Política

OBSTÁCULO

Ex-ministro Marun é cotado para suplente de Nelsinho, mas enfrenta entrave jurídico

Consulta ao TSE apontou impedimento de partido integrante da base governista para compor chapa ao Senado de adversário

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A possibilidade de o ex-ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República e ex-deputado federal Carlos Marun (MDB) integrar a chapa de reeleição do senador Nelsinho Trad (PSD) como candidato a primeiro-suplente enfrenta um obstáculo jurídico que pode inviabilizar a composição nas eleições deste ano no Estado.

Apesar de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não ter resoluções nesse sentido, há uma consulta em que os partidos coligados para a chapa de governador podem soltar candidatos ao Senado ou coligados, entre eles, ou separadamente, entretanto, não podem fazer o mesmo com legendas coligadas a outras siglas que não fazem parte da coligação para governador.

Contudo, a questão gera polêmica e não há garantia que, se levado um novo caso para análise dos ministros, o TSE não venha a decidir de forma diferente, liberando a suplência.

Embora o nome de Marun seja visto com simpatia tanto pelo senador quanto por integrantes do MDB, essa consulta respondida em 2022 consolidou o primeiro entendimento.

Isto é, que partidos que integram uma coligação majoritária para o governo estadual não podem participar de uma coligação diferente para a disputa ao Senado dentro da mesma circunscrição eleitoral.

Na prática, o entendimento impede as chamadas “coligações cruzadas”, nas quais uma legenda é aliada de determinado grupo na disputa pelo governo estadual e, ao mesmo tempo, integra formalmente a chapa de um candidato ao Senado pertencente a outra aliança.

O tema ganhou força nos bastidores após Marun confirmar ontem ao Correio do Estado que seu nome foi cogitado para uma das suplências de Nelsinho Trad. Conforme ele, o PSD busca o apoio do MDB para a disputa ao Senado, mas reconheceu que existem dificuldades jurídicas para concretizar essa composição.

“Nelsinho quer o apoio do MDB, que é simpático à ideia. Neste sentido, o partido poderia indicar os suplentes e meu nome foi cogitado. Todavia, existem entraves legais para que o partido participe da coligação com Riedel, que já tem dois candidatos a senador, e se coligue formalmente com Nelsinho para o Senado. Se isso for superado, tudo é possível”, afirmou o ex-ministro.

O impasse decorre do fato de o MDB integrar a ampla aliança que apoia a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP).

Esse mesmo grupo conta com o PL, que lançou dois candidatos ao Senado: o ex-governador Reinaldo Azambuja e o ex-deputado estadual Capitão Contar. Caso o MDB permaneça nessa coligação majoritária, a participação formal na chapa de Nelsinho poderá ser questionada à luz da jurisprudência do TSE.

ENTENDIMENTO

A interpretação foi fixada no julgamento da Consulta nº 060059-69.2021.6.00.0000, concluída pelo TSE em junho de 2022. Na ocasião, a Corte analisou se partidos integrantes de uma coligação para governador poderiam formar uma composição diferente para a eleição ao Senado.

A consulta foi apresentada pelo então deputado federal Waldir Soares de Oliveira sobre a formação de alianças partidárias nas eleições estaduais para governador e senador.

A dúvida principal era saber se os partidos que integram uma coligação para o governo estadual poderiam adotar uma composição diferente na disputa ao Senado.

O caso tratava, em termos hipotéticos, de quatro partidos – A, B, C e D – reunidos em uma coligação para governador.

A consulta apresentou três perguntas: se esses partidos seriam obrigados a repetir a mesma aliança para o Senado; se poderiam lançar candidatos próprios ao Senado; e se um partido que não estivesse coligado poderia disputar isoladamente uma vaga de senador.

Por maioria, o TSE decidiu manter sua jurisprudência histórica e afastar a possibilidade das chamadas coligações cruzadas. Isso significa que partidos aliados na eleição para governador não podem formar uma coligação diferente para o Senado dentro do mesmo Estado.

Em outras palavras, se os partidos A, B, C e D estiverem juntos em uma coligação para governador e decidirem também formar uma coligação para o Senado, essa aliança deve respeitar a mesma composição partidária.

Não seria possível, por exemplo, que o partido A se unisse a um partido adversário da coligação governista para apoiar outro candidato ao Senado.

O Tribunal entendeu que, na mesma circunscrição estadual, deve existir coerência entre os arranjos partidários firmados para os cargos majoritários de governador e senador.

Assim, um partido não pode ser aliado de determinada legenda na disputa pelo governo e, simultaneamente, integrar outra coligação ao Senado ao lado de partidos que concorrem contra seus próprios aliados.

Apesar de proibir as coligações cruzadas, o TSE reconheceu que os partidos integrantes de uma coligação para governador não são obrigados a apoiar o mesmo candidato ao Senado.

Se não houver uma coligação formal para a eleição de senador, cada partido que integra a aliança para governador poderá lançar seu próprio candidato ao Senado de maneira isolada. Nesse caso, não existe uma nova coligação, mas candidaturas partidárias independentes.

Assim, os partidos A, B, C e D poderiam estar unidos na disputa pelo governo, mas cada um apresentar um candidato próprio ao Senado. Também seria possível que apenas alguns lançassem candidatos, enquanto outros não participassem diretamente da disputa senatorial.

O TSE também confirmou que um partido que não participe de nenhuma coligação para governador pode lançar sozinho seu candidato ao Senado. A apresentação de candidatura ao Senado, portanto, não depende da participação do partido em uma aliança para o governo estadual.

O voto que prevaleceu foi apresentado pelo ministro Mauro Campbell Marques, para quem as mudanças realizadas na Constituição e na legislação eleitoral não alteraram o regime jurídico das coligações majoritárias.

A Emenda Constitucional nº 97, de 2017, acabou com as coligações nas eleições proporcionais, como as disputas para deputado federal, estadual e distrital. No entanto, continuou permitindo coligações nas eleições majoritárias, que incluem presidente, governador, prefeito e senador.

Posteriormente, a Lei nº 14.211, de 2021, modificou o artigo 6º da Lei das Eleições para adequá-lo ao fim das coligações proporcionais. O dispositivo passou a estabelecer que os partidos podem celebrar coligações para eleições majoritárias dentro da mesma circunscrição.

Para a maioria do TSE, essa alteração não criou liberdade para que os partidos formassem uma coligação para governador e outra, com composição diferente, para o Senado. A nova lei apenas retirou do texto a referência às coligações proporcionais, mantendo as regras anteriormente aplicadas às alianças majoritárias.

O Tribunal considerou que a autonomia partidária prevista na Constituição não é absoluta. Os partidos têm liberdade para decidir se desejam ou não formar coligações, mas essa liberdade deve respeitar as limitações estabelecidas pela legislação eleitoral e pela jurisprudência do TSE.

Um dos fundamentos centrais do voto vencedor foi a necessidade de preservar a coerência dos arranjos partidários.

Para a maioria dos ministros, permitir coligações diferentes para governador e senador poderia fazer com que um partido aparecesse, ao mesmo tempo, como aliado e adversário de outra legenda dentro da mesma eleição estadual.

Na visão predominante, essa situação poderia gerar confusão para o eleitor e dificultar a compreensão sobre os grupos políticos que disputam seu voto.

A manutenção de uma única composição para as coligações majoritárias teria, portanto, o objetivo de dar maior transparência às alianças e demonstrar com clareza quais partidos integram cada bloco político.

O acórdão também destacou a ligação institucional entre os cargos. O governador é o chefe do Poder Executivo estadual, enquanto os senadores representam o Estado no Congresso Nacional. Por essa razão, a maioria considerou razoável exigir coerência entre as alianças formadas para essas duas disputas.

O relator original, ministro Ricardo Lewandowski, apresentou entendimento diferente. Para ele, as alterações constitucionais e legais reforçaram a autonomia partidária e retiraram a base jurídica que sustentava a proibição das coligações cruzadas.

Lewandowski defendia que as eleições para governador e senador são juridicamente autônomas. Assim, os partidos aliados para governador poderiam formar outra coligação para o Senado, inclusive com partidos que não estivessem na primeira composição.

Segundo o relator, não havia na legislação uma proibição expressa contra a formação de alianças diferentes para cada cargo.

Eventuais contradições políticas deveriam ser avaliadas pelo eleitor, e não impedidas previamente pela Justiça Eleitoral. Esse entendimento foi acompanhado pelos ministros Sérgio Banhos e Edson Fachin.

No entanto, a maioria seguiu a divergência aberta por Mauro Campbell Marques, que foi acompanhado por Benedito Gonçalves, Carlos Horbach e Alexandre de Moraes.

Embate Político

Zeca do PT chama Bolsonaro de "canalha" e provoca discussão em reunião em MS

Deputado fez críticas ao ex-presidente durante encontro em Ribas do Rio Pardo, provocando reação de participantes que afirmam ter havido um acordo para evitar debates políticos.

28/07/2026 18h28

Deputado estadual e pré-candidato à reeleição, Zeca do PT se envolveu em discussão durante reunião realizada nesta terça-feira (28), em Ribas do Rio Pardo.

Deputado estadual e pré-candidato à reeleição, Zeca do PT se envolveu em discussão durante reunião realizada nesta terça-feira (28), em Ribas do Rio Pardo. Foto: Wagner Guimarães/Alems

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Uma reunião realizada nesta terça-feira (28), em Ribas do Rio Pardo, foi marcada por um momento de tensão envolvendo o deputado estadual e pré-candidato à reeleição para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), Zeca do PT (PT).

O parlamentar protagonizou uma discussão com participantes do encontro após fazer críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), apesar de, segundo pessoas presentes, haver um acordo prévio para que o evento não abordasse questões político-partidárias.

Durante sua fala, o ex-governador de Mato Grosso do Sul comparou a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à de Bolsonaro e chamou o ex-chefe do Executivo de "canalha".

"Pegue o governo daquele canalha que está preso e compare com o governo do presidente Lula. O canalha que está preso falava de boca cheia que não gosta de negro, e não gosta, de índio, de pobre, de reforma agrária e agricultura familiar", afirmou Zeca.

A declaração provocou reação imediata de dois participantes da reunião, que interromperam o discurso e contestaram as afirmações do deputado, chamando-o de "mentiroso". O clima ficou acalorado e houve troca de acusações entre os presentes.

Segundo um dos participantes, antes do início do encontro teria sido acertado que assuntos ligados à política não seriam debatidos, compromisso que, na avaliação dele, acabou sendo descumprido pelo parlamentar ao inserir críticas ao ex-presidente durante sua fala.

Em meio ao bate-boca, Zeca do PT rebateu as manifestações e pediu que um dos participantes deixasse o local, o que aumentou ainda mais a tensão no ambiente.

Após a discussão, um dos presentes voltou a criticar a postura do deputado e afirmou que ele chegou ao encontro garantindo que não trataria de política, mas mudou o tom ao iniciar o discurso.

"Ele falou que não ia falar de política e depois fez exatamente o contrário. Não tem honra", disse o participante.

O episódio foi gravado por pessoas que acompanhavam a reunião e as imagens passaram a circular nas redes sociais, ampliando a repercussão do caso.

Zeca minimiza episódio

Procurado pela reportagem do Correio do Estado após a repercussão do vídeo, o deputado estadual e pré-candidato Zeca do PT afirmou que o episódio não passou de um desentendimento pontual e negou que a reunião tenha sido interrompida em razão da discussão.

 "Nada, nada. Tudo normal, na verdade. Um cidadão lá, que é bolsonarista, não gostou de uma frase minha, saiu da reunião, só isso. A reunião continuou. Almocei lá no maior carinho dos assentados, todos muito próximos politicamente da gente, sem nenhum problema", afirmou.

Segundo o parlamentar, o cronograma de encontros foi mantido normalmente após o incidente.

 "Depois de lá já fizemos mais dois assentamentos. Estou chegando na cidade para fazer a última reunião", acrescentou.

1° DE AGOSTO

PSD formaliza candidatura à reeleição de Nelsinho Trad no sábado

Candidatura de senador foi antecipada por Ronaldo Caiado no último final de semana

28/07/2026 14h00

Nome de senador já havia sido confirmado por Kassab no último final de semana

Nome de senador já havia sido confirmado por Kassab no último final de semana Roque de Sá: Agência Senado

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O diretório estadual do PSD oficializa neste sábado (1°), em Campo Grande, o nome de Nelsinho Trad como postulante à reeleição ao Senado Federal. 

No último domingo (26), em convenção nacional realizada em São Paulo, o partido confirmou a candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República, evento que contou com a participação do senador sul-mato-grossense, presidente da sigla em Mato Grosso do Sul.

Durante o discurso do último final de semana, o candidato à vice, Gilberto Kassab também confirmou o alinhamento político do PSD no Estado.

Sem candidatura própria, a sigla estará ao lado da candidatura à reeleição de Eduardo Riedel, além de apoiar Nelsinho Trad na disputa por uma das duas vagas ao Senado. Na ocasião, Kassad também antecipou o apoio do partido a Nelsinho. 

"O PSD não terá problema de fazer parceria com aliados em nenhum estado. Nelsinho Trad, um dos melhores senadores do Brasil, candidato à reeleição. Lá (em MS) a gente apoia a candidatura do governador Riedel. A gente sabe que o Riedel tem múltiplos compromissos. Mas, para o nosso palanque: Trad senador, Caiado presidente e Riedel governador", afirmou Kassab.

A definição confirma o cenário já antecipado por Nelsinho Trad antes da convenção nacional. O senador havia informado que o PSD abriria mão de disputar o Governo de Mato Grosso do Sul para concentrar esforços na aliança com Riedel, fortalecendo a chapa para as eleições estaduais e nacionais.

Nelsinho afirmou que a convenção marcaria um momento de fortalecimento do partido e de consolidação de um projeto político para o país.

"A convenção nacional simboliza a união do nosso partido em torno de um projeto consistente para o Brasil. O PSD chega a este momento com maturidade, diálogo e responsabilidade, apresentando o nome de Ronaldo Caiado para liderar esse debate nacional. Estarei presente representando Mato Grosso do Sul, reafirmando nosso compromisso com o desenvolvimento do Estado e com a construção de soluções que promovam crescimento, equilíbrio e mais oportunidades para a população brasileira", declarou.

Ao lado do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, o ex-governador de Goiás afirmou que pretende apresentar um "novo modelo de governo" e destacou que sua candidatura representa uma alternativa à polarização política.

O partido chega à disputa presidencial após a filiação de Ronaldo Caiado, que deixou o União Brasil no início deste ano. Antes da definição, o PSD avaliava ainda os nomes dos ex-governadores Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ratinho Júnior (Paraná) como possíveis candidatos ao Palácio do Planalto.

*Serviço 

A convenção estadual acontece no Rádio Clube Cidade, localizado na Rua Barão do Rio Branco, 1924. 

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