Cidades

Falso Roubo

Polícia descobre falso esquema de roubo de veículos em Campo Grande

Vendedor registrava boletins falsos para acionar a polícia e reaver automóveis negociados sem pagamento integral, aponta Defurv

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A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por meio da Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv), identificou uma série de falsas comunicações de crimes patrimoniais envolvendo veículos automotores em Campo Grande.

Segundo as investigações, um vendedor de automóveis utilizava registros falsos de roubos, furtos e apropriações indébitas para tentar recuperar veículos negociados informalmente e com pagamentos pendentes.

As apurações começaram após o registro de um boletim de ocorrência na madrugada do dia 15 de maio. Na ocasião, o vendedor identificado pelas iniciais D.W.V.Q., de 27 anos, afirmou ter sido vítima de um roubo à mão armada envolvendo uma picape Fiat Strada branca durante uma negociação de venda do veículo.

No entanto, durante as diligências, policiais civis encontraram inconsistências relevantes no relato apresentado pelo comunicante.

Conforme a Defurv, o histórico do investigado e a existência de outras ocorrências semelhantes registradas recentemente em seu nome levantaram suspeitas sobre a veracidade das denúncias.

Ao aprofundar as investigações, os policiais identificaram que, em um curto intervalo de tempo, o suspeito havia registrado pelo menos quatro boletins de ocorrência relacionados a supostos crimes patrimoniais envolvendo veículos automotores.

Segundo a Polícia Civil, as ocorrências não tinham relação com roubos ou furtos efetivamente praticados, mas sim com conflitos decorrentes de negociações informais de compra e venda de veículos.

Confrontado com as informações levantadas pela equipe policial, o investigado admitiu que os registros não correspondiam à realidade e confessou ter utilizado os boletins como forma de inserir restrições criminais nos sistemas policiais para facilitar a localização e apreensão dos veículos.

De acordo com o depoimento prestado, após entregar voluntariamente os automóveis aos compradores e enfrentar dificuldades para receber os valores combinados, ele passou a registrar falsas ocorrências para que os veículos fossem recuperados pelas forças de segurança pública.

No caso da Fiat Strada, o vendedor afirmou que o veículo havia sido negociado por cerca de R$ 45 mil, restando uma dívida aproximada de R$ 15 mil. Após uma discussão relacionada ao pagamento pendente, ele resolveu procurar a polícia e comunicar falsamente o roubo do automóvel.

Outro caso investigado envolve um veículo Hyundai i30. Conforme admitido pelo investigado, ele registrou inicialmente uma falsa ocorrência de furto após uma negociação frustrada envolvendo dívida de aproximadamente R$ 6 mil.

Dias depois, voltou a comunicar falsamente uma apropriação indébita relacionada ao mesmo carro, novamente tentando recuperá-lo por meio da atuação policial.

As investigações também identificaram o registro falso de apropriação indébita envolvendo uma motocicleta Honda CG 160 Fan, após divergências financeiras relacionadas à venda do veículo e saldo pendente de cerca de R$ 3,5 mil.

Além das falsas comunicações, a Polícia Civil informou que o investigado possui histórico de registros relacionados a crimes patrimoniais, negociações envolvendo veículos, apropriação indébita, estelionato, adulteração de sinal identificador de veículo automotor e antecedentes ligados à violência doméstica.

Diante dos fatos apurados, foram instaurados Termos Circunstanciados de Ocorrência pela suposta prática do crime de falsa comunicação de crime, previsto no artigo 340 do Código Penal, cuja pena pode variar de detenção de um a seis meses ou multa.

Alerta

A Defurv alertou que falsas comunicações de crimes provocam desperdício de recursos públicos e comprometem diretamente o trabalho das forças de segurança pública.

Segundo a especializada, cada ocorrência falsa mobiliza equipes policiais, viaturas, sistemas de inteligência, análises de imagens, diligências externas e procedimentos operacionais que deixam de ser direcionados para investigações de furtos e roubos reais de veículos.

A Polícia Civil também destacou que esse tipo de conduta prejudica os dados estatísticos da criminalidade, aumenta a sobrecarga das unidades policiais e impacta diretamente vítimas reais de organizações criminosas especializadas em furto, receptação e adulteração de veículos.

Por fim, a corporação reforçou que conflitos envolvendo negociações particulares, inadimplência contratual e cobranças financeiras devem ser resolvidos pelas vias cíveis e judiciais adequadas, sem utilização indevida da estrutura policial como mecanismo de cobrança ou recuperação patrimonial privada.

CAMPO GRANDE

Vigilância Sanitária de MS autua clínica em que paciente morreu após hemodiálise

Pacientes passaram mal e um morreu após procedimento na Clínica DaVita

19/05/2026 17h40

Ser humano em hemodiálise - imagem de ilustração

Ser humano em hemodiálise - imagem de ilustração DIVULGAÇÃO

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Vigilância Sanitária, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS), autuou a Clínica DaVita, localizada na rua 13 de maio, bairro São Francisco, em Campo Grande, por possíveis irregularidades.

Pacientes teriam passado mal e outro morreu, após procedimento de hemodiálise realizado no local, neste ano.

A clínica é particular, mas também recebe pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), via convênio com o Estado.

Conforme apurado pela reportagem, agentes da Vigilância Sanitária compareceram na clínica, flagraram irregularidades e autuaram o local. Em seguida, foi instaurado um processo sanitário para apuração dos fatos.

“A SES (Secretaria de Estado de Saúde) confirma que o serviço foi autuado e que será instaurado processo sanitário para apuração dos fatos, conforme previsto na legislação vigente. A SES reforça que acompanha a situação por meio das áreas técnicas competentes e que todas as medidas administrativas e sanitárias cabíveis serão adotadas”, informou a pasta de Saúde por meio de nota enviada ao Correio do Estado.

Ser humano em hemodiálise - imagem de ilustraçãoNota enviada ao Correio do Estado, na tarde desta terça-feira (19)

O relatório de autuação foi enviado ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que deve apurar o fato e solicitar documentos e esclarecimentos à clínica sobre condições sanitárias e protocolos de biossegurança.

O Correio do Estado entrou em contato com a Clínica DaVita por meio de ligação, e-mail e WhatsApp para saber sua versão, mas, até o fechamento desta reportagem, não foi respondido. O espaço segue aberto para resposta.

A Vigilância Sanitária realiza visitas periódicas em clínicas de MS para fiscalizar condições sanitárias e padrões de biossegurança.

O órgão atua como agente essencial na proteção da saúde pública, atuando na prevenção de riscos decorrentes de produtos, serviços e ambientes. Além de fiscalizar e regular, integra esforços entre estados e municípios, promovendo políticas de saúde baseadas em metas e acompanhamento contínuo.

Precariedade

Sem energia, escola registra desmaio de aluna e MPMS vai à Justiça

Falta de ligação de transformador deixou estudantes sem ar-condicionado por quase dois meses; casos de desmaios, tonturas e dores de cabeça motivaram ação do Ministério Público

19/05/2026 17h12

Divulgação

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Bela Vista, ingressou com uma ação civil pública contra a Energisa, concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica no Estado, após falhas no atendimento a uma escola estadual do município.

Segundo o órgão, a demora para a ligação de um novo transformador provocou uma crise estrutural na unidade de ensino, expondo alunos, professores e servidores a condições extremas de calor e comprometendo o funcionamento das atividades escolares.

De acordo com o Promotor de Justiça substituto Gabriel Machado de Paula Lima, a investigação teve início em março de 2026, após denúncia apresentada pela Associação de Pais e Mestres (APM) da escola.

Conforme os autos, a unidade passava por obras de ampliação quando, em 9 de março, sofreu uma sobrecarga elétrica seguida de curto-circuito, ocasionando a queima do disjuntor-geral.

Após reparos emergenciais, a direção da escola foi orientada a manter todos os aparelhos de ar-condicionado desligados para evitar risco de incêndio na rede elétrica da instituição.

A Secretaria de Estado de Educação (SED) chegou a providenciar a instalação de um transformador compatível com a nova demanda energética da escola, porém a ativação do equipamento dependia exclusivamente da concessionária de energia.

Segundo o Ministério Público, mesmo após diversos acionamentos e pedidos formais, a empresa demorou semanas para realizar a ligação do transformador, deixando a comunidade escolar submetida ao calor intenso típico da região de fronteira.

Riscos à saúde

Durante diligências e vistorias realizadas pelo MPMS na unidade escolar, foram constatadas salas lotadas, com até 40 alunos, funcionando apenas com ventiladores em meio às altas temperaturas.

Relatórios encaminhados pela direção da escola ao Ministério Público apontaram uma sequência de episódios de mal-estar entre os estudantes.

No dia 11 de março de 2026, uma aluna do 1º ano desmaiou nos corredores após passar mal devido ao calor excessivo em sala de aula, sendo socorrida às pressas. Já em 12 de março, outros dois estudantes apresentaram fortes tonturas e dores de cabeça, e um deles precisou ser liberado das atividades escolares.

Ainda conforme os registros oficiais, nos dias 23, 26 e 30 de março, novos alunos procuraram a coordenação pedagógica relatando dores de cabeça intensas e indisposição provocadas pelo abafamento térmico dentro das salas.

Na ação judicial, o promotor destacou que a falta de fornecimento adequado de energia comprometeu diretamente o rendimento escolar e colocou em risco a integridade física de crianças, adolescentes e trabalhadores da unidade.

“A falta de fornecimento pleno de energia prejudicou sobremaneira o rendimento escolar dos alunos e colocou em risco a integridade física de crianças, adolescentes e trabalhadores”, destacou o MPMS na ação.

Falhas no atendimento

Além dos problemas na escola, o Ministério Público também realizou inspeção na sala de atendimento presencial da concessionária em Bela Vista e identificou precariedade na estrutura oferecida aos consumidores.

Outro ponto levantado na ação é que o chamado referente à escola estadual teria permanecido semanas sem abertura formal no sistema da empresa. Conforme o MPMS, a justificativa apresentada pela concessionária foi de que a unidade consumidora não havia sido localizada no cadastro.

Diante da situação, o Ministério Público pediu à Justiça a condenação da empresa ao pagamento de indenização por danos morais coletivos, além da reparação dos danos individuais sofridos por alunos, professores e servidores afetados pela falta de energia elétrica na escola.

A equipe de reportagem do Correio do Estado entrou em contato com a Energisa solicitando um posicionamento da empresa. No entanto, até o fechamento desta matéria, não obteve retorno.

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