Política

Eleições 2024

Estado terá ao menos 22 municípios com mulheres candidatas a prefeita

Atualmente, das 79 cidades de Mato Grosso do Sul, oito são administradas por mulheres, incluindo a capital Campo Grande

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Diferentemente da maioria dos demais estados do Brasil, onde o cenário para o pleito municipal deste ano segue desfavorável à representação feminina, Mato Grosso do Sul terá em quase 30% dos seus 79 municípios candidaturas de mulheres para as prefeituras locais.

Até agora, conforme levantamento realizado pelo Correio do Estado, ao menos 22 cidades sul-mato-grossenses contam com candidaturas femininas para ocupar o cargo de chefe do Executivo municipal. Atualmente, o Estado tem oito municípios administrados por mulheres, o que representa pouco mais de 10% do total de cidades de MS.

São prefeituras como as de Campo Grande (com Adriane Lopes no comando), Sidrolândia (com Vanda Camilo), 
Naviraí (com Rhaiza Rejane Neme de Matos), Laguna Carapã (com Zenaide Espíndola Flores), Jardim (com Clediane Areco Matzenbacher) e Água Clara (com Gerolina da Silva Alves). Todas as citadas tentarão a reeleição.

Além disso, ainda há Fátima do Sul, administrada por Ilda Salgado Machado, e Corguinho, da prefeita Marcela Ribeiro Lopes.

Porém, como ambas já foram reeleitas em 2020, não poderão sair candidatas novamente no pleito deste ano.

Os outros 16 municípios que têm candidaturas femininas para a prefeitura são Bataguassu, Bodoquena, Eldorado, Mundo Novo, Itaquiraí, Coronel Sapucaia, Amambai, Aral Moreira, Chapadão do Sul, Cassilândia, Alcinópolis, Terenos, Dourados, Três Lagoas, Fátima do Sul e Jateí.

Na capital Campo Grande, por exemplo, além da atual prefeita, Adriane Lopes, que vai tentar a reeleição, há ainda mais duas pré-candidatas: a deputada federal Camila Jara e a ex-deputada federal Rose Modesto, que apenas não oficializou a entrada, porém, para seus interlocutores mais próximos, já confirmou que vai disputar a prefeitura da Capital.

OUTRA REALIDADE

Desde 2000, apesar de alterações na legislação eleitoral, não há avanço na participação de mulheres comandantes do Executivo de capitais, isto é, cidades com maior peso político do País, cenário oposto do registrado no Brasil como um todo, onde nos municípios isso acabou dobrando (de 5,7% para 12%, embora estagnado desde 2012).

Nas últimas três disputas, apenas uma prefeita foi eleita. No próximo pleito, em seis capitais, não há até o momento pré-candidatas na corrida pelo cargo. Em outras nove, nomes de mulheres cotadas ainda não estão sacramentados. Além disso, em poucos casos, elas têm despontado como favoritas em pesquisas de intenção de voto.

Em São Paulo (SP), há duas pré-candidaturas femininas já confirmadas para o Executivo: Tábata Amaral (PSB) e Marina Helena (Novo). Em Belo Horizonte (MG), Duda Salabert (PDT) e Bella Gonçalves (Psol) pretendem concorrer. No Rio de Janeiro (RJ), o cenário ainda está indefinido e há apenas duas mulheres cotadas para a disputa: Dani Balbi (PCdoB) e Martha Rocha (PDT). Ainda não houve, no entanto, decisão dos seus respectivos partidos.

Historicamente, as siglas de esquerda foram as que mais elegeram mulheres, mas na última eleição municipal foi o PSDB o único a ter uma mulher eleita em uma capital: Cinthia Ribeiro, em Palmas (TO). Uma vez que ela já está em seu segundo mandato como prefeita, não poderá concorrer neste ano.

Os incentivos em lei para candidaturas femininas se concentram no Legislativo, e é responsabilidade dos partidos políticos ampliar a presença feminina na disputa. Ou seja, não houve um processo de conscientização das legendas sobre a igualdade de gênero nem no âmbito interno das siglas, tampouco no lançamento de candidaturas.

Nos cargos majoritários, há uma competição maior nos partidos, cuja decisão é tomada por pessoas mais influentes na sigla, que geralmente são homens brancos.

As alternativas seriam, além de uma mudança cultural, destinar uma fatia maior de recursos para candidaturas femininas e pensar em cotas internas nos partidos. Se mulheres ocuparem os cargos de poder de decisão dentro da estrutura partidária, elas terão mais relevância na hora de escolher quem será o candidato.

Enquanto isso, o País fica longe de refletir nas prefeituras a participação feminina na população brasileira, uma vez que as mulheres são mais da metade (51,5%). Em 2020, considerando todo o universo de municípios, elas foram eleitas em 12% do total.

A legislação já prevê que 5% dos recursos do Fundo Partidário sejam aplicados em programas de incentivo à participação feminina, mesmo que fora de ano eleitoral. Então, os partidos de fato têm papel importante nessa promoção. Contudo, há também outro fator: a própria população, que tem que ativamente eleger mais mulheres.

As eleições de candidaturas femininas em grandes capitais, como Marta Suplicy (2000) e Luiza Erundina (1988) em São Paulo, foram consideradas pontos fora da curva. 

As cotas no Legislativo podem levar a mais nomes femininos a cargos majoritários, uma vez que muitas candidatas a prefeituras, por exemplo, vêm das Câmaras Municipais, das Assembleias Legislativas ou do Congresso Nacional.

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Anistia

Hugo Motta diz que espera que veto de Lula ao PL da Dosimetria seja derrubado

Caso isso ocorra, as penas impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a outros réus condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 serão reduzidas

17/04/2026 21h00

Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta

Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta Foto: Câmara dos Deputados

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta sexta-feira, 17, que espera que o Congresso Nacional derrube o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto conhecido como "PL da Dosimetria". Caso isso ocorra, as penas impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a outros réus condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 serão reduzidas.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou para o dia 30 deste mês a votação do veto. Para Hugo Motta, a proposta pode "distensionar" a relação entre os Poderes, especialmente entre o Legislativo e o Supremo Tribunal Federal (STF), ao permitir a revisão de punições consideradas "excessivas" pelos parlamentares.

"Nós concordamos com a mudança no nosso Código Penal para possibilitar que o próprio STF possa fazer a revisão das penas. Na minha avaliação, nós poderíamos já ter resolvido esse problema se não fosse o veto do presidente da República que será agora analisado pelo Congresso. Eu espero que esse veto venha a ser derrubado", afirmou Motta em entrevista à Globonews.

O projeto de lei da Dosimetria altera a forma como serão calculadas as penas para crimes contra o Estado Democrático de Direito. Pelo texto, quando a tentativa de abolição do Estado Democrático e o crime de golpe de Estado forem praticados dentro do mesmo contexto, deixa de haver a soma das penas. Nessa situação, passa a prevalecer apenas a punição mais severa.

A proposta tem como eixo central a revisão da dosimetria penal, com mudanças nos patamares mínimo e máximo previstos para cada tipo penal e na metodologia geral de cálculo das penas. O texto também encurta os prazos para a progressão do regime de cumprimento da pena, facilitando a passagem do regime fechado para o semiaberto ou aberto.

Para Motta, o tema se prolongou além do necessário e dominou o debate político ao longo de 2025, especialmente em torno da discussão sobre anistia aos condenados por golpe de Estado e pelo 8 de janeiro, que acabou não avançando no Congresso.

Caso o veto ao PL da Dosimetria seja derrubado, Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, teria a pena reduzida para 20 anos, com diminuição do tempo de regime fechado para dois anos e quatro meses. O texto foi aprovado pelo Congresso, mas em 8 de janeiro deste ano, três anos após os atos de vandalismo em Brasília, Lula assinou um veto integral ao projeto

Segundo um parecer formulado pela Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados, a medida beneficiaria Jair Bolsonaro e os demais condenados pelo 8 de janeiro, mas ao mesmo tempo, reduziria o tempo de cadeia de presos condenados por crimes hediondos, como tráfico de drogas, estupro e feminicídio.

O parecer conclui que a derrubada do veto manteria as regras atuais para crimes menos graves, mas tornaria mais rápida a progressão de regime para condenados por tráfico, estupro, homicídio qualificado e feminicídio, além de líderes de organizações criminosas e milícias. Na prática, a queda do veto reverteria o endurecimento das penas promovido pela "Lei Antifacção".

Como mostrou o Estadão, caso o veto seja derrubado, o projeto da dosimetria poderia beneficiar, junto com Bolsonaro, bandidos como Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e André de Oliveira Macedo, o André do Rap. Isso porque ele reduz o tempo que esse tipo de criminoso deve permanecer na cadeia, em regime fechado, antes de passar para o regime semiaberto.

 

MAGISTRATURA

PEC sobre fim da aposentadoria compulsória divide juristas de MS

O professor André Borges, se posiciona contra a extinção, enquanto o professor Sandro de Oliveira adotou uma visão mais favorável à proposta

17/04/2026 16h38

Os professores de Direito André Borges e Sandro de Oliveira comentam sobre PEC aprovada pela CCJ do Senado Federal

Os professores de Direito André Borges e Sandro de Oliveira comentam sobre PEC aprovada pela CCJ do Senado Federal Montagem

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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal aprovou, na última semana, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 3/2024, que proíbe o uso da aposentadoria compulsória como punição disciplinar para magistrados e membros do Ministério Público. 
 
A proposta, apresentada pelo ex-senador e atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, segue agora para análise do Plenário da Casa de Leis. Relatada pela senadora Eliziane Gama, a matéria estabelece que, em casos de falta grave que configure crime, deverá ser aplicada a perda do cargo ou demissão, conforme a legislação de cada carreira. 
 
O texto também prevê afastamento provisório e suspensão da remuneração durante o andamento da ação cível, além da perda definitiva do cargo em caso de condenação penal. Durante a tramitação, os senadores aprovaram emenda do Hamilton Mourão que retira os militares do alcance da proposta no que diz respeito à chamada “morte ficta” — mecanismo que garante pensão aos dependentes em casos de expulsão ou exclusão das Forças Armadas. 
 
Mourão argumentou que a retirada do benefício penalizaria indevidamente as famílias. A exclusão dos militares também foi defendida por parlamentares como Marcos Rogério e Carlos Portinho, que criticaram a inclusão da categoria no texto original.
 
Por outro lado, o senador Alessandro Vieira reconheceu que a sociedade há tempos questiona a aposentadoria compulsória como sanção, mas defendeu que o tema envolvendo militares seja tratado separadamente.
 
A relatora também acolheu parcialmente sugestões de parlamentares como Sérgio Moro, que manifestou apoio à proposta e afirmou que o texto não amplia de forma indiscriminada a perda do benefício. Eliziane Gama ressaltou ainda que a vitaliciedade foi preservada, por considerá-la essencial à independência da magistratura e do Ministério Público.
 
No campo jurídico, o debate tem dividido especialistas. O professor de Direito Constitucional da Faculdade Insted, André Borges, se posiciona contra a extinção da aposentadoria compulsória como punição. 
 
Para ele, magistrados e promotores exercem funções de alta relevância e já contribuem ao longo da carreira para garantir esse direito. Borges avalia que a mudança pode desestimular o ingresso nessas carreiras e critica o momento em que a proposta é discutida. “Estão tratando do projeto num cenário de forte divisão no país e com pouca prudência. Um tema dessa relevância exige mais diálogo e debate transparente”, afirmou.
 
O professor também destacou que a aposentadoria compulsória cumpre um papel institucional ao evitar demissões motivadas por pressões políticas ou decisões impopulares. “A perda do cargo ou da aposentadoria deve ocorrer apenas por decisão judicial definitiva, em casos graves. Não vejo sentido em alterar o modelo atual”, completou.
 
Já o professor-doutor da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Sandro de Oliveira, adotou uma visão mais favorável à proposta, embora com ressalvas. 
 
De acordo com ele, a PEC corrige uma distorção histórica ao eliminar a percepção de que agentes públicos podem ser punidos com afastamento, mas mantendo remuneração. “A proposta reafirma a necessidade de coerência entre conduta e consequência”, afirmou.
 
Do ponto de vista jurídico, Sandro de Oliveira considerou que a medida aproxima essas carreiras do regime geral do serviço público e fortalece o princípio da responsabilidade. No entanto, alerta para os riscos institucionais. “A vitaliciedade não é um privilégio pessoal, mas uma garantia da independência funcional. Qualquer alteração nesse equilíbrio exige cautela para evitar pressões indevidas ou instrumentalização política”, ponderou.
 
O professor também chamou a atenção para possíveis entraves práticos. “Apesar de endurecer as sanções, a PEC mantém a exigência de decisão judicial para a perda do cargo, o que pode tornar os processos mais demorados. Além disso, a retirada dos militares do texto evidencia dificuldades políticas e fragiliza a busca por tratamento isonômico entre carreiras”, pontuou.
 
Com posições divergentes entre especialistas e ajustes ainda em discussão, a proposta avança no Congresso Nacional em meio a um debate que envolve, ao mesmo tempo, a necessidade de maior rigor disciplinar e a preservação da independência institucional das carreiras jurídicas.

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