Enquanto Mato Grosso do Sul já contabiliza milhares de pessoas envolvidas com apostas on-line, o governo federal intensificou a ofensiva contra plataformas irregulares. Até esta terça-feira (29), foram indicados para derrubada 5.209 domínios relacionados a apostas, dos quais 2.387 já tiveram o bloqueio determinado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
O número ganha dimensão local diante do levantamento publicado pelo Correio do Estado neste mês, que identificou 32,5 mil moradores de Campo Grande como apostadores on-line. O contingente corresponde a 3,35% da população da Capital e é superior à população de 63 dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul.
A ofensiva também mira a divulgação das bets nas redes sociais. Até agora, foram removidas 300 páginas do Facebook e 90 perfis do Instagram usados para promover ou facilitar o acesso a apostas irregulares. O Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), iniciou nesta terça-feira ações para retirar conteúdos relacionados às bets ilegais do TikTok.
No Telegram, a operação alcançou 1.014.722 membros e usuários de canais, grupos e perfis relacionados às plataformas irregulares. Também foram notificados 186 aplicativos para retirada das lojas da Apple e do Google até 6 de outubro.
Outras oito grandes plataformas: Google, Meta, YouTube, X, Telegram, TikTok, Kwai e Discord receberam notificações para retirar publicidade de apostas irregulares do ar no prazo de dez dias.
Apostas e prejuízos
O avanço da fiscalização ocorre em meio a sinais dos impactos do mercado de apostas em Mato Grosso do Sul. Segundo levantamento anterior do Correio do Estado, mais de 300 sul-mato-grossenses buscaram ajuda do SUS em apenas seis meses por problemas relacionados às apostas.
Outro levantamento do jornal identificou 11 processos judiciais envolvendo apostadores que alegam ludopatia. Juntos, os casos movimentaram mais de R$ 22,7 milhões nas plataformas, enquanto as perdas relatadas chegaram a aproximadamente R$ 1,7 milhão.
Em um dos casos, um morador de Campo Grande movimentou cerca de R$ 9,5 milhões em apostas ao longo de três anos e acumulou perda aproximada de R$ 715,7 mil.
Os números mostram que a ofensiva contra as plataformas não se restringe ao bloqueio de endereços na internet, mas atinge um mercado que já tem alcance expressivo entre os consumidores sul-mato-grossenses.
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A ação conjunta do MJSP e do Ministério da Fazenda ocorre no âmbito da Medida Provisória nº 1.394/2026, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de loterias de apostas de quota fixa em território nacional.
A Secretaria Nacional de Direitos Digitais indicou 1.386 domínios, enquanto a Secretaria de Prêmios e Apostas, do Ministério da Fazenda, apontou outros 3.823.
A Polícia Federal também investiga crimes relacionados ao mercado ilegal de apostas. Entre março de 2023 e agosto de 2026, foram realizadas 12 operações, com pelo menos 73 mandados de busca e apreensão e 15 de prisão. Os pedidos de sequestro de bens e recursos registrados nessas ações somam aproximadamente R$ 4,17 bilhões.
As investigações envolvem organizações suspeitas de operar apostas ilegais e crimes associados, como lavagem de dinheiro.


