Cidades

COMBATE A PRAGAS

Arauco libera milhões de vespas para combater praga em plantações de eucalipto

Estratégia para impedir proliferação de lagartas desfolhadoras deve combater praga em plantio de 60 mil a 65 mil hectares

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A gigante chilena Arauco começou liberar milhões de exemplares vespas para combater a disseminação de lagartas que atacam as plantações de eucalipto. A empresa global de celulose tem capacidade de plantio de 60 mil a 65 mil hectares por ano em Mato Grosso do Sul e a existência da praga é um risco à produção.

A criação da estratégia de combate natural busca de forma sustentável e com menores impactos ambientais controlar a presença das pragas do eucalipto, com a produção de biocontrolaores e a liberação de microvespas pasitoides.

Segundo a doutora Mariane Aparecida Nickele, pesquisadora e coordenadora de Fitossanidade da Arauco, a técnica conhecida como controle biológico é sustentável, e serve para conter em especial a presença das lagartas defolhadoras, uma das principais pragas de eucalipto.

A pesquisadora explica que o processo iniciou com a liberação de duas espécies de vespas nos plantios, a Tricholpilus diatraeae e a Tetrastichus howardi. A criação dos microinsetos acontece desde fevereiro deste ano, quando a estratégia começou a ser organizada.

“O ciclo de desenvolvimento dos parasitoides no laboratório dura de 16 a 20 dias e os adultos liberados em campo vivem em torno de 8 dias".

A formação e produção das microvespas acontece em Três Lagoas, nas instalações de pesquisa do Instituto Senai de Inovação em Biomassa, que é parceiro nas pesquisas da empresa.

Conforme os estudos realizados para desenvolvimento da estratégia, diversas espécies de lagartas desfolhadoras transformam-se em mariposas na fase adulta, mas antes desta fase, na larval, o inseto se alimenta das folhas do eucalipto.

A preocupação é ressaltada por Mariane, pois o consumo de folhas podem causar perdas significativas de até 30% da produtividade e, quando pensadas em larga escala em produções grandes, como da megafábrica, torna-se grande risco se não forem manejadas.

Na região de Inocência, no interior do Estado, onde concentram-se a produção de eucalipto, a pesquisadora explica que a as espécies mais frequentes são duas: Thyrinteina arnobia, popularmente conhecida como lagarta-parda-do-eucalipto, e a Iridopsis planopla, ou lagarta-medideira.

A estratégia para combater a perda de produtividade consiste na substituição da presença de lagartas desfolhadoras para a de microvespas nas plantações. Para isso as microvespas liberadas em campo depositam seus ovos no interior dos casulos das lagartas impedindo o desenvolvimento delas.

"Das pupas (fase de casulo no ciclo de vida das lagartas) parasitadas irão emergir novas microvespas, em vez de mariposas, interrompendo a proliferação destas pragas [...] de uma única pupa hospedeira pode emergir, em média, 250 vespinhas parasitoides que, por sua vez, irão parasitar novas pupas da praga".

A utilização dos insetos minúsculos no combate a pragas é uma prática difundida no setor florestal e na agricultura, pois diminui o uso prejudicial de químicos.

Mais de 6 milhões de microinsetos já foram liberados nos campos - Foto: Divulgação

De acordo com Mariane, a meta da Arauco é reduzir ao mínimo o uso de defensivos químicos, que são utlizados segundo a pesquisadora de forma pontual e com pulverizações.

“No manejo de lagartas desfolhadoras, o controle químico é realizado quando há sobreposição de gerações da praga. As aplicações em campo utilizam do controle biológico por pulverizações de inseticidas biológicos à base da bactéria Bacillus thuringiensis e a liberação de parasitoides nos plantios contribui com o manejo integrado de pragas, evitando que a população de lagartas alcance o nível de controle, reduzindo as pulverizações em campo”.

A primeira liberação de microvespas criadas pela empresa aconteceu em março, na Fazenda Garça Real, em Inocência. Até o momento, a pesquisadora afirmou que foram liberadas mais de 6 milhões de microinsetos nos campos.

O projeto, pesquisas e estudos aconteceram em parceria com o Instituto Senai de Inovação em Biomassa, equipe de P&D em Fitossanidade da Arauco, além de instituições de pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)

*Saiba

O eucalipto é a principal matéria-prima de celulose de fibra curta. No interior de Mato Grosso do Sul, em Inocência, a Arauco constrói uma megafábrica, com investimento de US$ 4.6 bilhões e uma capacidade de produção de 3,5 milhões de toneladas de fibra curta de celulose no ano.

Nomeado Projeto Sucuriú, por ficar ao lado do Rio Sucuriú, a área utilizada é de 3.500 hectares e está prevista para iniciar a operação no final de 2027.

Durante as obras, que iniciaram em 2024, com a etapa de terraplanagem, a Arauco oferece capacitação e mais de 14 mil oportunidades de trabalho. A previsão para após a finalização e início da operacionalização no Projeto Sucuriú é de empregar cerca de 6 mil pessoas nas unidades Industrial, Florestal e operações de Logística.

Farra dos Salgadinhos

Polícia descobre esquema de desvio de milhares de salgadinhos em Campo Grande

Produtos eram retirados clandestinamente de uma indústria e foram encontrados em depósito e pontos comerciais; polícia ainda calcula o prejuízo.

10/09/2026 18h54

Milhares de pacotes de salgadinhos foram apreendidos durante investigação sobre desvio de cargas em Campo Grande.

Milhares de pacotes de salgadinhos foram apreendidos durante investigação sobre desvio de cargas em Campo Grande. Foto: Divulgação/Polícia Civil.

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Milhares de pacotes de salgadinhos desviados de uma indústria alimentícia foram apreendidos pela Polícia Civil em Campo Grande nesta quinta-feira (10). As mercadorias estavam distribuídas entre um depósito no bairro São Conrado, na região sudoeste da Capital, e duas unidades de um estabelecimento comercial, onde parte dos produtos já era oferecida para venda no atacado.

A quantidade apreendida chama atenção. Imagens da operação mostram grandes volumes de fardos com pacotes de salgadinhos armazenados e posteriormente recolhidos pelos investigadores.

Segundo a Polícia Civil, nenhuma documentação fiscal correspondente às mercadorias foi apresentada nos locais fiscalizados.

A ação foi realizada pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos (Derf) e faz parte de uma investigação sobre o desvio reiterado de cargas de uma indústria alimentícia instalada na Capital.

Depósito armazenava milhares de pacotes

Um dos endereços identificados durante as diligências fica no São Conrado. Conforme a Polícia Civil, o imóvel vinha sendo utilizado como depósito dos produtos desviados.

No local, os investigadores encontraram milhares de unidades de mercadorias da indústria armazenadas sem as respectivas notas fiscais. Os produtos foram recolhidos e o endereço passou por exame pericial.

Milhares de pacotes de salgadinhos foram apreendidos durante investigação sobre desvio de cargas em Campo Grande.Carga com milhares de pacotes de salgadinhos foi apreendida durante diligências da Derf em Campo Grande. Foto: Divulgação/Polícia Civil.

A investigação avançou até duas unidades de um estabelecimento comercial de Campo Grande. Nesses pontos, outras milhares de unidades dos mesmos salgadinhos também foram localizadas sem documentação fiscal.

Ao contrário do depósito, porém, nesses estabelecimentos os produtos já estavam expostos para comercialização no atacado.

Outro elemento passou a ser considerado pelos investigadores: os salgadinhos eram oferecidos por valores significativamente inferiores aos preços normalmente praticados no mercado, segundo a Polícia Civil.

Polícia apura retirada de cargas de dentro da indústria

As apreensões são parte de uma investigação mais ampla. O avanço das diligências revelou indícios, segundo a Derf, da existência de um esquema estruturado para retirar clandestinamente cargas diretamente das dependências da indústria.

A suspeita é de que, depois de retiradas da empresa, as mercadorias fossem levadas para depósitos e posteriormente colocadas à venda no mercado local.

Agora, os investigadores trabalham para identificar quem participava de cada etapa do esquema, desde a retirada dos produtos da indústria até o armazenamento, aquisição e comercialização.

Os três endereços vistoriados nesta quinta-feira foram submetidos a perícia. Os produtos apreendidos serão identificados e avaliados antes de serem restituídos à empresa vítima.

Caso começou a ser investigado em agosto

A operação desta quinta-feira é um desdobramento de diligências realizadas pela Derf em agosto, quando os policiais chegaram a outro depósito que também armazenava milhares de produtos desviados da mesma indústria.

Naquela ocasião, um investigado foi preso em flagrante. A continuidade da apuração levou os policiais aos novos endereços identificados nesta semana.

As pessoas encontradas no depósito e nos estabelecimentos comerciais foram levadas à sede da Derf para prestar esclarecimentos. Os responsáveis pela aquisição e comercialização das mercadorias serão intimados e interrogados durante o inquérito.

A investigação continua para identificar todos os envolvidos, descobrir quantas cargas teriam sido desviadas e calcular o prejuízo provocado à indústria.

Até o momento, a Polícia Civil não informou o valor total das mercadorias recuperadas nem a estimativa do prejuízo causado pelos desvios.

Temporal na Capital

Ventos atingiram quase 84 km durante temporal que causou estragos em Campo Grande

Tempestade começou por volta das 17h30 desta quinta-feira (10) e durou entre 20 e 30 minutos; muro caiu sobre carro e estrutura foi danificada na Esplanada Ferroviária

10/09/2026 18h52

Muro desabou sobre carro durante temporal com ventos de quase 80 km/h em Campo Grande.

Muro desabou sobre carro durante temporal com ventos de quase 80 km/h em Campo Grande. Foto: Reprodução.

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Ventos de quase 84 quilômetros por hora, acompanhados de chuva intensa, atingiram Campo Grande no fim da tarde desta quinta-feira (10) e deixaram um rastro de estragos em diferentes pontos da cidade. Árvores foram derrubadas, vias ficaram obstruídas, estruturas foram danificadas e, em uma das ocorrências, um muro desabou sobre um veículo estacionado.

O temporal começou por volta das 17h30 e durou entre 20 e 30 minutos. Apesar do curto período, a intensidade das rajadas foi suficiente para provocar danos e mudar rapidamente o cenário em algumas regiões da Capital.

Segundo o meteorologista Nalaio Abrão, em apenas 36 minutos, foram registrados 3.095 raios em Campo Grande, número que ajuda a dimensionar a intensidade da tempestade.

A chuva veio acompanhada de ventania, e vídeos registrados durante a tempestade mostram a força das rajadas. Em alguns momentos, a combinação entre água e vento reduziu consideravelmente a visibilidade nas ruas.

 

 

Os primeiros registros dos estragos começaram a aparecer ainda durante e logo após a passagem da tempestade. Além de galhos espalhados pelas ruas, árvores de maior porte não resistiram à força do vento e acabaram caindo.

Em um dos locais atingidos, uma árvore de grande porte ficou atravessada sobre a via. O tronco e os galhos tomaram a pista, impedindo ou dificultando a passagem de veículos e exigindo atenção dos motoristas.

Estragos na Esplanada Ferroviária

A força da ventania também deixou marcas na Esplanada Ferroviária, região central e histórica de Campo Grande.

Um vídeo feito no local após a passagem do temporal mostra os danos causados pela ventania. Uma estrutura metálica aparece retorcida e derrubada, enquanto partes dela ficaram espalhadas pela área. A chuva ainda caía quando as imagens foram registradas.

O episódio na Esplanada Ferroviária se soma aos demais registros de danos provocados em poucos minutos de tempestade e evidencia a intensidade das rajadas que atingiram a Capital no fim da tarde.

 

 

 

Muro desaba sobre carro

Outro estrago de maior proporção foi registrado em um imóvel de Campo Grande, na esquina da Rua Antônio Corrêa com a Avenida Fernando Corrêa da Costa. Um muro não resistiu à força do temporal e desabou sobre um Volkswagen Fox que estava estacionado no local.

A estrutura de tijolos caiu sobre praticamente toda a parte superior do automóvel. O teto, o para-brisa e o capô foram atingidos, enquanto uma grande quantidade de entulho ficou espalhada ao redor do veículo.

A imagem registrada depois da ocorrência dá dimensão do impacto: dezenas de tijolos ficaram acumulados sobre o carro, além dos destroços que caíram ao redor.

Muro desabou sobre carro durante temporal com ventos de quase 80 km/h em Campo Grande.Muro desabou sobre carro durante temporal com ventos de quase 80 km/h em Campo Grande. Foto: Reprodução.

Até o momento, não há informação de pessoas feridas nas ocorrências registradas. Os danos materiais provocados pelo temporal ainda estão sendo contabilizados, e novos pontos atingidos podem ser identificados ao longo da noite.

A queda de árvores e estruturas também representa risco para a circulação nas ruas após a tempestade. A recomendação é que motoristas reduzam a velocidade e redobrem a atenção, principalmente em trechos onde haja galhos, árvores ou outros obstáculos sobre a pista.

Durante episódios de chuva acompanhada de fortes rajadas, a população também deve evitar permanecer debaixo de árvores ou próximo a postes, placas, coberturas e estruturas que apresentem risco de queda.

 

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