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DE OLHO NAS URNAS

Bolsa-família terá reajuste de 15% a partir do próximo mês

Em 2022, também durante o período de campanha eleitoral, o então presidente elevou o valor do auxílio em 50%

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de 15,04% nos benefícios do Bolsa Família. Adotada a 17 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, a medida vai elevar o repasse mínimo de R$ 600 para R$ 691 por família. 

Mensalmente, o programa repassa em torno de R$ 130 milhões a quase 190 mil famílias somene em Mato Grosso do Sul.

O novo valor começará a ser pago aos beneficiários do programa em 19 de outubro, menos de uma semana antes do segundo turno das eleições, marcado para o dia 25. A medida vai custar R$ 5,8 bilhões neste ano e R$ 22,7 bilhões em 2027.

Desde a reformulação do programa social, em março de 2023, Lula ainda não havia feito nenhum reajuste nos valores dos Bolsa Família. Ministros do próprio governo e técnicos da área social inclusive diziam que isso não era necessário e descartavam a possibilidade, tendo como referência padrões internacionais para programas de transferência de renda.

A postura mudou num momento em que a campanha do petista Lula assiste a seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ganhar força nas pesquisas eleitorais divulgadas nas últimas semanas. Levantamentos recentes, como da Quaest, mostram o senador numericamente à frente do petista nas intenções de voto para o segundo turno.

O anúncio foi realizado pelo presidente no Palácio do Planalto ao lado da ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, e dos ministros Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento), Dario Durigan (Fazenda) e Wellington Dias (Desenvolvimento Social), além de outras autoridades. Lula assinou o decreto, mas não discursou.

Em 2022, o governo de Jair Bolsonaro (PL) também ampliou os valores do programa, então batizado de Auxílio Brasil, a poucos meses da eleição. Em agosto daquele ano, o repasse mínimo subiu de R$ 400 para R$ 600, um aumento de 50%. O anúncio ainda veio acompanhado da promessa de campanha de torná-lo permanente.

Nesta quinta, após o anúncio, os ministros do governo Lula tentaram se distanciar das comparações entre o reajuste recém-anunciado e o aumento feito por Bolsonaro em 2022.

"Estamos fazendo isso de maneira muito responsável e muito diferente do que já se viu no país. Em outros tempos se fez PEC Kamikaze, crédito extraordinário para além do que estava no Orçamento previsto", disse Durigan, em referência à emenda constitucional aprovada pelo Congresso para abrir espaço fora do limite de gastos do país e permitir o aumento.

"Estamos fazendo o dever de casa para incorporar [o reajuste de 15,04%] no Orçamento que já está previsto para este ano. Não tem solavanco, não tem mudança de rumo", acrescentou o ministro. Segundo ele, o reajuste vai ajudar a recompor o poder de compra dos beneficiários do programa.

O ministro do Planejamento, por sua vez, disse que o governo identificou um espaço dentro do Orçamento para fazer o reajuste. De acordo com Moretti, haverá remanejamento de despesas dentro dos atuais limites, sem aumento dos gastos totais do governo.

A argumentação do governo é que se trata de um reajuste pela inflação na atual formatação do programa, em vigor desde 2023. Os valores foram mencionados no discurso do ministro do Planejamento.

"O que nós apuramos, a inflação, é que o INPC desde o início do programa até o mês de agosto, o último índice apurado, é de 15%. Ou 15,04%, para ser preciso. Isso dá um reajuste para cada um dos benefícios do Bolsa Família linear nesse patamar de 15%. Então o piso do programa, que é de R$ 600 vai a R$ 691. O benefício médio do programa sai de R$ 675 para R$ 777", declarou o ministro do Planejamento.

O que é o Bolsa Família?

O Bolsa Família, iniciativa que nasceu no Programa Fome Zero em 2003, é um programa de transferência de renda destinado a famílias em situação de pobreza e extrema pobreza. Ele é pago pela Caixa Econômica Federal, mas a gestão é feita pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.

Quem tem direito?

Famílias que estão inscritas no CadÚnico e que tenham renda familiar per capita (por pessoa) igual ou inferior a R$ 218 por mês são elegíveis ao programa.

Para calcular o valor, é necessário somar os rendimentos de todas as pessoas que moram na mesma casa, sejam elas pais, cônjuges, companheiros, filhos, enteados ou irmãos e dividir pelo número de pessoas.

Não devem ser incluídos no cálculo indenizações por danos materiais ou morais, benefícios pagos pelo poder público de forma temporária e quantias recebidas em programas de transferência de renda (como o próprio Bolsa Família).

Quais são as regras para receber o benefício?

Além do valor determinado para renda, é necessário que os beneficiários atendam algumas condições nas áreas de saúde e educação, como:

Realizar acompanhamento pré-natal, no caso de gestantes;
Acompanhar o calendário nacional de vacinação;
Acompanhar o estado nutricional de crianças menores de sete anos;
Manter frequência escolar mínima de 60% para crianças de quatro e cinco anos, e de 75% para a faixa etária de seis a 18 anos incompletos que não tenham concluído a educação básica;
Ao matricular a criança na escola e ao vaciná-la no posto de saúde, a família precisa informar que é beneficiária do Bolsa Família.
Qual é o valor pago atualmente pelo Bolsa Família?
O Bolsa Família paga um auxílio mínimo de R$ 600 por mês, composto também por valores adicionais conforme a composição familiar. Em casas com gestantes, lactantes e/ou crianças e adolescentes de até 18 anos que estiverem na escola, por exemplo, cada integrante desses grupos recebe um adicional de R$ 50. Com o reajuste, o piso do programa, que é de R$ 600 vai a R$ 691.

(Informações da Folha de S. Paulo)

 

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Gilmar: Tentaram arrastar STF para as eleições e acharam que ficariam impunes

" É uma atitude covarde, vil. Eu já disse isso em outro momento. Até a máfia tem ética. É preciso ter decência", afirmou Gilmar Mendes a criticar André Mendonça

15/09/2026 13h30

"É evidente que se trata de um pixuleco, de um boneco eleitoral. É disso que nós estamos falando"

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O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, acusou o ministro André Mendonça de tentar influenciar o processo eleitoral ao pedir um relatório da Polícia Federal (PF) sobre as conversas do banqueiro Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes.

Durante a sessão que analisa a abertura de investigação contra Moraes, Gilmar afirmou que, embora já houvesse suspeitas do elo do ministro com Vorcaro desde o início de março deste ano, Mendonça teria aguardado o período eleitoral para encomendar o relatório à PF "que, muito provavelmente, implicaria exatamente quem ele buscava implicar".

O decano disse também que, antes de levar o caso ao plenário, o ministro indicado por Jair Bolsonaro (PL) levantou o sigilo do relatório, "a fim de constranger qualquer posição contrária à sua atuação".

Ele também afirmou que defendeu ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a necessidade de separar a Corte das eleições e frisou: "Contrário do que se faz aqui. E se deram muito mal, porque são aprendizes de feiticeiro. Tentaram arrastar o Supremo Tribunal Federal para esse tipo de prática e pensaram que iriam ficar imunes e impunes. É de uma desfaçatez de corar frade de pedra".

Gilmar disse ainda que a medida se justificaria "em nome de Deus" e completou: "Como em nome de Deus já se fez muita patifaria".

No meio da fala do decano, Mendonça fez uma interferência e disse que "todos os vazamentos têm determinação de instauração de inquérito, que estão sendo conduzidos pela própria Polícia Federal".

Na continuidade de sua manifestação, Gilmar fez referência a Mendonça e disse: "É evidente que se trata de um pixuleco, de um boneco eleitoral. É disso que nós estamos falando". Gilmar disse ainda, em referência a Mendonça, que houve uma conduta mafiosa. "Quem detém sozinho aquilo que pode alcançar outros integrantes do colegiado passa a exercer sobre eles algum tipo de ascendência", declarou.

Gilmar continuou: "Relação de máfia. E isso não se faz, não é ambiente de pessoas dignas". O ministro acrescentou: "Mesmo um colega que esteja eventualmente envolvido, que teve um filho, não pode estar submetido a esse tipo de vexame. É uma atitude covarde, vil. Eu já disse isso em outro momento. Até a máfia tem ética. É preciso ter decência".

Após a fala, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou um intervalo de uma hora no julgamento, por conta da exibição do horário eleitoral nas televisões, o que pausaria a transmissão da sessão pela TV Justiça.
 

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Dino pede a Fachin investigação de relação de Mendonça com o Master

Flávio Dino acusa André Mendonça de favorecer interesses do Master e da prefeitura de São Paulo em troca de verbas do instituto Iter

15/09/2026 12h57

Audiência do STF foi agendada para decidir se o Tribunal abre ou não investigação contra Alexandre de Moraes

Audiência do STF foi agendada para decidir se o Tribunal abre ou não investigação contra Alexandre de Moraes

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Uma hora antes do início da sessão de julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as suspeitas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, o ministro Flávio Dino proferiu uma decisão na qual acusa André Mendonça de favorecer interesses do Banco Master e da Prefeitura de São Paulo em troca de verbas para o instituto Iter, fundado por ele.

Em uma ação movida pelo PCdoB sobre a concessão dos serviços cemiteriais de São Paulo, que identificou a participação do cunhado de Daniel Vorcaro no conselho da concessionária, Dino proferiu uma decisão nesta terça-feira, 15, pedindo documentos à Prefeitura de São Paulo e ao Ministério Público de SP sobre o assunto e lançando acusações contra André Mendonça.

A justificativa apresentada pelo ministro seriam "outros fatos conexos (...) que demandam esclarecimento". A decisão foi tomada de ofício, sem uma provocação pelas partes, e divulgada pouco antes do julgamento contra Moraes.

O ministro Flávio Dino escreveu que proferiu uma decisão em 13 de março determinando medidas para coibir preços abusivos das concessionárias do serviço funerário, mas afirmou que o julgamento do assunto foi suspenso por um pedido de vista de André Mendonça. Em seguida, Dino insinua que André Mendonça tomou medidas com o objetivo de beneficiar o Banco Master, beneficiar seu irmão, que ocupava cargo na prefeitura, e obter recursos para o instituto.

"Ocorre que, em 14 de março de 2025 - um dia antes da formulação do referido pedido de vista -, consoante informações confirmadas pelo próprio Ministro André Mendonça, Sua Excelência recebeu, na sede de uma empresa privada, em São Paulo, o Sr. Daniel Vorcaro. Como vimos acima, havia elevados interesses de fundos geridos pelo Banco Master exatamente em temas atinentes à privatização de cemitérios. Vale recordar que o Sr. Fabiano Zettel (cunhado de Vorcaro) é vinculado à Igreja Batista da Lagoinha, e simultaneamente exercia cargo diretivo na empresa Cortel (concessionária de cemitério em São Paulo)", escreveu Dino.

Aliado de Moraes, Dino afirma que Mendonça votou contra sua medida cautelar e de forma favorável aos cemitérios privados. Em seguida, acusa o colega de ter feito isso por interesses próprios.

"Conforme noticiado, em 24 de setembro de 2025 - após o voto do Exmo. Ministro André Mendonça no sentido de não referendar a medida por mim deferida -, o Instituto celebrou com a Prefeitura do Município de São Paulo, por intermédio da Secretaria Municipal de Gestão, o Termo de Contrato nº. 32/SEGES/2025, mediante contratação direta fundada no art. 74, III, "f", da Lei nº. 14.133/2021. O contrato, no valor de R$ 380.000,00, teve por objeto a prestação de serviços especializados de treinamento e aperfeiçoamento de agentes públicos municipais, mediante os cursos "Governança e Gestão Estratégica em Contratações Públicas" e "Excelência na Gestão e Fiscalização Contratual", realizados no âmbito da Escola Municipal de Administração Pública de São Paulo (EMASP)", diz na decisão.

Ao final, Flávio Dino pede que cópia da decisão seja enviada ao presidente do STF, Edson Fachin, para instruir um procedimento que acusa André Mendonça de quebra da imparcialidade e direcionamento das investigações do Banco Master.

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