Política

ELEIÇÕES 2026

Em MS, eleitor "nem-nem" também vai ajudar na definição de futuro presidente

Hoje, o eleitorado brasileiro tem 5 grupos: lulistas, bolsonaristas, esquerda não lulista, direita não bolsonarista e independentes

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Uma tendência nacional demonstrada pelas últimas pesquisas de intenção de voto para presidente da República nas eleições deste ano também já está sendo retratada pelos eleitores sul-mato-grossenses.

Ou seja, que o pleito deste ano será decidido pelos eleitores que não são nem pró-Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e nem pró-Jair Messias Bolsonaro (PL), os chamados “nem-nem”, isto é, que não se enquadram na polarização entre lulismo e bolsonarismo no Brasil.

A análise foi feita pelo diretor do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), Aruaque Fressato Barbosa, com base da avaliação do cientista político, professor e comentarista Felipe Nunes, que é sócio-fundador e diretor da Quaest Pesquisa e Consultoria, uma das principais empresas do ramo atualmente no Brasil.

Na semana passada, Felipe Nunes reforçou que a maioria dos analistas políticos brasileiros entende que a eleição presidencial deste ano tende a ser decidida por uma fatia pequena do grande eleitorado brasileiro.

Ele citou que o Brasil tem hoje cinco grupos políticos no eleitorado, os lulistas, que correspondem a 19% do eleitorado, a esquerda não lulista, que corresponde a 14% do eleitorado e esses dois grupos, somados, estão com 33%.

Do outro lado, ainda de acordo com o diretor Quaest, temos 21% da direita não bolsonarista e 12% da direita bolsonarista, totalizando mais 33% do eleitorado. Quem sobra? Sobram 32% de independentes, já tirando 1% de indecisos.

Só que eles têm uma característica: a maior parte dos independentes hoje está desanimada, apática e deve se abster do processo eleitoral. Portanto, desses 32% de independentes, só 10% tendem a votar na eleição deste ano.

Ou seja, os atuais presidenciáveis estão em busca de convencer o coração e conquistar as mentes desses 10%. Para Aruaque Barbosa, em relação à questão presidencial aqui no Estado, o que se vê pelas últimas pesquisas feitas é que a maioria da população, cada vez mais, não quer se identificar como direita ou esquerda.

“E isso vai refletir no voto. O que isso quer dizer? A população não quer extremismo. Aqui no Estado, os eleitores ‘nem-nem’ estão rejeitando tanto o posicionamento da família Bolsonaro quanto o do presidente Lula. Então, se tiver um perfil moderado, com certeza vai ter muitos votos aqui e nos outros estados brasileiros”, assegurou o diretor do IPR.

Ele completou que o eleitor sul-mato-grossense não tem um nome definido, apenas um perfil. “O que eles querem? Querem alguém da direita, alguém conservador, como é a maioria da população do Estado. Porém, eles querem alguém que saia dessa dualidade Bolsonaro-Lula”, alertou.

Obviamente, conforme Aruaque Barbosa, o presidente Lula tem os seus votos aqui, como o ex-presidente Jair Bolsonaro também tem os seus, mas há uma grande parte do eleitorado – e é essa parcela que deve decidir quem vai ganhar aqui no Estado para presidente da República – que procura um candidato com viés mais de centro, mais moderado, porém, mais alinhado à direita.

“O grande problema que pode acontecer nas eleições deste ano é se tiver uma pulverização de candidatos à direita. Vamos supor que saiam como candidatos Ratinho Jr. (PSD), Tarcísio de Freitas (Republicanos), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo), os votos da direita ficarão distribuídos.

Com esse cenário de muitos candidatos da direita e praticamente só o Lula da esquerda, o atual presidente da República terá mais votos e será reeleito”, projetou.

Na avaliação dele, não porque o PT é forte aqui, mas porque a fragmentação da direita vai fazer com que os votos do Lula sejam superiores aos de qualquer um dos demais candidatos da direita.

“Lógico que, havendo um segundo turno, será mais provável que todos esses candidatos da direita se alinhem e votem em um único candidato da mesma vertente política”, argumentou.

Porém, Aruaque Barbosa comentou que, se esse candidato for um radical da direita, aí pode acontecer um número alto de abstenções, porque essas pessoas não querem votar no Lula, mas também não querem votar em um candidato da extrema direita.

“Há ainda uma outra possibilidade, que é a de que algumas dessas pessoas mudem de opinião e votem no presidente Lula. Não porque o presidente seja uma boa opção, mas porque ele seria o menos pior que o radical da direita”, concluiu.

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Política

Desembargadores dizem que decisão de Dino poderá impactar salários e estrutura dos Tribunais

Inquietos com eventuais cortes que poderão sofrer, caso comprovados desembolsos sem respaldo legal, os magistrados se mobilizam, por meio de sua entidade de classe, a Andes

16/02/2026 19h00

Wilson Dias / Agência Brasil

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Os desembargadores de todo o País entraram em alerta depois que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou liminarmente que os três poderes revejam supersalários e penduricalhos que engordam holerites em até cinco vezes o teto do funcionalismo, que é de R$ 46,3 mil bruto - valor pago aos ministros do STF.

Inquietos com eventuais cortes que poderão sofrer, caso comprovados desembolsos sem respaldo legal, os magistrados se mobilizam, por meio de sua entidade de classe, a Andes (Associação Nacional dos Desembargadores), que ingressou com pedido de amicus curiae ('amigo da Corte') na ação em que Dino deu prazo de até 60 dias para o Judiciário, o Legislativo e o Executivo ajustarem seus contracheques.

O ministro ordenou, ainda, com fundamento no poder geral de cautela, a imediata suspensão dos pagamentos 'que não estejam expressamente previstos em lei federal, estadual ou municipal, conforme a competência'. Estabeleceu, ainda, a necessidade de edição de 'atos motivados' pelas chefias dos Poderes, discriminando cada verba remuneratória ou indenizatória e seu respectivo fundamento legal.

A origem da decisão de Flávio Dino é uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) perante o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo, com o objetivo de que fosse reconhecido que os honorários de sucumbência pagos aos procuradores municipais de Praia Grande, no litoral paulista, 'possuem natureza remuneratória, devendo ser integralmente destinados aos membros da carreira, observando-se como limite máximo o subsídio mensal dos ministros do Supremo'.

O Tribunal de São Paulo, ao se debruçar sobre a questão, julgou procedente a ação, conferindo, contudo, interpretação conforme ao artigo 28 da Lei Complementar Municipal nº 504/2008, para submeter os procuradores municipais ao subteto correspondente a 90,25% do subsídio dos ministros do STF, 'em consonância com o entendimento firmado no Tema nº 510 da repercussão geral'.

"Em um primeiro momento, a presente controvérsia estava delimitada à alegação de usurpação de competência desta Suprema Corte pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, o que, à princípio, poderia não atrair, de forma direta, o interesse institucional das entidades representativas da magistratura", alegam os desembargadores no pedido ao STF.

Eles avaliam, porém, que 'a controvérsia assumiu inequívoca relevância institucional para a magistratura de segundo grau na medida em que eventual consolidação ou modulação dos efeitos da decisão (de Dino) poderá impactar diretamente o regime remuneratório e a própria estrutura de funcionamento dos Tribunais pátrios'.

A principal entidade da categoria reúne mais de 400 desembargadores de Tribunais de Justiça, Tribunais Regionais do Trabalho, Tribunais Regionais Federais e também conselheiros de Tribunais de Contas dos Estados e Municípios.

No pedido à Corte, subscrito pelo advogado Murilo Matuch de Carvalho, a Andes afirma que sua intervenção como amicus 'contribuirá para a pluralização do debate constitucional, trazendo ao relator e ao Supremo Tribunal Federal a perspectiva institucional dos magistrados que atuam no segundo grau de jurisdição, de modo a enriquecer a análise da controvérsia'.

Os desembargadores pretendem, se admitidos no bojo da ação, entregar memoriais e fazer sustentação oral por ocasião do julgamento.

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CASO MASTER

Tereza lidera racha do PP após nota de Ciro em favor do ministro Dias Toffoli

A revolta da senadora sul-mato-grossense recebeu respaldo da bancada do partido no Senado Federal e de outros parlamentares

16/02/2026 13h39

A senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina é líder do PP no Senado Federal

A senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina é líder do PP no Senado Federal Saulo Cruz/Agência Senado

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A senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina (PP) liderou, no fim de semana, um racha da bancada do partido no Senado Federal contra o presidente nacional da sigla, o senador piauiense Ciro Nogueira, após ele ter assinado nota de apoio da Federação Partidária União Progressista ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
 
Na nota, que também tinha a assinatura do presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, a federação partidária expressava “confiança” no magistrado, fato que provocou revolta de Tereza Cristina, que, em seguida, divulgou carta contestando o posicionamento institucional da própria federação. 
 
Segundo a senadora, que é a líder do partido no Senado Federal, a manifestação que denunciava narrativas que desejavam colocar a população contra o ministro Dias Toffoli “não foi previamente debatida e nem contou com a anuência desta bancada, portanto, não pode ser interpretada como representativa dos senadores do PP”.
 
Divulgada nas redes sociais, a declaração de Tereza Cristina foi assinada juntamente com outros senadores do PP: Hiran Gonçalves (RR), Esperidião Amin (SC), Luis Carlos Heinze (RS) e Margareth Buzetti (MT). 
 
A publicação da senadora repercutiu entre outros parlamentares de oposição, como a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), que ficou feliz com o esclarecimento de Tereza, enquanto o deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) deu parabéns pelo posicionamento da senadora. 
 
O deputado federal Dr. Luiz Ovando (PP-MS), vice-presidente da legenda em Mato Grosso do Sul, também manifestou total apoio e solidariedade à nota à imprensa divulgada por Tereza Cristina. “O Brasil vive um momento que exige coragem, equilíbrio e compromisso com a verdade”, escreveu.
 
Ele ainda acrescentou que “não podemos compactuar com qualquer indício de irregularidade, venha de onde vier”. “Se houver culpa, que haja apuração rigorosa e punição exemplar, seja no Judiciário, no Legislativo ou no Executivo”, pontuou.
 
Para o parlamentar, a “República não se sustenta com corporativismo, blindagens ou dois pesos e duas medidas”. “Não se passa a mão na cabeça de quem afronta a confiança do povo. Atos indignos e vergonhosos precisam ser enfrentados com transparência e responsabilidade”, cobrou.
 
Luiz Ovando concluiu dizendo que passar o Brasil a limpo é um dever moral. “E essa mudança começa pelas urnas, especialmente na escolha dos senadores, que têm a responsabilidade constitucional de fiscalizar e impor limites quando necessário. O futuro do país depende das escolhas que fazemos hoje. Escolha com consciência. Escolha em quem confiar”, finalizou.

MAIS APOIO

O deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB), que lidera a oposição na Câmara, comentou que tem muito respeito pelo PP e pelo União Brasil porque vários parlamentares da federação fazem oposição ao governo Lula, mas ressalva que a nota foi um equívoco.
 
“Neste momento, o clima do Brasil é muito tenso, temos um Poder Judiciário que, por meio da Suprema Corte, vem destruindo toda a credibilidade do próprio Poder. No meu entendimento, não veio em boa hora essa nota”, pontuou o líder.
 
O senador Izalci Lucas (PL-DF) definiu o episódio como "vergonhoso", em que a Federação União Progressista se presta ao papel de "escudo" do ministro Dias Toffoli, "ignorando as decisões monocráticas e arbitrárias que ele tem tomado no maior escândalo de corrupção financeira da história do Brasil".
 
Izalci destacou que o que enfraquece o país não é o questionamento público, mas sim, o ativismo judicial que atropela a Constituição e o equilíbrio entre os Poderes. "Não me calarei diante de blindagens corporativistas que tentam normalizar o que é indefensável", frisou.
 
As críticas também partiram da base do governo Lula na Câmara. À reportagem, o deputado Rogério Correia (PT-MG) disse que a nota em apoio a Toffoli foi "inconsistente e desnecessária".
 
"Primeiro, porque não pode ficar dúvida sobre a apuração de fato tão grave como foi essa falência do Banco Master. E, segundo, porque o Supremo estava ficando em uma posição desconfortável, tudo se concentrava nessa relação do Toffoli com o Vorcaro", disse o petista. 

ENTENDA

O episódio ocorre em meio à repercussão de investigações que mencionam Toffoli em conversas encontradas no celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no curso de apurações da Polícia Federal. 
 
Diante da exposição, o ministro reconheceu ter participação em uma empresa que negociou a venda de ações de um resort com um parente do banqueiro. Pressionado, o ministro decidiu deixar a relatoria do processo.
 
A nota de apoio da federação União Progressista foi divulgada um dia após o partido Novo protocolar um pedido de impeachment de Toffoli, também assinado por outros parlamentares da oposição.
 
Além da ação do Novo, Dias Toffoli tem mais nove pedidos de impeachment tramitando no Congresso. Quatro apresentaram como justificativa o caso do Banco Master e foram apresentados neste ano. 
 
Os outros pedidos estão vinculados ao fato de o ministro ter sido alvo de sanção dos Estados Unidos ou questionam sua imparcialidade diante de julgamentos de casos que envolvem a empresa JBS, da qual sua ex-esposa era advogada.

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