Política

Mato Grosso do Sul

Riedel diz que vai reduzir ICMS da cesta básica e conceder mais rodovias estaduais

Em primeiro grande evento de sua gestão, governador ainda estabeleceu metas a secretários e prefeitos

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O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB), apresentou na noite desta segunda-feira (24) um balanço de todas as suas ações de governo previstas para este seu primeiro ano de mandato.

O evento teve a presença de todo o primeiro escalão e também de dezenas de prefeitos, e lotou o auditório da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). 

Dentre as novidades apresentadas no evento que ocorre no 114º dia de sua gestão, estão o “Voucher Qualificação”, programa que deve ajudar a população com cursos profissionalizantes, e no qual deve se enquadrar caminhoneiros que quiserem um upgrade de categoria, já revelado na semana passada pelo Correio do Estado.

Riedel ainda revelou que 600 quilômetros de rodovias estaduais estão em estudo para serem concedidos à iniciativa privada. O governador, porém, não detalhou quais rodovias e quais trechos são objetos destes estudos. 

Na ocasião, Eduardo Riedel ainda anunciou a desoneração para aproximadamente 24 mil microempreendedores do Estado. Também não foram revelados detalhes de como a desoneração ocorrerá. O governador revelou, após o evento, que os decretos e projetos de lei serão publicados ou enviados à Assembleia Legislativa até o início de maio. 

Ainda no campo tributário, o governador também informou que irá reduzir em até 58% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que incidem sobre os produtos da cesta básica. E também disse que associações e cooperativas que vendem ítens para a merenda escolar terão isenção total do ICMS. 

“Desta forma vamos atuar para dar mais poder de compra à população que mais precisa”, explicou o governador. 

100 dias?

Ao revelar um resumo das ações de governo para este ano, denominada de “Ano 1”, Eduardo Riedel lembrou que a tradição de se fazer balanços de 100 dias de governo é uma “ideia ultrapassada e simplista”. 

“Preferimos neste período ser mais realista: trabalho do Ano 1”, disse, e lembrou ainda que nos primeiros 100 dias de governo foram definidas as metas para os próximos  1.360 dias. “Vamos tornar essa máquina pública capaz de manejar esse programa pelo qual fui eleito, pela vontade dos sul-mato-grossenses”, afirmou. 

O governador ainda contextualizou o contexto da marca dos 100 dias, criada na gestão do ex-presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, logo após o crash de 1929. O "new deal", plano para reeguer o país, naquela ocasião, teria sido feito em 100 dias. 

Contratos de gestão

No mesmo evento, Eduardo Riedel anunciou que todo o seu secretariado fará contratos de gestão, com as metas a serem cumpridas no exercício de suas funções. Tal medida ocorreu no governo de seu aliado político e antecessor, Reinaldo Azambuja (PSDB).

Riedel, naquela época, secretário de Governo, foi um dos idealizadores de tais contratos. 
A novidade deste ano é que o Estado de Mato Grosso do Sul também deve firmar contratos de intenção com as prefeituras, em que as iniciativas em parceria serão documentadas anteriormente, para que se possa cobrar a efetivação delas adiante. 

Investimentos

No evento, o governo também recuperou anúncios feitos anteriormente, como a reforma de 20 aeródromos no interior do Estado, e a pavimentação de 450 quilômetros de rodovias estaduais, além de ressaltar a concessão das rodovias da região Nordeste do Estado concedidas à Way, com os consórcios Way 306 e Way 112. 

No que diz respeito à atração de indústrias a equipe de Eduardo Riedel lembrou que existem R$ 52 bilhões de investimentos, em andamento ou prometidos, sendo que pelo menos R$ 32 bilhões se referem às plantas processadoras de celulose Suzano (em construção em Ribas do Rio Pardo) e Arauco (cuja construção, em Inocência, começa em 2025). 

Os investimentos recentes de R$ 8,5 bilhões para a construção de uma fazenda de energia solar, além da usina de etanol de milho (Neomille) em Maracaju, e da etanol de cana-de-açúcar em Cassilândia e Paranaíba (Solatio), ajudaram a atingir a soma expressiva de R$ 52 bilhões. 

Meio ambiente e agro

Eduardo Riedel também deu o tom de como tratará os embates entre os setores do agronegócio e ambientalistas e defensores do meio ambiente. O tom será conciliador. 
O setor será chamado pela administração de Eduardo Riedel como “agroambiental”. 

Social

Para o setor social, Eduardo Riedel anunciou a prorrogação por mais 15 meses do programa Energia Zero, em que o governo de Mato Grosso do Sul banca a conta de luz para famílias de baixa renda. 

Ainda sobre famílias de baixa renda, o governo planeja cumprir a promessa de campanha de aumentar a bolsa do programa Mais Social no segundo semestre. Atualmente o valor é de R$ 300 por família, e passaria para R$ 450. Tal iniciativa, porém, não foi anunciada no evento “Ano 1”. 

Outras ações

Também foram anunciadas outras ações, como o chamamento de novos policiais para a segurança pública, além da abertura de concurso para 780 novos servidores. 

Ainda na segurança pública, ainda estão previstas a abertura de Salas Lilás, para atendimento a mulheres vítimas de violência, em 10 delegacias. 

Ainda foram citados investimentos em saúde, esporte e educação previstos para este ano, como o reforço do monitoramento nas escolas, o pagamento do Bolsa Atléta e Bolsa Técnico, e um programa que entrega remédios em casa.

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MINISTERIÁVEL

Azambuja é cotado para o Ministério da Agricultura se Flávio for eleito presidente

Ex-governador integra grupo da senadora Tereza Cristina (PP), que já ocupou o cargo na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro

15/08/2026 07h30

O ex-governador Reinaldo Azambuja e o senador Flávio Bolsonaro durante encontro em Brasília (DF)

O ex-governador Reinaldo Azambuja e o senador Flávio Bolsonaro durante encontro em Brasília (DF) Arquivo

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O ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), candidato ao Senado, desponta como um dos nomes cotados para assumir o Ministério da Agricultura em uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pela Presidência da República.

A possibilidade de o ex-governador ser apontado como favorito para o comando da Pasta foi divulgada pela coluna Grande Angular, do site Metrópoles, porém, Azambuja disse que não tem conhecimento sobre essa questão.

Em declaração exclusiva ao Correio do Estado, ele considerou prematuro discutir a possibilidade antes das eleições de outubro e afirmou que, neste momento, está concentrado na disputa por uma vaga no Senado e na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no Estado.

“Acredito que seja prematuro tratar dessa possibilidade antes do resultado das eleições. Primeiro, o senador Flávio Bolsonaro precisa ser eleito presidente da República e, depois, teria de haver um convite para que eu assumisse o Ministério da Agricultura”, afirmou.

O ex-governador ressaltou que uma eventual ida para o primeiro escalão de um governo de Flávio Bolsonaro somente seria analisada após a eleição e diante de um convite formal.

“Estou focado na minha eleição para o Senado e em trabalhar para que Flávio seja eleito presidente. Se ele vencer a eleição e, posteriormente, me fizer o convite para assumir o Ministério da Agricultura, aí sim vou avaliar essa possibilidade com carinho”, completou Azambuja.

Azambuja mantém proximidade política com a senadora Tereza Cristina (PP), que comandou a Pasta durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A trajetória ligada ao setor rural também reforça seu nome nessas articulações.

Azambuja filiou-se ao PL em setembro de 2025, depois de deixar o PSDB, partido pelo qual construiu a maior parte da carreira política. Atualmente, ele preside o diretório estadual da legenda no Estado.

A chapa ao Senado tem Nelsinho Trad como primeiro suplente, pois o parlamentar desistiu de disputar a reeleição e passou a apoiar o ex-governador.

Reinaldo Azambuja governou Mato Grosso do Sul por dois mandatos consecutivos, entre janeiro de 2015 e janeiro de 2023. Antes de chegar ao governo estadual, foi prefeito de Maracaju, deputado estadual e deputado federal.

Maracaju é um dos principais polos agropecuários de Mato Grosso do Sul, com destaque para a produção de soja e milho. O município também sedia a Showtec, feira voltada à inovação e à tecnologia aplicadas ao setor rural.

A ligação de Azambuja com o agronegócio também aparece na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral, quando informou R$ 55,9 milhões.

Desse total, R$ 47,8 milhões, o equivalente a 85,4%, estão concentrados em ativos relacionados com o setor agropecuário. A lista inclui participações em imóveis rurais, benfeitorias, bens empregados na atividade rural, 80 mil sacas de milho, 3.343 bovinos e cotas de cooperativas do segmento.

ccj

Alcolumbre destrava PEC do fim da 6x1 após conversas com Lula

Senador estava para encaminhar proposta para análise desde maio

14/08/2026 21h00

Presidente do Senado, Davi Alcolumbre

Presidente do Senado, Davi Alcolumbre Divulgação/ Agência Brasil

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A proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 foi despachada, nesta sexta-feira (14), pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), após conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Na última quarta-feira (12), tive uma importante conversa institucional com o presidente Lula. Foi um diálogo maduro, franco e republicano, fundamental para compreender as prioridades do governo e tratar da agenda legislativa de interesse do nosso país", informou, em nota, Alcolumbre.

A PEC estava na mesa do senador desde o final de maio, depois de aprovada na Câmara dos Deputados.   

O presidente do Senado informou ainda que, a partir das conversas com o presidente Lula, encaminhou também para as comissões competentes a PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025) e o projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PL 2780/2024), todos prioritários para o Executivo.

"Cabe ao Executivo apresentar suas prioridades e ao Congresso Nacional analisá-las com independência e a responsabilidade de construir os melhores caminhos para o país", disse Alcolumbte na nota.

A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), disse que a decisão de Alcolumbre foi fruto do diálogo institucional.  

"É uma demonstração importante de que o diálogo produz resultados e abre caminhos para fazer avançar uma agenda fundamental para o desenvolvimento do Brasil", comentou Teresa Leitão.

Pressão

Esta semana foi a primeira de trabalhos deliberativos no Congresso Nacional desde a volta do recesso de julho. O MDB e o PT voltaram a pressionar Alcolumbre para que liberasse a PEC da escala 6x1 para análise.

Em nota, a bancada do MDB no Senado pediu a liberação para as comissões da PEC do fim da 6x1, do PL dos minerais críticos e a PEC da Segurança Pública. 

O líder do partido no Senado, Eduardo Braga (MDB-AM), pediu a votação das matérias em sessão plenária na quarta-feira (12).

"Não há razão, portanto, regimental ou política, que justifique o adiamento. O que falta é a decisão de pautar, e isso é o que a bancada requer a V. Exa. Se há setores com especificidades - e entendemos que há -, vamos discutir e apontar soluções para estes setores", cobrou Braga do presidente do Senado.

A PEC 221 de 2019 acaba com a escala 6x1 instituindo a obrigatoriedade de dois dias de descanso por semana, além de reduzir a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais, sem redução salarial.

A proposta permite compensar o sábado ou domingo trabalhados no caso de categorias com jornadas especiais, mas mantendo o número de folgas remuneradas em duas por semana, em média, gozadas obrigatoriamente no mesmo mês.

A proposta também estipula uma regra de transição de até 14 meses. A exceção são os trabalhadores terceirizados da Administração Pública, que terão uma regra de transição diferenciada.

Para todos os demais trabalhadores, em 60 dias após a promulgação da emenda constitucional as empresas terão que garantir a escala de 5x2, assim como a redução da jornada para 42 horas semanais. Doze meses após essa primeira redução, a jornada cai para 40 horas.

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