Política

ELEIÇÕES 2026

Lula usa convenção de Haddad para mandar recado: 'não meta o dedo nas nossas eleições'

Neste sábado, o Partido dos Trabalhadores oficializou a candidatura do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad ao governo de São Paulo

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou o palco do evento que oficializou a candidatura do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo neste sábado, 25, para rejeitar interferências externas nas eleições brasileiras.

"Que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições", afirmou Lula, em Campinas (SP). "Quem quiser, de fora, vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse país são os 157 milhões de eleitores."

Sem mencionar o nome de Donald Trump, o petista chegou a mandar recados ao presidente americano. Dizendo não ser afeito a bravatas, afirmou que o "aviso está dado" e que o Brasil é soberano e deseja manter relações com todos os países.

O ato ainda contou com elogios à "qualidade" da chapa paulista, formada por quatro ex-ministros. Lula pediu que os eleitores comparem as "biografias" dos candidatos e elencou críticas ao senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição.

Prestes a disputar sua sétima eleição, o presidente chamou a atenção dos militantes para a importância da eleição ao Senado e disse que precisará das candidatas Simone Tebet (PSB), ex-ministra do Planejamento, e Marina Silva (Rede), ex-ministra do Meio Ambiente, para ajudar a governar o País. "Porque a gente vai ter muito problema. A política está apodrecida", declarou.

Haddad enfrenta favoritismo de Tarcísio e busca garantir palanque a Lula

Embora os petistas reconheçam o favoritismo de Tarcísio em São Paulo, eles incentivaram a militância a se engajar na campanha para desconstruir a atual gestão estadual e divulgar as realizações do governo Lula.

Ao longo do evento, sobraram críticas às mais diversas áreas da gestão Tarcísio, mas as mais frequentes disseram respeito às privatizações da Sabesp e do transporte sobre trilhos, à criminalidade no Estado, em especial à alta dos feminicídios, e à relação de Tarcísio com os prefeitos.

"Tanto a Sabesp quanto o metrô e a CPTM foram entregues a empresas sem a menor experiência nesses ramos de atividade", afirmou Haddad, acrescentando que as privatizações têm sido feitas "a toque de caixa". Segundo ele, após a privatização da Sabesp, a conta de água aumentou e passou a faltar água nos domicílios paulistas. "Quando a água chega, chega suja", declarou o petista, que disputará o governo paulista pela segunda vez.

O petista, que esteve à frente da área econômica do governo Lula até março deste ano, abriu seu discurso citando os resultados econômicos do governo federal, como o baixo índice de desemprego, e afirmando que o Estado de São Paulo cresceu abaixo da média nacional nos últimos 12 meses.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que deve ter papel ativo na campanha de Haddad, lembrou que o ex-ministro da Fazenda foi o "amálgama" da sua união com Lula, em 2022. O ex-governador do Estado referiu-se à gestão Tarcísio como "bolsonarismo envergonhado" e disse que São Paulo não quer a "prepotência e arrogância daquelas marteladas", em referência às marteladas do governador em leilões.

"Essas marteladas do atual governador trincaram as principais vitrines do Estado", disse Alckmin, que citou a venda da Sabesp e as privatizações do metrô e trens.

Tebet, que, junto com Alckmin, foi escalada para ajudar a campanha a conseguir votos no interior, disse que Tarcísio não cuida do interior e não dialoga com os prefeitos e, assim como os companheiros de chapa, criticou a política de privatização. "Olha a Sabesp hoje entregando água barrenta. Quando entrega água. Olha o que aconteceu com o trem privatizado em São Paulo, colocando em risco a vida das pessoas com incêndio em vagão que nunca havia acontecido no passado."

O candidato a vice na chapa de Haddad, Márcio França foi responsável pelo discurso mais afiado contra Tarcísio. Chamou o governador de "político ingrato" e lembrou que o atual governador ocupou cargos de confiança nas gestões petistas.

Fazendo referência ao fato de Tarcísio ter sido preterido por Jair Bolsonaro na disputa presidencial, o ex-ministro disse que "nem a família Bolsonaro" acredita nele. "Sabem que Tarcísio é traidor", acrescentou França, que governou o Estado e também criticou a relação do governador com os prefeitos.

A disputa pelo governo de São Paulo será marcada este ano pelo esvaziamento de candidaturas. Além de Tarcísio e Haddad, apenas partidos nanicos, sem representação no Congresso, devem lançar candidatos.

A cor predominante entre apoiadores de Haddad e Lula na Arena Concórdia neste sábado era o vermelho, cor da bandeira do PT. Poucos militantes usaram roupas com as cores verde e amarela, da bandeira do Brasil, que nos últimos anos ficaram associadas ao bolsonarismo, mas passaram a ser usadas recentemente por políticos do campo progressista.

Placas distribuídas logo no acesso ao ginásio estampavam a frase "o governador da segurança", indicando que a pauta da Segurança Pública terá papel central na campanha de Haddad ao Palácio dos Bandeirantes.

A missão de Haddad na campanha estadual vai além de vencer o atual governador Tarcísio de Freitas - o que mesmo os petistas acreditam ser pouco provável. O ex-ministro foi escalado principalmente para garantir que Lula tenha um bom desempenho no maior colégio eleitoral do País.

Em 2018, quando Jair Bolsonaro foi eleito presidente, o então candidato do PT, Fernando Haddad, foi derrotado em São Paulo por 67,97% a 32,03% no segundo turno, uma diferença de 35,94 pontos porcentuais. Quatro anos depois, Bolsonaro voltou a vencer no Estado, mas por uma margem bem menor: de 10,48 pontos porcentuais sobre Lula, que acabou eleito presidente da República.

A escolha por oficializar a candidatura de Haddad em Campinas simboliza uma das prioridades do ex-ministro: avançar sobre o eleitorado do interior paulista, historicamente refratário ao PT

No período da pré-campanha, Haddad cumpriu agendas em diferentes cidades do interior, como Sorocaba e Araraquara.

Discursos miram Flávio por articulação com os EUA e ataques às urnas

Com hino nacional na abertura e discurso de Lula direcionado à soberania do País, o evento teve tom nacional em muitos momentos, com críticas à articulação do senador Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos e à taxação americana sobre o Brasil.

"Não é possível ter um presidente da República que trama contra o Brasil e vai atrás de taxação para destruir a indústria", afirmou a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, que foi confirmada neste sábado candidata ao Senado pela Rede.

Os recentes ataques de Flávio ao sistema eleitoral brasileiro também não passaram despercebidos. A ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB), que mudou seu domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo para disputar o Senado na chapa de Lula, disse que o petista enfrentará um "golpista de plantão", pois "tal pai, tal filho".

Tebet fez apelo aos militantes para que dialoguem com a "direita democrática", com o centro e os indecisos e pregou que "não há eleição ganha". "Não tem eleição ganha como não tem eleição perdida. E, no caso aqui de São Paulo, não adianta eleger o presidente Lula e não dar uma maioria esmagadora na Câmara e no Senado. Não adianta eleger o presidente Lula e não eleger o Haddad governador."

Organização explora encontro de Lula com Trump e impacto do tarifaço sobre paulistas

Vídeos do último encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foram exibidos antes da convenção começar, e um jornal distribuído na entrada do evento chamava o governador Tarcísio de Freitas de "capacho" do Republicano e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O material impresso cita o impacto do tarifaço americano sobre o Estado e lembra que o governador comemorou a vitória de Trump posando com um boné escrito "Make America Great Again".

Peças exibidas antes do início da convenção antecipam alguns dos temas que devem ser explorados pela campanha petista em São Paulo. Um deles critica a privatização da Sabesp e mostra imagens de água suja saindo de torneiras. "Tarcísio privatizou, o serviço piorou", diz a campanha publicitária. Outra destaca o aumento dos casos de feminicídio no Estado.

Ao longo dos últimos meses, Tarcísio conseguiu reunir em torno de sua candidatura todos os partidos que apoiaram o então governador tucano Rodrigo Garcia em 2022, incluindo o próprio PSDB, que ensaiou lançar o ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra, mas depois desistiu. Haddad, por sua vez, tentou abrir diálogo com os tucanos e com o PSD - cujo presidente nacional, Gilberto Kassab, foi preterido na escolha da vice de Tarcísio -, mas não teve sucesso em nenhuma das articulações.

Algumas pesquisas já apontam cenários de vitória do atual governador no primeiro turno, desfecho que tende a prejudicar Lula. "[Se Tarcísio liquidar a eleição no primeiro turno e a disputa presidencial avançar para o segundo], Lula ficará sem um palanque em São Paulo e Tarcísio, com a eleição ganha, poderá se envolver intensamente na campanha do Flávio Bolsonaro", avalia Renato Dorgan, CEO do instituto Travessia. "Nesse sentido, a missão do Haddad, que é o nome mais forte eleitoralmente do PT, é ajudar o Lula a ter um bom desempenho em São Paulo e evitar que Tarcísio ganhe no primeiro turno."

Interior paulista é principal desafio de Haddad

A escolha por oficializar a candidatura de Haddad em Campinas simboliza uma das prioridades do ex-ministro: avançar sobre o eleitorado do interior paulista, historicamente refratário ao PT Sem uma guinada nessa região, a avaliação interna é que o petista terá poucas chances de encurtar a distância em relação a Tarcísio.

"Nas urnas, em 2022, o interior foi a região onde encontramos maior resistência. Se dependesse apenas da capital e da Grande São Paulo, Haddad teria sido eleito governador", afirma o presidente do PT paulista e deputado federal Kiko Celeguim.

Segundo ele, a militância petista nunca encontrou um ambiente favorável para pedir votos na região. "Queremos reverter esse cenário eleitoral. Vamos percorrer o interior mostrando que temos uma agenda para a região."

Na capital e na Região Metropolitana, o PT avalia que Haddad tem boas chances de superar o atual governador. Em 2022, o petista venceu Tarcísio na cidade de São Paulo por 54,5% a 45,5%. Para não repetir o placar desfavorável, o governador vai reeditar da dobradinha com o prefeito Ricardo Nunes (MDB) que marcou a eleição municipal de 2024. Desta vez, porém, com os papéis invertidos: agora é Nunes quem vai atuar como cabo eleitoral do governador.

O cálculo dos petistas combina duas frentes: diminuir a vantagem de Tarcísio no interior e preservar a força eleitoral da esquerda na Grande São Paulo. Para isso, a principal aposta é na atuação da ex-ministra do Planejamento e pré-candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB), que tem bom trânsito junto ao agronegócio, e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que governou o Estado por quatro mandatos.

Segundo Celeguim, Tebet e Alckmin devem cumprir parte da agenda de campanha em separado de Haddad, numa tentativa de ampliar o alcance da campanha e percorrer o maior número possível de municípios.

Renato Dorgan avalia que, se o interior paulista historicamente vem representando o maior obstáculo para a campanha petista, a capital e a Região Metropolitana são territórios mais favoráveis à esquerda. "Na minha avaliação, é aí que está a chave para saber se haverá ou não segundo turno", afirma o cientista político.

Segundo ele, a Grande São Paulo é a região onde Tarcísio enfrenta mais insatisfações atualmente. "Há graves problemas ligados ao transporte metropolitano, à segurança pública, à privatização da Sabesp e à qualidade da educação estadual. O principal risco para o governador é registrar um desempenho regular ou mesmo ruim na capital e na Grande São Paulo e a disputa evoluir para o segundo turno. Ainda assim, dificilmente deixará de vencer a eleição, já que o interior paulista desequilibra a balança e é muito mais conservador e antipetista "

PT quer explorar pontos fracos da gestão paulista e divulgar ações de Lula no Estado

Embora reconheçam o favoritismo de Tarcísio, aliados de Haddad têm dito que o governador não é "imbatível" e que há vulnerabilidades da gestão que podem ser exploradas ao longo da campanha eleitoral.

Pesquisas qualitativas encomendadas pelo PT identificaram que a privatização da Sabesp e as concessões do transporte sobre trilhos estão entre os pontos mais sensíveis. Os problemas registrados em linhas da CPTM na última semana, que levaram o governo a anunciar a retomada da operação pela estatal, já foram transformados em munição pelo partido.

A segurança pública deve ser outro tema central. Como mostrou o Estadão, para construir seu plano para a área, Haddad tem conversado com especialistas historicamente ligados ao PSDB, além de partidos aliados e coronéis e delegados críticos à gestão Tarcísio.

Outros temas que devem ser trazidos à tona por Haddad envolvem a relação de Tarcísio com os prefeitos, o chamado "custo Tarcísio" - expressão usada para se referir à alta de tarifas e serviços administrados pelo governo paulista - e o fato de o governador ter sido cotado para disputar a Presidência.

Aliados de Haddad têm dito que Tarcísio estava se preparando para disputar o Planalto e usou São Paulo para alçar voos mais altos. O argumento, no entanto, esbarra na própria trajetória de Haddad, que resistia à ideia de disputar o governo paulista e só aceitou a missão após pedido de Lula.

Além de tentar desconstruir a gestão de seu adversário, Haddad também terá a missão de dar visibilidade às ações do governo Lula em São Paulo. Nos últimos meses, os governos federal e estadual travaram uma batalha pela paternidade de obras estratégicas do Estado, como o Túnel Santos-Guarujá e o Trem Intercidades.

Tempos Modernos

Redes sociais ampliam influência em MS e reduzem peso da TV na hora de votar

Mudança de comportamento do eleitorado leva campanhas a priorizar estratégias digitais, em vez dos meios tradicionais

25/07/2026 08h30

Jovens e idosos recorrem cada vez mais às redes sociais para acompanhar o debate político

Jovens e idosos recorrem cada vez mais às redes sociais para acompanhar o debate político Foto: Arquivo

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As eleições deste ano consolidam uma mudança profunda na forma como os candidatos buscam conquistar o eleitor em Mato Grosso do Sul, embora o horário eleitoral gratuito na televisão e no rádio continue sendo um instrumento importante, especialmente para apresentar propostas ao eleitorado mais velho.

Especialistas ouvidos pelo Correio do Estado avaliam que as redes sociais assumiram papel central na formação da opinião pública e na definição das estratégias de campanha.

O cenário é impulsionado pela popularização de plataformas como Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, WhatsApp e Telegram, que permitem aos candidatos estabelecer comunicação direta com o eleitor, sem a intermediação dos meios tradicionais. 

A velocidade na circulação das informações, a possibilidade de segmentar públicos específicos e o baixo custo de produção de conteúdo transformaram o ambiente digital no principal campo de batalha das campanhas eleitorais.

Em Mato Grosso do Sul, essa realidade se reflete na atuação dos pré-candidatos ao governo, ao Senado e às vagas proporcionais, que intensificaram a produção diária de vídeos curtos, transmissões ao vivo e conteúdos voltados para interação com seguidores. 

Diferentemente da propaganda televisiva, que tem tempo limitado e calendário definido pela Justiça Eleitoral, as redes sociais funcionam de forma permanente, permitindo que os políticos mantenham contato constante com seus eleitores durante todo o ano.

A mudança também acompanha uma transformação no perfil do eleitor, pois os mais jovens, que representam parcela crescente do eleitorado, consomem informações predominantemente pelas plataformas digitais.

Mesmo entre pessoas acima dos 40 anos, aplicativos como WhatsApp e Facebook se tornaram importantes fontes de notícias e de debates políticos, reduzindo a exclusividade que a televisão exerceu durante décadas.

Apesar disso, especialistas alertam que o tempo de TV ainda mantém relevância estratégica. Nas eleições majoritárias, o horário eleitoral gratuito continua oferecendo maior alcance para candidatos menos conhecidos e proporciona um espaço controlado para apresentação de programas de governo. 

Além disso, a televisão ainda tem elevado grau de credibilidade com boa parte do eleitorado, sobretudo nas cidades do interior. Outro diferencial é que o conteúdo televisivo costuma alcançar eleitores que não acompanham política diariamente nas redes. 

Em municípios menores de Mato Grosso do Sul, onde a televisão aberta ainda registra elevada audiência, o horário eleitoral continua sendo considerado um instrumento importante para consolidar a imagem dos candidatos durante a campanha oficial.

Se, por um lado, as redes sociais ampliaram o alcance dos candidatos, por outro, também aumentaram os desafios para a Justiça Eleitoral.

A circulação de notícias falsas, vídeos manipulados, perfis falsos e conteúdos produzidos com inteligência artificial (IA) tornou o ambiente digital mais complexo de fiscalizar. 

Nas eleições deste ano, as regras passaram a exigir que materiais produzidos com IA sejam identificados de forma clara, enquanto o uso de deepfakes permanece proibido.

Outro aspecto que fortalece o ambiente digital é a atuação dos influenciadores, pois, embora possam manifestar apoio político de forma espontânea, a legislação impede que sejam remunerados para promover candidatos ou impulsionar conteúdos eleitorais, prática permitida apenas aos próprios candidatos, partidos e federações, dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

ANÁLISE

Para o cientista político Daniel Miranda, professor e pesquisador do curso de Ciências Sociais da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), as redes sociais e o horário eleitoral gratuito não competem entre si, mas exercem funções complementares durante a disputa eleitoral. 

Conforme ele, a principal diferença está no tempo de exposição do eleitor a cada meio de comunicação.

“O horário eleitoral na TV e no rádio alcança as pessoas apenas durante o período oficial da campanha. Já as redes sociais estão presentes no cotidiano do eleitor 24 horas por dia, dependendo do tempo que cada pessoa permanece conectada”, explicou o professor.

Miranda avalia que, justamente por essa exposição contínua, o impacto de cada conteúdo publicado nas plataformas digitais tende a ser menor de forma isolada, mas ganha força pelo efeito acumulativo ao longo do tempo. 

Em contrapartida, de acordo com o professor, o horário eleitoral gratuito, apesar de concentrar menos tempo de exposição, costuma gerar maior impacto imediato por ser um conteúdo oficial, produzido especificamente para a campanha e exibido em um momento em que o eleitor está mais atento ao debate.

O certo é que a tendência é de que televisão e redes sociais atuem de forma complementar, mas com pesos diferentes.

Enquanto a TV continua sendo importante para conferir legitimidade e ampliar o conhecimento do eleitor sobre os candidatos, as plataformas digitais passaram a definir o ritmo do debate político, influenciar a pauta diária da campanha e mobilizar apoiadores em tempo real.

No Estado, onde cerca de 2 milhões de eleitores irão às urnas em outubro, a expectativa é de que as campanhas invistam simultaneamente nas duas frentes. 

A televisão deverá concentrar a apresentação institucional dos candidatos, enquanto as redes sociais continuarão sendo utilizadas para responder rapidamente aos adversários, divulgar agendas, engajar apoiadores e disputar a atenção de um eleitor cada vez mais conectado.

Na análise do sociólogo Ricardo Luiz Cruz, que também é professor da UFMS, a propaganda eleitoral no rádio e na televisão não foi substituída pelas redes. 

“Na verdade, esses meios se complementam, pois todos recorrem aos mesmos imaginários coletivos sobre partidos, candidaturas e temas que dominam o debate eleitoral. Vivemos hoje sob o domínio da imagem, e a comunicação política é um reflexo dessa realidade, adaptando-se às diferentes plataformas para dialogar com o eleitor”, pontuou.

PESQUISAS

Na avaliação do diretor do Instituto de Pesquisas Resultado (IPR), Aruaque Fressato Barbosa, o crescimento da presença de pré-candidatos nas redes sociais tem ampliado a visibilidade de nomes que disputarão as eleições deste ano em Mato Grosso do Sul, mas esse desempenho digital ainda não representa vantagem nas urnas. 

Conforme ele, embora diversos pré-candidatos apresentem elevado engajamento nas plataformas digitais, esse alcance não tem se convertido automaticamente em intenção de voto. Para o pesquisador, existe uma diferença importante entre popularidade nas redes e apoio do eleitorado.

“A exposição nas redes sociais aumenta o nível de conhecimento do candidato, mas isso não significa, por si só, que ele receberá votos. Muitas vezes, esse alcance fica restrito a um nicho específico ou a uma bolha de determinado grupo social”, afirmou.

Para Barbosa, as redes sociais exercem papel relevante ao fortalecer candidaturas e manter a comunicação direta com os eleitores, mas dificilmente são suficientes, isoladamente, para eleger um candidato no cenário sul-mato-grossense.

“As redes sociais dão sustentação ao voto. Somente com as redes sociais, em Mato Grosso do Sul, é difícil emplacar um candidato. Basta observar historicamente os candidatos que conseguiram se eleger”, disse.

O diretor do IPR observa que vários pré-candidatos têm investido intensamente em plataformas como Instagram, Facebook, TikTok e outras redes digitais, mas ressalta que a eficácia dessa estratégia somente poderá ser medida no resultado das urnas. “Tem alguns candidatos usando bastante as redes sociais, mas é preciso ver se essa estratégia vai dar certo. O voto precisa chegar à urna”, destacou.

Barbosa também chama atenção para a necessidade de analisar indicadores além do número de seguidores ou curtidas.

Conforme ele, métricas como alcance das publicações, compartilhamentos, volume de visualizações e, principalmente, o sentimento das interações são determinantes para avaliar o impacto da comunicação digital.

“Às vezes há muitos compartilhamentos, mas o sentimento é negativo, e isso acaba sendo prejudicial para a campanha. Todos esses fatores precisam ser considerados”, ponderou.

Para o pesquisador, a presença digital deixou de ser opcional nas campanhas eleitorais modernas. No entanto, ele ressalta que o sucesso eleitoral depende da combinação entre atuação nas redes, trabalho de campo, articulação política e capacidade de transformar visibilidade em votos.

“Na minha opinião, as redes sociais dão uma grande sustentação para o candidato, e ele não pode ficar de fora delas. Agora, acreditar que apenas as redes sociais vão levá-lo ao sucesso é uma visão simplista, porque a realidade é bem mais complexa”, concluiu.

rio de janeiro

Moraes revoga medidas cautelares contra pré-candidato preso com fuzil

Agora, o ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) Márcio Canella (União Brasil) pode participar da convenção que pode escolher seu nome para disputa ao Senado

25/07/2026 07h21

Márcio Canella havia sido preso em meio a investigação sobre esquema de lavagem de dinheiro em postos

Márcio Canella havia sido preso em meio a investigação sobre esquema de lavagem de dinheiro em postos

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a revogação de todas as medidas cautelares impostas ao ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) Márcio Canella (União Brasil), preso em flagrante no último dia 7 de julho durante uma operação da Polícia Federal. Com a decisão, o político deixa de usar tornozeleira eletrônica, recupera o passaporte e fica desobrigado das demais restrições fixadas após a prisão.

A decisão foi proferida nessa quinta-feira, 23, às vésperas das convenções partidárias que vão definir as candidaturas ao governo do Rio de Janeiro. Após a decisão do STF, Canella publicou uma mensagem nas redes sociais em que atribuiu a revogação das medidas à sua fé. Antes de ser preso, ele diz ser pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro

"A minha confiança está em Deus, que nunca falha e sempre cuida de nós. Ele me conhece, conhece meu coração, conhece o meu trabalho, sabe tudo o que eu fiz na vida pública para melhorar a vida das pessoas em defesa do cidadão de bem", escreveu.

O ex-prefeito foi alvo da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um grupo suspeito de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavar recursos provenientes do crime organizado.

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes encontraram um fuzil de uso restrito da Polícia Militar do Rio de Janeiro em um veículo utilizado por Canella. A arma, segundo a investigação, pertencia ao policial Alexandre Paixão da Silva Júnior, responsável pela segurança do ex-prefeito, que também acabou preso.

Além do armamento localizado no carro, a Polícia Federal apreendeu em imóveis ligados a Canella dois revólveres, uma pistola, 13 carregadores, munições e relógios de alto valor.

As investigações são baseadas, entre outros elementos, em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que aponta movimentações de aproximadamente R$ 7,6 bilhões pelo grupo investigado ao longo dos últimos seis anos.

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