Política

Reviravolta

Tribunal federal anula todos os processos da Lama Asfáltica

Decisão implode a Operação Lama Asfáltica da Polícia Federal, e faz com que todas as acusações de corrupção contra Puccinelli e Giroto voltem à estaca zero

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Decisão da 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região anulou todas as ações penais da Operação Lama Asfáltica. 

Em decisão unânima, relatada pelo desembargador Paulo Fontes, as sete ações penais contra o engenheiro, ex-deputado federal e ex-secretário de Obras, Edson Girotto, terão de voltar à estaca zero.  

A decisão se estende a todos os outros réus nas ações da mesma operação, como por exemplo, o ex-governador André Puccinelli, o filho dele, André Puccinelli Jr., os empresários João Alberto Krampe Amorim dos Santos e João Baird. 

Entre os crimes em que foram acusados nos vários processos, estavam corrupção, lavagem de dinheiro, peculato (desvio de dinheiro público), organização criminosa, entre outros.  

“Essa decisão deve alcançar todos os envolvidos. Alguns deles já pediram extensão e o desembargador já deferiu”, explicou o advogado de Edson Girotto, Daniel Bialski.

A decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, seis anos e meio após a deflagração da Operação Lama Asfáltica, ainda abre caminho para que o ex-governador André Puccinelli (MDB), se candidate novamente ao cargo que ocupou por oito anos. 

Ele - assim como Giroto - voltam a ser primários, sem qualquer condenação judicial - nem mesmo de primeira instância - pesando contra eles.  

SUSPEIÇÃO

A decisão de Paulo Fontes e os demais desembargadores da 5ª turma são uma sequeência de outra decisão, da segunda-feira (13), em que o juiz Bruno Cézar da Cunha Teixeira, da 3ª Vara Federal de Campo Grande, foi declarado suspeito por “excesso de eloquência acusatória”

Para explicar o termo que levou o juiz federal a ser declarado suspeito pela instância superior, Bialski lembrou que o magistrado conduzia as audiências de uma forma mais veemente na acusação que o Ministério Público Federal. 

“Há vários (exemplos do alegado excesso), o último deles o Ministério Público Federal não fez pergunta nenhuma e o juiz fazia as perguntas como se ele fosse o promotor”, contou o advogado.  

“A nova lei (Código de Processo Penal estabelece que o juiz só faz perguntas quando precisa de esclarecimentos”, acrescentou.  

EFEITO LULA

A decisão do Supremo Tribunal Federal que determinou a anulação dos atos processuais do ex-juiz Sérgio Moro contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na Operação Lava Jato, serviram como um dos argumentos da defesa para que o TRF-3 agisse rapidamente - no intervalo de menos de uma semana entre a declaração da suspeição e anulação das ações penais contra Giroto.  

“Citam o decidido pelo STF no julgamento do Habeas Corpus nº 193.726, impetrando em favor do ex-Presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Sustentam a necessidade da concessão da medida liminar, estando demonstrado o fumus boni jurus (fumaça do bom direito) e periculum in mora (perigo da demora), este concernente ao risco de se iniciar e finalizar instrução processual, de se sentenciar os feitos, bem como na eminência de apresentação de razões de apelação”, afirmou Paulo Fontes, ao, em sua decisão, resumir os pedidos feitos pela defesa.

CORRUPÇÃO

A Operação Lama Asfáltica foi deflagrada pela Polícia Federal em 9 de julho de 2015, pouco mais de seis meses após o fim do mandato de André Puccinelli (MDB). 

Os primeiros casos de corrupção investigados, envolvendo a empreiteira Proteco, de João Amorim, eram da pavimentação de rodovias no interior do Estado, e na construção de parte da Avenida Lúdio Coelho, em Campo Grande.  

Depois, a Lama Asfáltica ainda encontrou indícios de corrupção e lavagem de dinheiro na construção do Aquário do Pantanal (empreendimento que ainda encontra-se inacabado), na pavimentação de mais rodovias, na contratação de serviços gráficos, de informática e de palestras jurídicas falsas, no uso de um jatinho, e na compra de fazendas para ocultar os recursos supostamente desviados.  

A estimativa dos valores envolvidos na Lama Asfáltica passa dos R$ 500 milhões.

E AGORA?

Agora, todos os atos processuais conduzidos pelo titular da 3ª Vara Federal de Campo Grande, Bruno César da Cunha Teixeira, serão anulados. 

Na prática, o novo juiz para o qual a ação será distribuída, terá de analisar novamente todas as denúncias feitas pelo Ministério Público Federal contra Giroto, Puccinelli e cia.  

“Todas essas ações penais terão de ser reexaminadas, e o novo juiz ioorá analisar quais delas terão ou não continuidade”, explicou Daniel Bialski, advogado de Giroto.

“Teremos mais tranquilidade para defender nosso cliente, e provar sua inocência”, finalizou.  

Na quinta-feira, o Ministério Público Federal, informou por meio de nota enviada ao Correio do Estado, que recorrerá da decisão que tornou o juiz da 3ª Vara Federal de Campo Grande suspeito.

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PACIFICAÇÃO

Azambuja diz que executiva nacional vai conversar com "rebeldes" Catan e Pollon

O ex-governador se reuniu com o presidente Valdemar Costa Neto e o secretário-geral Rogério Marinho sobre a campanha eleitoral

05/02/2026 08h20

O ex-governador Reinaldo Azambuja e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto

O ex-governador Reinaldo Azambuja e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto Marcelo Victor / Correio do Estado

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A executiva nacional do PL vai conversar com o deputado federal Marcos Pollon e com o deputado estadual João Henrique Catan para persuadi-los a desistirem das respectivas pré-candidaturas a governador e ao senado pelo partido em Mato Grosso do Sul nas eleições gerais em outubro deste ano.

A informação foi repassada ontem ao Correio do Estado pelo presidente estadual do PL, o ex-governador Reinaldo Azambuja, após reunião, em Brasília (DF), com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e com o secretário-geral nacional da sigla, senador Rogério Marinho.

“A reunião foi muito tranquila e coincidiu de o Rogério Marinho ter acabado de retornar da reunião que teve com o ex-presidente Jair Bolsonaro e ele revelou que ambos trataram das campanhas eleitorais em todos os estados mais o Distrito Federal”, explicou.

Em Mato Grosso do Sul, conforme Azambuja, o secretário-geral do PL confirmou que o Bolsonaro reforçou o que já estava pactuado desde 2024.

“Ou seja, a manutenção da aliança sólida para a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP) e a montagem de chapas mais competitivas possíveis para a Câmara dos Deputados e para a Assembleia Legislativa”, detalhou.

Ele reforçou que o encontro foi a oportunidade para que a executiva estadual esteja em sintonia com a nacional de olho na disputa eleitoral deste ano.

“Precisamos estar em sintonia, pois a nossa intenção é a montagem de chapas competitivas, tanto para a Câmara dos Deputados quanto para a Assembleia Legislativa. O nosso foco é fazer três federais e, pelo menos, seis estaduais”, revelou.

SENADO

Sobre a disputa ao Senado, o ex-governador destacou que o PL vai continuar seguindo o que já tinha sido combinado. “Isto é, uma das pré-candidaturas é minha e o outro nome será definido com base em quem aparecer melhor nas pesquisas de intenções de votos. Isso não mudou”, avisou.

A respeito dos dissidentes João Henrique Catan e Marcos Pollon, o presidente estadual do PL reforçou não entender o posicionamento de ambos. “O nosso adversário é o PT e precisamos fazer um palanque unificado da direita e do centro para o senador Flávio Bolsonaro enfrentar o concorrente em comum, que é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, argumentou.

No entanto, ele destacou que ficou definido que o presidente Valdemar Costa Neto e o secretário-geral Rogério Marinho vão conversar com os dois para que entendam o projeto eleitoral para Mato Grosso do Sul.

“Porém, eles não podem obrigar ninguém a seguir o que foi pactuado. A regra do jogo é essa: analisar os desempenhos nas pesquisas de intenções de votos para o Senado no Estado e o melhor será escolhido”, assegurou.

Por enquanto, conforme as pesquisas de intenções de votos para o Senado divulgadas até o fim do ano passado, o que tem o melhor desempenho para concorrer ao lado de Azambuja é o ex-deputado estadual Capitão Contar.

“Quando o Flávio Bolsonaro retornar da viagem ao exterior, teremos uma nova reunião com a presença dele para conversar sobre a vinda dele a Mato Grosso do Sul. O Rogério Marinho vai coordenar a campanha eleitoral do Flávio Bolsonaro à Presidência da República, então, quando o Flávio retornar ao Brasil, vamos ter essa agenda comum para definir essas questões. Ficou acertado que o Riedel também deve participar”, revelou.

O pré-candidato a presidente da República pelo PL participa de agenda oficial do Senado no Oriente Médio para articular contatos com lideranças conservadoras internacionais. Antes de chegar ao Bahrein, a comitiva esteve em Israel para participar da Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo, realizada no Knesset (o Parlamento israelense).

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Política

Calheiros afirma que Galípolo se comprometeu em passar informações possíveis sobre o Master

Renan tem defendido acesso a documentos sigilosos das diferentes frentes de investigação, incluindo a capitaneada pelo BC

04/02/2026 19h00

Calheiros afirma que Galípolo se comprometeu em passar informações possíveis sobre o Master

Calheiros afirma que Galípolo se comprometeu em passar informações possíveis sobre o Master Divulgação/Senado

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O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou nesta quarta-feira, 4, que o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, se comprometeu a colaborar com informações para o grupo de trabalho do Senado que supervisiona as investigações do caso Master.

Renan tem defendido acesso a documentos sigilosos das diferentes frentes de investigação, incluindo a capitaneada pelo BC.

"Informações que ele vai poder passar, evidentemente que ele vai disponibilizar e agilizar. Eu falei para ele que a única coisa que nos ajudará a responder o que a sociedade está cobrando é uma linha do tempo. Nós vamos saber quem comunicou a quem, quem informou quem e a extensão dos crimes cometidos pelos diretores do Banco Master", disse Renan após reunião com Galípolo na sede do BC.

Também participaram senadores como Izalci (PL-DF) e Fernando Farias (MDB-AL).

Segundo Renan, Galípolo se mostrou "solícito" ao pedido do grupo por assessoramento jurídico do BC.

"Galípolo foi muito solícito, porque ele se convenceu logo de que o papel da comissão é fortalecer o Banco Central, é apoiar a liquidação do Master e investigar para responsabilizar essas pessoas para que esse tipo de crime não volte a existir no Brasil", falou.

O senador voltou a defender mudanças legislativas do perímetro regulatório do BC só se deem após o avanço das investigações.

Perguntado se convidará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para explicar ao grupo as supostas reuniões com o dono do Master, Daniel Vorcaro, Renan respondeu: "Acha que posso chamar o presidente?"

Já Izalci disse que, durante a reunião, o BC reafirmou o pedido por reforço orçamentário. "Isso é um problema de pessoal.

Com um contingente pequeno, precisa resolver essa questão do orçamento, isso é, a urgência da aprovação da PEC de autonomia orçamentária do BC. Parece que já tem acordo pela PEC", disse o senador do PL

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