Política

LEVANTAMENTO

Única de MS na CCJ do Senado, Soraya é favorável à indicação de Messias ao STF

De um total de 27 senadores, apenas Thronicke e outros três colegas demonstraram simpatia ao advogado-geral da União

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Como única representante de Mato Grosso do Sul na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, a senadora sul-mato-grossense Soraya Thronicke (Podemos) revelou, ontem, ao Correio do Estado que votará favorável à indicação do advogado-geral da União Jorge Messias para a vaga em aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.

No entanto, até o momento, somente os senadores Eliziane Gama (PSD-MA), Mecias de Jesus (Republicanos-RR) e Rogério Carvalho (PT-SE) acompanham Soraya Thronicke nesse posicionamento favorável a Jorge Messias no STF, totalizando quatro votos, enquanto 17 dos 27 parlamentares que integram à CCJ preferiram não opinar ou não se manifestarem, outros quatro são contra e três não sabem.

Esse levantamento, feito pelo jornal O Globo, demonstra que Jorge Messias não terá vida fácil para ter confirmada pelo Senado a sua indicação à vaga de ministro do STF, feita pelo presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e integrantes da cúpula da Câmara Alta já relataram nos bastidores que estão articulando um “impeachment simbólico” dele como uma alusão às dezenas de pedidos de impeachment de ministros do STF protocolados no Senado, mas nunca analisados.

Nesse sentido, Messias seria o primeiro a ser impedido de ocupar um cargo na Corte de Justiça antes mesmo de ter seu nome aprovado. A ideia também é de que a sabatina de Messias só aconteça em 2026, período que os senadores consideram suficiente para que amadureça na Casa de Leis uma maioria consistente contrária à indicação.

A situação do advogado-geral da União é difícil, justamente porque foi a primeira vez em que havia uma candidatura de um ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), querido pelos pares e pelos ministros do STF.

Também há a leitura de que, embora a prerrogativa da nomeação seja do presidente da República, a Constituição estabelece uma participação relevante do Senado, que precisa sabatinar e aprovar o nome.

GARIMPAR VOTOS

Diante disso, Jorge Messias, precisará “garimpar” votos na oposição e na ala do Centrão mais próxima ao ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro (PL) para consolidar maioria na CCJ, porém, a escolha dele já provocou insatisfação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que preferia o senador Rodrigo Pacheco.

O nó para o advogado-geral da União, no entanto, está no campo dos que se declaram indecisos e entre aqueles que optaram por não se manifestar publicamente em sua defesa, totalizando 17 votos. Os três senadores que revelaram que não sabem se vão apoiar Messias, entre eles dois nomes do MDB com os quais o governo conta: Eduardo Braga (AM) e Veneziano Vital do Rêgo (PB).

Além disso, parlamentares também próximos ao Palácio do Planalto, casos de Renan Calheiros (MDB-AL) e Otto Alencar (PSD-BA), que preside a CCJ, disseram que não vão responder – ou seja, decidiram não dar apoio público a Messias. Ao todo, oito senadores já informaram que não vão tratar do assunto, enquanto outros nove não deram nenhum tipo de resposta.

Parlamentares que fazem o mapa de votos de Messias na CCJ dividem o colegiado em três blocos. Há um formado pelos senadores de PT, PSB e PDT, com cinco integrantes. Fora desse núcleo, o advogado-geral da União já angariou os apoios dos senadores Mecias de Jesus (Republicanos-RR), Eliziane Gama (PSD-MA) e Soraya Thronicke (Podemos-MS), o que, em tese, estabelece um patamar de oito votos “garantidos”.

Há um segundo grupo, composto por MDB e PSD, com nove senadores. Os partidos se alinham ao governo em determinados temas, mas têm bastante proximidade com Alcolumbre. Diante da indefinição de uma parcela desse núcleo, restará a Messias avançar em direção à oposição para chegar aos 14 apoios necessários para formar maioria na CCJ.

No MDB, a situação é descrita por dirigentes como “delicada”. Reservadamente, integrantes da bancada expressaram incômodo com a falta de diálogo e evitaram antecipar posição. Nenhum dos quatro senadores do MDB na comissão manifestou apoio automático, algo incomum em sabatinas anteriores.

FLÁVIO DINO

No caso da sabatina de Flávio Dino, duas semanas antes da votação no colegiado, Renan Calheiros (MDB-AL) já havia declarado seu apoio a ele, assim como Omar Aziz (PSD-AM) e Otto Alencar (PSD-BA). Aliados de Messias ponderam que a indicação acabou de acontecer e que há tempo suficiente para cativar novos apoios.

Por fim, há um grupo mais distante do Planalto, formado por Novo, PL, União Brasil, PP, Republicanos, Podemos e PSDB, que somam 12 cadeiras. Senadores desse bloco, como Magno Malta (PL-ES) e Márcio Bittar (PL-AC), já se manifestaram contra Messias. Há ainda outros nomes próximos a Bolsonaro que ainda não se manifestaram, como Marcos Rogério (PL-RO) e Esperidião Amin (PP-SC), que revelou publicamente ter votado contra Gonet.

Também na oposição, o líder Rogério Marinho (PL-RN), que não quis se manifestar no levantamento, publicou críticas à atuação de Messias no episódio do INSS, e, embora não tenha antecipado voto, senadores avaliam que ele deve atuar para unificar o PL no “não”.

Ainda no campo da direita, o União Brasil também permanece sem posições consolidadas. No Republicanos, há expectativa de que apenas Mecias de Jesus esteja fechado com o governo. O advogado-geral da União conta, além de parlamentares governistas, com o apoio do ministro do STF André Mendonça em busca de votos.

Indicado à Corte por Jair Bolsonaro, Mendonça elogiou a indicação de Messias e disse que vai ajudar no “diálogo republicano” com os parlamentares. A indicação de Messias chegará à CCJ em um ambiente já tensionado pela condução política do Planalto, que não consultou Alcolumbre na reta final da decisão. Nas palavras de aliados, o presidente da Casa se sentiu “escanteado” do processo.

Mesmo que seja rejeitado na CCJ, a indicação vai ao plenário, que dá a palavra final sobre a escolha. Uma eventual negativa, no entanto, seria interpretada como um sinal de dificuldades adicionais na próxima etapa do processo.

*SAIBA

Messias pode ser convocado para CPMI

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que investiga fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas do INSS, vai pautar amanhã a votação do pedido de convocação de Jorge Messias.

Ele ainda precisa passar por uma sabatina na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado para que seu nome seja aprovado. Antes disso, contudo, Lula precisa enviar uma mensagem à Casa formalizando a indicação.

Messias publicou uma carta direcionada ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Na mensagem, Messias afirma sentir-se no dever de se oferecer ao “escrutínio constitucional” de Alcolumbre e menciona que juntos, eles sempre poderão aprofundar o diálogo.

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Política

Um dia após Bolsonaro virar réu, Vorcaro aceitou recebê-lo em casa para ver documentário

Conversas apontam que encontro foi organizado por Flávio Bolsonaro e Mario Frias e seria parte do plano para contar com apoio de Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse"

14/05/2026 18h43

Flávio Bolsonaro pediu ajuda para Daniel Vorcaro para ajudar a bancar filme sobre seu pai

Flávio Bolsonaro pediu ajuda para Daniel Vorcaro para ajudar a bancar filme sobre seu pai Fotomontagem

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Um dia após o ex-presidente Jair Bolsonaro ter se tornado réu por tentativa de golpe, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, aceitou recebê-lo em sua mansão em Brasília para assistirem juntos a um documentário, em março de 2025. É o que aponta conversas privadas divulgadas pelo Intercept Brasil.

Conforme o Intercept, o banqueiro autorizou a organização do encontro, que seria parte do plano para contar com o apoio de Vorcaro para financiar a produção de “Dark Horse”, filme que conta a história de Jair Bolsonaro.

Ainda segundo as mensagens obtidas pelo site, o senador Flávio Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) sabiam do encontro.

As conversas não deixam claro se o encontro entre Bolsonaro e Vorcaro chegou de fato a ocorrer.

A pedido de Mario Frias, Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, fez a ponte com Vorcaro, sugerindo o encontro ao banqueiro no dia 27 de março do ano passado.

Na mensagem, Miranda enviou um print de uma conversa com Frias, onde o deputado afirmava que o encontro faria muita diferença para o ex-presidente.

“Flavio e Mario me pediram isso. Querem levar o presidente na sua casa para assistirem juntos com vc o documentário”, explicou Miranda a Vorcaro.

O banqueiro concordou em marcar o encontro e Miranda pediu duas opções de data para a semana seguinte, entre os dias 30 de março e 5 de abril.

Flávio Bolsonaro pediu ajuda para Daniel Vorcaro para ajudar a bancar filme sobre seu pai

A troca de mensagens ocorreu um dia depois de a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) ter decidido tornar réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados por tentativa de golpe de estado em 2022. Seis meses depois, em 11 de setembro de 2025, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão em regime fechado.

Ao Intercept, a defesa de Bolsonaro disse que ele não pode se manifestar por estar preso.

Já Flávio Bolsonaro disse, em nora, que o encontro não aconteceu e que ele não participou da organização da reunião. No entanto, o senador disse que “o objetivo da exibição do documentário era apresentar parte da história que deveria ser retratada no filme, sem qualquer outra finalidade política ou pessoal”. 

Por fim, Flávio afirmu que sua“interlocução com o banqueiro teve única e exclusivamente a finalidade de buscar investimento para o filme sobre a história” do meu pai”.

A defesa de Thiago Miranda também disse que a “ideia da proposta de encontro era apresentar ao investidor as linhas gerais do conteúdo do filme que é em parte a mesma história do documentário”.

Nas conversas não é citado qual documentário seria assistido, mas a hipótese é de que fosse “A Colisão dos Destinos”, que chegou aos cinemas nesta quinta-feira (14) e retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro por meio de relatos de familiares, amigos e aliados.

 

Apuração

Tebet pede investigação e questiona se R$ 134 milhões de Vorcaro a Flávio seriam para filme

Ex-ministra disse que caso envolvendo senador e banqueiro deve ser encaminhado ao conselho de ética

14/05/2026 16h30

Foto: Reprodução / Redes Sociais

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Na contramão da ala bolsonarista de Mato Grosso do Sul, que saiu em defesa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a polêmica em torno do nome do senador e presidenciável, junto do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, Simone Tebet, ex-ministra do governo Lula, pediu investigações sobre o caso, além de cobrar indiretamente uma postura do Conselho de Ética do Senado acerca do caso. 

As alegações foram publicadas nas redes sociais de Tebet na tarde desta quinta-feira (14). No vídeo, a três-lagoense solicitou que a Casa de Leis apure o ocorrido e pôs em xeque as alegações de Flávio, que em entrevista nesta quarta-feira (13), disse que a verba foi especificamente utilizada para a produção do documentário "Dark Horse", que conta a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do senador. 

 

"Esse dinheiro ia realmente para esse filme? Uma parte dele seria para lavar dinheiro? Uma parte seria para financiar autoridades ou ex-autoridades que estão lá nos Estados Unidos falando mal do nosso país, do Brasil? Esse dinheiro era para embolsar?", declara Tebet. 

Virtual candidata ao Senado pelo PSB-SP, Simone destacou que além do caso ser encaminhado ao Senado, é inadimicível que "ter um presidenciável com essa suspeita nas urnas em outubro", disse.

Em defesa de Flávio

Os deputados federais Rodolfo Nogueira (PL) e Marcos Pollon (PL) saíram em defesa de Flávio Bolsonaro após o escândalo que envolve conversas entre o senador e pré candidato à presidência com o banqueiro preso Daniel Vorcaro.

No conteúdo divulgado pelo site Intercept Brasil, na tarde desta quarta-feira, Flávio pede dinheiro para Vorcaro, para este ajudar a bancar a produção de um filme sobre a vida do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

 Em sua rede social, Rodolfo Nogueira, mais conhecido como "Gordinho do Bolsonaro", publicou um vídeo para defender Flávio Bolsonaro e disse que este apoia uma CPI para investigar o Banco Master, além de atacar a oposição.

"Diferente da esquerda e do PT, ele [Flávio Bolsonaro] não foge da investigação, porque quem não deve não teme. Enquanto muitos tentam enterrar a CPI para defender os seus, ele pede apuração completa", disse o deputado Federal.

O deputado conclui a postagem com uma explicação, na visão dele, sobre a conversa entre o senador e o banqueiro do Master. Ele também afirma que o PT "segue mamando" verba pública através da Lei Rouanet, principal mecanismo do Governo Federal para apoiar a produções culturais, através da opção de investir parte do imposto de renda em projetos.

"Em 2024, o Flávio buscou um investidor privado para o projeto e esse investidor era o Vorcaro. Na época, não existia escândalo nenhum e nem qualquer condenação judicial ligada ao nome dele. Enquanto isso, o PT segue mamando bilhões pela Lei Rouanet com dinheiro seu, do povo brasileiro. Ai fica fácil fazer filme sem precisar correr atrás de investidor privado, né Lula"

Já Marcos Pollon apenas publicou em sua rede social o vídeo de Flávio Bolsonaro, que pede a CPI do Banco Master e explica a situação. O deputado federal por Mato Grosso do Sul, também ajudou a financiar o filme “Dark Horse”, porém  usou dinheiro público, de emenda parlamentar, na iniciativa.

"Vamos separar os bandidos dos inocentes. Toda essa história que está sendo veiculada agora, nada mais é do que um filho procurando investidores privados para fazer um filme privado sobre a história do seu próprio pai. Zero de dinheiro público, zero de Lei Rouanet, como esse governo gosta de fazer, gastar dinheiro público para fazer propaganda dele mesmo", disse Flávio na sua publicação.

No vídeo, ainda, Flávio conta que conheceu Vorcaro no final de 2024 e que o banqueiro deixou de pagar as parcelas para financiar o filme sobre o pai. Por fim, o senador afirma que a obra ficou pronta e que será veiculada ainda neste ano.

"Eu conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, não tinha mais governo Bolsonaro, não tinha absolutamente nenhuma acusação contra ele. Acontece que com o passar do tempo, ele parou de honrar com as parcelas do contrato. Tinha um contrato que, ao ele não pagar essas parcelas, tinha uma grande chance do filme sequer ser veiculado, sequer ser concluído. Em função disso, inclusive procuramos outros investidores para concluir este filme"

O pôster do filme Dark Horse foi divulgado em abril e tem data de estreia marcada: 11 de setembro deste ano, em meio ao calendário eleitoral brasileiro.

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