Durou pelo menos sete horas o resgate de uma onça-pintada fêmea e dois filhotes, que apareceram na manhã deste sábado (07) no bairro Beira Rio, no Porto Geral de Corumbá. O trabalho foi feito pelo Comitê de Captura de Animais Silvestres na área urbana, formado pelo Corpo de Bombeiros, Polícia Militar Ambiental, Polícia Militar, Embrapa Pantanal, Ibama, Fundação de Meio Ambiente do Pantanal, Centro de Controle de Zoonoses e Instituto do Homem Pantaneiro.
A onça-pintada e os filhotes estavam em uma árvore, no quintal de uma casa, às margens do rio Paraguai. O morador da casa, ao sair por volta das 06h, viu os animais e acionou a Polícia Militar, que chamou os bombeiros. O morador deixou o imóvel e a área foi isolada.
A primeira a ser resgatada foi a onça adulta. Os bombeiros dispararam dardos tranquilizantes, cujas doses foram definidas por veterinários. Após cerca de uma hora, o felino caiu sobre uma rede, em meio à vegetação e a água do rio Paraguai. Depois de capturada, a onça teve de receber mais sedação, por ser de grande porte e foi levada para a Embrapa Pantanal para monitoramento clínico. Aparentamente, ela não sofreu ferimentos.

A partir daí, o trabalho se concentrou no resgate dos dois filhotes. Um deles foi sedado e resgatado duas horas depois da mãe, por volta das 12h20. Magro e aparentando necessidade de cuidados especiais, ele também foi levado para a Embrapa Pantanal para avaliação clínica. Já o segundo filhote deu trabalho à equipe e só foi capturado pouco depois das 14 horas. Mesmo com dois dardos tranquilizantes, o pequeno felino estava agitado e bravo, chamando a atenção de quem acompanhava o trabalho. Dentro da jaula, ele se debatia, provocando um pequeno corte no nariz. Várias pessoas tentavam registrar fotos e vídeos do animal.
“É a primeira vez que um animal como esse aparece nessa área. Sabemos de histórias ocorridas em outras regiões da cidade. A gente nunca viu, mas agora o medo é enorme, ainda mais porque temos filhos que gostam de brincar no quintal. Aqui sempre tem outros tipos de bichos que aparecem, mas onça é a primeira vez”, disse ao Diário Corumbaense a moradora Aline Gonçalves da Silva. “Senti um pavor na hora, é um bicho muito feroz. Já pensou dar de cara com essas onças? Chego a ficar arrepiada só de falar”, completou Elenice Colman Soares.
Para alguns moradores, as onças já rondavam aquela área há algum tempo, pois dias atrás, capivaras que eram vistas na região, sumiram. Eles também perceberam um forte cheiro de animal morto.
Trabalho complexo
A onça e os filhotes provavelmente viviam no baixo pantanal, e com a cheia do rio Paraguai, acabaram se refugiando para a parte mais alta, vindo parar no quintal da casa. “Esse resgate foi bem complexo, mas tivemos êxito em capturá-los sem ferimentos. Eles vão passar por avaliação clínica e dependendo do resultado podem ser levados para o CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) em Campo Grande, ou serem soltos no habitat natural”, explicou o tenente do Corpo de Bombeiros, Victor Shiroma.
A presença do maior felino da fauna pantaneira na área urbana da cidade não é incomum. Em 2007, duas onças-pintadas morreram durante uma ação de captura em uma caverna atrás do Exército. Já em 2009, foi uma onça parda que apareceu no bairro Aeroporto. Ela foi capturada e solta no habitat natural.


