Política

LEMBRANÇA

Redemocratização: há 40 anos, Sarney assumia a presidência do Brasil

Vice de Tancredo Neves foi empossado após 21 anos de ditadura militar

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O regime democrático brasileiro completa hoje 40 anos em vigor. É o mais longo período democrático ininterrupto da história do país desde a proclamação da República, em 1889.

Embora fruto de um longo processo para pôr fim a 21 anos de ditadura civil-militar (1964/1985), a redemocratização ficou marcada pela posse de José Sarney na Presidência da República, em 15 de março de 1985.

Até aquele momento, Sarney era o vice do presidente eleito Tancredos Neves. Os dois tinham sido eleitos dois meses antes, pelo voto indireto, ou seja, pelo Congresso Nacional. Contudo, o estado de saúde de Neves, que já estava com problemas, se agravou e ele precisou ser internado na véspera da cerimônia de posse (14). Sarney, então, assumiu o cargo interinamente.

“Ele [Neves] não queria que o operassem sem ver que a transição democrática seria feita, pois sabia que podíamos ter um retrocesso político caso nos dividíssemos”, relembrou Sarney ao participar, na manhã de hoje, em Brasília, de um evento alusivo à data.

Destacando que o Brasil atravessava um momento conturbado, marcado pelas incertezas quanto ao futuro político do país e pelo temor de que os militares não aceitassem restituir o poder à sociedade civil e, em algum momento, reestabelecer o voto direto, Sarney contou que Tancredo só aceitou se submeter a uma cirurgia no intestino quando lhe asseguraram que Sarney seria empossado, que a Constituição Federal seria respeitada e “que a lei governaria a transição democrática”.

Neves morreu no dia 21 de abril, após 39 dias internado. Oficialmente, a causa foi uma infecção generalizada. Ele tinha 75 anos de idade. Com sua morte, o Congresso efetivou Sarney na presidência.

“Foram anos de muita luta. Posso guardar as batalhas íntimas de que participei para que tivéssemos uma transição democrática tranquila. Tivemos muitas hipóteses de retrocessos, mas conseguimos atravessá-las”, ponderou Sarney 

Ele também conta que, na condição de chefe-supremo das Forças Armadas, instruiu o então ministro do Exército, general Leônidas Pires Gonçalves, a “colocar as Forças Armadas de volta aos quarteis”.

“Sendo comandante-chefe, transmiti [aos militares] minhas diretrizes. Eram duas. Primeiro, que o dever de todo comandante é zelar pelos seus subordinados. Segundo, que a transição seria feita com as Forças Armadas e não contra elas, pois isso tinha sido objeto de um pacto construído por todos os líderes [políticos]”, contou o ex-presidente, classificando a transição democrática como uma conquista do povo.

Reencontro com a democracia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou as redes sociais para celebrar a data. Em seu perfil no X, Lula escreveu que mais que a mera posse de um novo presidente da República, 15 de março de 1985 entrou para a História como “o dia em que o Brasil marcou o reencontro com a democracia”.

“O presidente José Sarney governou sob a constante ameaça dos saudosos da ditadura, mas com extraordinária habilidade e compromisso político criou as condições para que escrevêssemos a Constituição Cidadã de 1988, e mudássemos a história do Brasil”, destacou Lula.

“Nestes 40 anos de democracia, apesar de momentos muito difíceis, demos passos importantes para a construção do país que sonhamos. Um país democrático, livre e soberano. Temos enormes desafios pela frente, mas o Brasil é hoje o país que cresce com inclusão social”, acrescentou o presidente, sustentando que todo dia é dia de celebrar a democracia.

“É preciso defendê-la todos os dias daqueles que, ainda hoje, planejam a volta do autoritarismo. É preciso mostrar às novas gerações o que foi e o que seria viver novamente sob uma ditadura, e ter todos os direitos negados, inclusive o direito à vida”, finalizou Lula.

Permanente construção

Em uma mensagem enviada por vídeo, a presidenta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, afirmou que a democracia está em permanente construção.

“Quarenta anos se passaram desde aquele 15 de março. Depois de mais de 20 anos de regime autoritário, minha geração pode testemunhar a chegada a uma das margens que buscávamos: um Estado Democrático de Direito no qual tomasse posse como nosso representante na Presidência da República o grupo que tinha chegado exatamente a partir das lutas nas praças, da legitimação nas ruas do Brasil”, relembrou a ministra.

“Não foram tempos fáceis. Nem os que antecederam [imediatamente à escolha indireta de Tancredo e Sarney], extremamente tumultuados pela carência de direitos, ausência de respeito à dignidade, principalmente à liberdade de pensar, de participar, de todas as pessoas no Brasil”, reforçou Cármen Lúcia, elogiando a gestão de Sarney por ter assegurado a realização de uma Assembleia Constituinte que contou com a participação não só das mulheres, como de outros grupos sociais.

“Tivemos, nestes 40 anos, neste processo de redemocratização, a presença da mulher muito mais do que em outros momentos da História brasileira. Ainda é aquém do que é preciso para termos a igualdade devidamente assegurada não apenas em textos normativos, mas na dinâmica da vida. Para termos democracia, é preciso termos liberdade e igualdade”, disse a ministra.

CHEGADAS E PARTIDAS

Secretários do Estado e de Campo Grande deixam cargos para participar das eleições 2026

No caso do Estado, saem Jaime Verruck, Marcelo Miranda, Viviane Luiza e Frederico Felini, enquanto da Capital sai Marcelo Miglioli

30/03/2026 17h30

Os secretários Jaime Verruck, Marcelo Miranda, Viviane Luiza, Frederico Felini e Marcelo Miglioli deixam os cargos nesta terça-feira

Os secretários Jaime Verruck, Marcelo Miranda, Viviane Luiza, Frederico Felini e Marcelo Miglioli deixam os cargos nesta terça-feira

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Ao longo desta terça-feira (31), os primeiros escalões das administrações públicas de Mato Grosso do Sul e de Campo Grande sofrerão sérias baixas devido aos pedidos de exonerações dos secretários para participarem das eleições gerais deste ano.
 
No caso do Estado, já estão confirmados os pedidos de exonerações dos secretários Jaime Verruck, titular da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Marcelo Miranda, titular da Secretaria Estadual de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc), Frederico Felini, titular da Secretaria Estadual de Administração (SAD), e Viviane Luiza, titular da Secretaria Estadual de Cidadania (SEC).
 
Já na Prefeitura de Campo Grande, está confirmada a saída de Ednei Marcelo Miglioli, titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), que teria confirmado a interlocutores próximos a entrega do pedido de exoneração em caráter irrevogável para a prefeita Adriane Lopes (PP).
 
Dos quatro secretários estaduais, Jaime Verruck e Viviane Luiza vão disputar duas das oito cadeiras da Câmara dos Deputados destinadas para Mato Grosso do Sul pelo PP, enquanto Marcelo Miranda tentará uma das 24 vagas da Assembleia Legislativa pelo Republicanos e Frederico Felini vai atuar na coordenação da campanha eleitoral do PP no Estado.
 
A princípio, para os lugares dos quatro secretários de Estado serão nomeados os atuais secretários-adjuntos para os cargos de titulares da Semadesc, Setesc, SAD e SEC porque o governador Eduardo Riedel (PP) não quer promover mudanças significativas nas estruturas das quatro secretarias estaduais.
 
Dessa forma, para o lugar de Jaime Verruck será nomeado Artur Falcette, atual secretário-adjunto de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, enquanto para substituir Marcelo Miranda assumirá Alessandro Menezes de Souza, que é o atual secretário-adjunto de Turismo, Esporte e Cultura.
 
Para o lugar de Viviane Luiza, será nomeado o secretário-adjunto José Francisco Sarmento Nogueira, enquanto para substituir Frederico Felini assumirá o secretário-adjunto Roberto Gurgel de Oliveira Filho. 
 
No caso de Marcelo Miglioli, titular da Sisep, ainda não está definido o substituto, porém, a reportagem apurou que deve ser também o secretário-adjunto Paulo Eduardo Miranda. 
 
Por enquanto, ele ficará à disposição do PP para eleição de outubro, provavelmente para concorrer a uma das oito cadeiras da Câmara dos Deputados, apesar de pretender disputar novamente a eleição para senador da República.

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Mudança de rumo

PSDB deve passar por debandada em MS, diz deputado

Com a executiva nacional cometendo uma "besteira atrás da outra" e desrespeitando parlamentares, Dagoberto afirma que mais nomes devem deixar o ninho tucano

30/03/2026 15h34

Crédito: Câmara dos Deputados

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O deputado estadual Dagoberto Nogueira (PSDB-MS), que inicialmente havia assumido o compromisso de tentar manter o partido no Estado, anunciou que deixará a sigla para se filiar ao Progressistas (PP).

Em conversa com a reportagem do Correio do Estado, Dagoberto criticou o posicionamento da direção estadual do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que pode levar à saída de outros nomes do partido.

O deputado afirmou que estava fazendo “um sacrifício” para permanecer no PSDB, uma vez que, segundo ele, assim como o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), não queria que o partido acabasse no Estado, e essa também era sua vontade.

“De fato, fiquei 31 anos no PDT e queria ficar mais 31 no PSDB. Fiquei quatro anos no PSDB, fui eleito nesse período, entrei nessa fase, e, depois desses quatro anos, agora a direção nacional faz uma coisa comigo que acho um desrespeito, e não é a primeira vez que faz isso”, disse Dagoberto.

Com o enfraquecimento da sigla em nível nacional, ele atribui a responsabilidade à direção nacional, que tem como presidente Aécio Neves, eleito para o biênio 2025-2027.

“O Reinaldo também queria que o partido fosse mantido aqui, e nós estamos fazendo de tudo. Só que eles não fazem nada para que o partido sobreviva. Uma besteira atrás da outra, é um desleixo em relação aos deputados, e aí vai acabar saindo todo mundo do partido mesmo. Eu não quero mais ficar.”

Passaralho no ninho

Pela primeira vez desde a fundação da sigla, o PSDB não lançou candidato à Presidência da República em 2022.

Sem um nome que colocasse o partido no páreo, devido a brigas internas entre diferentes alas — que envolveram o ex-governador de São Paulo João Doria e um alinhamento mais à direita —, a crise acabou refletindo diretamente na identidade da sigla.

Em nível nacional, os tucanos também viram o vice-presidente Geraldo Alckmin deixar o partido para integrar a chapa do presidente Lula. Além dele, outros nomes saíram, como o ex-ministro da era FHC e um dos fundadores da sigla, Xico Graziano.

Com a perda de figuras e espaço, o resultado pôde ser visto nas eleições de 2022, quando o partido conquistou 13 cadeiras, número bem inferior ao de 2018, quando elegeu 32 deputados federais.

Minguando

Além do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL-MS), que deixou o PSDB após cerca de 30 anos, outros nomes também saíram do partido, como o ex-candidato à Prefeitura de Campo Grande Beto Pereira (Republicanos-MS) e o governador Eduardo Riedel (PP).

Também deixaram a sigla os deputados estaduais Mara Caseiro, Zé Teixeira, Jamilson Name (PL) e Paulo Corrêa (PP).

Em uma tentativa de reestruturação, que pode estar com os dias contados, permaneceram no partido o deputado federal Geraldo Resende (PSDB-MS) e ex-secretário de Saúde do Estado. No entanto, Resende também anunciou a saída.

Com nomes fortes buscando outros rumos, a legenda seguiu perdendo capital político, inclusive com o rompimento da federação com o Cidadania, anunciado pela executiva nacional em fevereiro de 2025, durante reunião em Brasília.

A federação foi formada em 2022 por causa da cláusula de barreira, regra que exige que o partido alcance determinado número de votos e parlamentares para ter acesso ao fundo partidário e a mais tempo de propaganda na TV e no rádio.
 

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