Em dois meses, 17 pessoas já morreram em Campo Grande vítimas de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). Isso significa que a cada quatro dias uma pessoa é morta pela doença na Capital.
O número, apesar de ser expressivo, ainda está abaixo do registrado em Campo Grande no ano passado, segundo a superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau, Veruska Lahdo.
No mesmo período de 2025, 24 pessoas haviam morrido de SRAG, conforme Lahdo relatou ao Correio do Estado.
Das mortes, 15 foram por SRAG não especificada, em que a causa ainda não foi identificada nos exames ou não foi possível confirmar qual vírus ou agente causou a doença, 1 por Covid-19 e a 17ª aguarda o resultado.
“Preocupação sempre há, inclusive, já estamos adotando medidas concretas para enfrentar a situação. Entre elas, estamos realizando curso de capacitação sobre manejo clínico das doenças respiratórias, direcionado aos profissionais de saúde, com o objetivo de fortalecer a assistência e garantir um atendimento mais qualificado à população”, afirmou a superintendente da Sesau.
“Nós monitoramos esses vírus 24 horas por dia e acompanhamos todo o cenário epidemiológico”, assegurou Lahdo ao Correio do Estado.
Em um cenário de circulação de doenças respiratórias, a superintendente de Vigilância em Saúde de Campo Grande diz que a prevenção deve ser o uso de máscara, caso tenha sintoma ou até mesmo para se dirigir a uma Unidade de Saúde.

ESTADO
De acordo com dados do boletim epidemiológico divulgado na semana passada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), com dados até o dia 21 de fevereiro (sétima semana epidemiológica), em Mato Grosso do Sul, foram 51 mortes.
No ano passado, também até a sétima semana epidemiológica, haviam sido 38 mortes em todo o Estado.
Os dados de casos notificados, no entanto, não são muito diferentes. Enquanto neste ano, até o dia 21, eram 494, no ano passado, até o dia 15, que corresponde à sétima semana, eram 482 episódios de SRAG.
Conforme o boletim da semana passada, as mortes estão concentradas em Campo Grande, Dourados, Ponta Porã, Corumbá, Sidrolândia, Porto Murtinho, Bonito, Nova Andradina, Costa Rica, Miranda, Rio Verde de Mato Grosso, Aquidauana, Alcinópolis e Cassilândia.
PERFIL
Dos casos registrados até agora no Estado, a maior parte, 22,67%, é de pessoas na faixa etária de 1 a 9 anos, seguido da faixa etária de menores de 1 ano. No entanto, as mortes são, principalmente, de idosos acima dos 80 anos (representando 25,5%) e pessoas de 50 a 59 anos (com 25,5%). A maioria eram homens (56%).
O vírus que mais foi detectado entre as doenças respiratórias até agora no Estado foi o rinovírus, responsável por 35,1% dos casos diagnosticados. Em seguida veio o vírus influenza A (H3N2), com 24,3% dos casos.
A Covid-19 aparece em terceiro, com 16,2% dos casos notificados de doenças respiratórias este ano em Mato Grosso do Sul. Há vacina disponível contra a Covid-19 e a influenza nos postos de saúde.
O boletim também trouxe que algumas pessoas tiveram coinfecções, ou seja, foram acometidas por mais de uma doença. Conforme os dados, duas pessoas tiveram adenovírus e rinovírus ao mesmo tempo, enquanto outros indivíduos apresentaram adenovírus e metapneumovírus, rinovírus e Covid-19, e rinovírus e vírus sincicial respiratório.
*Saiba
A síndrome respiratória aguda grave (SRAG) é um quadro respiratório severo, frequentemente causado por vírus como influenza A e Covid-19. Os casos mais graves costumam ser registrados em crianças pequenas e idosos. A sazonalidade aumenta o risco entre março e agosto.




