Política

Estratégia para outubro

PT acredita que pode vencer as eleições para governador em Mato Grosso do Sul

Dirigentes nacionais do partido apostam em crescimento de Fábio Trad, acreditam em divisão da direita como oportunidade eleitoral, avaliam que caso do Master é negativo para Flávio Bolsonaro e articulam ampliação da aliança com PSB, PDT e Podemos

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A cúpula nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) acredita que pode voltar a ganhar o governo de Mato Grosso do Sul, após 20 anos do fim do mandato de Zeca do PT. O secretário nacional do partido, Henrique Fontana, não abriu toda a estratégia para o ex-deputado federal Fábio Trad (PT), pré-candidato do partido, enfrentar Eduardo Riedel (PP), que deve tentar a reeleição em outubro, mas disse que pesquisas qualitativas indicam o caminho.

“É uma chapa que pode eleger [o Fábio Trad]. Na nossa visão, nós podemos ganhar o governo do Estado”, afirmou Fontana ao Correio do Estado.

O secretário nacional do PT ainda afirmou que as pesquisas mostram esse caminho. “Temos uma chapa muito potente, inclusive, temos pesquisas qualitativas que indicam isso, a potencialidade de crescimento da candidatura do Fábio, por uma série de variáveis que, obviamente, não vou entrar nelas aqui”, disse o secretário nacional do PT.

O deputado federal Vander Loubet (PT), pré-candidato ao Senado, e Fábio Trad, durante a entrevista de Fontana, anteciparam parte da estratégia.

“Nós vamos combater esse modelo econômico adotado pelo governo de Mato Grosso do Sul, que é um modelo concentrador de renda, excludente e que não atende às funções principais de uma boa gestão”, declarou Fábio Trad ao Correio do Estado.

“E o que nós vamos sustentar é que a gente precisa mudar esse modelo, que é inconstitucional, porque a Constituição diz que o poder público é que tem de executar e decidir as políticas públicas. E o governo [Eduardo] Riedel está transferindo a execução das políticas públicas para o mercado”, acrescentou.

Para Vander Loubet, o racha na direita também pode ajudar a candidatura de Fábio Trad nas eleições de outubro. “A direita se dividiu. O [deputado estadual João Henrique] Catan [PL] saiu e foi para outro partido para se candidatar a governador”, analisou o deputado federal e pré-candidato ao Senado.

Loubet também ressaltou outro fator que pode prejudicar as candidaturas alinhadas à direita, mas que, dentro desse mesmo espectro político, tem potencial para alinhar e provocar migração de votos.

“O Catan, que saiu em defesa do Flávio Bolsonaro, naturalmente deve crescer”, afirmou. “O eleitorado ‘mais raiz’ poderá ir com ele, que tem potencial para crescer, e daí podemos ter dois turnos”, complementou.

Ainda sobre o efeito da relação entre o pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, e o banqueiro do liquidado Banco Master, Daniel Vorcaro, “ele vai ter ‘Master’ para debatermos durante a campanha”, afirmou o secretário nacional do PT.

Fontana destacou que, no início do ano, disse que a direita tentou colocar as fraudes e o megacalote do banco no “colo do presidente Lula”.

“Daí a gente assiste a uma gravação como aquela, com Flávio Bolsonaro e Vorcaro falando que são irmãos e que não têm meias-palavras”, lembrou.

Fontana ainda citou a informação contida na Operação Compliance Zero, de que o presidente nacional do PP, o senador Ciro Nogueira, recebia mesada com valor entre R$ 300 mil e R$ 500 mil por mês de Daniel Vorcaro. Fontana acredita que será um tema amplamente debatido nas eleições e que poderá converter votos de indecisos.
Aliança

Fontana e Loubet projetam Fábio Trad no segundo turno e destacam que uma nova eleição começa nessa etapa. É aí que residem as esperanças da aliança que terá a federação entre PT, PV e PCdoB na cabeça de chapa.

Por falar em partidos envolvidos na aliança em torno da candidatura de Fábio Trad, o PT já encaminhou uma aliança com o PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, que em Mato Grosso do Sul terá como principal nome a senadora Soraya Thronicke, que vai buscar a reeleição.

Mas o PT quer mais. Vander Loubet disse que tem se empenhado em construir uma aliança com o PDT e até já conversou sobre o assunto com o presidente nacional da legenda, Carlos Lupi.

Henrique Fontana explicou, na mesma ocasião, que é possível que a aliança evolua, porque o PT tem aberto mão de ser cabeça de chapa em grandes estados em nome de candidaturas competitivas do espectro da esquerda. É o caso do Rio Grande do Sul, por exemplo, onde o PT vai apoiar Juliana Brizola (PDT) para o governo.

A chapa liderada por Fábio Trad, além de PSB e possivelmente PDT, ainda busca o apoio do Podemos. E quem deve ajudar a conseguir esse apoio é a senadora Soraya Thronicke, que comandava o diretório regional do partido em MS até o primeiro trimestre, quando migrou para o PSB.

“O Podemos pode vir, e eu creio que virá [para a aliança]. Eu já havia combinado com a presidente, Renata Abreu, para Mato Grosso do Sul ficar liberado na disputa nacional”, afirmou a senadora.

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Questionamentos

Bloqueio de rodovias na Bolívia ganha força e La Paz sofre com escassez de alimentos

Presidente Rodrigo Paz, que governa há apenas seis meses sem maioria parlamentar, enfrenta crescentes pedidos de renúncia

18/05/2026 21h00

Foto: Divulgação

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Os protestos na Bolívia já completam duas semanas com manifestantes bloqueando estradas, isolando a capital La Paz e provocando escassez de alimentos, combustível e oxigênio hospitalar.

No sábado, 16, uma operação militar com mais de 3 mil agentes não conseguiu liberar as vias.

O presidente Rodrigo Paz, que governa há apenas seis meses sem maioria parlamentar, enfrenta crescentes pedidos de renúncia em meio a uma crise econômica descrita como a pior em quatro décadas.
 

Quem protesta e por quê?
 

Desde o início de maio, trabalhadores, agricultores, professores indígenas e transportadores foram às ruas exigindo aumentos salariais, estabilização econômica e o fim da privatização de empresas estatais.

A Central Operária Boliviana (COB), maior sindicato do país, iniciou as paralisações com demandas por reajustes. Os camponeses protestam contra a escassez de combustível e mineiros negociam separadamente o acesso a novas áreas de exploração, enquanto professores da rede pública exigem melhores salários.

No final de semana, diversos setores passaram a exigir também a renúncia do presidente. "Queremos a renúncia deste presidente; ele demonstrou incapacidade de resolver os problemas", disse à Associated Press um motorista que participava dos protestos.

Operação militar fracassada

Armados com gás lacrimogêneo e equipamentos antimotim, cerca de 3.500 policiais e militares foram mobilizados em La Paz, El Alto e ao longo da rodovia Oruro-La Paz em uma operação que durou mais de 12 horas no sábado, 16. As forças suspenderam as ações para diminuir a tensão na cidade vizinha de El Alto, epicentro da resistência.

"As forças de segurança não foram sobrecarregadas; estamos simplesmente tentando reduzir a intensidade porque não queremos que vidas sejam perdidas", disse o porta-voz presidencial José Luis Gálvez. "Alguns pontos foram liberados, mas eles se reagrupam para bloquear as estradas".

El Alto é a principal porta de entrada para La Paz. A polícia também encontrou resistência em bairros ao sul da cidade que abastecem a capital com frutas e verduras. "Queremos evitar o confronto; estamos nos retirando por enquanto", disse o chefe de polícia Miguel Zambrana.

Manifestantes entraram em confronto com os agentes, atirando pedras e pequenos cartuchos de dinamite para repelir as forças que tentavam abrir um corredor humanitário. A Defensoria Pública informou que pelo menos 57 pessoas foram presas e cinco feridas ao longo do dia.

Escassez de alimentos

Com quase todas as vias de acesso bloqueadas, os preços de alimentos perecíveis dispararam nos mercados de La Paz, sede dos poderes Executivo e Legislativo. Três pessoas morreram por falta de assistência médica, segundo o governo. Setores empresariais estimam perdas superiores a 50 milhões de dólares por dia, e mais de 5.000 veículos ficaram parados em rodovias por todo o país.

O governo implementou uma ponte aérea para contornar os bloqueios e levar carne e verduras à capital. A Argentina emprestou um avião militar Hércules para reforçar os esforços, apoio pelo qual o presidente boliviano agradeceu publicamente a Javier Milei.

Embora o governo tenha firmado acordos com alguns grupos, incluindo trabalhadores de El Alto e professores da rede pública a COB pediu que seus membros persistissem nas reivindicações. "Vamos às ruas protestar porque, infelizmente, o governo central não entenderá de outra maneira", declarou Mario Argollo, principal representante da entidade.

Crise econômica na Bolívia

As origens da crise no país remontam ao colapso do ciclo do Movimento ao Socialismo (MAS), que governou a Bolívia por quase duas décadas, com Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025).

Paz venceu as eleições do ano passado de forma surpreendente, mas herdou o que ele define como um "Estado quebrado", com a escassez de dólares, inflação anual que chegou a 20% no ano passado e 14% em abril deste ano e uma falta crônica de combustível.

Como primeira medida, o governo retirou subsídios aos combustíveis, elevando os preços da gasolina e do diesel. A importação posterior de gasolina de baixa qualidade gerou novos problemas, danificando veículos de transportadores e forçando a saída do ministro de Hidrocarbonetos.

As reformas estratégicas prometidas pelo presidente seguem atrasadas, e a falta de dólares continua a pressionar a economia. O presidente da estatal de hidrocarbonetos, Sebastián Daroca, afirmou que o país está "vivendo na corda bamba" em relação ao combustível. Os opositores questionam por que o presidente não cortou os gastos públicos ou decidiu o destino das empresas estatais deficitárias.

Rodrigo Paz x Evo Morales

Seis meses após assumir o cargo, Rodrigo Paz não possui maioria no parlamento nem um partido coeso para apoiá-lo. O Partido Democrata Cristão (PDC), que o levou ao poder, se fragmentou no Legislativo. O presidente também mantém uma disputa aberta com o próprio vice, o ex-policial Edman Lara.

"Aqueles que tentarem destruir a democracia irão para a cadeia", advertiu Paz. O governo também acusa partidários do ex-presidente Evo Morales de estarem por trás das manifestações. Morales está desde 2024 em seu reduto no Chapare, no centro do país, onde enfrenta uma ordem de prisão por suposto abuso de uma menor em 2016.

Apoiadores do ex-presidente ocuparam o aeroporto de Chimoré, na região produtora de coca de Cochabamba, temendo sua captura iminente. Morales negou ser o articulador dos protestos e denunciou um suposto plano dos Estados Unidos para prendê-lo.

Analistas, porém, acreditam que o ex-presidente não tem mais poder para mobilizar apoio e que está incitando protestos para escapar da justiça.

Repercussão internacional

Diante da escalada da crise, Estados Unidos, Argentina, Chile, Costa Rica, Equador, Guatemala, Panamá, Paraguai e Peru emitiram uma declaração conjunta expressando preocupação com a situação humanitária na Bolívia e rejeitando toda ação voltada a desestabilizar a ordem democrática.

O comunicado pedia aos atores políticos e sociais a priorizar o diálogo e a paz social no país andino.

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Processo Disciplinar

Conselho de Ética decide futuro de Marcos Pollon nesta terça

Deputado sul-mato-grossense pode ser suspenso por três meses após manifestação realizada em Campo Grande; aliados denunciam perseguição política

18/05/2026 16h22

Deputado sul-mato-grossense pode ser suspenso por três meses

Deputado sul-mato-grossense pode ser suspenso por três meses Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

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O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados deve votar na próxima terça-feira (19) o parecer que recomenda a suspensão do mandato do deputado federal Marcos Pollon (PL) por três meses.

A representação está relacionada a um discurso realizado pelo parlamentar durante manifestação em defesa da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.

A fala ocorreu em três de agosto, em Campo Grande, durante um ato pró-anistia. No parecer apresentado ao colegiado, o relator entendeu que a manifestação do deputado ultrapassou os limites considerados adequados para o exercício parlamentar.

Pollon, no entanto, afirma ser alvo de perseguição política e questiona a condução do processo disciplinar. Segundo o deputado, o pedido de punição foi motivado diretamente pelo discurso em defesa da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.

“Discursar é não apenas um direito, mas uma das funções essenciais do mandato, atividade indispensável à democracia e integralmente protegida pela Constituição, independentemente do conteúdo da fala”, declarou o parlamentar ao comentar a representação.

Além da análise do novo parecer, também termina nesta terça-feira o prazo para apresentação de recurso à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) contra outra decisão do Conselho de Ética que já havia recomendado suspensão de dois meses do mandato de Pollon.

Esse outro processo está relacionado à ocupação da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados durante protesto de parlamentares em defesa dos presos pelos atos de 8 de janeiro.

Segundo aliados do deputado, mais de 100 parlamentares participaram da manifestação, mas apenas três foram alvo de representação disciplinar.

Apoio de Michele Bolsonaro

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a afirmar, na última sexta-feira (15), que o deputado federal Marcos Pollon (PL) é a escolha do ex-presidente Jair Bolsonaro como pré-candidato ao Senado em Mato Grosso do Sul.

A declaração foi feita nas redes sociais e amplia a tensão na escolha pelo candidato para a segunda vaga do PL ao Senado.

Na publicação, feita nos stories do Instagram, Michelle divulgou uma pesquisa de intenção de votos que mostra Pollon em primeiro lugar na disputa ao Senado, com 41% dos votos. Junto da imagem, a ex-primeira dama escreveu: "Pollon. O candidato do meu galego".

Anteriormente, em 28 de fevereiro, Michelle já havia divulgado uma carta escrita de próprio punho por Bolsonaro, onde o ex-presidente afirmava que Pollon era seu candidato ao Senado por MS.

"Adianto que por Mato Grosso do Sul pelo seu caráter, honra e dedicação enquanto deputado federal, o meu candidato será Marcos Pollon", dizia a carta. Na postagem, Michelle também reforçou: "O Deputado Marcos Pollon é o nosso candidato ao Senado Federal por Mato Grosso do Sul".

Indefinição

Apesar do apoio do ex-presidente, o nome de Pollon não é unanimidade no partido e a segunda vaga ainda não foi decidida, havendo certa tensão na disputa, já que Pollon afirma ter direito a vaga pelo partido, enquanto o pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), diz que haverá uma pesquisa para definição do nome, que está entre o ex-deputado estadual Capitão Contar e Pollon.

No mês passado, em sua primeira visita a Campo Grande como pré-candidato, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou que, até o momento, o ex-governador Reinaldo Azambuja é o único pré-candidato ao Senado pelo PL que tem um lugar assegurado na chapa para disputar as eleições de outubro.

Flávio Bolsonaro disse que o nome de quem será o pré-candidato será decidido após pesquisas e minimizou a carta escrita pelo pai, afirmando que ele não sabia do acordo que haveria uma pesquisa.

 

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