Política

ELEIÇÕES 2026

Lula reafirma apoio e Soraya encerra especulações sobre desistência da reeleição ao Senado

Senadora chegou a avaliar uma composição como primeira-suplente de Vander Loubet, mas recuou após reuniões com lideranças do PSB

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Após dias de incerteza sobre seu futuro político, a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) confirmou que seguirá na disputa pela reeleição ao Senado Federal nas eleições deste ano. A decisão foi consolidada nesta quinta-feira (16), após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que declarou apoio à pré-candidatura da parlamentar.

O encontro no Palácio do Planalto ocorre no desfecho de um imbróglio iniciado nesta semana, quando Soraya passou a ser cotada para abrir mão da candidatura à reeleição e integrar, como primeira suplente, a chapa do deputado federal Vander Loubet (PT-MS), também pré-candidato ao Senado.

A possibilidade ganhou força depois que o próprio Vander revelou que o convite havia partido da senadora, diante de questões pessoais e da intenção de construir uma candidatura única no campo governista. A movimentação provocou repercussão no cenário político sul-mato-grossense e levantou dúvidas sobre a permanência de Soraya na disputa.

Na quarta-feira (15), porém, a senadora divulgou uma nota oficial informando que, após diálogo com lideranças do PSB e com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, havia decidido manter sua pré-candidatura ao Senado. Ela afirmou que seguiria na disputa com o respaldo do partido e que continuaria atuando ao lado de Vander Loubet na construção de alianças para as eleições.

A definição foi reforçada nesta quinta-feira, durante reunião com Lula, da qual também participaram o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira. Segundo Soraya, todos manifestaram apoio à sua candidatura.

De acordo com a parlamentar, Lula ressaltou a importância de ampliar a participação feminina na política e defendeu o fortalecimento das candidaturas de mulheres ao Congresso Nacional.

"O presidente Lula demonstrou toda a sua preocupação com as candidaturas femininas e disse que o Brasil precisa eleger mais mulheres", afirmou a senadora.

Apesar de recusar a composição de uma chapa única com Vander Loubet, Soraya destacou que a parceria política entre ambos permanece. Ela lembrou que Mato Grosso do Sul elegerá dois senadores em outubro, o que permite que as duas candidaturas sejam mantidas no mesmo campo político.

"Vander e eu continuaremos unidos, trabalhando pelo fortalecimento do campo democrático e pela eleição de parlamentares comprometidos com o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul e com a melhoria da vida da nossa população", declarou.

Com a confirmação da candidatura, Soraya encerra as especulações sobre uma eventual desistência e volta a integrar oficialmente a disputa pelas duas vagas que Mato Grosso do Sul terá para o Senado nas eleições de 2026.
 

PROCURADO

Prisão preventiva de Neno Razuk é mantida após negativa de liminar no TJMS

Desembargador indefere pedido de urgência em habeas corpus e ex-deputado permanece foragido

16/07/2026 09h33

Ex-deputado estadual Neno Razuk (PL), que está foragido após a Justiça decretar sua prisão preventiva no âmbito da Operação Sucessione

Ex-deputado estadual Neno Razuk (PL), que está foragido após a Justiça decretar sua prisão preventiva no âmbito da Operação Sucessione Arquivo

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O desembargador Jonas Hass Silva Júnior, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), negou o pedido de liminar em habeas corpus apresentado pela defesa do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk (PL), mantendo a prisão preventiva decretada contra ele. 

Com a decisão, o ex-parlamentar continua foragido e enfrenta dificuldades para participar da convenção partidária do PL, na qual pretendia oficializar sua candidatura a deputado federal nas eleições deste ano.

A prisão preventiva foi decretada no início deste mês pelo juiz José Henrique Kaster Franco, da 4ª Vara Criminal, a pedido do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). 

Desde então, Neno Razuk não foi localizado para o cumprimento do mandado e passou a ser considerado foragido. O ex-deputado já era investigado desde a quarta fase da Operação Successione, que resultou na prisão preventiva de seu pai, Roberto Razuk, e dos irmãos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk, enquanto o pai teve a prisão convertida em domiciliar com monitoramento eletrônico, enquanto os demais permanecem presos.

Na ocasião da operação, Neno Razuk não foi alvo de prisão preventiva porque exercia mandato de deputado estadual. Posteriormente, ele foi condenado a 16 anos de prisão por organização criminosa, roubo majorado e exploração do jogo do bicho, em desdobramento da primeira fase da Operação Successione.

Ao analisar o pedido de liminar, o desembargador entendeu que as alegações da defesa exigem exame mais aprofundado, motivo pelo qual o mérito do habeas corpus será apreciado posteriormente pela 1ª Câmara Criminal do TJMS.

Também nesta quinta-feira (16), os desembargadores analisam um pedido da defesa que questiona a competência do juízo responsável pelo processo. Caso o recurso seja acolhido, há possibilidade de anulação das decisões proferidas contra o ex-deputado.

Recurso eleitoral

Além do habeas corpus em tramitação no Tribunal de Justiça, Neno Razuk também aguarda o julgamento de um recurso no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), previsto para a próxima semana, que pode ter reflexos sobre sua situação jurídica e política.

A defesa busca reverter a decisão que anulou os votos da candidata Raquelle Lisboa Trutis nas eleições de 2022, condenada pela Justiça Eleitoral por fraude na prestação de contas da campanha. 

A anulação dos votos provocou a retotalização do resultado para deputado estadual, retirando uma cadeira do PL e resultando na perda do mandato de Neno Razuk, substituído por João César Mattogrosso (PSDB).

Caso o TRE-MS acolha o recurso e restabeleça os votos da chapa, Neno poderá recuperar o mandato de deputado estadual e, consequentemente, voltar a ter foro por prerrogativa de função. Nessa hipótese, eventual cumprimento da prisão dependeria de nova análise sobre a competência do processo e das garantias constitucionais aplicáveis ao cargo.

A possibilidade, entretanto, é considerada juridicamente complexa. A própria Corte Eleitoral já homologou a retotalização dos votos e a posse de João César Mattogrosso após o trânsito em julgado da decisão. Além disso, o mandato atual termina no início de 2027, o que reduz os efeitos práticos de uma eventual reversão.

No campo político, integrantes do PL avaliam que outro caminho para Neno Razuk seria a manutenção de sua pré-candidatura a deputado federal. Segundo interlocutores da legenda, caso o partido confirme seu nome na convenção e ele consiga disputar e ser eleito, voltaria a exercer mandato eletivo, embora a repercussão dessa eventual eleição sobre o processo criminal dependa da interpretação jurídica adotada pelos tribunais.

Aguardo do mérito

Em nota, o advogado Ricardo de Souza Pereira, que representa Neno Razuk, afirmou ao Correio do Estado que a decisão do desembargador se restringiu à análise do pedido liminar e não enfrentou os argumentos centrais apresentados pela defesa.

Segundo ele, as teses jurídicas serão apreciadas pelo colegiado responsável pelo julgamento definitivo do habeas corpus e a expectativa é de que a prisão preventiva seja revertida.

Confira a nota na íntegra:

NOTA DA DEFESA

A defesa de Roberto Razuk Filho (Neno Razuk) recebeu com serenidade a decisão que apreciou o pedido liminar no Habeas Corpus.

Importa esclarecer que a decisão proferida não analisou o mérito das teses defensivas, limitando-se a postergar sua apreciação para o julgamento definitivo da impetração. Assim, não houve rejeição dos fundamentos jurídicos apresentados pela defesa, os quais serão oportunamente examinados pelo órgão colegiado competente.

A defesa permanece confiante na reversão da decisão, por entender que as teses deduzidas no Habeas Corpus são sólidas e demonstram, entre outros aspectos, a ausência dos requisitos legais necessários à manutenção da prisão cautelar, especialmente diante da falta de contemporaneidade dos fatos que embasaram a medida extrema.

Desse modo, a expectativa de reforma da decisão permanece íntegra, estando vivas e firmes as esperanças de que, no julgamento do mérito, seja restabelecida a liberdade de Roberto Razuk Filho, em estrita observância às garantias constitucionais e à jurisprudência dos tribunais superiores.

Ricardo Souza Pereira
Advogado

OPERAÇÃO GUTENBERG

Políticos de MS são citados em relatório do Gaeco sobre esquema de corrupção

Conversas extraídas de celulares de presos citam deputados e ex-parlamentares, vereador e integrante do Executivo

16/07/2026 06h43

A operação foi deflagrada no dia 7 e esteve em vários locais

A operação foi deflagrada no dia 7 e esteve em vários locais Paulo Ribas

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O procedimento investigatório criminal (PIC) da Operação Gutenberg, conduzido pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), cita ao menos oito agentes políticos de Mato Grosso do Sul em diálogos interceptados entre investigados por suspeita de integrar um esquema de corrupção envolvendo a venda de livros paradidáticos para prefeituras.

Os nomes mencionados nas conversas são os do vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha (Republicanos), do deputado federal Dagoberto Nogueira (PP), dos deputados estaduais Paulo Corrêa (PL), Mara Caseiro (PL), Jamilson Name (PP) e Lídio Lopes (Avante), do vereador Herculano Borges (Republicanos) e da ex-deputada federal Rose Modesto (União Brasil). As citações aparecem em diferentes trechos do Relatório de Informação, produzido durante a investigação dos promotores de Justiça.

Em um dos diálogos, datado de 28 de julho de 2022, o investigado Ed Carlos Britto Burgatt, que está preso e foi afastado do cargo de coordenador da Coordenadoria de Regulação e Assistência do Estado (CRA), informa ao advogado Gabriel Taquino de Paula, que também está preso e é apontado como vendedor da Editora Avante, que tinha marcado uma reunião com um assessor de Barbosinha.

Na conversa, afirma que o então deputado teria “dez municípios” para atender com materiais da Editora Avante e que pretendia buscar apoio de outro parlamentar para ampliar os negócios. Ainda na troca de mensagens, os investigados comentam que pretendiam “fechar tudo que vier” e fazem referências ao potencial financeiro do negócio.

Já no dia 1º de agosto de 2022, os investigados voltam a mencionar Barbosinha. Ed Carlos informa que teria uma reunião marcada com ele e, na sequência, relata outro compromisso com um assessor do então deputado Herculano Borges. Na mesma conversa, Gabriel Taquino calcula os valores que seriam recebidos caso um contrato de aproximadamente R$ 1,04 milhão fosse concretizado. 

O nome de Dagoberto Nogueira é citado em um diálogo de 10 de maio de 2023 na conversa entre Ed Carlos e Gabriel Taquino enquanto discutem articulações políticas em municípios do interior. Ed Carlos afirma: "vou no Dagoberto tbem ver Paranaíba". O relatório reproduz a mensagem, mas não detalha o contexto da referência ao parlamentar nem atribui qualquer conduta a ele.

Outro trecho do relatório reúne conversas de março e abril de 2023 nas quais Gabriel Taquino e Ed Carlos discutem a busca de apoio de deputados estaduais para viabilizar novas contratações da Editora Avante. 
O documento destaca nominalmente Paulo Corrêa, Jamilson Name e Mara Caseiro. Em uma das mensagens, Gabriel escreve: “marca com Paulo Corrêa para nos ajudar a fazer dinheiro”. 

Em outro momento, Ed Carlos fala que vai “alinhar com Jamilson” e também pedir ajuda a Corrêa.
Já o deputado estadual Lídio Lopes aparece em outra parte da investigação em que Gabriel Taquino envia uma mensagem indicando que estava na residência da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), esposa do parlamentar, durante tratativas relacionadas aos contratos investigados.

No caso de Rose, a citação ocorre em uma conversa de WhatsApp em que Felipe Jafar afirma que a ex-deputada lhe passou o contato de uma interlocutora identificada como Rita, para tratar de um possível orçamento de materiais da Editora Avante.

O relatório do Gaeco registra as conversas como elementos da investigação sobre uma suposta organização criminosa voltada ao direcionamento de contratos públicos para fornecer livros paradidáticos. O documento, entretanto, não atribui, por si só, responsabilidade criminal aos agentes políticos mencionados, limitando-se a reproduzir os diálogos e contextualizá-los no curso das apurações.

Saiba

Ao analisar os autos da Operação Gutenberg, o procurador-geral de Justiça, Romão Avila Milhan Júnior, não atribuiu crimes aos políticos citados no PIC. Sua manifestação teve caráter exclusivamente jurídico, voltada à definição da competência para conduzir a investigação.

Em decisão do dia 2 de outubro de 2025, Romão observou que o relatório passou a mencionar autoridades com foro por prerrogativa de função, como deputados estaduais e prefeitos.

Com base na Constituição de Mato Grosso do Sul e em entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o envio dos autos ao Tribunal de Justiça para análise da continuidade da investigação.

Após manifestação do TJMS, ele determinou a devolução do Procedimento Investigatório Criminal ao Gaeco, permitindo o prosseguimento das apurações.

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