Política

Réu na Justiça

Ministério Público reitera pedido para condenar deputado estadual por racismo e incitação do ódio

Se condenado, deputado estadual Rafael Tavares pode pegar até 5 anos de prisão; ele disse que perseguiria "gays, negros, japoneses e índios"

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Em suas alegações finais no processo em que acusa o atual deputado estadual Rafael Tavares (PRTB) pela prática do crime de racismo, por ter incitado ódio e agressão contra minorias em 2018, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) pediu a condenação do empresário (eleito deputado estadual nas eleições passadas) pelo crime, cuja pena pode variar de dois a cinco anos de reclusão e multa. 

Na ocasião, Tavares, que ainda era somente líder do movimento “Endireita MS” e dono da empresa de marketing digital K9, que atua com posicionamento de clientes em redes sociais e direcionamento no Google, comentou na rede social de um rapaz contrário a Jair Bolsonaro, em 2018, no período eleitoral em que o ex-presidente, derrotado em 2022, se saiu vitorioso. 

“Não vejo a hora do Bolsonaro vencer as eleições e eu comprar meu pedaço de caibro para começar meus ataques”, disse Tavares, que continuou: “ontem nas ruas de todo o Brasil vi muitas famílias, mulheres e crianças destilando seus ódios (sic) pelas ruas, todos sedentos por apenas um pedaço de caibro para começar a limpeza étnica que tanto sonhamos”, disse. 

Tavares então encerra o comentário alvo da ação penal do MPMS com a seguinte declaração: “Já montamos um grupo de WhatsApp e vamos perseguir os gays, os negros, os japoneses, os índios e não vai sobrar ninguém, estou pensando até em deixar meu bigode igual do Hitler”, emendou Tavares, fazendo alusão ao ditador alemão que comandou o massacre aos judeus e demais minorias durante a 2ª Guerra Mundial. 

No processo judicial, depois de uma longa e incansável dos oficiais de Justiça para intimá-lo, Tavares, em suma, alegou estar fazendo uso de sua liberdade de expressão e que não incitou o ódio por falas racistas. Ele alegou ter sido apenas irônico. 

Nas alegações finais, o promotor de Justiça Paulo César Zeni discorda. 
“Logo, a questão sob debate perante este juízo restringese a avaliar se o comentário perpetrado pelo réu configura o fato típico ou se o ordenamento jurídico lhe garantiria o direito à prática de tal conduta sob o manto da ironia”, afirmou o promotor.

“Nesse sentido, necessário frisar, primeiramente, que a Constituição Federal garante o direito à liberdade de expressão, entretanto impõe limites de responsabilidades, na medida em que a liberdade de expressão não pode ser usada para a prática de atividades ilícitas ou para a prática de discursos de ódio, contra a democracia ou contra as instituições”, prosseguiu o promotor de Justiça em suas alegações finais.

Nesta fase do processo, acusador e defesa fazem suas alegações, antes de o magistrado decidir ou não pela condendação do réu: no caso, Rafael Brandão Scaquetti Tavares, ou simplesmente Rafael Tavares. 

Comparação com Daniel Silveira

Em sua peça, o promotor de Justiça cita vários julgados do Supremo Tribunal Federal (STF), e apresenta farta jurisprudência que mostra que a corte suprema não tolera o racismo e o discurso de ódio.

Ele chega a lembrar da condenação pela corte do ex-deputado federal Daniel Silveira (PTB), depois agraciado pelo perdão presidencial de Jair Bolsonaro.

O processo, na época, foi relatado pelo ministro Alexandre de Moraes. 
Agora, é a graça de Bolsonaro que está sob escrutínio do STF, e a pena contra Silveira poderá ser retomada. 

“Por conseguinte, são inadmissíveis manifestações proferidas em redes sociais que objetivem propalar ódio, preconceito e discriminação, com ofensa ao bem jurídico protegido no tipo penal em análise, qual seja, a igualdade que deve existir entre todas as pessoas e a dignidade da pessoa humana”, alegrou o promotor contra Rafael Tavares.

“A prática de discriminação e preconceito, conforme a conduta praticada pelo réu, configura racismo, uma vez que entona discurso de suposta superioridade, dominação, opressão, restrição de direitos ou violação da dignidade humana das pessoas integrantes dos grupos minoritários citados no referido comentário”, acrescentou.

Batalha jurídica

Não é essa a única batalha jurídica que Rafael Tavares enfrenta nos tribunais. Na Justiça Eleitoral, ele corre o risco de perder o mandato. Isso, porque o seu partido, o PRTB, não atingiu a cota mínima de mulheres nas últimas eleições. 

A denúncia foi feita pelo União Brasil logo após o pleito de 2022. Tavares chegou a ser diplomado, pois não havia julgamento antes da denúncia, e por isso, tomou posse como deputado estadual. 

Agora, seu partido foi condenado em primeira instância e também pela corte colegiada, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS).  

Caso o PRTB perca a vaga de Tavares na Assembleia, o PSB, que teve Paulo Duarte como seu candidato a deputado estadual mais votado nas eleições, assume a vaga.

 

Com a palavra, Rafael Tavares

O deputado estadual Rafael Tavares foi procurado para se manifestar e enviou a seguinte resposta sobre a acusação do MPMS: 

"“Um comentário irônico que eu fiz na postagem de um colega, em 2018, retiraram de contexto uma piada e agora o Promotor Paulo Zeni quer me condenar por racismo. Na época, o promotor disse que não entendeu a ironia porque eu não havia usado emojis. Esse é o nível da denúncia. Lamentável que uma instituição séria como o Ministério Público ser usado dessa forma para perseguição política”.

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VANDALISMO ELEITORAL

Rodolfo Nogueira denuncia ataque a comitê de campanha em Dourados

Deputado federal, candidato à reeleição, diz que imóvel foi atingido por ovos e tinta vermelha e afirma que câmeras podem identificar os responsáveis

25/08/2026 11h05

Rodolfo Nogueira mostra danos no comitê de campanha em Dourados e afirma que o local foi alvo de vandalismo durante a madrugada

Rodolfo Nogueira mostra danos no comitê de campanha em Dourados e afirma que o local foi alvo de vandalismo durante a madrugada Reprodução

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O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS), candidato à reeleição, denunciou nesta terça-feira (25) que seu comitê de campanha, em Dourados (MS), foi alvo de vandalismo durante a madrugada. 

Segundo o parlamentar, o local foi atingido por ovos e tinta vermelha, além de ter recebido cartazes. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Nogueira mostrou a fachada do imóvel e afirmou que procuraria a Polícia Civil para registrar boletim de ocorrência. 

Ele classificou o episódio como uma tentativa de intimidação e disse que as imagens das câmeras de segurança poderão ajudar na identificação dos responsáveis.

“Dá uma olhada como é que ficou meu comitê nessa madrugada aqui, nesse vandalismo, nessa tentativa de intimidação”, declarou.

Durante a gravação, o deputado atribuiu o ataque a adversários políticos ligados à esquerda, embora não tenha apresentado, no vídeo, provas sobre a autoria do ato. “Vieram aqui, jogaram ovo, tinta vermelha, cartaz, urinaram aqui, mais tinta. Esse é o vandalismo”, afirmou.

Nogueira também declarou que o episódio não irá mudar sua atuação durante a campanha eleitoral e fez críticas ao PT. “Vocês não me intimidam. Nós vamos vencer essa batalha na urna dia 4 de outubro”, disse o parlamentar.

O deputado afirmou ainda que pretende entregar à Polícia Civil as imagens registradas pelas câmeras instaladas no local. “As câmeras vão falar quem são os bandidos que vieram nessa madrugada aqui para fazer esse terrorismo. Vocês não vão intimidar”, declarou.

Até o momento da manifestação de Nogueira, não havia informação apresentada pelo parlamentar sobre a identificação dos responsáveis pelo vandalismo, entretando, ele foi até a delegacia da Polícia Civil para registrar o boletim de ocorrência e para entregar as imagens.

ELEIÇÕES 2026

Coligação de Riedel e Azambuja derruba pesquisa eleitoral em MS

Material teria vícios desde ausência de coleta dos bairros e setores censitários até falta de informações precisas sobre fonte dos recursos e impossibilidade de que tenha sido autofinanciada

25/08/2026 09h49

Representação eleitoral foi movida pela coligação

Representação eleitoral foi movida pela coligação "Fazendo o Futuro Acontecer" Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Através de representação eleitoral movida pela coligação "Fazendo o Futuro Acontecer", a divulgação da pesquisa eleitoral Instituto Veritá foi suspensa após movimentação da Federação União Progressista dos candidatos Eduardo Riedel e Reinaldo Azambuja.

Com uma amostra de 1.220 entrevistas, a pesquisa em questão teria sido realizada por amostragem estratificada no período entre 09 e 23 de agosto, com pessoas de ambos os sexos que sejam moradores e domiciliados na área de abrangência há mais de um ano.

Conforme a representação, é apontada suspeita de divulgação de pesquisa eleitoral sem registro prévio, pelas federações dos seguintes partidos: 

  • União Brasil 
  • Partido Progressista (PP)
  • Partido Liberal (PL)
  • Partido Social Democrático (PSD)
  • Republicanos
  • Partido Social Democracia Brasileira 
  • Movimento Democrático Brasileiro
  • Avante e
  • Podemos

Segundo o texto, o instituto Veritá registrou pesquisa eleitoral em 18 de agosto, com avaliação para os cargos de governador e senador, com divulgação que deveria ser permitida a partir de 24 de agosto. 

Entretanto, o material conteria "vícios insanáveis", que consistem: 

  1. absoluta impossibilidade de que a pesquisa tenha sido autofinanciada, à luz do Demonstrativo do Resultado do Exercício apresentado pela própria empresa;
     
  2. ausência de coleta e consequente impossibilidade de complementação quanto aos bairros e setores censitários;
     
  3. divergência entre o plano amostral e o questionário quanto ao grau de instrução, que inviabiliza a ponderação e a auditoria da amostra

"As condições de validade e existência das pesquisas eleitorais estão descritas objetivamente no artigo 2º da Resolução TSE 23.600/2019, verdadeiro roteiro procedimental e objetivo, a fim de que se atribua crédito ao trabalho final, de grande relevância e influência nos pleitos eleitorais.

Os requisitos visam à proteção do eleitor e do processo eleitoral, mantendo a rigidez e a transparência necessárias a esse complexo procedimento, que envolve profissionais da matemática, estatísticos e pesquisadores, e que deve refletir a intenção de voto com o maior realismo possível", cita trecho da representação. 

Como alegado no material, pesquisas que possuem resultados manipulados ou equivocados teriam capacidade de influenciar o eleitor tanto quanto aquelas feitas de forma idônea e em estrita observância à legislação. Conforme o texto, não ficariam claros quem seriam os reais contratantes. 

A representação afirma que o Demonstrativo de Resultados do Exercício (DRE) da Veritá não seriam suficientes para o instituto cumprir os requisitos, que determinam a obrigatoriedade não somente de informar o valor mas também suas origens. 

Segundo a coligação de Riedel e Azambuja, após pesquisa junto aos registros de 2026 do instituto, foram observados elementos que indicariam essa "ausência de lastro" para realizar pesquisas autofinanciadas, como declarado. 

"Isso porque, conforme registrado no PesqEle, em cinco meses de 2026, entre 17 de março e 18 de agosto, o Instituto Veritá registrou no TSE 206 pesquisas eleitorais, que somam montante declarado de R$ 26.682.620,00. Desse total, 199 foram declaradas como realizadas com recursos próprios do próprio instituto a valores unitários que variam em torno de uma média de 130 mil reais, ou seja, autofinanciadas, totalizando a soma de valores declarados: R$26.067.840,00", afirma a representação.

Pelo Demonstrativo apresentado para o ano de 2025 pela própria empresa, o Veritá apontou receita bruta de serviços de R$3.985.273,69 e lucro de R$927.044,63. Segundo a representação, em pouco mais de cinco meses deste ano, a Veritá teria custeado do próprio caixa cerca de 6,5 vezes toda a sua receita bruta anual de 2025 e aproximadamente 28 vezes o lucro do exercício.

"Não se ignora que uma empresa possa dispor de patrimônio ou reservas além do resultado do exercício e este é justamente o ponto: a informação trazida no DRE, no caso concreto, é insuficiente para informar a origem dos recursos despendidos, já que a empresa não tem lastro suficiente naquele DRE para o
tamanho dispêndio que já realizou esse ano", 

Para além da falta de informações precisas quanto à fonte dos recursos, da impossibilidade de que a pesquisa tenha sido autofinanciada e ante a discrepância entre os valores despendidos e o Demonstrativo apresentado; é apontada ainda ausência de coleta dos bairros e setores censitários, o que teria sido confessado pelo próprio instituto de que complementará apenas municípios. 

Esse posicionamento da coligação foi registrado no último domingo (23) e já nesta terça-feira (25) foram publicados embargos de declaração com análise dos autos da representação que, até o momento, possui prazo ainda em curso para oferecimento de contestação. 

Enquanto a representação pedia tutela de urgência quanto à suspensão, a divulgação dos resultados fica suspensa até que contrarrazões sejam oferecidas "como medida excepcional para preservar a higidez do processo eleitoral e consequentemente causar o menor prejuízo eleitoral aos partícipes dessa demanda", completa o texto assinado pelo Desembargador relator, Luiz Tadeu Barbosa Silva. 

 

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