Política

EX-GOVERNADOR

Oficial de Justiça fracassa ao notificar Puccinelli, acusado na Lama Asfáltica

Juíza mandou avisá-lo que reabriu processo que investiga esquema de corrupção investigado pela Polícia Federal

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O oficial da Justiça Federal tentou, mas não conseguiu notificar o ex-governador André Puccinelli (MDB) e o ex-secretário estadual de Obras Edson Giroto, informando-lhes de que os dois tornaram-se réus, de novo, pelo suposto superfaturamento de trecho de uma obra tocada na Avenida Lúdio Coelho, em Campo Grande, no período em que o emedebista chefiava o Estado (2007-2014).

A informação consta no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região.
Em dezembro de 2021, o Tribunal Regional Federal da Terceira Região (TRF-3) havia livrado os dois do processo que investigava a questão.

A Corte afastou o juiz que cuidava do caso por considerá-lo parcial na apuração. No entanto, o tribunal determinou que o magistrado fosse substituído.

Assim definiu a Corte, em dezembro passado “... determinando a remessa do processo em questão ao substituto legal e anulando-se todos os atos decisórios e instrutórios a partir da decisão de recebimento da denúncia”.

Assumiu a questão a juíza federal Júlia Cavalcante da Silva Barbosa, que ressuscitou a investigação. Ela mandou o oficial de Justiça notificar os dois, dizendo-lhes que a investigação fora retomada.
Mas os implicados no caso não foram achados em suas casas.

“... Ressaltou que, em todas as oportunidades, deixou recado contendo a identificação e o contato telefônico”, diz trecho da petição da magistrada acerca da tentativa do oficial de Justiça em notificar o ex-governador e o ex-secretário.

A retomada do processo contra o ex-governador tinha sido definida no dia 11 de agosto. Na data da publicação, Puccinelli, por meio da assessoria de imprensa, disse ao Correio do Estado que: “Tenho confiança absoluta na Justiça que anulou todos os processos federais nos quais meu nome foi citado”. 
Puccinelli disputou as eleições tentando um terceiro mandato, mas, embora liderando as pesquisas de intenção de voto durante toda a campanha, ficou fora do segundo turno.

Sobre a questão de o oficial de Justiça não ter encontrado o ex-governador para notificá-lo, ainda não houve manifestação de sua parte. A Justiça Federal vai determinar nova investida para notificá-lo.

DENÚNCIA

O ex-governador havia sido denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por suposto superfaturamento em trecho da pavimentação e saneamento da Avenida Lúdio Coelho, em Campo Grande. O custo da obra, conforme a denúncia, subiu R$ 4,7 milhões, cifra que teria sido cobrada a mais do que devia.

O suposto crime foi descoberto inicialmente por policiais federais que comandaram a Lama Asfáltica, operação que investigou esquema de corrupção implicando as gestões de Puccinelli.

A apuração, uma das maiores que se tem notícia em MS, teve início em julho de 2015.
A investida policial estremeceu o segmento político na época. Servidores graúdos foram implicados no caso. De acordo com a apuração, remessas de dinheiro, em grandes quantidades, eram entregues nas casas dos envolvidos.

Ao justificar o motivo da retomada da investigação contra o ex-governador emedebista, a juíza escreveu que: “... Telefonemas legalmente interceptados e filmagens que evidenciam o envolvimento de André Puccinelli nas atividades criminosas praticadas pelo grupo criminoso; telefonemas legalmente interceptados, além de informações consubstanciadas em relatórios investigativos policiais, que evidenciam relacionamentos escusos entre João Amorim, André Luiz Cance [então Secretário Adjunto de Fazenda do MS], Mirched Jafar Junior [proprietário da gráfica Alvorada] e André Puccinelli, sob comando deste”.

IMPLICADOS

O MPF denunciou ao menos 57 pessoas no âmbito da Lama Asfáltica. Os crimes que teriam sido praticado são de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, evasão de divisas, fraudes em contratações e obras da rodovia MS-040, fraudes contra o BNDES, fraudes em contratações e obras do Aquário do Pantanal – obra inaugurada neste ano, embora iniciada em 2011.

André Puccinelli ficou em 3º no primeiro turno

Ex-governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli foi o terceiro colocado no primeiro turno da disputa para o governo do Estado. Agora, ele apoia o candidato do PRTB, Capitão Contar. 

 

 

Pedido de Cassação

Vereadores da base de Adriane "entram em guerra" na Câmara de Campo Grande

Beto Avelar acusa vereador de associá-lo, sem provas, à Operação Tapa-Buraco e cita histórico de confrontos; Maicon afirma que representação tenta intimidar sua atuação fiscalizadora

10/07/2026 18h31

Beto Avelar protocolou representação na Câmara pedindo a cassação do mandato de Maicon Nogueira por suposta quebra de decoro parlamentar.

Beto Avelar protocolou representação na Câmara pedindo a cassação do mandato de Maicon Nogueira por suposta quebra de decoro parlamentar. Foto: Foto: Câmara Municipal de Campo Grande

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A crise interna do Progressistas (PP) em Campo Grande ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (10). O líder da prefeita Adriane Lopes (PP) na Câmara Municipal, vereador Beto Avelar (PP), protocolou um pedido de cassação do mandato do vereador Maicon Nogueira (PP).

A representação, que será analisada pela Comissão de Ética, foi encaminhada ao presidente da Câmara Municipal, vereador Epaminondas Vicente Neto, o Papy (PSDB), e acusa Maicon Nogueira de suposta quebra de decoro parlamentar.

O embate ocorre entre dois vereadores do mesmo partido. Beto Avelar e Maicon Nogueira integram o Progressistas (PP), legenda da prefeita Adriane Lopes.

Nos últimos meses, porém, os dois passaram a protagonizar divergências públicas sobre a condução da administração municipal e o papel da base governista na Câmara.

O pedido tem como base declarações feitas por Maicon Nogueira durante sessão realizada em 19 de maio, dias após a deflagração da Operação Tapa-Buraco, investigação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) que apura suspeitas de irregularidades em contratos públicos e levou ao cumprimento de mandados contra empresários e servidores ligados à Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep).

Segundo Beto Avelar, em entrevista ao Correio do Estado, durante o pronunciamento Maicon Nogueira fez acusações genéricas de corrupção sem apontar nominalmente os supostos envolvidos.

O líder da prefeita afirmou que, na ocasião, apenas alertou o colega sobre a responsabilidade de tratar de um tema dessa gravidade.

"Quando se faz uma acusação tão grave de corrupção, é preciso apontar quem é a pessoa. Também disse que é necessário aguardar o devido processo legal, porque, se essas acusações não forem comprovadas, quem as faz pode responder civil e criminalmente."

No dia seguinte ao discurso, segundo Avelar, Maicon publicou em suas redes sociais uma imagem do vereador ao lado de uma notícia sobre a Operação Tapa-Buraco. Para ele, a postagem levou seguidores a associá-lo às investigações.

"Eu me senti alvo de uma acusação velada de que estaria envolvido nessa corrupção. Quem acompanha a publicação não vai abrir a reportagem para verificar se meu nome aparece ou não. A imagem fica associada à corrupção e isso atinge diretamente minha honra."

O parlamentar informou que pediu à Comissão de Ética que oficie o Ministério Público para esclarecer se seu nome figura como investigado, indiciado ou denunciado em qualquer procedimento relacionado à operação.

"Estou pedindo que o Ministério Público esclareça oficialmente se existe qualquer investigação contra mim. Construí toda a minha vida pautada pela idoneidade e, de repente, minha imagem é vinculada a uma notícia de corrupção. Isso preocupa não apenas a mim, mas toda a minha família."

Beto Avelar também afirmou que estuda adotar medidas judiciais contra Maicon Nogueira.

"Também estou avaliando apresentar uma representação ou uma queixa-crime por conta dessa publicação."

Histórico de conflitos

Na representação, Beto Avelar sustenta que o pedido não se limita ao episódio envolvendo a publicação nas redes sociais. Segundo ele, Maicon Nogueira acumula episódios de comportamento incompatível com o decoro parlamentar.

"No nosso meio ele é conhecido como extremamente truculento. Já chamou os vereadores Juari e Lívio para briga, em episódios diferentes."

O líder da prefeita também citou a postura do parlamentar durante a CPI do Consórcio Guaicurus e uma fiscalização realizada nesta semana em uma escola municipal.

"Ele atacou o presidente do Consórcio durante um depoimento na CPI e, na quarta-feira, invadiu uma escola acusando a merendeira e outras funcionárias de que seriam responsabilizadas por uma intoxicação alimentar."

Segundo Avelar, há entendimento recente do Supremo Tribunal Federal (STF) de que esse tipo de fiscalização individual por parlamentares encontra limites constitucionais.

O vereador também mencionou a discussão ocorrida durante a sessão de quinta-feira (9), quando Maicon retirou o paletó e a gravata após um bate-boca no plenário.

Segundo Beto Avelar, o vereador caminhou em sua direção para cobrar explicações, dando início a uma discussão acalorada.

A situação mobilizou parlamentares e servidores da Câmara, que intervieram para conter os ânimos, evitando que o desentendimento evoluísse para um confronto físico.

"Ele se transformou de forma destemperada durante a sessão, tirando o terno e a gravata. No final, novamente de forma truculenta, foi tirar satisfações comigo."

Maicon diz que pedido tenta intimidar fiscalização

Beto Avelar protocolou representação na Câmara pedindo a cassação do mandato de Maicon Nogueira por suposta quebra de decoro parlamentar.Maicon Nogueira nega irregularidades, diz que apenas exerceu o papel de fiscalizador e classifica o pedido de cassação como uma tentativa de intimidá-lo. Foto: Câmara municipal de Campo Grande.

Procurado pelo Correio do Estado, Maicon Nogueira afirmou que recebeu o pedido de cassação com tranquilidade e classificou a iniciativa como uma tentativa de intimidar sua atuação fiscalizadora.

"Eu encaro com naturalidade esse pedido de cassação vindo do vereador Beto Avelar. Ainda mais ele sendo líder da prefeita na Câmara. A situação dele de submissão aos desejos da prefeita certamente o colocaria nesse momento vexatório, pedindo a cassação de um parlamentar por ter exigido do Executivo uma resposta clara sobre as denúncias de corrupção que se estendem sobre obras e sobre a saúde."

O vereador afirmou que, durante o discurso questionado na representação, apenas repercutiu fatos públicos relacionados à Operação Tapa-Buraco e negou ter antecipado qualquer condenação.

"Eu não antecipei condenações. Eu falei do que foi noticiado. Pessoas foram presas e a Prefeitura demorou para emitir uma nota, e a prefeita também não se expôs publicamente para explicar o que ocorreu."

Sobre a publicação que motivou a representação, Maicon afirmou que utilizou uma imagem de um agente público durante um debate de interesse coletivo.

"Ele é um homem público, em um local público, falando sobre um tema de interesse público e televisionado. Faz sentido eu utilizar esse trecho. Quem acusa tem que aguentar as consequências."

O parlamentar também afirmou que o pedido possui motivação política e criticou a iniciativa do líder da prefeita.

"Eu respeito a posição dele de defesa da prefeita, mas não entendo como é justa a reclamação de querer tirar o meu mandato. Se isso avançar e chegar ao plenário, o primeiro interessado será o próprio grupo político da Prefeitura, porque o primeiro suplente é o ex-vereador e ex-secretário municipal de Saúde Sandro Benítez."

Ao final, Maicon reafirmou que continuará cobrando esclarecimentos da administração municipal.

"Estou tranquilo, em paz. Sei das minhas responsabilidades e sei muito bem o que falei. A Prefeitura não deu explicações claras sobre os motivos pelos quais várias denúncias dentro da Sisep avançaram e essas pessoas haviam sido demitidas até aquele momento."

O que acontece agora

A representação será analisada pela Comissão de Ética da Câmara Municipal. Caso os vereadores entendam que existem indícios suficientes, será instaurado um processo disciplinar, garantindo a Maicon Nogueira o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Se a comissão concluir pela existência de quebra de decoro parlamentar, o parecer será encaminhado ao plenário da Câmara Municipal, que decidirá sobre eventual aplicação de penalidades, incluindo a cassação do mandato.

Esclarecimento

Após a repercussão das discussões envolvendo a atuação fiscalizatória de vereadores e da representação protocolada contra Maicon Nogueira, o vereador Beto Avelar divulgou uma nota oficial nesta sexta-feira (10).

No texto, ele nega ter defendido qualquer proposta para restringir a fiscalização de órgãos públicos por parlamentares e afirma que suas declarações durante a sessão da Câmara foram baseadas em entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Leia a íntegra da nota oficial do vereador Beto Avelar.

NOTA OFICIAL

Diante de informações que vêm sendo divulgadas de forma equivocada, esclareço que em nenhum momento, durante a sessão da Câmara Municipal de Campo Grande ou em qualquer outro contato público ou privado, anunciei, apresentei ou defendi a existência de um projeto de lei destinado a impedir a fiscalização de órgãos públicos por vereadores.

A discussão ocorrida na Câmara com outro vereador teve como referência um acórdão já existente, decorrente de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Em nenhum momento foi apresentada proposta legislativa de minha autoria com o objetivo de restringir ou impedir a atividade fiscalizatória, que é uma das principais atribuições constitucionais do Poder Legislativo.

O que foi debatido diz respeito às competências de cada instituição e de cada agente público, tema que decorre da interpretação da legislação e da jurisprudência dos tribunais superiores e não de qualquer iniciativa legislativa em tramitação na Câmara Municipal de Campo Grande.

Lamento que alguns estejam tentando distorcer os fatos para criar uma narrativa que não corresponde à realidade. Reafirmo meu compromisso com a transparência, com a fiscalização responsável dos atos da administração pública e com o respeito às atribuições constitucionais de cada poder e instituição.

A população de Campo Grande merece um debate público baseado na verdade dos fatos, e não em interpretações equivocadas ou informações descontextualizadas.

Vereador Beto Avelar
Câmara Municipal de Campo Grande/MS.

Briga

Juiz nega pedido de Adriane para censurar vídeos de Érika Hilton

Prefeita e Deputada Federal devem se encontrar virtualmente em audiência de conciliação marcada pelo magistrado para setembro deste ano

10/07/2026 14h00

Juiz nega pedido de Adriane contra Érika Hilton e decide por audiência de conciliação

Juiz nega pedido de Adriane contra Érika Hilton e decide por audiência de conciliação FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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O juiz Marcus Abreu de Magalhães, da 12ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) negou o pedido de tutela liminar pedido pela prefeita Adriane Lopes (PP) em desfavor da deputada federal Érika Hilton (PSOL) por postagens em suas redes sociais expondo irregularidades na gestão da Administradora de Campo Grande, inclusive alegando que seria a "pior prefeita do Brasil". 

A defesa de Adriane pedia o arquivamento das postagens de Hilton do Instagram e do X, que expunham casos como a nomeação de 12 pastores em cargos municipais; o investimento de R$ 1,2 milhão pelo Instituto Municipal da Previdência no Banco Master; o superfaturamento de R$ 24,4 milhões em licitação de semáforos e de R$ 62 milhões em contratos de iluminação pública. 

Lopes ainda pedia na ação que a deputada realizasse o pagamento de R$ 15 mil por danos morais, com a justificativa de que os conteúdos propagados seriam "nitidamente falsos, ofensivos e produzidos com nítida intenção de atacar a honra, a dignidade e a imagem" de Adriane, resultando na "manipulação da percepção da sociedade sobre a autora", podendo resultar na incitação de ódio e "prática de crimes contra sua integridade física". 

Hilton declarou guerra contra Adriane após a sanção da Lei Municipal 7.615/2026 em Campo Grande, que estabelece diretrizes para o uso de banheiros públicos com base no critério de "mulheres biológicas". De acordo com a deputada, a aprovação da medida teria sido um tentativa da política de mudar o foco das investigações por corrupção para gerar comoção.

Hilton afirmou que a lei é "inconstitucional" e "inaplicável", abrindo precedentes para que "políticos e/ou pervertidos tentem fiscalizar os órgãos de mulheres e meninas nas portas de banheiros" ou, ainda, para que "pessoas odiosas se sintam autorizadas a violentar mulheres trans ou qualquer mulher que fuja do padrão de beleza em banheiros, como mulheres negras e lésbicas". 

Em sua decisão, Magalhães afirmou que o pedido de tutela liminar deveria possuir uma justificativa plausível e, no mínimo, uma prova de que as imputações eram falsas, o que não foi apresentado. 

"A concessão de tutela liminar, sem a prévia instauração do contraditório, exige prova pré-constituída bastante a evidenciar, ao menos em juízo de probabilidade, a verossimilhança das alegações,incumbindo à parte autora demonstrar a falsidade das imputações que pretende ver suprimidas. Ausente tal suporte probatório na petição inicial, e dependendo a controvérsia de regular instrução probatória para o esclarecimento dos fatos, eventual pronunciamento judicial deverá aguardar a formação do contraditório e a produção das provas pertinentes", afirmou o juiz. 

Ele ainda designou uma audiência de conciliação entre as duas partes, marcada para o dia 16 de setembro de 2026, de forma virtual. Tanto a prefeita como a deputada foram intimadas a comparecerem na audiência. 

Essa não é a primeira vez que Adriane Lopes não tem o pedido atendido pela Justiça. 

Um exemplo recente foi o pedido por medida protetiva contra Bruno Ortiz Barbosa, um dos principais críticos da sua gestão, do marido, Lídio Lopes (Avante) e de vereadores aliados.

Adriane chegou a obter medida protetiva, inclusive com a imposição de restrições a Bruno, mas o benefício foi derrubado poucos dias depois pela 1ª Câmara Cível do TJMS.

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