Política

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PF mira agência Z3 em Campo Grande por fraude no TCE-MT

Operação da Polícia Federal cumpre mandados na filial da agência publicitária localizada na capital de Mato Grosso do Sul

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A Polícia Federal (PF) investiga a possível participação da agência Zimmermann Publicidade e Propaganda, conhecida como Z3, em um suposto esquema milionário de corrupção no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT). 

A empresa, que tem sede em Cuiabá (MT) e filiais em Campo Grande e Três Lagoas, pertence aos dois filhos do empresário sul-mato-grossense Cacildo Lucinei Zimmermann Silveira, o Nei Silveira, dono da agência Art e Traço e que já integrou o quadro societário da Z3.

A referida agência faz parte do contrato de publicidade de R$ 16 milhões com o TCE-MT e apresentou aumento de 291% nos pagamentos recebidos durante um período de suspensão de contratos administrativos.

A suspeita faz parte da Operação Tomada de Contas, deflagrada na quinta-feira, que resultou na prisão preventiva do presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, e de outras cinco pessoas. 

A investigação apura possíveis irregularidades na contratação de fornecedores, pagamentos suspeitos e movimentações financeiras que podem estar relacionadas ao desvio de recursos públicos.

A Zimmermann aparece na decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou as prisões e outras medidas cautelares solicitadas pela PF. 

O documento aponta a empresa entre os fornecedores cujos pagamentos apresentaram crescimento expressivo, apesar das medidas de contenção de despesas adotadas pela administração do Tribunal.

Documentos societários da Z3 obtidos pelo Correio do Estado demonstram que os dois sócios-proprietários da agência são os empresários João Pedro Zimmermann e João Vitor Zimmermann, filhos de Nei Silveira.

Os registros também indicam que Nei Silveira já integrou o quadro societário da empresa quando ela utilizava a denominação TIS Publicidade e Propaganda, entretanto, atualmente, João Pedro figura como sócio-administrador da Z3, enquanto João Vitor também integra a sociedade. 

Uma alteração contratual registrada em maio de 2025 identifica os dois irmãos como integrantes do quadro societário da agência.

A ligação empresarial vai além do parentesco, pois documentos apresentados em uma licitação pública mostram que, em dezembro de 2025, Nei Silveira recebeu procuração de João Pedro para representar a Zimmermann em uma concorrência da Secretaria de Comunicação do governo de São Paulo.

A autorização concedia poderes para apresentar propostas, negociar condições e assinar documentos em nome da empresa. Outra conexão aparece com a Regente Locação de Hardwares, Softwares e Serviços de Informática Ltda., que tem entre seus sócios Nei Silveira e seus dois filhos.

Em Campo Grande, a filial da Zimmermann está cadastrada na Rua Nortelândia, nº 512, no Bairro Santa Fé, endereço também associado à Art e Traço, atualmente denominada A&T Publicidade e Assessoria.

Apesar desses vínculos familiares e empresariais, os documentos judiciais analisados não identificam Nei Silveira nem a Art e Traço como alvos da Operação Tomada de Contas. Também não apresentam elementos que permitam atribuir a eles participação nas irregularidades investigadas.

SOB SUSPEITA

De acordo com a decisão do STJ, a Zimmermann Publicidade e Propaganda figura entre as empresas contratadas por meio do Contrato nº 19/2023, decorrente da Concorrência nº 1/2022, destinado à prestação de serviços publicitários ao TCE-MT.

O contrato tem valor global de R$ 16 milhões e foi firmado com a participação da Zimmermann e de outras empresas do setor. As suspeitas surgiram após a PF identificar alterações consideradas atípicas no volume de pagamentos realizados pelo Tribunal a determinados fornecedores.

Em agosto de 2024, o presidente Sérgio Ricardo de Almeida determinou, por meio da Portaria nº 126/2024, a suspensão temporária dos contratos administrativos pelo prazo de 90 dias, incluindo os pagamentos às empresas contratadas.

A decisão foi justificada pela necessidade de contenção de despesas, mas estabeleceu exceções para serviços considerados essenciais e para contratos que a própria presidência decidisse manter em execução.

Em outubro daquele ano, uma nova portaria prorrogou a suspensão até dezembro, entretanto, o cruzamento de dados realizado pelos investigadores revelou que algumas empresas continuaram recebendo recursos e, em determinados casos, registraram crescimento expressivo nos pagamentos.

Entre agosto e outubro de 2024, os valores recebidos pela Zimmermann apresentaram aumento de 291%, em comparação com a média mensal registrada de janeiro a julho daquele ano.

Outras empresas também tiveram elevação significativa nos pagamentos, com aumentos que chegaram a 327%, enquanto parte dos fornecedores deixou de receber recursos durante a suspensão contratual.

A PF identificou 1.624 pagamentos realizados pelo TCE-MT a 94 pessoas jurídicas em 2024. Desse total, 55 empresas receberam recursos antes e depois da suspensão dos contratos, enquanto 21 deixaram de receber após a publicação da primeira portaria.

A principal hipótese investigada é a de que a suspensão contratual tenha sido utilizada como mecanismo de pressão sobre fornecedores, de maneira que determinadas empresas continuariam recebendo pagamentos mediante a suposta devolução de parte dos valores a pessoas ligadas à administração do Tribunal.

A investigação também identificou relações societárias e empresariais entre a Zimmermann, a BR Digital Ltda. e outras empresas, além de transferências financeiras envolvendo pessoas jurídicas e físicas.

O relatório policial menciona operações de saque em espécie e movimentações bancárias fracionadas, consideradas potencialmente suspeitas pelos investigadores. A origem e a destinação dos recursos ainda estão sendo apuradas.

MOVIMENTAÇÃO

Na decisão que autorizou as prisões preventivas, o ministro Og Fernandes destacou que a Polícia Federal identificou movimentações financeiras consideradas suspeitas no montante de R$ 75,8 milhões entre 1º de janeiro e 22 de outubro de 2025.

O valor corresponde ao conjunto das operações examinadas pela investigação e não pode ser atribuído exclusivamente à Zimmermann Publicidade e Propaganda.

Conforme a hipótese apresentada pela Polícia Federal, o presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida, teria comandado uma estrutura formada por operadores financeiros responsáveis pela circulação e conversão em dinheiro vivo de recursos retirados dos cofres do Tribunal.

A investigação examina ainda a possível existência de pagamentos paralelos destinados a integrantes do grupo, além de transferências entre contas bancárias, saques em espécie e aquisições patrimoniais consideradas suspeitas.

Para os investigadores, os indícios apontam que as práticas apuradas poderiam ter continuado neste ano, mesmo após o início das diligências.

Procurados, a Zimmermann Publicidade e Nei Silveira não haviam se manifestado sobre a investigação até o fechamento desta edição.

* SAIBA 

Art e Traço e Z3 têm o mesmo endereço 

A Zimmermann Publicidade e Propaganda (Z3) e a Art e Traço têm ligações que vão além do endereço compartilhado na Rua Nortelândia, nº 512, no Bairro Santa Fé, em Campo Grande.

A Z3 pertence a João Pedro e João Vitor Zimmermann, filhos de Cacildo Lucinei Zimmermann Silveira, conhecido como Nei Silveira, empresário ligado à Art e Traço.

Ele também já integrou o quadro societário da Z3, quando a empresa utilizava a denominação TIS Publicidade e Propaganda, e recebeu procuração para representá-la em licitação pública em 2025. Pai e filhos também são sócios da Regente Locação de Hardwares, Softwares e Serviços de Informática Ltda.

Apesar dessas conexões, os documentos judiciais analisados não identificam Nei Silveira nem a Art e Traço como alvos da investigação da Polícia Federal sobre o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT).

JUSTIÇA ELEITORAL

TSE marca para 6 de novembro julgamento que pode definir futuro de Jamilson Name

Deputado estadual recebeu 35.211 votos, mas teve candidatura indeferida por decisão individual de ministro

30/10/2026 16h36

O deputado estadual Jamilson Name (PP) durante sessão na Assembleia Legislativa

O deputado estadual Jamilson Name (PP) durante sessão na Assembleia Legislativa Luciana Nassar/Agência ALEMS

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcou para o dia 6 de novembro o início do julgamento do recurso apresentado pela defesa do deputado estadual Jamilson Name (PP), que tenta reverter a decisão que indeferiu seu registro de candidatura à reeleição para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems).

Conforme intimação de pauta expedida na quinta-feira (29), o agravo regimental será analisado pela Segunda Turma do TSE (STJ2), em sessão virtual prevista para ocorrer entre os dias 6 e 12 de novembro. O processo tem como relator o ministro Sebastião Reis Júnior.

A decisão poderá ser determinante para o futuro político do parlamentar, que recebeu 35.211 votos no primeiro turno das eleições, realizado em 4 de outubro, ficando entre os 12 candidatos mais votados para deputado estadual em Mato Grosso do Sul.

Apesar da votação expressiva, Jamilson permanece com a candidatura sub judice, uma vez que seus votos dependem de uma decisão favorável da Justiça Eleitoral para serem considerados válidos.

O registro da candidatura foi indeferido no dia 2 de outubro pelo ministro Sebastião Reis Júnior, que acolheu recurso apresentado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) e reformou decisão anterior do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS).

Na ocasião, o TRE-MS havia autorizado a candidatura por cinco votos a um, mas o entendimento foi modificado pelo relator no TSE.

A controvérsia envolve a aplicação de dispositivos constitucionais relacionados à participação de integrantes de organizações criminosas no processo eleitoral. 

O Ministério Público Eleitoral (MPE) sustenta que existem elementos suficientes para impedir o registro da candidatura, citando investigações relacionadas à Operação Omertà. 

A defesa, por sua vez, argumenta que o parlamentar não integra organização paramilitar ou armada e contesta a aplicação dos fundamentos utilizados para impedir sua participação na eleição. 
No dia 9 de outubro, o MPE apresentou parecer contrário ao recurso, recomendando que o TSE mantenha o indeferimento do registro de candidatura. 

Nova composição

A definição sobre a candidatura de Jamilson Name também tem reflexos na distribuição das cadeiras da Assembleia Legislativa para a legislatura que começa em fevereiro de 2027.

O parlamentar integra a Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, que conquistou quatro vagas na disputa proporcional.

Caso o recurso seja acolhido e o registro de candidatura seja deferido, os 35.211 votos recebidos por Jamilson poderão ser validados, com os efeitos correspondentes sobre a totalização dos resultados eleitorais.

Por outro lado, se o indeferimento for mantido definitivamente, os votos permanecerão anulados e não poderão ser aproveitados pela federação. 

O julgamento previsto para começar em 6 de novembro representa uma nova etapa da disputa jurídica, mas a inclusão do processo na pauta não significa, necessariamente, que haverá uma decisão definitiva naquela data.

O processo tramita sob o número 0600455-63.2026.6.12.0000, tendo como agravantes a Federação União Progressista e Jamilson Lopes Name, enquanto o Ministério Público Eleitoral figura como agravado.

A sessão será realizada em ambiente virtual, com início previsto para a próxima sexta-feira (6) e encerramento programado para 12 de novembro, conforme documento oficial do TSE
 

Política

STJ rejeita recurso e mantém condenação de Rafael Tavares por crime de ódio e racismo

O processo é sobre publicação feita em 2018 com ataques e incitação à violência contra diversos grupos sociais, classificado pela defesa como "ironia"

30/10/2026 12h05

Rafael Tavares, atualmente vereador de Campo Grande

Rafael Tavares, atualmente vereador de Campo Grande ALEMS, Arquivo

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O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou mais um pedido do vereador Rafael Tavares (PL) e manteve sua condenação por crimes de ódio e racismo, o que o mantém inelegível. 

O ministro Rogério Schietti rejeitou a ação porque a defesa do parlamentar apresentou dois recursos ao mesmo tempo contra a mesma decisão, o que é proibido pela lei pelo princípio da unirrecorribilidade.

Conforme o documento, o parlamentar havia entrado com embargos de declaração alegando que a decisão anterior do STJ não tinha sido clara. No entendimento do relator, no entanto, não foi apontada falha real por parte da defesa, apenas discordância com o resultado desfavorável.

Relembre o caso

No dia 30 de setembro de 2018, Rafael respondeu a uma publicação no Facebook de um rapaz que publicou um vídeo contando que, quando era criança, ouviu um homem dizer com ‘satisfação’ que agrediu uma mulher com um pedaço de madeira.

O rapaz narrou a situação para mostrar o quanto seria perigoso eleger uma pessoa que, na opinião dele, incitava o ódio. Naquele ano, o ex-presidente Jair Bolsonaro liderava as pesquisas para a presidência e venceu as eleições.

Foi nessa publicação que Rafael Tavares fez o seguinte comentário: "Não vejo a hora do Bolsonaro vencer as eleições e eu comprar meu pedaço de caibro para começar meus ataques. Ontem nas ruas de todo o país vi muitas famílias, mulheres e crianças destilando seus ódios pela rua, todos sedentos por um apenas um pedacinho de caibro pra começar a limpeza étnica que tanto sonhamos! Já montamos um grupo no whatsapp e vamos perseguir os gays, os negros, os japoneses, os índios e não vai sobrar ninguém. Estou até pensando em deixar meu bigode igual do Hitler".

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), então, ofereceu denúncia em junho de 2019. O caso foi julgado pela 2ª Vara Criminal de Campo Grande, que o condenou. Em sua defesa, o parlamentar afirmou à Justiça que estava sendo irônico e não teve a intenção de disseminar ódio.

Nesta sexta-feira, com a rejeição do recurso, o vereador fez menção de que a fala foi ironia. "Se eu tivesse roubado dinheiro público estaria inocentado e elegível no Brasil do PT, mas como fiz uma piada, temos que continuar tentando explicar o significado de ironia".

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