Cidades

ENTREVISTA

"A eleição é um momento passageiro, e a nossa gestão terá um período bem maior"

Apesar da disputa acirrada, o novo presidente fez questão de destacar que a conciliação é inerente a seu perfil e que vai procurar pacificar a federação no Estado

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Após uma eleição marcada pelo equilíbrio e decidida por apenas um voto, o empresário Juliano Wertheimer se prepara para assumir a presidência da Fecomércio-MS, com a promessa de ampliar a presença da entidade no interior do Estado, fortalecer a representatividade dos sindicatos e aproximar os empresários das oportunidades geradas pelo novo ciclo de investimentos em Mato Grosso do Sul.

A vitória dele encerra um período de 16 anos sob a mesma gestão e abre espaço para uma nova composição de forças dentro da federação.

Em entrevista exclusiva ao Correio do Estado, o presidente eleito detalha as prioridades dos primeiros meses de mandato, fala sobre projetos voltados à saúde e à qualificação profissional e defende uma atuação mais próxima dos pequenos e médios empresários.

O senhor afirmou que a vitória representa a vontade de um grupo de sindicatos de diferentes setores e regiões. Como pretende transformar essa diversidade em unidade dentro da federação?

Essa diversidade de sindicatos, comércio varejista de várias regiões do Estado, despachantes, autoescolas, representantes comerciais, de asseio e conservação e de hotéis, bares e restaurantes, todos têm suas necessidades específicas, têm as demandas dos seus empresários e também a territorialidade de cada um.

Sendo assim, todos terão a responsabilidade e a incumbência de trazer as demandas do seu setor e da sua região.

Por exemplo, o sindicato de Corumbá ou de Naviraí ou de Nova Andrade tem a responsabilidade de trazer todas as necessidades, não só do comércio de varejo que ele representa, mas do setor de turismo, do setor de outros negócios da sua região.

Trazer para a federação a fim de nós fazermos um grande plano de desenvolvimento baseado nas necessidades, e não apenas no que nós pensamos, mas no que nós vamos ouvir lá na ponta.

O senhor acredita que a Fecomércio-MS precisa estar mais próxima dos pequenos e médios empresários do interior do Estado?

Nosso compromisso é com a interiorização da federação. Já existe essa meta internamente, de atingir os 79 municípios, mas nós vamos dar tração e tentar atingir com mais velocidade essa meta de estar presente de alguma maneira com o Sesc, o Senac, a federação e o instituto de pesquisa em todos os nossos municípios, trabalhando ativamente pelo desenvolvimento econômico, pelos nossos empresários, mas também pela saúde, o bem-estar e a educação da nossa população.

Quais serão as prioridades dos primeiros 100 dias da nova gestão?

Nos primeiros 100 dias, nós temos algumas frentes que vão ser desenvolvidas simultaneamente dentro de saúde e bem-estar.

Nós temos alguns projetos que nos primeiros 100 dias já vão ser colocados em andamento no nosso estado, de maneira itinerante, a fim de atender a população de baixa renda.

Nós temos outra frente, que é econômica, pensando na competitividade dos comerciantes de todo o Estado. E aí estamos falando de taxas, de linhas de crédito, de ensiná-los a acessar as linhas disponíveis, da bancarização dos pequenos e do acesso a novos mercados para as médias e as grandes empresas.

O senhor falou em fortalecer o lado social da entidade e melhorar as condições dos comerciários. Quais ações concretas pretende implementar nessa área?

De maneira concreta, falando da parte social, nós temos um projeto que se chama Sesc Visão. Ele consiste em uma unidade oftalmológica itinerante que vai andar pelo interior do Estado, levando consultas oftalmológicas e óculos de grau para crianças de escolas públicas e idosos de baixa renda.

O senhor disse que pretende ampliar o relacionamento institucional da Fecomércio-MS. Como imagina essa relação com o governo do Estado, as prefeituras e a bancada federal?

Falando do relacionamento institucional-governamental, nós vamos aprofundar os temas que são mais sensíveis, como benefício fiscal, incentivos, desburocratização, mais velocidade em certos licenciamentos de alguns setores do nosso ramo, de alguns setores representados por nós.

Temos um exemplo da construção que o Sindha-MS [Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação de Mato Grosso do Sul], nós como sindicato, fez com o governo do então governador Reinaldo Azambuja, durante a pandemia.

Ele concedeu um benefício fiscal para bares e restaurantes que, de lá para cá, foi renovado uma vez com o governador Reinaldo e duas vezes com o governador Riedel, se encerrando agora no fim de 2026.

Foram seis anos de benefício fiscal, que garantiu a sobrevida ou uma capacidade de investimento para bares e restaurantes de Mato Grosso Sul. Tivemos também um ano de IPVA grátis no auge da pandemia.

São ações muito fortes, muito potentes, que resultaram num impacto econômico positivo para o nosso setor e para os nossos trabalhadores, naturalmente.

É isso que nós pretendemos fazer, só que por todos os setores representados, aumentando a competitividade, pedindo auxílio do governo na interlocução com outros players que estão vindo para o Estado com investimento de bilhões, como as empresas de celulose, todas elas precisam de prestadores de serviço que fazem parte da base da Fecomércio-MS.

Nossa intenção é de aproximar os pequenos, médios e grandes empresários de Mato Grosso Sul desse ciclo virtuoso de investimentos que Mato Grosso vem vivendo, para também conseguir que os nossos empresários se beneficiem disso.

O que representa para o senhor vencer uma eleição tão disputada por apenas um voto, após 16 anos de uma mesma gestão à frente da Fecomércio-MS?

Eu penso que essa vitória representa a vontade de mudança da maioria de um grupo. A federação é formada por 15 sindicatos da base, e eles representam todo o comércio de bens, serviços e turismo de Mato Grosso do Sul em toda a sua territorialidade.

Dentro desse grupo, uma vez que esse sentimento de mudança prevaleceu, ele se materializou através do voto e da vitória da Chapa 2.

Mas no momento que acabou a eleição, inclusive, eu liguei para cada um dos presidentes que votaram na outra chapa e me coloquei à disposição, dizendo que o trabalho vai ser feito para todos e com olhos para desenvolver todos os sindicatos e as suas regiões representadas, independentemente da sua posição durante a eleição.

A eleição é um momento passageiro, e a nossa gestão terá um período bem maior do que isso, são quatro anos para trabalhar pelo nosso estado, pelos nossos sindicatos e, principalmente, pelos nossos empresários.

Como será conduzido o processo de transição com a atual diretoria?

No processo de transição, inicialmente, nós pensávamos numa transição pacífica, harmoniosa, construtiva, com o time da chapa vencedora e o time da atual gestão conversando e trabalhando juntos nos 34 dias entre a eleição e a posse.

Infelizmente, não foi possível, a atual administração não quis diálogo, não respondeu às nossas tentativas de construção de times de transição, inclusive, tem buscado na Justiça a anulação da eleição e sua perpetuação do poder.

Apesar da disputa eleitoral acirrada, há espaço para pacificação e diálogo com os grupos que apoiavam a antiga gestão?

A pacificação é inerente ao meu perfil. Eu sempre tive um perfil conciliador e harmonioso, e nosso trabalho vai ser assim, quando assumirmos, imediatamente, iremos reunir todos os entes, para conseguirmos construir um grupo coeso, superar esse momento eleitoral, que é passageiro, e concentrar todos os nossos esforços e energia no desenvolvimento do Estado e dos nossos sindicatos.

O senhor pretende manter projetos e programas considerados positivos da administração anterior?

Sobre a continuidade de projetos existentes, a gente tem que separar o que é continuísmo do que é dar continuidade a bons projetos. Continuísmo é fazermos a mesma coisa com as mesmas pessoas, e isso nós não faremos.

Nós somos um novo grupo, com uma nova mentalidade e com um projeto focado no desenvolvimento do nosso estado, cuidando da porta para fora da federação.

Todos os projetos bem-sucedidos nós vamos dar continuidade e potencializar, além de fazer uma escuta ativa com o time do Sesc e do Senac, para darmos tração aos projetos que eles enxergam como virtuosos.

Agora vai ser o momento dos bons projetos que ainda não saíram da gaveta virem à tona e ganharem tração e, com certeza, de dar continuidade aos projetos positivos que já estão funcionando.

Eu acho que essa é a maior virtude dos dirigentes de entidade que conseguem olhar para trás, reconhecer o que foi bem-feito, com respeito, e manter o trabalho com muita responsabilidade, mas olhando para a frente também e levando a entidade para o próximo [ciclo].

Quais setores de comércio e serviços o senhor acredita que terão maior potencial de crescimento em Mato Grosso do Sul nos próximos anos?

Eu acredito no potencial de todos os setores de comércio, serviços e turismo do nosso estado, 61% dos empregos formais gerados aqui são provenientes ou do comércio ou dos serviços.

Todos eles têm potencial para se qualificar, aumentar o faturamento, melhorar o resultado, gerar novos empregos e se expandir dentro do nosso estado. E por que não exportar empresas nossas também para outros estados? Já temos bons exemplos daqui e acho que podemos construir muitos outros.

De que forma a Fecomércio-MS pode contribuir para ampliar a geração de empregos no Estado?

Nós podemos contribuir com o aumento da geração de emprego, primeiramente, qualificando as pessoas e preparando-as para o mercado de trabalho. Isso faz parte do DNA do Senac, que é o Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio.

Nós temos a responsabilidade de formar mão de obra qualificada para o mercado.

A segunda maneira é a captação de empresas de comércio, varejo e turismo de fora do Estado para investirem no nosso estado, cada empresa nova gera novos postos de trabalho.

E a terceira é aproximar os nossos empresários dos outros eixos econômicos do Estado, que são o agro e a indústria, que têm muita necessidade de prestação de serviço, de fornecimento de insumos, de materiais, de produtos de toda sorte, aí nós vemos uma grande oportunidade para os nossos empresários desenvolverem ainda mais sua atividade e, assim, aumentarem ainda mais os postos.

{Perfil}

Juliano Wertheimer

Empresário do ramo de alimentação fora do lar com mais de 20 anos de experiência no setor, atuando em 10 estados. É presidente do Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação de MS (Sindha-MS) e esteve à frente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de MS (Abrasel-MS) por sete anos e hoje é vice-presidente. Foi eleito para presidir a Fecomércio-MS pelos próximos quatro anos.

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Justiça

PGR repete pedido por acesso integral a dados de Vorcaro

Procuradoria reafirma que ministros devem conhecer íntegra do material

12/09/2026 19h00

Supremo Tribunal Federal

Supremo Tribunal Federal Divulgação

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) reiterou neste sábado (12) o pedido para que todos os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tenham acesso integral aos dados extraídos pela Polícia Federal (PF) do celular do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. A manifestação foi encaminhada ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, em meio à disputa sobre quais documentos devem ser disponibilizados antes do julgamento marcado para terça-feira (15).

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu que os integrantes do STF tenham conhecimento prévio de todo o material necessário para formar entendimento sobre as questões em análise.

“Parece-nos relevante, sobretudo e especialmente dadas as peculiaridades da causa, que todos os ministros tenham conhecimento prévio da integralidade dos dados necessários para à formação de juízo sobre o tema posto em debate”, afirmou Gonet na manifestação deste sábado.

Dados do celular

Na sexta-feira (11), Fachin havia pedido a disponibilização integral das mensagens extraídas do aparelho de Vorcaro. O relator de parte do caso, ministro André Mendonça, afirmou, porém, que não estava com o celular e que os dados obtidos pela PF permaneciam em um envelope lacrado em seu gabinete.

Horas depois, Mendonça tornou públicas outras partes da investigação que ainda estavam sob sigilo, mas não liberou aos demais ministros o acesso às mensagens armazenadas no envelope.

Em nova manifestação, a PGR sustentou que a manutenção do conteúdo sob acesso restrito compromete a igualdade de condições entre os integrantes da Corte.

“Tal providência é necessária para que seja assegurado a todos os Ministros o conhecimento de todas as informações relevantes para o julgamento, já que a subsistência de acesso assimétrico ao acervo informativo compromete a paridade entre os integrantes da Corte e, em última análise, a própria colegialidade que deve presidir o julgamento”, escreveu Gonet.

Disputa no STF

O pedido ocorre em meio a uma série de manifestações de ministros sobre o acesso aos documentos que serão considerados pelo Plenário. Na sexta-feira, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin também defenderam que os colegas tenham acesso integral ao material relacionado ao julgamento. Neste sábado, o ministro Gilmar Mendes reiterou a posição.

O pedido deste sábado é assinado, além de Gonet e do vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Filho, pelos subprocuradores-gerais André de Carvalho Ramos e Antônio Edílio Magalhães Teixeira.

Julgamento na terça

Está marcada para terça-feira (15) uma sessão plenária extraordinária para analisar a Petição 16.662 e decidir sobre a abertura de uma possível investigação sobre supostas relações de Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

Fachin também negou neste sábado o pedido de Moraes para que o processo relacionado a ele fosse julgado conjuntamente com outro procedimento que analisa a atuação de Mendonça como relator de parte do Caso Master.

Segundo o presidente do STF, o processo envolvendo Mendonça ainda está em fase preliminar de instrução e não reúne condições para ser levado ao plenário. A análise desse segundo caso foi marcada para 23 de setembro. 

Tempo

Campo Grande deve ter novo fim de semana de chuva e temporais

Instabilidade deve aumentar entre a noite deste sábado e o domingo, com possibilidade de chuva forte, ventos e trovoadas em quase todo o Estado

12/09/2026 18h30

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Campo Grande ainda contabiliza os estragos provocados pelo temporal de quinta-feira (10), mas o tempo instável deve continuar neste fim de semana. A previsão indica aumento das condições para chuva e tempestades entre a noite deste sábado (12) e o domingo (13), com possibilidade de trovoadas, rajadas de vento e chuva forte em pontos de Mato Grosso do Sul.

Para este sábado, o cenário permanece instável. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta a atuação de um sistema associado a um ciclone extratropical que mantém condições favoráveis à ocorrência de chuva e tempestades em partes do Centro-Oeste. O instituto também chama atenção para a possibilidade de granizo em áreas de MS.

Na Capital, a previsão indica muitas nuvens, pancadas de chuva e trovoadas. O alerta da Defesa Civil reforça o risco justamente durante a noite, período em que podem ocorrer novas ocorrências relacionadas a vento, chuva intensa e descargas elétricas.

Domingo

Para domingo (13), o Inmet prevê em Campo Grande mínima de 18°C e máxima de 34°C, com muitas nuvens, pancadas de chuva e trovoadas isoladas. A combinação de calor e umidade mantém a possibilidade de instabilidade ao longo do dia.

No interior, a instabilidade também deve atingir diferentes regiões do Estado, mas com variação nas temperaturas. Dourados, Ponta Porã, Três Lagoas, Corumbá e Aquidauana estão entre as cidades que devem ter mudança nas condições ao longo do domingo, com possibilidade de chuva associada à atuação da frente fria e das áreas de instabilidade.

Em Dourados, a estação meteorológica da Embrapa Agropecuária Oeste registrou 25 milímetros de chuva entre sexta-feira (11) e sábado, elevando o acumulado de setembro para mais de 72 milímetros.

 

 

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