Política

VERIFICAÇÃO

Exclusão de propaganda eleitoral de Michelle não é censura

Postagem desinforma ao dizer que Simone Tebet "se descontrola" e censura a veiculação do vídeo de campanha eleitoral de Jair Bolsonaro

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Conteúdo investigado: Postagem no Twitter, Facebook afirma que a candidata à presidência Simone Tebet “se descontrola” e censura a veiculação do vídeo de campanha eleitoral de Jair Bolsonaro. A propaganda em questão foi veiculada no dia 30.08 e trata-se de um vídeo de 30 segundos em que apenas Michelle Bolsonaro aparece. Ela fala sobre a transposição do Rio São Francisco e ressalta o benefício desta ação para as mulheres.

O conteúdo do tuíte também afirma que, pelo baixo desempenho nas pesquisas, Simone Tebet deve deixar a política em janeiro de 2023, ano que acaba seu mandato. Além de informar que milhares de eleitores prometeram fazer campanha contra a candidata nas redes sociais.

Onde foi publicado: Twitter e Facebook.  

Conclusão do Correio Verifica: 

É enganosa a afirmação feita em post de que Simone Tebet teria censurado o vídeo em que Michele Bolsonaro aparece mostrando as águas do rio São Francisco chegando às famílias nordestinas. A exclusão do vídeo se deu por conta da propaganda de Michele ter excedido o tempo que poderia aparecer na publicidade como “apoiadora” de seu marido, Jair Bolsonaro. Em decisão do TSE pela exclusão do material,  a ministra Maria Cláudia Bucchianeri declara que, apesar de Michele qualificar-se tecnicamente como apoiadora do candidato representado, sua participação, embora claramente legítima, não poderia ter ultrapassado os 25% do tempo da propaganda na modalidade inserção, pois infringe o art. 54 da Lei 9.504/97 e 74 da Resolução TSE 23.610/2019 e o art. 74 da Resolução TSE 23.610/2019. Além disso, a representação da tutela, ao contrário do que informa o tuíte, partiu não apenas de Simone Tebet, mas também da Coligação Brasil da Esperança que tem como candidato à presidência o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Enganoso: Conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano. 

Alcance da publicação:  

No Twitter, até dia 09 de setembro de 2022, o post verificado teve 315 retweets, 16 tweets com comentário e 461 curtidas, sendo que, o alcance da página da publicação original, contabiliza 43,2 mil seguidores.

Além da publicação investigada originalmente, o teor enganoso da desinformação foi repercutido em sites e redes sociais, mas em formatos diferentes do que vemos no post investigado e publicamos no Twitter, contabilizando ao menos 43.295 interações diretas.

O que diz o autor da publicação

A equipe do Correio Verifica entrou em contato com o autor do post do Twitter, mas não obteve retorno até o fechamento desta verificação. 

Como verificamos:  

Para a verificação, pesquisamos pelas palavras-chave “Simone Tebet”, “censura”, “vídeo” e “Michelle Bolsonaro”, encontrando reportagens que noticiavam esse conteúdo.

Na Folha de S. Paulo, foi apontada a existência da ação - protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com isso, a equipe do Correio Verifica buscou pelo processo que tratava da questão, para entender o contexto jurídico da medida movida contra o vídeo.

Em seguida usamos a ferramenta de busca do Tweetdeck para ver se havia alguma publicação recente nos perfis de jornais no Twitter, sobre a suposta censura de Simone Tebet no vídeo de Michelle Bolsonaro.

Durante a pesquisa, encontramos uma verificação do Aos Fatos, que fazia referência a uma matéria do UOL, onde era citado que além de Simone, a coligação do pré-candidato Lula também havia protocolado uma representação de tutela contra a propaganda de Jair Bolsonaro, pelo mesmo motivo de Simone Tebet e novamente acessamos o site do TSE para procurar o processo.

Entramos em contato com o autor do tuíte, porém, devido o perfil ser fechado, não conseguimos contato. 

Por fim, entramos em contato com a assessoria de Simone Tebet para esclarecer sobre sua carreira política em 2023, eles informaram estar cientes da publicação, mas não deram nenhuma outra resposta, não afirmando ou negando uma possível saída política da candidata.

Verificação

Exclusão de vídeo não é considerado censura

A exclusão do vídeo se deu por conta de que Michelle Bolsonaro excedeu o tempo que poderia aparecer na publicidade como “apoiadora” de seu marido, o atual pré-candidato à presidência Jair Bolsonaro. Segundo informações divulgadas no site da UOL, no pedido de suspensão, a ministra Maria Cláudia Bucchianeri declarou:  “ao meu olhar, Michelle Bolsonaro qualifica-se tecnicamente como apoiadora do candidato representado, e sua participação, embora claramente legítima, não poderia ter ultrapassado os 25% do tempo da propaganda na modalidade inserção". 

O vídeo em questão se trata de uma propaganda que apenas Michelle Bolsonaro aparece. No vídeo, Michelle ressalta a importância da transposição do Rio São Francisco e fala sobre os benefícios desta ação para as mulheres. O uso da imagem de Michelle Bolsonaro é uma tentativa da campanha de Jair Bolsonaro de conquistar o eleitorado feminino, que possui a maior rejeição em relação ao atual pré-candidato.

Conforme definição - segundo o site Significados -,  “‘censura’ é sinônimo de repreensão ou reprimenda. Além disso, é uma conhecida forma de restrição da liberdade e do conhecimento, normalmente exercida por um regime ditatorial”.

A ministra Maria Claudia Bucchianeri, do TSE, acatou o pedido da senadora e presidenciável Simone Tebet (MDB) e ordenou a suspensão da propaganda eleitoral com Michelle Bolsonaro. A regra dos 25% a qual o vídeo infringiu, se enquadra no art. 54 da Lei 9.504/97 e 74 da Resolução TSE 23.610/2019

Caso a decisão seja descumprida, a multa é de R$ 10 mil, a qual é voltada apenas para o horário de propaganda eleitoral gratuita transmitida pela televisão. O vídeo segue sendo anunciado no YouTube.

Para a Ministra, a utilização da imagem da primeira-dama Michelle Bolsonaro possui potencialidade de proporcionar inequívocos benefícios ao candidato representado, agregando-lhe valores inquestionáveis, de sorte que sua posição no material ora impugnado jamais poderia ser equiparada à de mera apresentadora, ou seja, de pessoa que se limita a emprestar sua voz e imagem, sem, no entanto, qualquer aptidão de transferência de prestígio ou atributos a um dos candidatos em disputa.

De acordo com a decisão citada no processo do Tribunal Superior Eleitoral, Maria Cláudia ressalta que, ao seu olhar, apesar de Michelle Bolsonaro qualificar-se tecnicamente como apoiadora do candidato representado, e sua participação, embora claramente legítima, não poderia ter ultrapassado os 25% do tempo da propaganda na modalidade inserção, que foi ao ar no dia 30.8.2022, considerado o limite objetivo previsto na legislação. 

Vale ressaltar que no § 3º do art. 74 da Res.-TSE nº 23.610/2019 é correto afirmar que “o limite de 25% (vinte e cinco por cento) aplica-se à participação de quaisquer apoiadoras e apoiadores no programa eleitoral, pessoas candidatas ou não”. 

Além de Simone, a Coligação Brasil da Esperança, que tem como candidato o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, registrou também um pedido de tutela urgente, em desfavor da Coligação Pelo Bem do Brasil (Partido Liberal – PL, Progressistas – PP e Republicanos) e de Jair Messias Bolsonaro, por suposta irregularidade em propaganda eleitoral gratuita transmitida pela televisão.

Os representantes da Coligação Brasil da Esperança alegaram o mesmo que Simone Tebet: “os representados iniciaram no dia 30/08/2022 nova campanha eleitoral gratuita com a participação de apoiadora em tempo superior ao permitido em Lei. A referida propaganda eleitoral gratuita veiculada na televisão, nos canais Bandeirantes (31/08, às 10h40), TV Record (31/08 às 10h53), SBT (31/08 às 10h30), dentre outras inserções, infringiram o disposto nos artigos 54 da Lei Eleitoral e 74 da Resolução TSE nº 23.610/2019” (p. 3).

Vale ressaltar que (em análise de intenção da desinformação publicada), certos mecanismos são utilizados para descredibilizar a figura citada, tendo como exemplo claro apenas a presença de Simone Tebet na referida postagem, uma vez que a ação foi protocolada por mais de uma parte. 

Além disso – como destaca conteúdo da ** Revista Trends in Psychology/Temas em Psicologia – a publicação se vale dos chamados "estereótipos sexuais" que, basicamente, atribuem à mulher características como: a vaidade, futilidade e o descontrole emocional, segundo pesquisa acerca do tema, realizada em Brasília (Raiser, 1985). 

 ** Publicação trimestral da Sociedade Brasileira de Psicologia, que se destina à divulgação de trabalhos originais na área de Psicologia, como estudos empíricos, históricos, teóricos e conceituais, relatos de experiência profissional, revisões críticas da literatura, notas técnicas e cartas aos editores. A partir de 2017 a revista está indexada em SciELO.

Por que investigamos 

O Correio Verifica investiga conteúdos suspeitos sobre eleições em Mato Grosso do Sul que viralizam nas redes sociais. O tuíte aqui verificado induz a uma interpretação enganosa, em que a pré-candidata à presidência, Simone Tebet, censurou o vídeo de Michelle Bolsonaro, sendo que Simone foi quem protocolou um pedido de suspensão do conteúdo, mas ele só foi retirado do ar ao infringir as leis sobre propaganda eleitoral.

Saiba mais sobre o Correio Verifica

A três meses das eleições estaduais, o Correio do Estado decidiu criar o primeiro núcleo de verificação de Mato Grosso do Sul, o Correio Verifica, cujo objetivo é informar a população e desmentir informações enganosas que possam prejudicar o processo eleitoral no Estado.

Você pode entrar em contato e mandar conteúdo que tenha dúvida para a equipe Correio Verifica por meio do WhatsApp, pelo número: (67) 9 9922-6705, ou por e-mail, pelo endereço: [email protected].  

Entre outras checagens realizadas recentemente está a verificação de que o PSDB-MS não apoia Simone Tebet, ao contrário do que ela afirmou em entrevista ao Jornal Nacional. Recentemente também explicamos que apesar dos esforços políticos de candidatos, Campo Grande não é uma “Capital sem favela”. 

 

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ANO ELEITORAL

Flávio Bolsonaro e Lula empatam em eventual 2º turno, diz Datafolha

Maioria entrevistas ocorreu antes da divulgação pelo The Intercept Brasil - no dia 13 de maio - do áudio de Flávio Bolsonaro

16/05/2026 22h00

Reprodução

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) empatam com 45% das intenções de voto cada em um eventual segundo turno da disputa presidencial, segundo a pesquisa Datafolha divulgada neste sábado, 16. O levantamento também mostra que 9% dos entrevistados votariam em branco ou nulo, e 1% não sabe.

A pesquisa do Datafolha foi realizada entre terça-feira (12) e quarta-feira (13), com 2.004 entrevistados em 139 municípios. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE com o código BR-00290/2026.

A maioria entrevistas ocorreu antes da divulgação pelo The Intercept Brasil - no dia 13 de maio - do áudio de Flávio Bolsonaro, que mostra uma troca de mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro, na qual o senador pede dinheiro para ajudar a bancar a produção do filme "Dark Horse" sobre a vida do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Por isso, a pesquisa pode não ter captado a totalidade do efeito das denúncias sobre a campanha do senador do PL.

Segundo o Datafolha, ainda nas projeções de segundo turno, Lula tem 46% contra 40% do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo). Lula pontua 46% contra 39% do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), em um eventual segundo turno. Na pesquisa anterior, Lula tinha empate técnico com Flávio, Zema e Caiado nas simulações de segundo turno, o que mostra que o petista abriu vantagem sobre os dois últimos.

No cenário estimulado de primeiro turno, Lula tem 38% e Flávio Bolsonaro tem 35%, em empate técnico. Zema e Caiado aparecem com 3% cada, enquanto Renan Santos (Missão) tem 2% e Cabo Daciolo (Mobiliza) registra 1%. O Datafolha mostra ainda que 9% afirmam que votarão em branco ou nulo, e 3% não sabem.

 

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DESCONVERSOU

Em meio a bolsonaristas, Cury evita polemizar com Flávio Bolsonaro

Mesmo defendendo a tese de que relação entre Flávio e Vorcaro precisa ser investigado, o pré-candidato à presidência disse que não tem juízo de valor a fazer sobre os vazamentos

16/05/2026 11h00

Augusto Cury, escritor e pré-candidato à Presidência da República, esteve em Campo Grande neste fim de semana

Augusto Cury, escritor e pré-candidato à Presidência da República, esteve em Campo Grande neste fim de semana Foto: Felipe Machado/Correio do Estado

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O escritor e pré-candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) está em Campo Grande para cumprir agenda política e, durante coletiva de imprensa, evitou polemizar com o concorrente Flávio Bolsonaro (PL) ao citar os áudios vazados que confirmam relação próxima entre o atual senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do caso Master.

Nesta manhã de sábado, na Câmara Municipal de Campo Grande, o presidenciável do Avante participou do evento de posse do deputado estadual Lídio Lopes como presidente estadual do partido em Mato Grosso do Sul. Ao lado de Lídio e da prefeita Adriane Lopes (PP), Augusto Cury concedeu coletiva de imprensa, na qual detalhou sua visão sobre o caso Vorcaro e a família Bolsonaro.

“Em primeiro lugar, todo ato que expressa qualquer tipo de possibilidade de corrupção tem de ser investigado e punido. Mas eu não tenho juízo de valor para fazer, porque eu não presto todos os elementos que constituem aquele hábito. Nós podemos falar de coisas muito mais sérias”, comentou.

“Agora, esse escândalo que ocorreu pode abalar, sim, vários atores políticos. Reitero, que o meu objetivo não é crescer na popularidade em cima da desgraça dos outros. Meu objetivo é fazer uma política totalmente diferente do que tem sido feito neste período. Eu estou profundamente triste com os últimos líderes políticos. A direita e a esquerda representam a beleza da democracia, jamais deveria servir de base para construir inimigos a serem abatidos”, complementou o pré-candidato.

Vale destacar que esta é a primeira vez que Augusto Cury se arrisca na vida política. Até pouco tempo, o pré-candidato era somente conhecido por sua vida na psiquiatria e literatura, sendo um dos escritores mais lidos do mundo, com estimativa de cerca de 40 milhões de livros vendidos em 70 países.

“Eu espero que eu seja conhecido como um líder político, que vai chamar os grandes profissionais das universidades, da iniciativa privada e também políticos sem histórico de corrupção para construir um projeto no Brasil para atender de maneira rápida, média e também a longo prazo, nos próximos 25 anos”, pontuou o escritor sobre a expectativa para sua vida política.

Suas obras focam em desenvolvimento pessoal, psicologia e gestão da emoção, com os livros “O Vendedor de Sonhos” (adaptado para o cinema), “Pais Brilhantes”, “Professores Fascinantes” e “Armadilhas da Mente” como os maiores destaques. Nas redes sociais, Cury acumula mais de 8 milhões de seguidores.

Outras opiniões

Em Campo Grande, nesta sexta-feira (15), o ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, também evitou atacar diretamente Flávio Bolsonaro, depois que vazou o áudio dele pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, mas afirmou que o Brasil vive uma “desordem institucional” causada pela falta de liderança do governo federal.

Em entrevista coletiva, ele defendeu que a eleição deste ano deve ser pautada por “competência” e não por disputas pessoais envolvendo adversários políticos.

Questionado sobre a crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e as recentes revelações sobre o caso do Banco Master, além das reportagens envolvendo o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e a produção do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Caiado procurou se distanciar da polêmica e afirmou que “cada um responde pelos seus atos”.

“Eu tenho 40 anos de vida pública e nunca fui envolvido em nada. Cada um responde pelos seus atos. O que eu quero deixar claro é que as pessoas vão ter segurança da minha governança”, declarou.

Outro que opinou sobre o caso entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro foi o governador Eduardo Riedel (PP). Aliado do senador, o chefe do Executivo estadual de Mato Grosso do Sul disse que cabe ao filho de Jair Bolsonaro esclarecer os fatos contidos no áudio vazado.

“Agora cabe ao candidato Flávio esclarecer os fatos com muita transparência, com muita assertividade, o que aconteceu, o que está em andamento. Eu acho que este é um dever dele como pré-candidato”, disse Eduardo Riedel.

O governador também procurou contemporizar a situação pela qual o aliado passa, afirmando que existe uma guerra de narrativas que, segundo ele, está posta.

“Qualquer fato que envolva suspeita, que envolva discussão, vira uma guerra muito mais de narrativa do que dos fatos em si. Eu acho que a gente tem de olhar os fatos”, afirmou Eduardo Riedel.

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