Política

ELEIÇÕES 2020

Partidos de esquerda e centro articulam união para barrar radicais

Para mobilizar base, ex-candidato a presidente Fernando Haddad vem a MS

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Na tentativa de frear o crescimento do Partido Social Liberal (PSL), do presidente Jair Bolsonaro, em Mato Grosso do Sul, partidos progressistas querem se unir. O objetivo é tentar enfraquecer e até minar a pré-candidatura do bolsonarista deputado estadual Renan Contar. 

O plano é encabeçado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e comandado pelo ex-governador José Orcírio Miranda dos Santos, Zeca do PT, que quer fazer alianças com partidos progressistas e até com alas do PSDB. 

“Nós estamos conversando com partidos progressistas, como o PSD, dos Trad, PV, PSB, PP, PSol, até MDB, do oportunista do André [Puccinelli], e alas do PSDB”, disse Zeca. 

Já é histórica a falta de diálogo entre PT, PSDB e MDB nas eleições municipais e estaduais em Mato Grosso do Sul. Nacionalmente, o PT e o MDB foram coirmãos nos dois mandatos da presidente Dilma Rousseff, porém, no Estado o cenário era de confronto entre as siglas.

André Puccinelli (MDB) e Zeca do PT já travaram vários embates com frases icônicas, entre elas “é só apertar o André que ele chora” e “caititu que anda fora do bando onça come”.  

Já o PT e o PSDB são rivais na esfera nacional, estadual e local, tanto é que os dois representantes do PT na Assembleia Legislativa, Pedro Kemp e Cabo Almi, são ferrenhos opositores do governador Reinaldo Azambuja (PSDB). E, na época em que Dilma Rousseff era presidente, um dos maiores opositores do seu plano de governo era o então deputado federal Azambuja. 

Com a máxima de “união faz a força”, o PT está buscando aliados e cedendo a outras legendas de oposição cargos aos quais teria direito no parlamento pelo desempenho nas urnas. Este foi o primeiro passo de uma estratégia que deve desembocar nas eleições de 2020, quando espera ter condições de compor chapas em cidades importantes. O objetivo é derrubar o bolsonarismo em locais onde o presidente teve vitórias expressivas. 

Segundo Zeca do PT, o partido está fazendo reuniões como “Pensando Campo Grande” para discutir planos de ação e melhorias a Campo Grande, o atual cenário político e as eleições 2020.

“Nós estamos fazendo reuniões, discutindo política e vamos falar sobre democracia e o governo do Bolsonaro. Semana que vem, estará aqui [na Capital] e em Dourados a Caravana Lula Livre, onde vem o Fernando Haddad discutir política e conjuntura das eleições do ano que vem”, explica o ex-governador.  

VIDEOCONFERÊNCIA

O diretório de Campo Grande e estadual do PT  vão participar de videoconferências com a presidente nacional da legenda, deputada Gleisi Hoffmann (Paraná), e o secretário de Relações Institucionais, deputado José Guimarães (Ceará), nas quais serão ouvidas as lideranças regionais para saber qual é o cenário político local e como pode ser feito uma plano estratégico para as eleições do ano que vem.

A videoconferência está prevista para acontecer nas próximas semanas. Além de Mato Grosso do Sul, serão ouvidos os representantes do Acre, Roraima, Rondônia e Amapá. 

De acordo com a ex-ministra Ideli Salvatti (Santa Catarina), que participa do trabalho, a sondagem inicial serviu para ver como cada diretório do partido estava fazendo a consulta de cenários na Capital e nas principais cidades de cada ente federado para as eleições de 2020. “Apesar de ser uma sondagem bastante inicial, observamos coisas interessantes. Em vários estados, observamos grupos para pensar as questões do município, como o ‘Pensando Campo Grande’, ‘Pensando Aracaju’. Sinal de que as pessoas estão se mobilizando”, disse a ex-ministra. 

MAPEAMENTO

O presidente regional da sigla, Zeca do PT, disse que já foi feito um mapeamento em 58 municípios para a renovação dos diretórios municipais. No dia 8 de setembro, serão feitas as eleições para a escolha da nova direção municipal do partido em cada cidade. 

“Vamos esperar essa eleição para discutirmos de fato as articulações para as eleições municipais, se vamos ter candidatura própria ou se vamos fazer alianças com partidos progressistas. Nós só não vamos fazer aliança com o partido do Bolsonaro (PSL) e o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), do Delcídio [do Amaral, ex-senador que perdeu o mandato depois de ser preso sob a acusação de tentar comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró]”, alfineta.

Conexão

Em telefonema, Lula e Xi Jinping falam sobre cooperação, acordo comercial e guerras

Conversa durou "mais de uma hora" e passou por temas como a cooperação entre os dois países, a negociação de um acordo entre o Mercosul e a China

27/07/2026 22h00

Presidente chinês Xi Jinping

Presidente chinês Xi Jinping Pedro Ladeira/Folhapress

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou por telefone com o presidente da China, Xi Jinping, na noite do domingo, 26, informou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), em comunicado. A conversa durou "mais de uma hora" e passou por temas como a cooperação entre os dois países, a negociação de um acordo entre o Mercosul e a China, a importância do multilateralismo, os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio e a "incapacidade" do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) de resolver as crises.

"Os líderes trataram da implementação das sinergias entre os projetos nacionais de desenvolvimento dos dois países. Ambos reiteraram o propósito compartilhado de ampliar a cooperação em áreas estratégicas e de alta tecnologia, como inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes", diz a nota da Secom.

Lula ainda "ressaltou" o comprometimento do governo brasileiro "com a diversificação de mercados e parceiros comerciais". "Ambos coincidiram a respeito da importância de acelerar as tratativas para um acordo Mercosul-China" e "também destacaram os bons resultados do comércio bilateral". Os dois líderes ainda comentaram sobre a "isenção de vistos de curta duração", que deve "ampliar o fluxo de turistas e as oportunidades de negócio"

Sobre os "principais desafios da agenda internacional", os presidentes do Brasil e da China "lamentaram a proliferação dos conflitos ao redor do mundo" e o impacto das crises "sobre a segurança alimentar e energética global, além das graves perdas humanas e materiais".

A respeito da guerra no Oriente Médio, Lula e Xi "concordaram que as restrições à livre navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb têm efeitos nefastos sobre a economia mundial" e manifestaram "profunda preocupação com a continuidade da situação humanitária" na Faixa de Gaza.

Lula e Xi ainda "concordaram que o Grupo de Amigos da Paz pode desempenhar um papel relevante na retomada das negociações para o fim da Guerra na Ucrânia" e criticaram "a incapacidade do Conselho de Segurança" da ONU de "responder adequadamente a essas crises".

O comunicado da Secom cita também o "compromisso de Brasil e China com a defesa do multilateralismo" e a decisão dos dois governos de "manter estreita coordenação sobre esses e outros temas da agenda internacional no mais alto nível na ONU, nos Brics e outros fóruns".

Relação

Brasil ampliará esforços por acordo entre Mercosul e Coreia do Sul

Lula recebeu o presidente Lee Jae-Myung no Palácio da Alvorada

27/07/2026 21h00

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva Paulo Pinto/Agência Brasil

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Os governos do Brasil e da Coreia do Sul anunciaram a criação de um grupo de trabalho com o objetivo de avançar nas negociações entre o país asiático e o Mercosul. O bloco econômico formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, além de outros países associados.

“Decidimos criar um grupo de trabalho que vai identificar sensibilidades dos dois lados e evitar que elas sejam um empecilho para a retomada das negociações de um acordo do Mercosul com a Coreia”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em declaração à imprensa nesta segunda-feira (27), após receber o presidente sul-coreano, Lee Jae-Myung, no Palácio da Alvorada.

Segundo Lula, o coordenador do grupo será o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.

O presidente sul-coreano também destacou uma possibilidade de acordo com o Mercosul. Para ele, o acordo será benéfico, tanto para a indústria do seu país quanto para o Brasil no mercado asiático como um todo.

Em sua fala, ele citou “incertezas no âmbito comercial” ao falar do acordo. Atualmente, o Brasil vive uma tensão comercial com os Estados Unidos, um dos seus maiores parceiros comerciais, devido a tarifas aplicadas pelo país norte-americano. Nesse contexto, Jae-Myung afirmou que a parceria entre Brasil e Coreia é imediata.

“No momento em que há muitas incertezas no âmbito comercial, o acordo entre Brasil e Coreia não pode mais esperar. Ele é para agora. Acreditamos que o acordo entre Mercosul e Coreia vai trazer para as empresas coreanas uma maior oportunidade de entrar no mercado da América do Sul e trazer uma nova perspectiva ao mercado asiático para o Brasil, via Coreia.”

Os dois países assinaram acordos comerciais em várias áreas, como defesa, educação e energia. Lula e Jae-Myung trataram de minerais críticos, e o presidente sul-coreano destacou a oferta que o Brasil tem desse recurso.

“Como se sabe, o Brasil é um dos principais detentores dos minerais críticos. E hoje o presidente Lula e eu concordamos em expandir a cooperação em todo o ciclo de vida dos minerais críticos na cadeia de suprimento desses minerais. Por meio desse acordo, vamos criar uma base estável de oferta, fortalecendo a cooperação mútua de maneira benéfica.”

O presidente sul-coreano ainda viajará para São Paulo, onde deverá visitar um sindicato de metalúrgicos. O Brasil é o país que mais recebe coreanos na América Latina. E é em São Paulo que reside a maior comunidade coreana no país, com mais de 50 mil pessoas.

Acordos
Também houve assinatura de acordo para intercâmbio de experiências em políticas educacionais e a aproximação entre instituições de ensino dos dois países.

Além disso, Brasil e Coreia assinaram um memorando de entendimento para estabelecer a cooperação entre as agências para a exploração e empreendimento de atividades espaciais pacíficas.

No âmbito da ciência e tecnologia, foi assinado um acordo para promover a cooperação em pesquisa, desenvolvimento e inovação aplicados ao setor industrial.

Na área do esporte, há acordo para o intercâmbio entre atletas e especialistas, além do compartilhamento de experiências em políticas públicas.

Soberania e paz
Os dois presidentes, em suas declarações, se manifestaram favoráveis à solução pacífica de conflitos. Enquanto Lula falou em defender a democracia diante de ataques de extremistas, Jae-Myung reforçou a ideia de se estabelecer a paz.

“Ambos soubemos defender nossas democracias frente aos ataques de setores extremistas. Seguiremos construindo um mundo regido pelo diálogo, pelo respeito entre as nações e pelo fortalecimento do multilateralismo”, disse Lula.

“Reitero a crença forte do governo coreano que é importante a paz para termos segurança. Sem a necessidade de luta ou guerra. E o presidente Lula concorda conosco nesse sentido”, declarou o sul-coreano.

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