Política

Tucanos eleitos

PSDB articula para acomodar Juari na Câmara e João César na Assembleia

A intenção do partido é trazer Beto Pereira para a Sedhast ou Dagoberto para a Sejusp e Pedro Caravina para a Seinfra

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Com a definição das equipes de transição do governo de Reinaldo Azambuja para o governo de Eduardo Riedel, ambos do PSDB, agora as articulações estão voltadas para a formação do futuro secretariado e para a acomodação dos candidatos que ficaram como primeiros-suplentes tanto na Câmara dos Deputados quanto na Assembleia Legislativa.

A reportagem do jornal Correio do Estado ouviu de fontes de dentro do ninho tucano e de pessoas próximas ao governador eleito que os vereadores Professor Juari e João César Mattogrosso, que são primeiros-suplentes de deputados federal e estadual, respectivamente, serão “puxados” para dentro das duas Casas de Lei.

Para isso, assumiriam vagas dentro da nova administração estadual os deputados federais reeleitos Beto Pereira ou Dagoberto Nogueira e o deputado estadual eleito Pedro Caravina. No caso de Beto Pereira, ele seria alocado na Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho (Sedhast) para atuar na área social.

Dessa forma, o parlamentar ficaria mais próximo da população de Campo Grande, pois, atualmente, ele é o virtual candidato do PSDB para disputar a prefeitura da Capital nas eleições de 2024, batendo de frente com a atual prefeita, Adriane Lopes (Patriota). Assim, seria aberta uma vaga na Câmara Federal para o Professor Juari.

Outra hipótese é Dagoberto Nogueira assumir a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), cargo que ele já ocupou na gestão do ex-governador Zeca do PT.

No entanto, conforme as fontes ouvidas pelo Correio do Estado, o deputado federal enfrenta forte resistência dentro da Polícia Militar, afinal, ele nunca escondeu de ninguém que é Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e não morre de amores pelo presidente Jair Messias Bolsonaro (PL).

Insatisfação da tropa

Na PM de Mato Grosso, Bolsonaro é unanimidade entre praças, suboficiais e oficiais, que não enxergam com bons olhos ter um chefe imediato “comunista”. Para quem não se lembra, Dagoberto Nogueira, antes de ser tucano, foi do PDT por muitos anos e, na campanha presidencial deste ano, declarou apoio à candidatura de Lula.

Segundo fontes ligados ao oficialato da PM, caso o governador eleito Eduardo Riedel resolva bater o pé e nomear Dagoberto Nogueira para a Sejusp, a insatisfação da tropa será geral e o novo secretário já iniciaria a nova função com problemas internos para solucionar. 

Uma terceira alternativa para acomodar Professor Juari na Câmara dos Deputados seria trazer o deputado federal eleito Geraldo Resende para a Secretaria de Estado de Saúde (SES).

Porém, essa opção não agrada à alta cúpula do PSDB porque o vice-governador eleito, deputado estadual Barbosinha (PP), tem a pretensão de disputar a prefeitura de Dourados em 2024, mesmo desejo de Geraldo.

Ele tem receio de que o deputado federal eleito possa ter uma vantagem assumindo a SES, portanto, o alto comando tucano não deve deixar prosperar essa alternativa para evitar romper a aliança com o PP da senadora eleita Tereza Cristina.

Já para abrigar o primeiro-suplente João César Mattogrosso na Assembleia Legislativa, o deputado estadual eleito Pedro Caravina deve ser reconduzido à Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra), na qual assumiria a função de secretário, e não mais de adjunto, cargo que exerceu ao lado do governador eleito e se destacou em razão de sua aproximação com os prefeitos por já ter sido presidente da Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul).

Os interessados

Procurado pela reportagem do Correio do Estado, o deputado federal reeleito Beto Pereira garantiu que, por enquanto, essas informações não passam de especulação. “Ainda não tive convite do governador eleito Eduardo Riedel para ocupar nenhuma secretaria estadual e, a partir do momento em que surgir esse convite, aí começarei a tratar desse assunto”, disse.

No entanto, ele não descartou ficar em Campo Grande ocupando uma secretaria no governo Riedel, desde que isso seja construído com ele e com toda a futura equipe.

“Que seja de interesse do projeto partidário. Assim, não posso afirmar que seja algo improvável ou impossível, mas prefiro aguardar não só o convite, mas também qual o desenho que está sendo previsto e arquitetado pelo diretório do PSDB no Estado e pelo próprio Riedel”, ressaltou.

Fontes muito próximas do deputado federal reeleito asseguram que o desejo dele é não deixar a Capital para não ficar distante da população, o que prejudicaria sua pretensão de ser candidato a prefeito em 2024. “Ele quer ficar e acredito que não deve voltar para a Câmara dos Deputados”, garantiram pessoas muito próximas de Beto Pereira.

Para o Correio do Estado, o deputado estadual eleito Pedro Caravina informou que estava em viagem e ainda não teve a oportunidade de conversar com Riedel sobre esse assunto, o que deve ser feito muito em breve.

Já o deputado federal reeleito Dagoberto foi procurado pela reportagem para comentar sobre a possibilidade de assumir a Sejusp, mas não retornou até o fechamento desta matéria.

Suplentes

Com 20.634 votos conquistados em Campo Grande, o vereador Juari Lopes, o Professor Juari, ficou como primeiro-suplente do PSDB para a Câmara Federal e, no caso de uma acomodação dos titulares Beto Pereira ou Dagoberto Nogueira no governo Riedel, assumiria o cargo de deputado federal pelo partido.

Professor de História na rede pública de ensino, ele ingressou na política em 2012, como candidato a vereador, não sendo eleito e, em 2016, tentou novamente uma vaga no legislativo da Capital, mas também não teve sucesso, o que só veio a acontecer na eleição de 2020, quando conquistou uma cadeira na Câmara Municipal, com 4.199 votos.

Em conversa com a reportagem do Correio do Estado, Professor Juari reforçou que não há nada nesse sentido, porém, caso venha a acontecer, está mais do que preparado para representar Mato Grosso do Sul na Câmara dos Deputados. “Se acontecer, estou pronto”, garantiu.

Ele completou dizendo que, no Congresso Nacional, quer trazer mais recursos para Campo Grande. “Como vereador, sei das dificuldades que é para buscar emendas em Brasília”, disse, frisando que durante a campanha eleitoral defendeu a valorização do magistério e que deseja ser um representante da educação na Câmara dos Deputados.

Já a primeira-suplência do PSDB na Assembleia Legislativa é do também vereador de Campo Grande João César Mattogrosso, que conquistou 11.650 votos em sua primeira disputa pelo cargo estadual. Empresário de 38 anos, foi eleito vereador em 2016 e renovou o mandato em 2020.

No segundo mandato, João César licenciou-se do cargo para comandar a Secretaria de Estado de Cidadania e Cultura, na qual permaneceu por 11 meses. “A possibilidade de assumir o cargo de deputado estadual sempre vai existir, porém, até o momento, é somente especulação e boato. Por isso, prefiro aguardar o chamado oficial do governador eleito”, finalizou.
 

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Registro

Alvo das operações Omertà e Armagedon, Jerson Domingos pode ter candidatura barrada

Ex-presidente do Tribunal de Contas disputa cadeira na Assembleia Legislativa

18/08/2026 17h15

Jerson Domingos, ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado

Jerson Domingos, ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado Foto: Arquivo Correio do Estado

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Alvo de duas denúncias apresentadas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), o ex-conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul e candidato a deputado estadual Jerson Domingos (União Brasil) pode ser barrado de disputar as eleições de 2026.

A impugnação apresentada pela Procuradoria Regional Eleitoral sustenta que ele estaria inapto a disputar uma vaga na Alems em razão da causa de inelegibilidade prevista no artigo 17, § 4º, da Constituição Federal, dispositivo que veda aos partidos políticos a utilização de organização paramilitar.

Ele é apontado como integrante de um núcleo responsável por providenciar armas e a logística necessária para ações criminosas. Segundo a acusação, Jerson, que é cunhado de Jamil Name e tio de Jamilson Name, teria recebido, juntamente com Cinthya Name Belli, ordens para adotar providências relacionadas à aquisição de armas, veículos e contratação de executores. 

Jerson foi denunciado na segunda fase da Omertà por supostamente praticar o crime de impedimento ou embaraço à investigação de infração penal envolvendo organização criminosa. 

Já na terceira fase da operação, a Armagedon, foi denunciado por integrar organização criminosa armada e por tráfico de armas de fogo. 

As investigações também resultaram em apreensões de armas e munições em quatro imóveis ligados a Jerson durante a segunda fase da Operação Omertà, deflagrada em março de 2020. 

A Procuradoria também recupera episódios anteriores da trajetória política de Jerson Domingos para sustentar a impugnação.

Entre eles está uma ocorrência registrada em dezembro de 2009, quando o programa Fantástico, da TV Globo, exibiu imagens de um cambista ligado ao jogo do bicho circulando nas dependências da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) com um crachá de visitante emitido em nome do ex-presidente do TCE. 

À época, Jerson afirmou desconhecer a situação e disse que tomaria providências. O episódio posteriormente deu origem a uma ação penal por contravenção relacionada ao jogo do bicho. 

Diferentemente do sobrinho Jamilson Name condenado a oito anos pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, Jerson não possui condenação definitiva.

Em abril de 2024, a 1ª Vara Criminal de Campo Grande determinou o desmembramento dos processos em relação a ele e encaminhou cópias ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), diante do entendimento de que conselheiros de tribunais de contas possuem prerrogativa de foro.

Os casos passaram a tramitar na Corte Especial do STJ, sob relatoria do ministro Luis Felipe Salomão. Ele deixou a corte em novembro de 2025 ao atingir a idade limite de 75 anos, aposentando-se compulsoriamente. 

Na impugnação, a Procuradoria pede que, caso os requeridos não apresentem defesa em sete dias, seja realizado o julgamento antecipado do mérito, com o consequente indeferimento do registro de candidatura de Jerson Domingos.

Impugnação

Procuradoria eleitoral quer barrar candidatura de dono de faculdade paraguaia

Doação irregular realizada em 2020 pode impedir Carlos Bernardo de disputar cadeira no Congresso pela 2ª vez

18/08/2026 15h30

Pedido de impugnação sobre a candidatura tem como base uma doação irregular de R$ 90 mil realizada por Carlos Bernardo à campanha de Rogério Rezende Silva, candidato a prefeitura de Itumbiara

Pedido de impugnação sobre a candidatura tem como base uma doação irregular de R$ 90 mil realizada por Carlos Bernardo à campanha de Rogério Rezende Silva, candidato a prefeitura de Itumbiara Foto: Reprodução / União Brasil

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Pela segunda vez em quatro anos, a Procuradoria Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul pode barrar a candidatura de Carlos Bernardo (União Brasil), candidato a deputado federal e fundador da Faculdade de Medicina da Universidade Central do Paraguai em Pedro Juan Caballero, cidade fronteiriça a Ponta Porã, interior do Estado. 

O pedido de impugnação sobre a candidatura tem como base uma doação irregular de R$ 90 mil realizada por Carlos Bernardo à campanha de Rogério Rezende Silva, candidato a prefeitura de Itumbiara-GO em 2020. Em decisão colegiada, a Justiça determinou à época que o repasse ultrapassou o limite legal de 10% dos rendimentos brutos auferidos pelo doador em 2019.

Com base na declaração de imposto de renda, Carlos Bernardo poderia doar até R$ 20.767,55, contudo, o repasse ultrapassou em R$ 69.223,45 o limite permitido. 

Na ocasião, ele foi apontado como o maior doador da campanha de Rogério Rezende, valor que correspondeu a 26,58% da arrecadação total do candidato e 300% do que ele poderia doar.

Conforme a alegação do procurador Silvio Pettengill Neto, a doação "não deveria existir na realidade da
campanha eleitoral do beneficiário, de modo que a sua simples existência na conta bancária de candidato ou partido beneficiado, por óbvio, acarretou o desequilíbrio entre os candidatos em disputa."

De acordo com o Portal DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral, a doação aconteceu às vésperas do primeiro turno, 13 de novembro, dois dias antes do pleito. Rogério Rezende foi derrotado nas urnas. 

Desse modo, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul reconheceu a irregularidade, ratificou a sentença do juízo da 52ª zona eleitoral e impediu Carlos Bernardo de disputar as eleições há quatro anos, quando lançou-se candidato a deputado federal pelo MDB. 

"A Lei Complementar n. 64/1990, ao regulamentar as hipóteses de inelegibilidade infraconstitucionais, estabelece no art. 1º, inc. I, al. p, que 'são inelegíveis (...) para qualquer cargo (...) a pessoa física e os dirigentes de pessoas jurídicas responsáveis por doações eleitorais tidas por ilegais por decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, pelo prazo de 8 (oito) anos após a decisão, observando-se o procedimento previsto no art. 22'”.

Apesar da decisão colegiada impedir a candidatura de Carlos Bernardo por oito anos, ele disputou a prefeitura de Ponta Porã em 2024.

Na ocasião, a Justiça entendeu que a doação irregular realizada por ele ao candidato goiano não impactaria diretamente a disputa pela prefeitura ponta-poranense. Cabe recurso.

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