Cidades

CAMPO GRANDE

Após três dias da tempestade, falta luz em 16 bairros e água em 12

Concessionária de energia não tem previsão de quando serviço será restabelecido por completo

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Após três dias da tempestade de poeira atingir Campo Grande, os estragos persistem em diversos bairros da Capital, causando prejuízo e transtorno para os moradores. 

Até o início da noite de ontem, pelo menos 16 bairros sofriam com falta de energia e 12 também com falta de água, situação que já ultrapassa 50 horas.  

Na sexta-feira, a cidade foi encoberta por uma densa nuvem de poeira acompanhada de fortes rajadas de vento que causaram destruição, inclusive na fiação elétrica de vários pontos da cidade, problema que ainda persiste. 

Como consequência, moradores precisam lidar com a perda de alimentos na geladeira, com a falta de comunicação e com a impossibilidade de acessar outros serviços que demandam energia elétrica.  

Cristiana Bezerra, 46 anos, mora no Bairro Maria Aparecida Pedrossian e, após quase três dias do vendaval, ainda sofre com a falta de energia elétrica e de abastecimento de água. Com isso, ela procurou abrigo na casa de familiares, sem estimativa para retornar para a sua casa, visto que ainda não há previsão de retorno dos serviços.  

“A energia na minha casa acabou logo após o temporal, e pouco tempo depois acabou a água também. Já perdi tudo que está na minha geladeira, tentei comprar gelo para colocar no congelador, mas não ia adiantar nada. Estou fora de casa desde quando tudo isso aconteceu e sem nenhuma estimativa de retorno. Como posso ficar lá? É uma situação muito complicada”, relatou.  

A estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou na sexta-feira, às 17h, rajadas de 102 km/h na Capital. De acordo com a Energisa, mais de 80% das ocorrências foram ocasionadas por queda de árvores e de galhos, que romperam cabos e danificaram a rede elétrica. 

Segundo uma nota divulgada pela Águas Guariroba, até as 16h30min de ontem, 12 bairros de Campo Grande ainda estavam sem o fornecimento de água.  

A tempestade de poeira também fez vítimas. Na Capital, duas pessoas morreram e outras duas ficaram gravemente feridas. Oswaldo Seiken Shirado, de 80 anos, veio a óbito na Santa Casa após cair do telhado de sua residência ao tentar remover partes de uma árvore que havia caído após o temporal. 

A segunda vítima fatal, foi o empresário de 36 anos Diego Teruya, que morreu em razão de uma descarga elétrica.  

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PREJUÍZO  

No Jardim Centro-Oeste, a aposentada Maria Tomicha de Arruda, 62 anos, relatou que uma árvore caiu sobre a fiação da sua casa às 10h de sexta-feira, e desde então ela sofre com a falta de luz.  

Para tentar diminuir os impactos causados pela falta de energia elétrica na casa, a aposentada tem utilizado caixas térmicas para manter os alimentos refrigerados. Segundo ela, foram comprados oito sacos de gelo, contudo, na convivência mais próxima, o produto já está em falta.  

“Esperamos que volte logo a luz, aqui na região temos muitos insetos, à noite é complicado. Compramos gelo para manter os alimentos, mas isso muito me preocupa, está tudo tão caro, tirei tudo da geladeira e estamos tentando conservar", afirmou.

"Já perdi algumas coisas, é muito ruim ficar sem energia, aqui sempre acaba e tem essa demora. É muita falta de respeito com a gente”, completou.  

Mirtes Ramos de Arruda, 42 anos, mora na região e destacou que os moradores da rua têm utilizado energia elétrica do supermercado nas proximidades para carregar os celulares. Em consequência da demora para o retorno da luz, ela relatou dificuldade para encontrar velas.

“Fui ao mercado e encontrei apenas dois pacotes de vela, estamos carregando os celulares no mercado próximo que temos amigos. Aqui é uma região que sempre sofre com a falta de luz, e eles demoraram muito para vir atender. Não tem 15 dias que tivemos esse mesmo problema, mas nunca demorou tanto para retornar”, alegou.  

A força da tempestade também destruiu o teto de um posto de combustível na Avenida Costa e Silva. A estrutura ficou suspensa sobre dois caminhões que estavam estacionados no local. Uma fonte, que preferiu não se identificar, disse que ainda não há estimativa dos prejuízos no posto. Ninguém ficou ferido.  

Em outro ponto da cidade, na Avenida Bom Pastor, Vila Vilas Boas, um condomínio teve destelhamento de diversas casas, causando prejuízo e preocupação para os moradores.

Em uma das vias mais movimentadas da cidade, na Rua Joaquim Murtinho, uma árvore de grande porte caiu em cima de um veículo na sexta-feira e ainda segue na via, prejudicando o trânsito no local.  

Revoltados pela falta de energia elétrica há 48 horas, moradores do Parque Dallas se manifestaram por conta da falta de resolução do problema e bloquearam a Rua Felipe Camarão. Nilzete Mendonça, moradora da região, relata estar vivendo um momento delicado com seu filho, diagnosticado com deficiência intelectual. 

Segundo ela, toda a sua compra do mês foi perdida com a falta de energia. “Ele tem medo do escuro, então eu tenho que acender velas à noite e tenho que ficar vigiando, porque ele pode pegar e isso pode gerar um acidente”, contou.  

Renan Lins, comerciante e morador do Parque Dallas, relatou ao Correio do Estado que não sabe mais a quem recorrer para ter ajuda. O comerciante diz que nos últimos dias as pessoas têm se alimentado de bolachas, pão e salgadinhos à luz de velas, tomando banhos gelados.  

RETORNO  

Atualmente, Mato Grosso do Sul conta com 3.800 locais com falta de energia elétrica. De acordo com o gerente de operação da Energisa, Fernando Corradi, a empresa aumentou em seis vezes a quantidade de equipes nos atendimentos e estabeleceu 15 vezes mais clientes por hora que em dias normais de serviço.  

Segundo ele, nunca na história do Estado houve um volume de ocorrências tão grande, visto que o temporal causou danos muito graves ao sistema elétrico.  

“A estratégia utilizada pela empresa foi resolver os problemas nas subestações, os alimentadores e os religadores, para então lidarmos com os problemas de distribuições dos bairros. Às vezes não é apenas retirar a árvore que já resolve a situação, não sabemos a complexidade dos danos em diversos locais, em muitos casos temos que reconstruir a rede elétrica”, avaliou.  

Corradi reitera que não é possível pontuar quando o serviço será normalizado, visto que a demanda é extensa e os reparos na rede elétrica se complicaram em razão dos rompimentos de cabos pelos galhos e pelas quedas de postes.  

A concessionária Energisa solicitou reforço de outros estados para auxiliar nos reparos dos estragos causados pelas tempestades, com mão de obra de Mato Grosso, de São Paulo, da Paraíba, de Sergipe, do Acre, de Rondônia e de Minas Gerais.  

Por conta da grande demanda de serviço, a Energisa enfatiza que a população deve aguardar a assistência das equipes especializadas da empresa. Os canais de atendimento disponíveis são pelo WhatsApp (Gisa): (67) 99980-0698 e pelo aplicativo Energisa On.

(Colaborou Thais Libni)

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Falso Roubo

Polícia descobre falso esquema de roubo de veículos em Campo Grande

Vendedor registrava boletins falsos para acionar a polícia e reaver automóveis negociados sem pagamento integral, aponta Defurv

19/05/2026 17h42

Vendedor de automóveis utilizava registros falsos de roubos, furtos e apropriações indébitas para tentar recuperar veículos negociados informalmente e com pagamentos pendentes.

Vendedor de automóveis utilizava registros falsos de roubos, furtos e apropriações indébitas para tentar recuperar veículos negociados informalmente e com pagamentos pendentes. Divulgação

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A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por meio da Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv), identificou uma série de falsas comunicações de crimes patrimoniais envolvendo veículos automotores em Campo Grande.

Segundo as investigações, um vendedor de automóveis utilizava registros falsos de roubos, furtos e apropriações indébitas para tentar recuperar veículos negociados informalmente e com pagamentos pendentes.

As apurações começaram após o registro de um boletim de ocorrência na madrugada do dia 15 de maio. Na ocasião, o vendedor identificado pelas iniciais D.W.V.Q., de 27 anos, afirmou ter sido vítima de um roubo à mão armada envolvendo uma picape Fiat Strada branca durante uma negociação de venda do veículo.

No entanto, durante as diligências, policiais civis encontraram inconsistências relevantes no relato apresentado pelo comunicante.

Conforme a Defurv, o histórico do investigado e a existência de outras ocorrências semelhantes registradas recentemente em seu nome levantaram suspeitas sobre a veracidade das denúncias.

Ao aprofundar as investigações, os policiais identificaram que, em um curto intervalo de tempo, o suspeito havia registrado pelo menos quatro boletins de ocorrência relacionados a supostos crimes patrimoniais envolvendo veículos automotores.

Segundo a Polícia Civil, as ocorrências não tinham relação com roubos ou furtos efetivamente praticados, mas sim com conflitos decorrentes de negociações informais de compra e venda de veículos.

Confrontado com as informações levantadas pela equipe policial, o investigado admitiu que os registros não correspondiam à realidade e confessou ter utilizado os boletins como forma de inserir restrições criminais nos sistemas policiais para facilitar a localização e apreensão dos veículos.

De acordo com o depoimento prestado, após entregar voluntariamente os automóveis aos compradores e enfrentar dificuldades para receber os valores combinados, ele passou a registrar falsas ocorrências para que os veículos fossem recuperados pelas forças de segurança pública.

No caso da Fiat Strada, o vendedor afirmou que o veículo havia sido negociado por cerca de R$ 45 mil, restando uma dívida aproximada de R$ 15 mil. Após uma discussão relacionada ao pagamento pendente, ele resolveu procurar a polícia e comunicar falsamente o roubo do automóvel.

Outro caso investigado envolve um veículo Hyundai i30. Conforme admitido pelo investigado, ele registrou inicialmente uma falsa ocorrência de furto após uma negociação frustrada envolvendo dívida de aproximadamente R$ 6 mil.

Dias depois, voltou a comunicar falsamente uma apropriação indébita relacionada ao mesmo carro, novamente tentando recuperá-lo por meio da atuação policial.

As investigações também identificaram o registro falso de apropriação indébita envolvendo uma motocicleta Honda CG 160 Fan, após divergências financeiras relacionadas à venda do veículo e saldo pendente de cerca de R$ 3,5 mil.

Além das falsas comunicações, a Polícia Civil informou que o investigado possui histórico de registros relacionados a crimes patrimoniais, negociações envolvendo veículos, apropriação indébita, estelionato, adulteração de sinal identificador de veículo automotor e antecedentes ligados à violência doméstica.

Diante dos fatos apurados, foram instaurados Termos Circunstanciados de Ocorrência pela suposta prática do crime de falsa comunicação de crime, previsto no artigo 340 do Código Penal, cuja pena pode variar de detenção de um a seis meses ou multa.

Alerta

A Defurv alertou que falsas comunicações de crimes provocam desperdício de recursos públicos e comprometem diretamente o trabalho das forças de segurança pública.

Segundo a especializada, cada ocorrência falsa mobiliza equipes policiais, viaturas, sistemas de inteligência, análises de imagens, diligências externas e procedimentos operacionais que deixam de ser direcionados para investigações de furtos e roubos reais de veículos.

A Polícia Civil também destacou que esse tipo de conduta prejudica os dados estatísticos da criminalidade, aumenta a sobrecarga das unidades policiais e impacta diretamente vítimas reais de organizações criminosas especializadas em furto, receptação e adulteração de veículos.

Por fim, a corporação reforçou que conflitos envolvendo negociações particulares, inadimplência contratual e cobranças financeiras devem ser resolvidos pelas vias cíveis e judiciais adequadas, sem utilização indevida da estrutura policial como mecanismo de cobrança ou recuperação patrimonial privada.

CAMPO GRANDE

Vigilância Sanitária de MS autua clínica em que paciente morreu após hemodiálise

Pacientes passaram mal e um morreu após procedimento na Clínica DaVita

19/05/2026 17h40

Ser humano em hemodiálise - imagem de ilustração

Ser humano em hemodiálise - imagem de ilustração DIVULGAÇÃO

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Vigilância Sanitária, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS), autuou a Clínica DaVita, localizada na rua 13 de maio, bairro São Francisco, em Campo Grande, por possíveis irregularidades.

Pacientes teriam passado mal e outro morreu, após procedimento de hemodiálise realizado no local, neste ano.

A clínica é particular, mas também recebe pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), via convênio com o Estado.

Conforme apurado pela reportagem, agentes da Vigilância Sanitária compareceram na clínica, flagraram irregularidades e autuaram o local. Em seguida, foi instaurado um processo sanitário para apuração dos fatos.

“A SES (Secretaria de Estado de Saúde) confirma que o serviço foi autuado e que será instaurado processo sanitário para apuração dos fatos, conforme previsto na legislação vigente. A SES reforça que acompanha a situação por meio das áreas técnicas competentes e que todas as medidas administrativas e sanitárias cabíveis serão adotadas”, informou a pasta de Saúde por meio de nota enviada ao Correio do Estado.

Ser humano em hemodiálise - imagem de ilustraçãoNota enviada ao Correio do Estado, na tarde desta terça-feira (19)

O relatório de autuação foi enviado ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que deve apurar o fato e solicitar documentos e esclarecimentos à clínica sobre condições sanitárias e protocolos de biossegurança.

O Correio do Estado entrou em contato com a Clínica DaVita por meio de ligação, e-mail e WhatsApp para saber sua versão, mas, até o fechamento desta reportagem, não foi respondido. O espaço segue aberto para resposta.

A Vigilância Sanitária realiza visitas periódicas em clínicas de MS para fiscalizar condições sanitárias e padrões de biossegurança.

O órgão atua como agente essencial na proteção da saúde pública, atuando na prevenção de riscos decorrentes de produtos, serviços e ambientes. Além de fiscalizar e regular, integra esforços entre estados e municípios, promovendo políticas de saúde baseadas em metas e acompanhamento contínuo.

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