Política

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Em reunião, Eduardo Riedel e Sônia Guajajara discutem soluções para conflitos fundiários em MS

Ministra dos Povos Indígenas veio a Mato Grosso do Sul para ver a situação da população indígena em Rio Brilhante, palco de ocupação há menos de um mês

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Em visita a Mato Grosso do Sul, a Ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, se reuniu com o governador do Estado, Eduardo Riedel, a fim de discutir soluções para os problemas dos povos originários e os recentes conflitos fundiários.

O encontro foi realizado no Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) neste sábado (18).

A solução que está sendo construída pelos Governos Federal e Estadual passa pela aquisição de terras tituladas. O Ministério do Planejamento e Orçamento, comandado por Simone Tebet, já sinalizou a intenção de destinar recursos financeiros para este fim.

Segundo Eduardo Riedel, a questão da demarcação de terras é cara para o Estado, para as comunidades indígenas e para os produtores. Com a parceria e apoio do Governo Federal, a solução se torna possível.

“Mato Grosso do Sul vai perseguir esse caminho que passa pela aquisição de algumas áreas específicas. É um caminho que não é de hoje, é uma construção de muitos anos e que a ministra traz aqui como uma possibilidade que tenha realmente a conclusão dos conflitos”, disse.

Riedel afirmou também que o Governo do Estado não vai tolerar confrontos por terras em Mato Grosso do Sul.

“A polícia vai agir para não ter conflito. Não vamos permitir confronto em território sul-mato-grossense. Não podemos permitir esse tipo de situação aqui no Estado”.

Sônia Guajajara assumiu o compromisso de trabalhar em conjunto para solucionar a insegurança jurídica em torno da propriedade das terras.

“Estamos dispostos a retomar espaço de diálogo para que a gente possa avançar na demarcação de terras indígenas no Brasil e em Mato Grosso do Sul e, para isso, é importante estabelecer esse diálogo com o Governo do Estado, com a instância representativa dos produtores para que a gente possa encontrar uma alternativa comum. O Governo Federal traz esse compromisso de firmar esse pacto aqui no Estado de tirar essa situação de insegurança jurídica, essa situação de vulnerabilidade em que se encontram os povos indígenas hoje. Tivemos essa tarde de conversa muito produtiva”, afirmou.

Representando a ministra Simone Tebet, o assessor especial do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) João Vilaverde declarou ser um dia histórico de entendimento.

“Hoje está sendo um dia histórico porque vejo uma sinergia de todos os lados. E isso só é possível porque é esse o Governo Federal que temos hoje e porque é esse o Governo do Estado que temos. Se não fossem esses governantes (Lula e Riedel), não teríamos esse diálogo e não poderíamos encontrar esse caminho”, destacou.

Também estiveram presentes os secretários Pedro Arlei Caravina (Governo e Gestão Estratégica), Patrícia Cozolino (Assistência Social e Direitos Humanos), Antonio Carlos Videira (Segurança Pública) e Jaime Verruck (Semagro), a secretária-adjunta da Setescc, Viviane Luiza da Silva, os deputados federais Vander Loubet, Geraldo Resende e Camila Jara, o deputado estadual Pedro Pedrossian Neto, além de diversos representantes da comitiva interministerial do Governo Federal, entre outras lideranças.

Visita

Sônia Guajajara veio a Mato Grosso do Sul para ver a situação da população indígena em Rio Brilhante (município a 150 km de Campo Grande), palco de ocupação há menos de um mês, e seguiu para reunião, em Campo Grande, com o governador Eduardo Riedel e secretários de Estado, ministros, deputados federais e estadual, lideranças indígenas e o presidente da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de MS), Marcelo Bertoni.

 

Quem é Sônia


Sônia Guajajara é nascida na aldeia indígena Araribóia, no estado do Maranhão, e integra o povo Guajajara/Tentehar. Ela é ativista em causas indígenas com reconhecimento internacional.

Formou-se em Letras e Enfermagem pela Universidade Estadual do Maranhão e pós-graduada em Educação Especial. 
Disputou eleições em 2018 como candidata a vice-presidente do Brasil, pelo PSOL, ao lado do deputado federal Guilherme Boulos.

Ano passado, Sônia elegeu-se deputada federal por São Paulo. Licenciou-se para assumir o mais novo ministério brasileiro, o dos Povos Indígenas.

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Campo Grande

Impasse entre a família Lopes e o PP trava escolha na Sisep, investigada por corrupção

Operação Buraco Sem Fim aprofundou crise política envolvendo a Secretaria de Infraestrutura de Campo Grande, travou nomeação de novo titular e expôs disputa entre a família Lopes e o Partido Progressista pelo comando da Pasta

25/05/2026 08h00

Paulo Eduardo Cançado Soares foi anunciado como titular da Sisep, mas não oficializado

Paulo Eduardo Cançado Soares foi anunciado como titular da Sisep, mas não oficializado Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

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Um impasse político está travando a nomeação de um novo secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), apurou o Correio do Estado.

A Pasta de Campo Grande está sem comando desde o dia 1º de abril, data em que o ex-titular Marcelo Miglioli deixou a função para dedicar-se a uma atividade que ainda será determinada por seu partido, o PP, nas eleições deste ano.

O impasse para a nomeação do novo titular da Sisep, aliás, passa pelo próprio Partido Progressista, que é comandado no Estado pela senadora Tereza Cristina e que ocupa cargos importantes, como a própria Prefeitura de Campo Grande, com Adriane Lopes, e também o governo do Estado, com Eduardo Riedel.

O partido seria o “dono da secretaria”, e a escolha do próximo secretário deve ser chancelada pelo comando do PP.

A demora deve-se à Operação Buraco Sem Fim, desencadeada no dia 13 deste mês, que escancarou um esquema de corrupção envolvendo a secretaria.

No dia 30 de abril, o número 2 de Miglioli, Paulo Eduardo Cançado Soares, havia sido anunciado como o novo titular da Sisep.

Houve cerimônia, entrevista e anúncio oficial. Mas ele aguarda até hoje pela nomeação, e essa espera ficou ainda mais longa com a deflagração da Operação Buraco Sem Fim, do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Corrupção

A Sisep está no cerne desta operação, que apura desvios de recursos públicos por meio de pagamentos por buracos que nunca foram tampados, em contratos de R$ 113 milhões entre o município de Campo Grande e a Construtora Rial.

A operação do grupo de combate à corrupção do MPMS abalou parte das estruturas da Sisep, secretaria que politicamente está vinculada ao PP.

O efeito da operação está posto: Rudi Fioresi, que foi secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos nas gestões de Marquinhos Trad (PV) e Adriane Lopes (PP), e que deixou a prefeitura em 2023, próximo ao período da deflagração de outra operação do Gecoc que apura corrupção nos serviços públicos (a Cascalhos de Areia), está preso preventivamente desde a data da operação. Quando foi preso, já tinha emprego no governo de Mato Grosso do Sul: era diretor da Agência Estadual de Empreendimentos (Agesul) desde 2023, quando já era investigado por corrupção (hoje é réu por improbidade).

Neste mês, Rudi Fioresi foi flagrado com R$ 183 mil em dinheiro vivo dentro de casa ao ser preso.

Os donos da Construtora Rial, pivô do escândalo, Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa e o filho, Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, também continuam presos.

Os aditivos de Cançado

Cançado Soares talvez possa cansar de esperar, porque, dentro da prefeitura, há quem já tenha contado o volume de aditivos e assinaturas de contratos envolvendo ele e a Construtora Rial.

Foram, ao todo, nove assinaturas: nove aditivos contratuais (inclusive nos contratos já investigados) e três novos contratos com a construtora cujos donos estão presos preventivamente por suspeita de peculato e corrupção.

Nos bastidores da prefeitura, o Correio do Estado apurou que a demora em indicar um novo ocupante para a Sisep ocorre porque ainda não há acordo entre o marido de Adriane Lopes, o deputado estadual Lidio Lopes (Avante), e o PP, partido da senadora Tereza Cristina.

A Pasta seria da cota do Partido Progressista, e os possíveis danos causados pela operação – o Ministério Público está com os telefones celulares dos donos da Rial e de Rudi Fioresi – ainda estão sendo estudados.

* Saiba

Investigação continua

O Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) ainda investiga os contratos da Sisep. Os celulares do ex-diretor da Agesul Rudi Fioresi e dos donos da Rial (todos presos) estão com os investigadores. 

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Banco Master

Crise do Master foi ligada indevidamente ao STF, mas é sistêmica, diz Gilmar Mendes a jornal

O caso ganhou repercussão no STF após revelações sobre ligações dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro

24/05/2026 21h00

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025 Divulgação: MPC-MS

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, afirmou que o escândalo do Banco Master foi associado de forma indevida à Corte e defendeu que a crise é "sistêmica", não restrita ao Judiciário.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Gilmar citou falhas de fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central (BC)e afirmou: "A crise do Master não está na Praça dos Três Poderes, está na Faria Lima".

O caso ganhou repercussão no STF após revelações sobre ligações dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Gilmar disse não querer "isentar de responsabilidade quem tem", mas ressaltou que eventuais relações dos magistrados com Vorcaro "certamente estão sendo investigadas" pelas autoridades competentes.

O decano da Corte também criticou a condução da crise institucional no STF e disse que a proposta de código de ética apresentada pelo presidente, Edson Fachin, gerou desconforto interno por ter surgido em um momento de vulnerabilidade de colegas. Apesar disso, negou divisão no Supremo e afirmou que quem lidera o tribunal precisa buscar unidade.

Sobre o inquérito das fake news, o magistrado defendeu sua continuidade diante do ambiente de radicalização política e do acirramento eleitoral de 2026. Para Gilmar, o cenário atual justifica a manutenção da investigação, citando episódios recentes de ataques a ministros e autoridades.

Na avaliação de Gilmar, a rejeição do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, ao STF ocorreu por razões "puramente políticas", sem relação com sua qualificação.

Gilmar afirmou que houve falha de articulação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o Congresso, destacando que a gestão enfrenta dificuldades por ser minoritária no Legislativo.

O ministro também rebateu críticas ao Fórum de Lisboa, conhecido como "Gilmarpalooza", dizendo que o evento não controla quem participa ou eventuais investigações envolvendo convidados.

Sobre transparência no Judiciário, afirmou não se opor a discutir divulgação de rendimentos com palestras, mas ponderou que mudanças devem respeitar consensos e diferenças institucionais em relação a modelos estrangeiros.

Em relação aos chamados "penduricalhos" do Judiciário, Gilmar defendeu uma plataforma nacional unificada para a folha salarial, na qual qualquer benefício extra precise de autorização, como forma de ampliar controle e transparência.

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