Amilton Ferreira de Almeida, advogado de defesa do delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa, ex-titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), preso no último dia 24, também foi preso temporariamente por 30 dias, suspeito de vazar informações sigilosas da operação realizada na última semana.
A ação batizada de "Obstructio" foi realizada na manhã desta terça-feira (29) por agentes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco/MPMS), desdobramento da Operação Infiltrados, que culminou na prisão do delegado na última quinta-feira.
Conforme divulgado pelo Ministério Público do Mato Grosso do Sul (MPMS), a operação cumpriu um mandado de prisão e dois de busca e apreensão na Capital.
Ainda nas primeiras horas da manhã, agentes do Gaeco estiveram na altura do número 1.200 da rua 14 de julho, no Centro de Campo Grande, local de alguns escritórios de advocacia. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanhou as diligências.
Vazamentos
O Ministério Público frisou, em nota, que já existem evidências materializadas de que houve uma comunicação criminosa durante a ação da última semana, e que Amilton teria atuado justamente para dificultar o cumprimento das medidas judiciais.
Deflagrada pelo Gaeco em conjunto com as corregedorias das polícias Civil e Militar na última quinta-feira, a investigação apura suspeitas de tráfico de drogas e outros crimes que envolviam integrantes das forças de segurança pública.
Durante a primeira fase foram expedidos ao todo 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão para cumprimento em Campo Grande, Dourados e Terenos.
Balanço divulgado pelo MPMS já indicou que, até então, já haviam sido cumpridos mandados de prisão preventiva contra nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal.
As investigações que culminaram na prisão do delegado começaram em outubro de 2025 no decorrer das operações Traquetos e Blindspot, também conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado.
O grupo é investigado por um esquema de desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais, especialmente cocaína, o que levou à prisão de Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa na última semana.
Uma das suspeitas é de que parte dos entorpecentes apreendidos não fosse incluída nos registros oficiais. A investigação também apura a retirada de drogas armazenadas em depósitos de delegacias.
Os entorpecentes desviados seriam posteriormente repassados a traficantes ligados ao grupo e recolocados no mercado ilegal.
Colaboraram Leo Ribeiro e Alicia Miyashiro**


