Política

Meio Ambiente

Só dois deputados justificam arquivamento da proibição de plantio de soja no Pantanal

Mochi e Pedrossian falam em "hierarquia" das leis; Mara Caseiro, Antônio Vaz e João César Mattogrosso, não responderam

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Somente dois dos cinco deputados que compõem a Comissão de  de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) justificaram ao Correio do Estado, o arquivamento do projeto proposto pelo então deputado Amarildo Cruz, acerca da preservação e proteção do Pantanal sul-mato-grossense.

Com posturas semelhantes, Junior Mochi (MDB) e Pedrossian Neto (PSD) destacaram que o arquivamento do Projeto de Lei (PL 069/2023) se deu especificamente por questões hierárquicas frente a critérios federais de tramitação.

“O próprio texto da proposição do Projeto de Lei está disciplinado no Código Florestal Brasileiro, manter a tramitação, além de outras questões, implicaria em conflitos com a Constituição Federal e por esse motivo não analisamos nem o mérito do texto do projeto”, destacou Mochi, vice-presidente da CCJR.

Membro titular da Comissão de Justiça, Pedrossian Neto (PSD) frisou que as motivações para o arquivamento do texto são especificamente sobre critérios constitucionais. “Não analisamos sequer o mérito da proposição, se o Projeto de Lei é bom ou ruim, uma vez que manter o texto na Casa de Leis implicaria em proposições federais. Não podemos sobrepor uma lei estadual à leis federais”, disse o deputado.

Além de Pedrossian Neto, integram a CCJR o deputado João César Mattogrosso (PSDB),  o deputado Antônio Vaz (Republicanos) e a deputada Mara Caseiro (PSDB), então presidente da Comissão. Procurados pela reportagem, Mara Caseiro, Vaz e Matogrosso não falaram ao Correio do Estado até o fechamento da matéria. O espaço segue aberto.  

Outro viés

Na contramão dos deputados, o presidente do Instituto Homem Pantaneiro, Angelo Rabelo, pontuou que os critérios adotados pelos parlamentares poderiam ser diferentes.

De acordo com Rabelo, coronel da reserva da Polícia Militar e ex-comandante da Polícia Militar Ambiental, o tema em questão não deve ser tratado por meio dos princípios legais e  sim em questões econômicas. “A ação proposta pelo deputado Amarildo Cruz implica em perdas de ‘causa e efeito’.

Por exemplo, se a região tem uma espécie de abelha que contribui para a manutenção do ecossistema local, a chegada da monocultura impactaria nisso. Mesmo que ocorra a extensão da monocultura na região pantaneira, a produção deve ter um escoamento”, destacou Rabelo. 

O presidente do Instituto salientou que questões como estas, deveriam ser questionadas em um escopo mais amplo, junto, inclusive, da população da região pantaneira do Estado.

“As posturas e decisões dos parlamentares devem considerar o impacto na população local, qual o posicionamento dos moradores da região sobre o tema, caso este seja considerado futuramente”, finalizou. 

Anteriormente, o deputado Pedro Kemp (PT), atual responsável pelo projeto, lamentou o arquivamento do texto de Amarildo Cruz. Ele assumiu a co-autoria do projeto após a morte de Cruz, no dia 17 passado.  

“Lamentei pelo arquivamento e não concordei com o argumento apresentado pelos deputados, que falam em interferência na iniciativa privada. O Estado tem o dever de legislar de forma mais restritiva para preservar o meio ambiente. O Pantanal é um patrimônio e precisa ser preservado”, destacou. 

O projeto

Entre as justificativas postas no projeto acerca da região pantaneira estavam a delimitação e a proteção de áreas prioritárias para conservação e recuperação de ecossistemas da região, incentivos à implantação de sistemas agroflorestais, promoção de pesquisas científicas voltadas à conservação e manejo sustentável do bioma, criação de programas de educação ambiental e de capacitação para a população local e estímulos ao ecoturismo e ao turismo sustentável na região.

Se aprovado, o texto proibiria a abertura de novas áreas para monoculturas e a expansão de lavouras existentes no Pantanal Sul-mato-grossense, ações que não se aplicariam às atividades de subsistência das comunidades tradicionais residentes na região. 

Para além das questões sobre o plantio e a expansão, o arquivamento do projeto de lei , afeta diretamente o setor de ecoturismo de aproximadamente R$ 4 bilhões. 

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Decisão

Justiça manda prender jornalista perseguido por Carla Zambelli

A decisão ocorreu por ele não ter pagado multa de R$ 2.216,30, resultado de condenação por difamação da ex-deputada federal

05/06/2026 13h30

Carla Zambelli saca arma e aponta no meio da rua para pessoa na rua

Carla Zambelli saca arma e aponta no meio da rua para pessoa na rua Reprodução/Folha de São Paulo

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O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determinou a prisão, na segunda-feira, 1.º, em regime aberto, do jornalista Luan Araújo. A decisão ocorreu por ele não ter pagado multa de R$ 2.216,30, resultado de condenação por difamação da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP).

Luan Araújo foi perseguido por Zambelli com uma arma em mãos em São Paulo na véspera da eleição de 2022. Por esse caso, a ex-deputada foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Araújo foi condenado em ação movida por Zambelli por dizer, em publicação no portal Diário do Centro do Mundo, que a ex-deputada é "seguida por uma seita de doentes de extrema-direita" e "faz parte de uma extrema direita mesquinha, maldosa e que é mercadora da morte".

A defesa do jornalista contesta a decisão e apresentou habeas corpus e a anulação da decisão do juiz José Fernando Steinberg, que converteu a pena. Procurada, a defesa de Zambelli não respondeu aos contatos da reportagem. O espaço segue aberto.

"Mais do que um processo criminal, este caso representa uma discussão sobre os limites do poder punitivo do Estado", afirmou Renan Bohus, advogado de Araújo. "Nenhum cidadão deve ser preso porque é pobre. Nenhum jornalista deve correr o risco de perder sua liberdade por não possuir condições financeiras de cumprir uma obrigação pecuniária."

Nas redes sociais, Araújo disse que não tem como pagar a multa e move uma vaquinha para arcar com as custas processuais.

"A Justiça quer que eu pague um dinheiro que eu não tenho para pagar uma condenação que eu considero injusta", afirmou. "Apesar da condenação dela no STF, ela não precisará cumprir lá na Europa, solta. Enquanto isso, estou tendo que fazer uma vaquinha para conseguir entrar com um processo por danos morais contra ela."

Zambelli foi condenada pelo STF a cinco anos e três meses de prisão por perseguir Araújo na véspera do segundo turno das eleições de 2022. Ela fugiu para Itália e foi presa.

No final de maio, a Corte de Cassação italiana anulou o pedido de extradição da ex-parlamentar e soltou Zambelli. Ela também foi condenada pelo STF a dez anos de prisão por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Eleições 2026

Partidos da base de Riedel somam mais de R$ 2 bilhões do Fundo Eleitoral para 2026

Já as legendas adversárias do governador terão acesso a mais de R$ 907,8 milhões, conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

05/06/2026 08h00

O governador Eduardo Riedel (PP) durante ato político em Sonora

O governador Eduardo Riedel (PP) durante ato político em Sonora Bruno Rezende/Secom-MS

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Os partidos que compõem a base política do governador Eduardo Riedel – PP, PL, Republicanos, PSDB e União Brasil – receberão, ao todo, mais de R$ 2 bilhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), mais conhecido como Fundão ou Fundo Eleitoral, para as eleições deste ano, conforme valores divulgados nesta semana pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Entre as legendas do grupo, o PL lidera o repasse nacional, com cerca de R$ 881,7 milhões, enquanto o União Brasil aparece em seguida, com aproximadamente R$ 526,2 milhões.

O PP, partido de Riedel, além de Republicanos e PSDB, também receberão parcelas expressivas dos recursos públicos destinados ao financiamento das campanhas eleitorais – R$ 417.067.738,40 ao primeiro, R$ 348.587.815,77 ao segundo e R$ 147.895.172,40 ao terceiro.

É preciso lembrar que esse montante de mais de R$ 2 bilhões não será destinado integralmente à campanha de reeleição do governador, pois os recursos não pertencem ao candidato, mas sim aos partidos e federações partidárias. 

O TSE repassa o dinheiro aos diretórios nacionais das legendas, que decidem como distribuir os valores entre candidatos aos cargos de presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual.

No caso de Riedel, o montante destinado ao partido precisará ser dividido entre toda a estratégia eleitoral da legenda e de seus aliados.

Isso inclui candidaturas proporcionais, campanhas ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa, além de outros candidatos a governador apoiados pelo partido em diferentes estados.

Outro fator é que o PP integra a federação União Progressista, que reúne recursos e estratégias eleitorais nacionalmente.

A federação tende a concentrar uma das maiores fatias do Fundão, mas a divisão interna dos recursos será definida pelas lideranças nacionais, considerando prioridades políticas e a competitividade de cada disputa.

Em resumo, mesmo que a federação liderada pelo PP receba uma das maiores parcelas do Fundo Eleitoral, apenas uma parte desse valor deverá ser destinada à campanha de reeleição de Riedel, enquanto o restante será distribuído entre centenas de candidatos e campanhas prioritárias da federação e dos partidos aliados em todo o País.

Nas eleições de 2022, por exemplo, de acordo com os dados declarados à Justiça Eleitoral, a campanha de Riedel registrou despesas de R$ 9.605.350,26, valor que ficou cerca de R$ 266 mil acima do limite de gastos estabelecido pelo TSE para candidatos ao governo estadual naquele pleito, que era de aproximadamente R$ 9,34 milhões considerando primeiro e segundo turnos. 

Segundo as prestações de contas da época, Riedel arrecadou cerca de R$ 8,47 milhões – a maior parte proveniente de recursos públicos, como Fundo Eleitoral e Fundo Partidário. 

Levantamentos indicavam que mais de 70% das receitas da campanha tinham origem nesses fundos. Ele foi eleito no segundo turno com 808.210 votos, o que representou um custo médio de aproximadamente R$ 11,88 por voto obtido. 

ADVERSÁRIOS

As legendas que devem abrigar possíveis adversários do governador terão à disposição mais de R$ 907,8 milhões do FEFC, isto porque entre os nomes cotados para a corrida eleitoral estão o ex-deputado federal Fábio Trad, que articula sua candidatura no campo formado por PT e PV, o deputado estadual João Henrique Catan (Novo), o ex-senador Delcídio do Amaral (PRD), o empresário Renato Gomes (DC), o jornalista Jefferson Bezerra (Agir) e o gestor ambiental Lucien Rezende (PSOL).

O maior volume de recursos entre os partidos ligados aos possíveis adversários está com o PT, que receberá aproximadamente R$ 615,4 milhões do Fundo Eleitoral.

O PV, que integra a federação com o PT, participa com R$ 45,2 milhões, o PRD terá R$ 71,8 milhões, o PSOL participa com R$ 131,5 milhões, o Novo, com R$ 37 milhões, mas o partido mantém a tradição de não utilizar recursos do Fundão para financiar candidaturas, enquanto Agir e DC somam R$ 6,6 milhões – R$ 3,3 milhões para cada.

* Saiba 

Criado em 2017, o Fundo Especial de Financiamento de Campanha é composto por recursos públicos destinados ao custeio das campanhas eleitorais.

Segundo a Justiça Eleitoral, a divulgação dos valores busca garantir transparência na utilização do dinheiro público durante o processo eleitoral.

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