Política

Sob suspeita

Emenda de deputado de MS entra na mira da PF no caso "Dark Horse"

Dino afirma que destinação feita por Marcos Pollon para projeto em São Paulo apresenta "aparente desconformidade"

Continue lendo...

O deputado federal Marcos Pollon (PL) aparece na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal (PF) ontem para investigar suspeitas de desvios de emendas parlamentares.

Ele destinou R$ 1 milhão à Academia Nacional de Cultura (ANC), de São Paulo, para o projeto Heróis Nacionais. A entidade é presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama, também ligada à produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na decisão que autorizou a operação, Dino chama atenção para o fato de Pollon ter sido eleito por Mato Grosso do Sul, enquanto a emenda tinha como destino um projeto em São Paulo. Situação semelhante envolve a deputada Bia Kicis (PL-DF), que destinou R$ 150 mil à mesma entidade.

Segundo o ministro, essa circunstância “revela aparente desconformidade com a exigência de absoluta vinculação federativa” estabelecida em decisões do Supremo sobre a aplicação de emendas parlamentares.

A ANC é uma das entidades investigadas na operação, que cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal.

Além da Academia Nacional de Cultura, a investigação mira o Instituto Conhecer Brasil (ICB), também presidido por Karina Gama, e a Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, filme estrelado pelo ator norte-americano Jim Caviezel.

Dino também determinou a suspensão das atividades da ANC e proibiu o deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor-executivo do filme, e outros 28 investigados de deixar o País.

A investigação faz parte do inquérito relatado por Dino que apura possíveis desvios de recursos provenientes de emendas parlamentares.

Segundo os elementos apresentados na decisão, recursos públicos teriam percorrido diferentes empresas e organizações ligadas a Karina Gama. 

A apuração busca esclarecer se havia uma estrutura articulada para direcionar e desviar dinheiro público.

Entre os casos citados está uma emenda individual de Mário Frias destinada à Editora e Distribuidora de Livros HD Cultural. A empresa recebeu R$ 1.368.528,20 no dia 24 de março deste ano, tendo o Fundo Municipal de Saúde de Piracicaba, em São Paulo, como pagador.

A mesma empresa também recebeu R$ 1.298.694,38 no dia 30 de dezembro de 2025, por meio de recursos do Fundeb repassados pelo Fundo Municipal de Educação de Icó, no Ceará.

A investigação aponta ainda para a circulação de recursos originados de diferentes estados e do Distrito Federal em direção a projetos e empresas situados principalmente em São Paulo.

Outro ponto destacado na investigação envolve o Instituto Conhecer Brasil. De acordo com a Controladoria-Geral da União (CGU), houve “atipicidade” no fato de o instituto, sediado em São Paulo, ter solicitado orçamento à Cometa Livraria, cuja sede fica em Fortaleza, no Ceará.

A CGU ressalta que a escolha ocorreu “a despeito da ampla oferta de editoras e fornecedores do setor editorial existentes no estado de São Paulo”.

A Cometa Livraria, segundo os documentos da investigação, funciona no mesmo endereço da HD Cultural, empresa beneficiada pela emenda de Mário Frias.

Para os investigadores, vínculos entre empresas, endereços coincidentes e a movimentação de recursos entre diferentes estados estão entre os elementos que precisam ser esclarecidos.

A Operação Make Up busca agora aprofundar a apuração sobre o destino das emendas e a relação entre parlamentares, entidades e empresas envolvidas.

A citação de Pollon na decisão decorre da destinação da emenda de R$ 1 milhão ao projeto paulista; o documento aponta possível irregularidade na vinculação territorial do recurso, mas não significa, por si só, comprovação de participação dele em eventual desvio.

* Saiba 

Deputado diz que ONG não recebeu emenda

O deputado federal Marcos Pollon (PL) afirmou que nenhum valor da emenda de R$ 1 milhão indicada por ele para o projeto Heróis Nacionais foi repassado à entidade investigada pela Polícia Federal e disse ter solicitado ao governo de São Paulo o redirecionamento do dinheiro ao Hospital de Amor de Barretos.

A manifestação foi divulgada ontem, após o nome do parlamentar voltar a ser associado a reportagens sobre a investigação envolvendo emendas parlamentares e o filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Pollon afirmou que indicou a emenda em 2023, com previsão de pagamento no início de 2024, para financiar, por meio do governo de São Paulo, o projeto Heróis Nacionais.

Segundo ele, a proposta tinha alcance nacional e previa uma série documental destinada a contar a história de personagens ligados à formação do Brasil, com episódios sobre nomes como Padre José de Anchieta e Dom Pedro I.

O parlamentar também defendeu a participação da direita em projetos culturais. Para Pollon, o setor não pode ficar restrito a uma única visão política e deve ser utilizado para preservar valores, memória e personagens históricos.

De acordo com o deputado, porém, o projeto não saiu do papel. Pollon destacou que documentos da investigação registrariam que nenhum valor de sua emenda foi efetivamente transferido à entidade investigada.

“Como o projeto não saiu do papel, solicitei ao governo do estado de São Paulo que o recurso separado para esse projeto fosse realocado e destinado ao Hospital de Amor de Barretos”, afirmou.

Segundo ele, a instituição atende anualmente milhares de pacientes de Mato Grosso do Sul em tratamento contra o câncer.

O deputado também rebateu questionamentos sobre ter destinado uma emenda, apesar de ter sido eleito por Mato Grosso do Sul, para execução por meio do governo paulista.

Pollon argumentou que a indicação ocorreu em 2023 e que a restrição estabelecida no âmbito da ADPF 854 para a destinação de determinadas emendas a outros estados só veio posteriormente, em agosto de 2024.

Para o parlamentar, portanto, não seria possível aplicar retroativamente uma regra criada depois da indicação do recurso.

Ele acrescentou que a decisão teria estabelecido ressalvas para projetos de alcance nacional, categoria na qual, segundo sua interpretação, estaria enquadrado o Heróis Nacionais.

Na manifestação, Pollon fez duras críticas à cobertura do caso e acusou parte da imprensa de construir uma narrativa política contra parlamentares ligados ao bolsonarismo.

Ele afirmou que informações estariam sendo apresentadas fora de contexto, com mistura de datas, projetos e decisões judiciais diferentes.

O deputado também relacionou a repercussão do caso ao período eleitoral e citou que parlamentares envolvidos nas notícias são figuras com expressiva votação e candidatos nas eleições deste ano.

“Querem investigar? Investiguem. Querem apurar? Apurem. Eu não tenho problema algum com isso”, declarou.

Acusação

Flávio acusa Dino de autorizar operação contra produtora de 'Dark Horse' por motivação política

Pela manhã, a PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão para investigar a destinação de emendas parlamentares

10/09/2026 22h00

Flávio Bolsonaro discursa sendo observado por Azambuja e Riedel

Flávio Bolsonaro discursa sendo observado por Azambuja e Riedel Marcelo Victor/Correio do Estado

Continue Lendo...

O senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) acusou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de agir por motivação política ao autorizar a operação da Polícia Federal contra a produtora do filme "Dark Horse" nesta quinta-feira, 10.

Pela manhã, a PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão para investigar a destinação de emendas parlamentares para o financiamento do biografia cinematográfica sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Karina Ferreira da Gama, dona da Go UP Entertainment Ltda., produtora do filme, e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), roteirista do longa, foram alvos de buscas. As defesas dos dois foram procuradas, sem resposta.

Os investigadores suspeitam que o dinheiro de emendas parlamentares tenha sido desviado para financiar o filme, que tem o envolvimento de Flávio. O senador pediu R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para custear o projeto - desse total, mais de R$ 60 milhões foram pagos.

Em entrevista na cidade de Boa Vista, o candidato teve de responder a perguntas incômodas sobre a investigação policial contra uma aliada. O candidato do PL criticou Dino e afirmou que a operação desta manhã só foi deflagrada porque, em sua visão, ele está bem posicionado nas pesquisas eleitorais, inclusive à frente do presidente Lula (PT) em algumas sondagens para o segundo turno.

"Olha, não tem absolutamente nada de errado com esse filme. Não tem um centavo de dinheiro público, já cansei de falar. O que tem claramente é uma tentativa de interferência política, agora do ministro Flávio Dino, sobre as eleições. Qual é o fundamento dessa operação? Político", declarou ele.

Em seguida, questionado sobre se a operação da PF impacta em sua campanha eleitoral, Flávio disse ter implicância "zero".

"Lula já abandonou a campanha política. Agora está contando com seus amigos no Supremo para levar (a eleição) no tapetão. Vai perder no voto, vai perder no tapetão", afirmou o bolsonarista.

É o primeiro ato de campanha de Flávio na região Norte do País. A agenda incluiu uma motocarreata seguida de um comício em um trio elétrico na Praça do Centro Cívico. Ele esteve acompanhado dos candidatos ao Senado pelo PL, Hélio Bolsonaro e Antônio Carlos Nicoletti.

Flávio abordou a crise que desgasta o STF, disse que a Corte precisaria ter feito uma autocontenção há muito tempo e afirmou que "deram superpoderes a um ministro específico do STF, que é o Alexandre de Moraes, porque era pra tirar o Bolsonaro, mas com o pretexto de salvar a democracia".

"Hoje o último obstáculo para que o Brasil não vire uma ditadura de vez chama-se Flávio Bolsonaro. É o Flávio Bolsonaro que vai resgatar a democracia. É o Flávio Bolsonaro que vai proteger o Supremo de pessoas como o Alexandre de Moraes", afirmou Flávio, cujo pai foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado para se manter no poder após a derrota para o PT em 2022.

O bolsonarismo vinha explorando o escândalo no STF. Um membro da campanha bolsonarista diz que o candidato se beneficia "enquanto Moraes estiver sangrando", e que uma eventual solução da crise, como o afastamento do ministro, por exemplo, seria ruim para a campanha.

Nesta sexta-feira, 11, Flávio estará em Manaus, onde visita a unidade fabril da Moto Honda pela manhã e, no fim da tarde, participa de um "grande encontro da Força da Direita do Amazonas".

Investigação

Emenda milionária de Pollon à Ong é citada em investigação sobre Dark Horse

Verba foi destinada a empresas ligadas à Karina Gama, dona da produtora responsável pelo filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro

10/09/2026 16h15

Deputado federal Marcos Pollon

Deputado federal Marcos Pollon Foto: Divulgação

Continue Lendo...

Em meio a decisão do ministro Flávio Dino que autorizou a operação deflagrada nesta quinta-feira (10) pela Polícia Federal para investigar o desvio de emendas parlamentares, a movimentação  de uma emenda de R$ 1 milhão pelo deputado federal Marcos Pollon (PL) e outra de R$ 150 mil, pela deputada Bia Kicis (PL-DF) à Academia Nacional de Cultura (ANC) revelam os intrincados caminhos que levaram milhões de reais a diferentes empresas e organizações ligadas a Karina Gama, dona da produtora responsável pelo filme Dark Horse.

O repasse do deputado foi destinado ao desenvolvimento do projeto denominado "Heróis Nacionais", em São Paulo. Segundo a decisão de Flávio Dino, que autoriza a ação da PF, essa circunstância, por si só, "revela aparente desconformidade com a exigência de absoluta vinculação federativa estabelecida nas decisões supracitadas", uma vez que ambos os deputados são de estados distintos ao projeto.

A ação da Polícia Federal faz parte do inquérito que trata do desvio de emendas parlamentares, relatado por Dino, que revela os intrincados caminhos que levaram milhões de reais a diferentes empresas e organizações ligadas a Karina Gama, indicando a existência de uma organização articulada para desvio de recursos públicos que envolve ainda o deputado federal Mario Frias, que foi secretário Especial da Cultura na gestão de Jair Bolsonaro.

Nessa rede de empresas, muitas delas com vínculos suspeitos entre pessoas jurídicas e indicação de criação para atender a finalidades de contratos já firmados, destaca-se ainda o fato de a Editora e Distribuidora de Livros HD Cultural ser beneficiária de uma emenda parlamentar individual de autoria do deputado federal Mario Frias, tendo o Fundo Municipal de Saúde de Piracicaba como ente pagador de R$ 1.368.528,20 em 24 de março deste ano, e também receber R$ 1.298.694,38 em 30 de dezembro de 2025, por meio de recursos do FUNDEB, tendo como pagador o Fundo Municipal de Educação de Icó, no Ceará. O trajeto dos recursos, ao que indica o documento, tem uma geografia complicada: saem de Brasília, do Mato Grosso do Sul e do Ceará, com destino a projetos em São Paulo.

Outro ponto controverso destacado pela CGU é a "atipicidade" da solicitação de orçamento pelo ICB, sediado em São Paulo, à Cometa Livraria, empresa cuja sede fica em Fortaleza, no Ceará, "a despeito da ampla oferta de editoras e fornecedores do setor editorial existentes no estado de São Paulo". A livraria tem o mesmo endereço da HD Cultural Ltda, que recebeu a emenda de Frias, que está proibido de deixar o país.

Imbróglio 

A denúncia sobre as emendas foi apresentada por Tabata Amaral foi motivada por uma reportagem de dezembro de 2025, do site The Intercept Brasil. Segundo a publicação, a Academia Nacional de Cultura foi contemplada com R$ 2,6 milhões oriundos de emendas parlamentares destinadas por deputados federais filiados ao Partido Liberal. Além de Bia Kicis e Marcos Pollon. 

À época, Pollon entregou ao ministro seus esclarecimentos dentro do prazo estipulado. O deputado admitiu ter destinado R$ 1 milhão para a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo viabilizar, por intermédio da Go Up Entertainment, “a produção da série documental intitulada Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem”.

Contudo, segundo o deputado, devido à “incapacidade da entidade beneficiária de cumprir requisito técnico essencial”, o projeto não avançou e ele redirecionou os recursos para a área da saúde, “especificamente em favor do Hospital de Amor de Barretos”.

“A inexistência de execução afasta, por completo, qualquer hipótese de desvio de finalidade ou irregularidade material na aplicação de recursos públicos”, sustentou o deputado na ocasião.  
 

*Com informações de O Globo 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).