Foto: Divulgação / X

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A seis dias do segundo turno, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, cobrou responsabilidade de "agentes do sistema eleitoral" - ou seja, instituições, candidatos, políticos, juízes e cidadãos. "Narrativa política não pode gerar desinformação", alertou o ministro.

Nunes Marques ressaltou, ainda, que a difusão de informações falsas no período eleitoral pode ser danosa ao regime democrático. E que a Justiça Eleitoral seguirá disponibilizando informações confiáveis aos brasileiros.

"|A Justiça Eleitoral trabalha, de forma transparente, visando sempre à informação de qualidade ao eleitor. Esse trabalho não pode ser capturado pela narrativa política. A desinformação pode gerar danos irreparáveis à democracia. Os agentes do sistema eleitoral, em todas as suas esferas, precisam ter responsabilidade", disse ao Estadão.

O ministro deu a declaração no dia seguinte ao debate da Band, em que Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro trocaram acusações e destrincharam dados relativos à administração pública e a investigações criminais. O Estadão Verifica checou as afirmações dos dois candidatos.

A conclusão é que a maioria das declarações de Flávio que foram alvo da checagem era descontextualizada, enganosa ou falsa. Na comparação com o concorrente, Lula disse mais verdades, mas também falou frases enganosas, exageradas ou imprecisas. Os dois concorrentes voltarão a se enfrentar na Globo, em debate agendado para sexta-feira, 23.

O apelo de Nunes Marques chega em um momento de ataques ao TSE devido a mudanças em locais de votações em todo o país. O tribunal esclarece que essas medidas são esperadas entre o primeiro e o segundo turno e são coordenadas pelos Tribunal Regionais Eleitorais (TREs) a partir de demandas locais.

Entre as causas de mudança nos locais de votação estão previsões de chuvas fortes com potencial para alagamento de determinadas zonas eleitorais, ou outras condições adversas verificadas no local de votação no primeiro turno.

Ainda segundo o TSE, houve 444 alterações em locais de votação até esta segunda-feira, 19, mas o número ainda pode sofrer alterações até o próximo domingo. Entre o primeiro e o segundo turno de 2022, essas mudanças atingiram cerca de 5.800 locais de votação.

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