Política

ELEIÇÕES

Nunes Marques suspende propaganda de Lula que associa Flávio Bolsonaro a rachadinha e Master

Na avaliação preliminar do ministro, a propaganda ultrapassou os limites da crítica política permitida durante a eleição

Continue lendo...

O ministro Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a retirada do ar, de forma provisória, de uma propaganda de rádio da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que faz uma série de associações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e episódios envolvendo suspeitas de rachadinha, depósitos em dinheiro, compra de imóveis e irregularidades do Banco Master.

A reportagem entrou em contato com a campanha de Lula para pedir um posicionamento. O texto será atualizado caso haja manifestação.

A decisão foi tomada em 22 de setembro, em ação apresentada por Flávio Bolsonaro. O jingle, intitulado Foi o Flávio Bolsonaro, teve sete transmissões entre 28 e 31 de agosto, por quatro emissoras de rádio. Nunes Marques determinou que a propaganda deixe de ser veiculada até que o TSE analise definitivamente o caso.

A Justiça Eleitoral não proíbe candidatos de fazer críticas ou de mencionar fatos negativos relacionados a adversários. A própria decisão ressalta que, durante uma eleição, a liberdade de expressão tem papel central e que críticas políticas, inclusive "ácidas ou contundentes", fazem parte do processo eleitoral.

Porém, na avaliação preliminar do ministro, a propaganda ultrapassou os limites da crítica política permitida durante a eleição, podendo induzir o eleitor a uma interpretação equivocada sobre situações que, em alguns casos, já tiveram desdobramentos diferentes dos sugeridos pela peça.

"Tal como reconhecido por esta Corte, a potencialidade lesiva da propaganda não decorre apenas das frases isoladamente consideradas, mas da interação entre o formato empregado --de fácil memorização e ampla repetição-- e o contexto comunicacional em que se insere, elemento apto a induzir o eleitor a erro quanto à existência e ao significado dos fatos apresentados", disse Nunes Marques.

Um dos exemplos é a chamada "rachadinha". A música pergunta: "Quem é acusado de comandar o esquema de ‘rachadinha’ no gabinete do Flávio?" e responde: "É o Queiroz, amigo do Flávio". Para Nunes Marques, o uso do presente - "é acusado" - passa a impressão de que existe hoje uma acusação em andamento. O ministro ressalta, porém, que a denúncia relacionada ao caso foi arquivada.

Outras quatro afirmações são apresentadas em sequência: uma suposta homenagem de Flávio Bolsonaro a Adriano da Nóbrega, posteriormente apontado como integrante de uma milícia; uma suposta solicitação de R$ 61 milhões a Daniel Vorcaro para produzir um filme sobre o pai de Flávio Bolsonaro; depósitos em dinheiro vivo em uma loja de chocolates; e a compra de pelo menos 51 imóveis com pagamento em espécie. Em todos os casos, a propaganda utiliza a mesma fórmula: uma pergunta seguida da resposta "foi o Flávio Bolsonaro".

A suspensão determinada pelo presidente do TSE é uma decisão liminar. Isto é, uma medida tomada antes da conclusão do processo, diante da necessidade de interromper imediatamente a veiculação do conteúdo.

O ministro também considerou que havia risco de a propaganda continuar produzindo efeitos enquanto o processo não fosse julgado, já que as inserções ocorreram durante o período eleitoral e poderiam alcançar um número expressivo de eleitores

A decisão agora será submetida ao plenário do TSE. Os integrantes da Corte ainda deverão analisar o caso de forma definitiva, após a apresentação da defesa da campanha de Lula e a manifestação do Ministério Público Eleitoral.

JULGADO

STF condena Eduardo Bolsonaro por difamar deputada Tábata Amaral

Pena inclui um ano de detenção e multa de R$ 80 mil

26/09/2026 19h00

Ex-deputado, e agora ex-escrivão da Polícia Federal, Eduardo Bolsonaro

Ex-deputado, e agora ex-escrivão da Polícia Federal, Eduardo Bolsonaro Arquivo

Continue Lendo...

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu condenar, por 7 votos a 3, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) a um ano de detenção, mais multa de R$ 80 mil, por ter difamado a deputada Tabata Amaral (PSB-SP).

O julgamento foi realizado em plenário virtual, prevalecendo ao final o entendimento do relator, ministro Alexandre de Moraes.

O caso está relacionado a publicações nas redes sociais feitas por Eduardo em outubro de 2021, quando ele afirmou que Tábata atendia aos interesses do empresário Jorge Paulo Lehmann, sócio de uma marca de produtos de higiene, ao defender um programa de distribuição de absorventes.

Moraes acatou os argumentos dos advogados da deputada, entendendo que as manifestações de Eduardo, feitas quando ele também era deputado, foram além do simples debate político e não poderiam estar protegidas pela imunidade parlamentar, pois feriram a honra de Tabata.

O relator foi acompanhado por Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Edson Fachin, Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Ficaram vencidos os ministros Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça, que votaram pela absolvição.

Desde fevereiro de 2025, Eduardo Bolsonaro encontra-se nos Estados Unidos, para onde diz ter ido para se proteger do que chama de “perseguição” jurídica no Brasil. O ex-deputado teve concedido um greencard (permissão de residência) pelo governo norte-americano. Ele acabou sendo cassado pela Câmara por excesso de faltas.

Sob suspeita

PF acha R$ 250 mil na casa do deputado Marcio Fernandes, em MS

Marcio Fernandes foi alvo da Operação Jogo Limpo, deflagrada para apurar possível corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral. O deputado afirma ser R$ 100 mil.

26/09/2026 09h30

Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado

Continue Lendo...

A Polícia Federal (PF) apreendeu mais de R$ 250 mil em espécie, três aparelhos celulares, um pen drive, dois HDs externos, dois notebooks e material gráfico de campanha durante buscas realizadas na sexta-feira em dois endereços ligados ao deputado estadual Marcio Fernandes (PL), candidato à reeleição.

A ação faz parte da Operação Jogo Limpo, que investiga a possível prática de corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral nas Eleições deste ano. 

Os policiais cumpriram dois mandados de busca e apreensão, um no comitê eleitoral do parlamentar, no Bairro Chácara Cachoeira, e outro no apartamento dele, no Royal Park, ambos em Campo Grande.

Entre o material recolhido estavam dezenas de cédulas, principalmente notas de R$ 50 e R$ 100. A estimativa inicial da PF era de que o montante em dinheiro ultrapassasse os R$ 250 mil.

Em nota sobre a operação, a PF informou que os valores apreendidos seriam contabilizados e que a investigação vai apurar tanto a origem quanto a eventual destinação do dinheiro.

O inquérito apura movimentações financeiras que, segundo a PF, poderiam estar relacionadas a financiamento irregular de campanha e ao aliciamento de eleitores. 

A corporação ressalta que as investigações ainda estão em andamento para esclarecer os fatos e identificar eventuais responsabilidades.

Na imagem o dinheiro que foi apreendido no comitê - Foto: Divulgação

VENDA DE GADO

Em entrevista ao Correio do Estado, Marcio Fernandes afirmou que foram apreendidos apenas R$ 100 mil sacados por ele mesmo pouco antes da abordagem policial e teriam origem da venda de gado bovino.

“Eu estava no Banco do Brasil, em frente ao Shopping Campo Grande. Tinha um saque provisionado de R$ 100 mil, referente a gado que vendi em leilão. Saquei o dinheiro para usar na fazenda, principalmente para pagar peões, porque muitos deles não querem receber por Pix”, declarou.

Ainda de acordo com o parlamentar, a abordagem da Polícia Federal ocorreu logo depois que ele deixou a agência bancária. 

“Eles me informaram que receberam uma denúncia de crime eleitoral e pediram para me acompanhar até minha casa. Lá, não havia nada irregular. No comitê também não encontraram nada, apenas um saco com santinhos da campanha”, afirmou.

Marcio Fernandes disse ainda ter questionado os policiais sobre uma eventual suspeita de que o saque estivesse relacionado à compra de votos. 

“Vocês estão deduzindo que eu saquei esse dinheiro para comprar votos? Eu tenho despesas da fazenda e despesas pessoais que precisam ser pagas”, relatou.

De acordo com o deputado, os agentes apreenderam o seu aparelho celular e os R$ 100 mil retirados do banco.

Ele afirmou que pretende comprovar a origem dos recursos e solicitar a devolução do valor, bem como do seu aparelho celular. 

“Eles levaram os R$ 100 mil que saquei, mas me informaram que posso pedir a devolução se estiver tudo correto. Não é um dinheiro sem origem. Há como comprovar de onde ele veio”, completou.

Procurado pelo Correio do Estado, o advogado Assahd Milan, responsável pela defesa do parlamentar, informou que estava retornando de São Paulo (SP) e ainda não havia tido acesso aos autos da investigação. “Não tive acesso aos autos do processo, mas eu asseguro que o deputado não está detido”, afirmou.

Inicialmente, a assessoria do parlamentar informou que não havia ocorrido nenhuma intercorrência além das buscas realizadas pelos agentes e tratou a ação como uma diligência policial. A equipe também afirmou que a PF teria realizado ações em outros comitês na Capital, o que foi negado pela Polícia Federal.

A operação ocorreu a nove dias do primeiro turno das eleições, marcado para o dia 4 de outubro. Desde o dia 19, candidatos não podem ser presos ou detidos, salvo em caso de flagrante delito. 

A regra prevista no Código Eleitoral começa 15 dias antes da eleição e permanece válida por até 48 horas após o encerramento da votação.

Caso haja prisão em flagrante nesse período, o detido deve ser imediatamente levado à presença de um juiz, que avaliará a legalidade da medida. 

A PF informou que as investigações da Operação Jogo Limpo prosseguem para esclarecer a origem e a possível destinação dos recursos apreendidos, além de apurar eventuais responsabilidades.

* Saiba 

NOTA OFICIAL

O deputado estadual e candidato à reeleição pelo Partido Liberal (PL), Marcio Fernandes, esclarece os fatos relacionados à ação da Polícia Federal nesta sexta-feira (25). Por volta das 11h, o deputado realizou, em uma agência do Banco do Brasil, o saque de R$ 100 mil de sua conta pessoal.

O valor havia sido previamente provisionado junto ao banco e seria usado em despesas relacionadas às suas propriedades rurais. Ao deixar a agência, ele foi abordado por agentes da Polícia Federal e acompanhou o cumprimento de mandado eleitoral em sua residência e em seu comitê de campanha.

Além do valor sacado e do aparelho celular do deputado, foram recolhidos em sua residência um pen drive com arquivos da campanha eleitoral de 2020.

No comitê, as equipes levaram dois HDs externos com imagens, dois notebooks e material gráfico de campanha. Itens de uso regular de qualquer campanha eleitoral, e nada de irregular foi encontrado nos locais.

O deputado Marcio Fernandes reitera seu compromisso com a verdade e se coloca à inteira disposição das autoridades para prestar qualquer esclarecimento. Reafirma também a lisura de sua conduta, que sempre pautou sua vida pessoal e sua trajetória profissional e pública.

Campo Grande (MS), 25 de setembro de 2026.
Assessoria de Comunicação do deputado estadual Marcio Fernandes.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).