Política

ESTRATÉGIA

Showmício vai atrair público para Obama

Showmício vai atrair público para Obama

ESTADÃO

17/03/2011 - 00h00
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Em seu pronunciamento aos brasileiros, o presidente dos EUA, Barack Obama, deve seguir um roteiro bem conhecido dos políticos brasileiros: o do showmício. Preocupados com o possível esvaziamento do evento, marcado para a tarde do próximo domingo na Cinelândia, organizadores da viagem têm sondado artistas sobre a possibilidade de fazerem um espetáculo musical antes que o presidente fale - já foram consultados o grupo AfroReggae e Caetano Veloso. Assim, o público seria entretido enquanto espera. Também há possibilidade de Obama, que inicialmente falaria às 15h, chegue um pouco mais cedo e comece a discursar pouco depois das 14h. Assim, seria menor o tempo de espera na praça, onde o comércio fechará, ambulantes não trabalharão e não serão permitidas sacolas, nem bolsas - condições que inviabilizarão refeições e lanches.

As preocupações dos organizadores da visita de Obama à cidade repetem cautela expressa pelo próprio governo estadual quando a viagem foi anunciada. Aos domingos, o centro carioca tem, geralmente, muito pouco movimento: não faz parte da cultura local frequentar a região fora de dias úteis. Também será fim do verão, com possibilidade de sol e praia cheia, o que também pode "roubar" público. A isso, poderão se somar dificuldades de acesso - por motivos de segurança, os trens do metrô, cuja Linha 1 passa ao lado do Teatro Municipal, de onde o mandatário americano vai falar, só circularão até as estações vizinhas de Carioca e Glória entre 12h30 e 15h30. Haverá ainda bloqueios e pontos de checagem em quarteirões em torno, o que também pode afastar gente.

O próprio governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) evitou nesta quarta-feira fazer estimativas de possível público, mas demonstrou que não espera um recorde de assistência. Quando lhe perguntaram se o público poderia ir a 500 mil pessoas, Cabral disse que as estimativas são mais modestas e brincou, fazendo uma comparação com o cantor Roberto Carlos. "Para atrair isso só o rei", disse. "O público deve ser espontâneo, mas também há caravanas organizadas de jovens, de idosos, gente de todas as partes. Ele é um astro, um ícone da política mundial." Tradicional área de comícios e carnaval, a Praça Floriano, nome oficial da Cinelândia, já reuniu centenas de milhares de pessoas em outras ocasiões. Inicialmente, os americanos falavam em 10 mil pessoas para ouvir seu presidente.

Em outra frente, políticos, sobretudo da base governista local, se preparam para engrossar o público de uma "área vip", mais próxima do ponto de onde Obama discursará. Deputados esperavam ontem à tarde detalhes para possivelmente levar convidados. Se fosse um político em campanha no Brasil, porém, Obama não poderia, para atrair público, usar um showmício: esse recurso foi proibido pela lei eleitoral.

Política

Nunes Marques escolhe Frederico Franco Alvim para chefiar órgão do TSE contra fake news

Alvim já comandou a AEED entre fevereiro e agosto de 2022, período em que Fachin presidiu o TSE

11/06/2026 23h00

Kassio Nunes Marques

Kassio Nunes Marques Foto: Divulgação

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Empossado há quase um mês no cargo de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Kassio Nunes Marques preencheu a maioria dos postos de sua equipe. Um dos poucos cargos vagos é o de chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED), mas o atual presidente já tem um nome para comandar o órgão.

Nunes Marques pretende nomear o advogado e cientista político Frederico Franco Alvim, um nome ligado ao atual presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. Ele já comandou a AEED entre fevereiro e agosto de 2022, período em que Fachin presidiu o TSE, mas deixou o cargo após a posse do ministro Alexandre de Moraes como presidente da Corte Eleitoral.

Alvim foi sucedido por Eduardo Tagliaferro, então homem de confiança de Moraes, que agora é réu no STF por violação do sigilo funcional ao vazar trocas de mensagens que mostravam pedidos do ministro à AEED para munir suas decisões como relator do inquérito das fake news no Supremo.

Apesar de ter deixado a chefia do órgão, Alvim foi mantido como assessor por Moraes sob a liderança de Tagliaferro. Em 2023, ele deixou o TSE para ocupar o cargo de assessor da Secretaria-Geral do STF na gestão do ex-ministro Luís Roberto Barroso.

Ele ainda atuou como assessor na Secretaria de Políticas Digitais do governo federal, em 2025, e em fevereiro deste ano retornou a STF para assumir o cargo de supervisor do Núcleo de Cultura Democrática e Cidadania Digital na gestão Fachin.

A função que ele voltará a exercer no TSE tem mais destaque atualmente do que no início de 2022, quando passou pelo cargo. A gestão Moraes transformou a inexpressiva AEED em um aparato de busca ativa de notícias falsas e, a partir desse trabalho, derrubou milhares de publicações e perfis nas redes sociais.

O trabalho desenvolvido durante a gestão Moraes transformou a assessoria em um órgão controverso - ora elogiado pela rigidez no combate à desinformação, ora criticado sob a acusação de ser um instrumento de perseguição à liberdade de expressão.

Alvim retornará a AEED na gestão de um presidente do TSE que tenta se distanciar do legado de Moraes na área do combate à desinformação. Nunes Marques sinaliza que adotará um perfil menos intervencionista no combate às fake news e, em suas palavras, de prestígio à liberdade expressão.

Escolha

Eduardo Bolsonaro defende Júlia Zanatta para vice em chapa de Flávio

Nome da deputada foi sugerido por apoiadores bolsonaristas depois que Flávio declarou que sua vice será, preferencialmente, uma mulher

11/06/2026 22h00

Deputada federal Julia Zanatta

Deputada federal Julia Zanatta Foto: Divulgação

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O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defendeu a viabilidade do nome da deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) como possível vice na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para as eleições deste ano. Em publicação no X nesta quarta-feira, 10, ele afirmou que a parlamentar catarinense reúne atributos para a posição.

"Se os maus reclamam, este é o caminho. Certamente a deputada Júlia Zanatta está à altura do cargo, basta ver sua lealdade, pautas que muito bem defende no Congresso e, claro, o esperneio da esquerda", escreveu Eduardo. Em resposta, Zanatta comentou que "o negócio tá tomando corpo" e republicou a postagem em seu perfil.

O nome da deputada foi sugerido por apoiadores bolsonaristas depois que Flávio declarou na segunda-feira, 8, em evento voltado ao público feminino em São Paulo, que sua vice será, preferencialmente, uma mulher.

A ideia de uma mulher para compor a chapa já foi mencionada pelo pré-candidato à Presidência algumas vezes. Como mostrou a Coluna do Estadão, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) era considerada o nome mais forte para a posição. Ela se disse honrada em ser considerada, mas afirmou que a empreitada "não cabe em seus projetos".

Depois, foi aventado o nome da deputada federal Clarissa Tércio (PP-PE), que está em seu primeiro mandato e disse ser "grande defensora" do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio chegou a se reunir com a deputada Simone Marchetto (PP-SP), ligada ao Frei Gilson e tida como uma das principais representantes da Igreja Católica no Congresso.

Outra alternativa cogitada é a vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL-CE), apontada como um possível elo entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta, 10, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu vantagem sobre Flávio Bolsonaro na simulação de segundo turno da eleição presidencial.

O levantamento aponta que o petista oscilou dois pontos porcentuais para cima desde a rodada passada, divulgada em maio, indo de 42% para 44%, enquanto Flávio Bolsonaro caiu de 41% para 38%.

Antes, o presidente e o senador estavam em empate técnico dentro da margem de erro da pesquisa, de dois pontos porcentuais. Agora, Lula lidera por seis pontos porcentuais de vantagem.

Ainda segundo o levantamento, seis em cada dez brasileiros ouvidos acham que o senador sabia que Daniel Vorcaro estava envolvido em corrupção, errou em pedir dinheiro a ele e pode estar escondendo também um "envolvimento ilegal" no Caso Master. O escândalo financeiro é apontado como um dos principais fatores para a queda de Flávio nas pesquisas.
 

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