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Ferrovia

Após 43 anos, novo traçado da Ferroeste que inclui MS pode se tornar realidade

Após elaboração de aditivo ao Estudo de Impacto Ambiental, MPF deu aval para que projeto possa receber licença ambiental

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Desde 1980, estudos da Estrada de Ferro Paraná Oeste (Ferroeste) preveem a chegada de um ramal da ferrovia em Mato Grosso do Sul. Agora, 43 anos depois, esse projeto pode enfim sair do papel, com a entrega do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) atualizado pelo governo do Paraná ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para concessão de licença ambiental.

Essa atualização foi uma exigência do Ministério Público Federal (MPF) no Paraná e em Mato Grosso do Sul, já que no documento anterior o EIA não levou em consideração, na opinião do órgão federal, o impacto que os trilhos poderiam causar em todas as aldeias indígenas e comunidades quilombolas no traçado.
De acordo com o órgão, o estudo anterior havia sido feito apenas com uma comunidade. Por causa disso, o MPF encaminhou ofício ao Ibama e à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) requisitando informações sobre áreas possivelmente impactadas.

O MPF também recomendou que o EIA fosse refeito e que os pontos que eles avaliaram como incorretos fossem arrumados, sob pena de nulidade de todo o processo de licenciamento ambiental, que ainda está em andamento.

Porém, após visita feita pela Funai e por representantes da Ferroeste às comunidades presentes ao longo do novo traçado, o MPF informou que a atualização do documento foi satisfatória.

“Em resposta às recomendações expedidas pelo MPF, a Funai elaborou um aditivo ao termo de referência (TR) que trata do escopo das terras indígenas a serem objeto do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da Ferroeste. Este aditivo incluiu o Acampamento Pakurity, que fica nas proximidades da Reserva Indígena de Dourados, em MS. A atualização do TR vai ao encontro do que foi proposto pelo MPF no intuito de que a Funai promovesse as adequações necessárias ao componente indígena do EIA”, diz nota do órgão ao Correio do Estado. 

“O MPF segue acompanhando eventuais impactos que possam ser causados às comunidades tradicionais em razão da implantação da Ferroeste”, finaliza o MPF, em nota.

Com o aval do Ministério Público Federal, o governo do Paraná encaminhou a atualização do EIA ao Ibama e, agora, aguarda a concessão da licença ambiental para que o novo traçado possa sair do papel.

De acordo com o governo do Paraná, entre as mudanças no EIA, estão 27 melhorias no traçado original, 6 no ramal entre Cascavel e Foz do Iguaçu e 21 no trecho entre Maracaju e Paranaguá (PR).

“As mudanças levam em consideração demandas das audiências públicas, de entidades setoriais e das prefeituras, que solicitaram adequações, como o aumento da distância entre o futuro trilho e a áreas em desenvolvimento ou com fragmentos de mata nativa. Alguns exemplos são os municípios de Fernandes Pinheiro, Palmeira, Assis Chateaubriand e Guarapuava, onde o traçado foi desviado para evitar o corte de perobas, araucárias e imbuias de grande porte”, diz nota do governo paranaense.

As alterações também prometem diminuir o impacto de desapropriações. Outra mudança é a redução de 21% na supressão de mata nativa em relação à proposta inicial, que já havia sido construída sob uma modelagem verde. 

PROJETO

Na década de 1980, a então concessionária responsável pela Ferroeste realizou um estudo que previa a ligação de um novo ramal da ferrovia no Paraná. Esse novo traçado incluiria cidades de Mato Grosso do Sul, chegando até o município de Dourados.

Esse projeto sofreu algumas alterações ao longo do tempo, até chegar à sua forma atual, que pretende levar a ferrovia até Maracaju, passando por oito municípios de Mato Grosso do Sul.

Ao todo, o traçado do projeto passa por 66 municípios: 51 no Paraná, 7 em Santa Catarina e 8 no Estado.
O projeto contempla a construção de 1.567 quilômetros de trilhos. Nesse total, está sendo considerada a repotencialização do trecho entre Guarapuava e Cascavel, em operação atualmente. Quem vencer o leilão vai executar as obras e explorar o trecho por 99 anos. O investimento estimado é de R$ 35,8 bilhões.

Para Mato Grosso do Sul, o destravamento deste ramal ferroviário é importantíssimo, já que o Estado é o segundo maior usuário do Porto de Paranaguá, utilizado para escoamento de sua produção, atrás apenas do Paraná.

De acordo com dados do governo paranaense, no primeiro semestre deste ano, 36.257 caminhões de Mato Grosso do Sul foram descarregados no Porto de Paranaguá. Sem uma ferrovia ativa, já que os trilhos pertencentes a Rumo Logística estão desativados, hoje o transporte de grãos do Estado é feito pelo modal rodoviário.

Evento Religioso

Governo contrata show de R$ 140 mil para Jornada Diocesana da Juventude

Evento reunirá jovens de diferentes paróquias com programação de fé, música e convivência em Nioaque

19/08/2026 11h23

Banda

Banda "Fraternidade São João Paulo II" em apresentação Foto: Reprodução

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Por meio do Diário Oficial publicado na manhã desta quarta-feira (19), o Governo do Estado anunciou a contratação da banda “Fraternidade São João Paulo II”. O grupo musical irá se apresentar na Jornada Diocesana da Juventude, no dia 30 de agosto, na cidade de Nioaque. 

A contratação da banda foi pelo governo estadual por meio da Summer Produções LTDA, empresa responsável pelo grupo de artistas. O valor do show foi de R$ 140 mil e contará com o apoio do projeto Ações Culturais para o Fortalecimento de Mato Grosso do Sul, da Fundação de Cultura do Estado.

A Jornada Diocesana da Juventude é um encontro religioso voltado à participação de jovens. A programação costuma reunir oração, celebrações, música, momentos de convivência e atividades de formação.

Para 2026, a divulgação encontrada aponta Nioaque como sede do evento, com participação de grupos de jovens e representantes de paróquias da região.

A escolha da banda para se apresentar no evento não foi aleatória, o grupo Fraternidade São João Paulo II, em atuação ligada à Igreja Católica e trabalha com atividades de evangelização, música e encontros religiosos.

O grupo já foi contratado para apresentações em outras cidades brasileiras. Em Prado, na Bahia, a Fraternidade participou das festividades de Nossa Senhora da Purificação, em fevereiro de 2025, em contrato de R$ 110 mil.

Com a atração musical, a Jornada Diocesana da Juventude deve reunir religião, música e atividades voltadas ao público jovem.
 

ÍCONE DA SAÚDE

Símbolo do tratamento da hanseníase em MS, Irmã Silvia completa 95 anos

Presidente de honra do Hospital São Julião, italiana nascida em Auronzo di Cadore chegou ao Brasil em 1959 e revolucionou cuidado com hansenianos a partir de 1969

19/08/2026 11h11

 Irmã Sílvia trouxe para Campo Grande voluntários da Operação Mato Grosso após buscar apoio na Itália em 1969

Irmã Sílvia trouxe para Campo Grande voluntários da Operação Mato Grosso após buscar apoio na Itália em 1969 Reprodução/Divulgação

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Parte da história de Mato Grosso do Sul, a popular Irmã Silvia Vecellio completa mais uma primavera de vida e chega aos 95 anos nesta quarta-feira (19),  sendo presidente de honra do Hospital São Julião e símbolo vivo do tratamento da hanseníase no Estado.

O próprio Hospital São Julião celebra, em nota, a data em que "o mundo ganhou a mulher que fez da própria existência uma missão e deixou em Mato Grosso do Sul um legado que atravessa gerações". 

"Há vidas que passam pelo tempo. E há vidas que transformam o tempo por onde passam", cita o texto.

Como bem frisa a instituição, este 19 de agosto serve de celebração de uma vida que escolheu cuidar e ensinou que pessoal alguma deve ser esquecida. 

"E uma pessoa que, ao dedicar sua própria existência à vida do outro, ajudou a transformar para sempre a história de Mato Grosso do Sul", complementa. 

Irmã Silvia

Silvia Vecellio nasceu em 19 de agosto de 1931, na cidade de Auronzo di Cadore, ao norte da Itália, uma vila alpina cercada por picos rochosos que impulsionaram a irmã ainda jovem a se dedicar ao alpinismo. 

A prática lhe ensinou, desde cedo, a superar grandes desafios e manter a visão para além dos picos e montanhas que aparecem à nossa frente. Irmã Sílvia começou sua vida religiosa e ingressou no instituto batizado de "Filhas de Maria Auxiliadora", que fica na cidade italiana de Turim. 

Esse seria um dos primeiros passos da jovem que, à época, já sonhava em trabalhar junto às populações indígenas do então Estado de Mato Grosso uno. O mês de setembro de 1959 marca a chegada de Irmã Sílvia ao Brasil. 

Chegando ao Brasil para lecionar em Campo Grande como professora no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, a jovem já demonstrava estar além do seu tempo e indicava à época que a "educação" em si estaria para além dos livros. 

"Levou o cinema para dentro da sala de aula, estimulou suas alunas a refletirem sobre questões filosóficas e sociais e, aos domingos, passou a visitar comunidades periféricas de Campo Grande".

Justamente uma dessas visitas, feita ao Educandário Getúlio Vargas em 1964, ligaria a história de Irmã Sílvia às pessoas que viviam no chamado Asilo Colônia São Julião, já que os filhos desses internados traziam consigo cartas e fotografias de um local que até então era pouco falado. 

Distante em uma área isolada da cidade, centenas de pessoas viviam precariamente, abandonadas sem a devida assistência médica e medicações adequadas para tratar uma condição que até então era envolta por medo e preconceito. 

Antigamente chamada de "lepra", a doença infecciosa crônica que possui cura tornava esses pacientes insensíveis para a maior parte da sociedade, sendo causada por uma bactéria que afeta principalmente os nervos periféricos e causa manchas na pele. 

Ícone da saúde local

Cerca de cinco anos depois, trouxe para Campo Grande voluntários da Operação Mato Grosso após buscar apoio na Itália em 1969. Junto de colaboradores brasileiros e italianos, religiosos, profissionais e empresários, teve início uma verdadeira força-tarefa para reconstruir o espaço em questão. 

Já em 1970 nasce a Associação de Auxílio e Recuperação de Hansenianos, que abriu as portas para a chegada do saneamento, tratamento médico, laborterapia, melhoria da alimentação, escola e mais. 

Conforme a instituição, o ato de Irmã Sílvia trouxe principalmente uma nova forma de olhar para pessoas que ao longo de décadas haviam sido excluídas da sociedade em geral. 

Logo, o espaço de isolamento tornou-se um local de reabilitação, cuidado e educação, quando surge o Hospital São Julião, que ampliou a atuação e tornou-se referência ao longo dos anos não apenas no atendimento à hanseníase. 

Além de contar com centro cirúrgico, este Hospital oferece atendimento à população: escola, centro oftalmológico, estruturas de reabilitação, ações sociais e iniciativas voltadas à educação, cultura e inclusão.

Carlos Melke é presidente do São Julião e faz questão de exaltar Irmã Sílvia, também pelos seus atos, mas sobretudo por seu exemplo de vida.

“Conviver com a Irmã Silvia é aprender todos os dias que cuidar do ser humano vai muito além de tratar uma doença. Ela nos ensina, pelo exemplo, que cada pessoa precisa ser enxergada com amor, respeito e carinho, independentemente da sua condição ou daquilo que a sociedade possa pensar sobre ela. Sua dedicação à vida é algo que não se explica apenas com palavras.

Está em cada gesto, em cada pessoa que ela acolheu e em cada história que ajudou a transformar. O São Julião carrega esse ensinamento todos os dias: ninguém deve ser privado de dignidade, esperança e oportunidade de recomeçar”, conclui

**(Com assessoria)

 

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